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30 July 2024

POR PROCURAÇÃO

Ex-aluno de Richard Hamilton - pioneiro britânico da pop art - na universidade de Newcastle, Bryan Ferry sentia muito pouca afinidade com a austeridade visual da estética "prog" no início da década de 70. O que o fazia vibrar era a sofisticação, a sensualidade e o brilho das estrelas de Hollywood das décadas anteriores, acima de todas, Rita Hayworth. Por isso, quando, em 1972, chegou o momento da gravação e publicação do primeiro álbum dos Roxy Music (nome de sala de cinema escolhido pela ressonância de "faded glamour") a responsabilidade pela imagem da capa do LP recairia sobre Karl Stoecker - fotógrafo norte-americano inspirado pelas inúmeras ilustrações de "pin-ups" de Alberto Vargas para a "Esquire" - e sobre a série de imagens que realizara com a modelo de origem norueguesa, Kari-Ann Muller. Vestida pelo estilista Anthony Price que, confessava desejar vê-la , estirada sobre cetins, "como um gelado napolitano" azul, cor-de-rosa e branco, de sombra azul carregado nas pálpebras, seria, desde então, um dos exemplos clássicos - embora não exactamente justo - do triunfo do estilo sobre a substância. (daqui; segue para aqui)

Kami Thompson - "Solitary Traveller"

06 March 2018

12 FUTUROS


Richard Hamilton já tinha exibido a colagem Just What Is It That Makes Today's Homes So Different, So Appealing? (1956) que o transformaria num dos pioneiros da Pop Art, cuja definição, aliás, estabeleceu: “popular, transient, expendable, low-cost, mass-produced, young, witty, sexy, gimmicky, glamorous, and Big Business". Fora também o responsável pela capa do White Album, dos Beatles (1968), em radical contraste com a do igualmente pop, Peter Blake, para Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, no ano anterior. Mas foi após ter conhecido a obra dos Roxy Music que não hesitou em declarar Bryan Ferry, seu antigo aluno na universidade de Newcastle, como a sua “maior criação”. Em 2009, dois anos antes da morte de Hamilton, Ferry recordá-lo-ia: “Ele transformou a arte numa parte tão importante da minha vida que influenciava tudo o que eu fazia. Pretendia que os Roxy Music, estilisticamente, fossem muito ecléticos e, quando comecei a escrever canções, todas as influências surgiram. Foi então que a concepção hamiltoniana da colagem me ocorreu, retirando elementos daqui, dali, de todo o lado, e, a partir deles, criando algo novo. Ele foi o nosso Warhol e Duchamp”.


O programa estético estava bem patente – a começar pelo título, "Re-Make/Re-Model" – na primeira canção do álbum de estreia: 26 segundos de colagem sonora "concrète" de uma "cocktail party", explosão rock’n’roll de guitarra, piano, baixo, sax, e bateria perfurada pelos uivos atonais do sintetizador VCS3 de Brian Eno, o texto estranguladamente cantado por Ferry (“I tried but I could not find a way, looking back all I did was look away, next time is the best we all know, but if there is no next time, where to go?”) cujo refrão é uma matrícula de automóvel (“CPL593H”), e os micro-solos finais em que o baixo de Graham Simpson cita "Day Tripper", dos Beatles, a guitarra de Phil Manzanera macaqueia "C’mon Everybody", de Eddie Cochran cruzada com "Peter Gunn" de Duane Eddy, e, à maneira de King Curtis, o sax tenor de Andy MacKay atira-se às Valquírias, de Wagner. Em "Ladytron", Ferry era um cowboy a tocar castanholas numa paisagem lunar à sombra de Prokoviev, "The Bob (Medley)" constituia-se de 7 diferentes secções e 8 mudanças de andamento em menos de 6 minutos, e todo o álbum – agora reeditado em caixa "deluxe" de 3 CD + DVD –, sob o signo da "pin-up", Kari-Ann Muller, era uma extravagante e gloriosa colisão de futurismo e nostalgia. Ou, como diria Brian Eno, “Em 1972, os Roxy Music continham 12 futuros diferentes para o rock”. E 12 diferentes passados.

10 February 2016

Two bald heads collide


"Services are going to require a lot fewer people as a result of artificial intelligence, so the call centres and paralegal professions will be replaced by robots who can do the job better. Turing said if we can communicate with a machine and we can’t tell it’s a machine, then we can assume that machine is intelligent. Now the Turing test has been passed, that will destroy hundreds of millions of jobs. But will the ones created, making this artificial intelligence, be enough to replace the ones lost? So far with capitalism, every labour-saving technology has created more jobs than it has destroyed. The car destroyed jobs for horsemen and stage coach people, but then auto workers and those building the motorways and petrol stations brought more jobs than they destroyed. For the first time, we are running the risk that technology will destroy a lot more jobs than it creates" (aqui; sequência daqui; ver também aqui)

12 June 2015

ROCK’N’ROLL


Segundo Celsus, filósofo grego do século II, citado por Orígenes, Jesus “era natural de uma aldeia da Judeia e filho de uma pobre judia que ganhava a vida com o trabalho das próprias mãos. A mãe tinha sido expulsa de casa pelo marido, carpinteiro de profissão, acusada de adultério com um soldado romano, de nome Panthera. Tendo sido repudiada pelo marido, e vagueando em desgraça, deu à luz Jesus, seu filho bastardo. Em virtude da sua pobreza, Jesus acabaria por ir trabalhar para o Egipto. Aí adquiriu alguns poderes mágicos que os egípcios se orgulham de conhecer. Regressou à sua terra grandemente exaltado pelo facto de dominar esses poderes, e por esse motivo reivindicou ser deus". Paul Verhoeven, cineasta e ateu irrecuperável, capaz de enxergar maior transcendência no cruzar de pernas de Sharon Stone do que na totalidade da Bíblia, partilha a opinião de Celsus e, por isso mesmo, integrou o Jesus Seminar, um colectivo de académicos e leigos dedicado a averiguar, à lupa, a historicidade da figura e das alegadas afirmações do putativo filho do Panthera.


Daí, retirou um livro, Jesus Of Nazareth (2007), e, agora, no penúltimo número do “Philosophie Magazine”, conta que ainda não desistiu de, a partir dele, dirigir um filme com argumento de Roger Avary (o de Reservoir Dogs e Pulp Fiction), representando o protagonista como um pacifista forçado pelas circunstâncias a converter-se em Guevara judaico. Mas, mais importante ainda: inspirando-se no estilo literário dele, “muito seco, factual e distanciado, na verdade, brechtiano”, que narra as parábolas “como Chaplin filmava, em plano de conjunto, sem ceder à emoção fácil”. O que obrigará também Verhoeven, “tal como em RoboCop e Starship Troopers, a integrar as parábolas na história como flashes de informação”. E, em jeito de justificação, o realizador que o compositor Jerry Goldmith (Basic Intinct e Total Recall) assegura ser “musicalmente muito perspicaz”, remata: “Não acredito em deus mas sou grande fã de Jesus. Do mesmo modo que sou fã de Stravinsky, de Bryan Ferry ou dos Rammstein”. Na verdade, faz todo o sentido: quem melhor poderia corporizar o lema über-rock’n’rolliano – pela primeira vez enunciado por Nick Romano/John Derek, em Knock On Any Door (1949) – “Live fast, die young and have a good-looking corpse”

12 December 2013

NATURAL E FORMOSAMENTE HUMANA


Bryan Ferry nem sonhava no sarilho em que se ia meter (embora, talvez, devesse) quando, em Abril de 2007, numa entrevista à edição de domingo do jornal alemão “Die Welt”, elogiou o sentido da encenação e a espectacularidade do regime nacional-socialista de Adolf Hitler: “Falo dos filmes de Leni Riefenstahl, dos edifícios de Albert Speer, das grandes movimentações de massas, das bandeiras. Absolutamente fantástico. Verdadadeiramente belo". Instantaneamente, o mundo – dirigentes de comunidades judaicas, responsáveis políticos e clientes da Marks & Spencer, com quem Ferry celebrara um contrato de publicidade – caiu-lhe em cima. Razoavelmente embaraçado, o ex-estudante de Belas-Artes, logo no dia seguinte, apresentava "desculpas incondicionais por qualquer ofensa causada pelos meus comentários sobre a iconografia nazi, que foram feitos exclusivamente de um ponto de vista da história de arte” e fazia questão de sublinhar que “como qualquer pessoa sã de espírito, considero o regime nazi e tudo o que ele representou, maligno e abominável”. Verdadeiramente interessante é que, se, em vez de se ter referido à estética do nacional-socialismo, Ferry tivesse preferido falar do assombroso cinema de Eisenstein ou do glorioso "kitsch" das óperas da Revolução Cultural Chinesa (ambos armas de propaganda ao serviço de regimes responsáveis por um número de vítimas não inferior ao da barbárie nazi), é bem possível que a entrevista não tivesse provocado nenhum sobressalto. 



Mas poderia também ter recordado o Côro do Exército Vermelho, essa venerável instituição fundada, em 1929, nos primórdios da União Soviética, e ainda hoje em actividade que, na condição de embaixadora de charme, está para a imperial Mãe-Rússia como o Mormon Tabernacle Choir está para a agremiação da divindade que habita o planeta Kolob. Dividido em dois colectivos, o veterano Alexandrov Ensemble (criação de Alexander Vasilyevich Alexandrov, Artista do Povo da URSS, Prémio Estaline, autor do Hino da União Soviética e do Exército Soviético) e o MVD Ensemble, dez anos mais jovem e actual organismo oficial do Ministério do Interior da Federação Russa, tanto um como o outro demonstrarão, certamente, muito pouco apreço pela estética-punk das Pussy Riot, até porque continuam a seguir fielmente a doutrina que, em 1946, Andrei Zhdanov, comissário para a política cultural soviética, estabeleceu: combatendo “a música falsa, vulgar e com frequência, simplesmente patológica” de Shostakovich ou Prokofiev, contra o excesso “do som dos pratos e tambores”, exigia “uma música natural e formosamente humana” (opinião, aliás, próxima da de Joseph Ratzinger, que, em 2001 – na qualidade de prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, sucessora da Sacra Congregação do Santo Ofício –, acusava o rock, essa “expressão de paixões elementares”, de “perturbar os espíritos pelo ritmo, o barulho e os efeitos luminosos”). Formosamente viril e naturalissimamente harmónica, entre "Kalinkas", "Barqueiros do Volga" e (diria Zhdanov, não Putin) o indesculpável desvio de direita do "Ave Maria", de Bach, podem comprová-lo escutando o MVD no recente duplo The Soul of Russia:The Ultimate Collection.

20 January 2012

"We are all very visual today. It's almost like people don't know how to listen any more" (Regina Spektor)



"She said, 'Music is always important, isn't it?' and I replied, 'Yes, ma'am'". (Bryan Ferry, a propósito do seu encontro com a raínha Isabel, quando esta lhe conferiu o grau de Commander of the Most Excellent Order of the British Empire/CBE)

(2012)

08 April 2011

VINTAGE (XXXVI)

Roxy Music - "Re-Make/Re-Model"


(2011)
PEGADAS



Aquaparque - Pintura Moderna

Abandonar o centro para, após o ter relocalizado noutro lugar geométrico, o voltar a ocupar. Não é estratégia nova nem sequer extraordinariamente distante daquela outra que, há várias décadas, Bryan & Brian raptaram para o perímetro pop e designaram como "Re-Make/Re-Model". É, aliás, sintomático que Brian (Eno) apareça no ramalhete de alusões estéticas que acompanha a publicação de Pintura Moderna, ao lado de tão diversa gente quanto Stock, Aitken & Waterman, Trevor Horn, Jellybean Benitez, Vince Clarke e Bill Laswell. E costuma ser também o procedimento através do qual sucessivas gerações pop mudam de pele - tal como no embrulho-manifesto se alega - acercando-se dos velhos materiais para reproduzir-lhes os códigos, trocando-lhes a lógica.



Pedro Magina (voz, Casio Tonebank, Yamaha DS55, harmónica, percussão) e André Abel (voz, programações, guitarra), gente de Santo Tirso com percursos paralelos e anteriores (enquanto Aquaparque haviam já editado, em 2009, É Isso Aí), redescobrem, então, as pegadas que, em outros anos, levaram Pop Del’Arte ou Mler Ife Dada a desenhar um distinto perfil para a música moderna lusa (e que, sob diferentes ângulos e iluminações, inspiraram também o eixo FlorCaveira/Amor Fúria), manipulam, desfiguram, realinham e fragmentam abstracções digitais, enovelam melodias, perplexidades e distorção, e, um pouco à maneira rigorosamente caótica de uns Animal Collective, inventam um privado e luminoso labirinto sonoro onde já começa a ser perigosamente apetecível perder-se. É diamante ainda em bruto de cuja lapidação – a ser realizada com precaução mas não exagerado desejo de perfeição – bem poderá resultar mais uma jóia da coroa.

(2011)

18 November 2010

O PERIGO DE SER MODERNO



Bryan Ferry - Olympia

Ninguém como Bryan Ferry (nos Roxy Music ou a solo) levou tão a sério o célebre aforismo de Oscar Wilde “só mesmo as pessoas superficiais não julgam pelas aparências”. O que, das capas de álbuns com deslumbrantes ensaios fotográficos "kitsh" de supermodelos ao sarilho em que, há três anos, se embrulhou devido a, muito candidamente, ter declarado quanto o fascinava a estética nacional-socialista de Albert Speer e Leni Riefenstahl – posteriormente, justificou-se alegando que é um absurdo confundir ideologia com estética –, nunca deixou de levar à letra e praticar. Oriundo do que, supostamente, deveriam ter sido as sessões de estúdio de um álbum de reunião dos Roxy, Olympia não se afasta desse rumo: se a imagem de Kate Moss, no rosto do CD, constitui uma homenagem à Olympia, de Manet (e não será também, sabe-se lá, genuflexão perante o Olympia, de Riefenstahl?), lá dentro o chuveirinho de citações prossegue, de "Tender Is The Night" (cortesia de Scott Fitzgerald) a "Alphaville" (de umas bobines de Jean-Luc Godard). A questão é que, onde tudo é – ainda que só aparentemente – apenas superfície, essa superfície tem a obrigação inegociável de ser absolutamente imaculada. E a de Olympia é tudo menos isso: a pose de requintado "lounge lizard", escorrega excessivamente no "faux"-funk de casino, o elenco de "guest-stars" (de Jonny Greenwood a David Gilmour, Flea, Nile Rodgers, Scissor Sisters e todos os ex-Roxy) empastela originais e versões (o massacre de "Song To The Siren" é atroz) e, tudo somado, fica somente uma vaga memória difusa do que foi o inventor da tribo “New Romantic”. Conviria recordar-lhe que Oscar Wilde também gostava de dizer que “o perigo de ser moderno é que podemos tornar-nos antiquados em qualquer momento”.

(2010)

16 February 2010

24 July 2007

DEPARTAMENTO "PEQUENOS ÓDIOS DE ESTIMAÇÃO" (V)



Antony & The Johnsons - I Am A Bird Now

Imaginemos por um instante que Antony era uma personagem que não achava necessário afirmar coisas tolas e absurdas como "os transsexuais são das criaturas mais evoluídas e belas do planeta" e que não fazia da ambiguidade sexual um pretexto imperativo de afirmação. Não seria terrivelmente difícil imaginá-lo. Bastaria que não se lhe tivesse metido na cabeça a ideia de ressuscitar à viva força a atmosfera "glam" dos anos 70 e de, tarde e a más horas, supôr que o glorioso festim decadente da Factory de Andy Warhol poderia ser reencenado quarenta anos depois. Prescindindo, por exemplo, de sublinhar isso a traço muito grosso, com uma fotografia na capa da "superstar" warholiana, Candy Darling, no seu leito de morte. Imaginemos também que, para justificar a presença da voz de Julia Yasuda numa das faixas do seu álbum ("Free At Last"), não lhe parecia imprescindível partilhar connosco a informação de que "ela nasceu com cromossomas XXY, é hermafrodita". Esforcemo-nos por supôr, já agora, que Antony não tinha sido apadrinhado pela nomenklatura "neo-freak" norte-americana — Joanna Newsom, Devendra Banhart, CocoRosie — nem recebido o alto patrocínio do casal Reed/Anderson. Como se escutaria, então, I Am A Bird Now?



Muito provavelmente, apenas como um álbum de muito débeis canções, musicalmente assaz convencionais, onde se desperdiça o grande trunfo que possui (e que levou Lou Reed a convidá-lo para The Raven e digressões subsequentes): um timbre vocal de contra-tenor, algures entre Bryan Ferry, Nina Simone e Jimmy Scott, capaz de libertar da gravidade qualquer melodia. Acontece, porém, que as melodias que ele escreve de todo não o merecem. E não será por as transformar em cenário de um patético e rudimentar "peep show" sobre o sofá do psicanalista ("one day I'll grow up and be a beautiful woman, one day I'll grow up and be a beautiful girl", confessa-nos em "For Today I Am A Boy" para, pouco depois, em "Fistfull Of Love", muito pouco metaforicamente, se lamentar da aridez emocional de um episódio de "fisting" como forma de intimidade) que elas atingirão algum tipo de redenção. Nem por isso, nem pela convocatória (previsível, muito, muito previsível) para a sua guarda de honra de Boy George e Rufus Wainwright. Embora, tudo isso em conjunto, lhe garanta a quase total aclamação de quem não ousa desencadear a ira sagrada das hostes do politicamente correcto. (2005)

21 April 2007

O CERCO POLITICAMENTE CORRECTO (continuação):

Bryan Ferry's Nazi gaffe


Olympia (real. Leni Riefenstahl, 1938)

"My God, the Nazis knew how to put themselves in the limelight... Leni Riefenstahl's movies, Albert Speer's buildings, the mass parades and the flags - just amazing. Really beautiful" (Bryan Ferry in "Welt Am Sonntag")

When Marks & Spencer recruited singer Bryan Ferry to be the face of its menswear collection, it believed his reputation as rock's "king of cool" would help them to boost sales.
But customers and management of the retailer, founded by Russian-Jewish refugees, will be alarmed to learn that the elegant singer has admitted he draws inspiration from the aesthetics of Nazi Germany.
Ferry, the lead singer of Roxy Music, has caused outrage at home and abroad for remarks he made to a German newspaper about his admiration for the work of Leni Riefenstahl, notorious for her Nazi propaganda films, and the architecture of Albert Speer.


Outubro (real. Sergei Eisenstein, 1927)

In an interview with "Welt am Sonntag", the 61-year-old also acknowledged that he calls his studio in west London his "Führerbunker". "My God, the Nazis knew how to put themselves in the limelight and present themselves," he said. "Leni Riefenstahl's movies and Albert Speer's buildings and the mass parades and the flags - just amazing. Really beautiful".
One German correspondent on the website of "Freundin", a German women's magazine, writes: "This can't be called intellectual humour and it tests even my tolerance when you hear such stupid, crazy and dangerous waffling."
The Labour peer and former war crimes investigator Greville Janner said: "It is deeply offensive when people think they can joke about the Nazis. Riefenstahl was part of the Nazi movement and the Nazis were murderers. And the mass parades he refers to make me vomit. Marks & Spencer should have a serious rethink about employing him".


O Destacamento Vermelho Feminino (Ópera de Pequim, 1964)

Nick Viner, chief executive of the Jewish Community Centre for London, said that Ferry's remarks were "ill-conceived" and "left a bad taste in the mouth".
"Riefenstahl was responsible for sending people to their deaths. There is a fine line between people going about their business and people colluding in truly terrible behaviour".
Ferry's manager dismissed the protests as "absurd". "To take offence here is to confuse the aesthetic with the ideological," Steven Howard said. "To suggest that a certain appreciation of art and architecture that happens to be associated with the Nazi regime means condoning the actions of that regime is illogical". ("The Independent Online" 15.04.07)


O Couraçado Potemkine (real. Sergei Eisenstein, 1925)

Ferry apologises for Nazi remarks

Singer Bryan Ferry has apologised for an interview in which he praised the iconography of the Nazi party. The UK star is reported to have told a German newspaper that the "mass marches and the flags" of Hitler's regime were "just fantastic - really beautiful". Jewish leaders in Britain condemned the comments, and called for Marks and Spencer to drop Ferry as a model. "I apologise unreservedly," the singer said in a statement, adding he found the Nazi regime "evil and abhorrent".
According to press reports, the 61-year-old told the "Welt Am Sonntag" newspaper last month: "The way that the Nazis staged themselves and presented themselves, my Lord! I'm talking about the films of Leni Riefenstahl and the buildings of Albert Speer and the mass marches and the flags. Just fantastic - really beautiful".


Olympia (real. Leni Riefenstahl, 1938)

(...) In a statement released on his behalf, Ferry said he was "deeply upset" by the publicity surrounding the interview. "I apologise unreservedly for any offence caused by my comments on Nazi iconography, which were solely made from an art history perspective," he said. "I, like every right-minded individual, find the Nazi regime, and all it stood for, evil and abhorrent".
"We do welcome the fact that he has issued a swift comment that there was no intention to condone the Nazi regime," said Jeremy Newmark, chief executive of the Jewish Leadership Council.
"Nevertheless, his choice of language was deeply insensitive", he added.
Lord Greville Janner, vice-president of the World Jewish Congress, told Reuters news agency: "His apology was total, appropriate and absolutely necessary. I hope that he will never make the same mistake again". (BBC News 16.04.07) (2007)