04 August 2024
30 July 2024
POR PROCURAÇÃO
Ex-aluno de Richard Hamilton - pioneiro britânico da pop art - na universidade de Newcastle, Bryan Ferry sentia muito pouca afinidade com a austeridade visual da estética "prog" no início da década de 70. O que o fazia vibrar era a sofisticação, a sensualidade e o brilho das estrelas de Hollywood das décadas anteriores, acima de todas, Rita Hayworth. Por isso, quando, em 1972, chegou o momento da gravação e publicação do primeiro álbum dos Roxy Music (nome de sala de cinema escolhido pela ressonância de "faded glamour") a responsabilidade pela imagem da capa do LP recairia sobre Karl Stoecker - fotógrafo norte-americano inspirado pelas inúmeras ilustrações de "pin-ups" de Alberto Vargas para a "Esquire" - e sobre a série de imagens que realizara com a modelo de origem norueguesa, Kari-Ann Muller. Vestida pelo estilista Anthony Price que, confessava desejar vê-la , estirada sobre cetins, "como um gelado napolitano" azul, cor-de-rosa e branco, de sombra azul carregado nas pálpebras, seria, desde então, um dos exemplos clássicos - embora não exactamente justo - do triunfo do estilo sobre a substância. (daqui; segue para aqui)
06 March 2018
10 February 2016
12 June 2015
12 December 2013
Bryan Ferry nem sonhava no sarilho em que se ia meter (embora, talvez, devesse) quando, em Abril de 2007, numa entrevista à edição de domingo do jornal alemão “Die Welt”, elogiou o sentido da encenação e a espectacularidade do regime nacional-socialista de Adolf Hitler: “Falo dos filmes de Leni Riefenstahl, dos edifícios de Albert Speer, das grandes movimentações de massas, das bandeiras. Absolutamente fantástico. Verdadadeiramente belo". Instantaneamente, o mundo – dirigentes de comunidades judaicas, responsáveis políticos e clientes da Marks & Spencer, com quem Ferry celebrara um contrato de publicidade – caiu-lhe em cima. Razoavelmente embaraçado, o ex-estudante de Belas-Artes, logo no dia seguinte, apresentava "desculpas incondicionais por qualquer ofensa causada pelos meus comentários sobre a iconografia nazi, que foram feitos exclusivamente de um ponto de vista da história de arte” e fazia questão de sublinhar que “como qualquer pessoa sã de espírito, considero o regime nazi e tudo o que ele representou, maligno e abominável”. Verdadeiramente interessante é que, se, em vez de se ter referido à estética do nacional-socialismo, Ferry tivesse preferido falar do assombroso cinema de Eisenstein ou do glorioso "kitsch" das óperas da Revolução Cultural Chinesa (ambos armas de propaganda ao serviço de regimes responsáveis por um número de vítimas não inferior ao da barbárie nazi), é bem possível que a entrevista não tivesse provocado nenhum sobressalto.
20 January 2012
(2012)
08 April 2011
18 November 2010
16 February 2010
(entregar em mão a "pelo casamento, pela família" - III)
Kristin Scott Thomas e Emmanuelle Seigner
(2010)
24 July 2007
Antony & The Johnsons - I Am A Bird Now
Imaginemos por um instante que Antony era uma personagem que não achava necessário afirmar coisas tolas e absurdas como "os transsexuais são das criaturas mais evoluídas e belas do planeta" e que não fazia da ambiguidade sexual um pretexto imperativo de afirmação. Não seria terrivelmente difícil imaginá-lo. Bastaria que não se lhe tivesse metido na cabeça a ideia de ressuscitar à viva força a atmosfera "glam" dos anos 70 e de, tarde e a más horas, supôr que o glorioso festim decadente da Factory de Andy Warhol poderia ser reencenado quarenta anos depois. Prescindindo, por exemplo, de sublinhar isso a traço muito grosso, com uma fotografia na capa da "superstar" warholiana, Candy Darling, no seu leito de morte. Imaginemos também que, para justificar a presença da voz de Julia Yasuda numa das faixas do seu álbum ("Free At Last"), não lhe parecia imprescindível partilhar connosco a informação de que "ela nasceu com cromossomas XXY, é hermafrodita". Esforcemo-nos por supôr, já agora, que Antony não tinha sido apadrinhado pela nomenklatura "neo-freak" norte-americana — Joanna Newsom, Devendra Banhart, CocoRosie — nem recebido o alto patrocínio do casal Reed/Anderson. Como se escutaria, então, I Am A Bird Now?
Muito provavelmente, apenas como um álbum de muito débeis canções, musicalmente assaz convencionais, onde se desperdiça o grande trunfo que possui (e que levou Lou Reed a convidá-lo para The Raven e digressões subsequentes): um timbre vocal de contra-tenor, algures entre Bryan Ferry, Nina Simone e Jimmy Scott, capaz de libertar da gravidade qualquer melodia. Acontece, porém, que as melodias que ele escreve de todo não o merecem. E não será por as transformar em cenário de um patético e rudimentar "peep show" sobre o sofá do psicanalista ("one day I'll grow up and be a beautiful woman, one day I'll grow up and be a beautiful girl", confessa-nos em "For Today I Am A Boy" para, pouco depois, em "Fistfull Of Love", muito pouco metaforicamente, se lamentar da aridez emocional de um episódio de "fisting" como forma de intimidade) que elas atingirão algum tipo de redenção. Nem por isso, nem pela convocatória (previsível, muito, muito previsível) para a sua guarda de honra de Boy George e Rufus Wainwright. Embora, tudo isso em conjunto, lhe garanta a quase total aclamação de quem não ousa desencadear a ira sagrada das hostes do politicamente correcto. (2005)
21 April 2007
Bryan Ferry's Nazi gaffe
Olympia (real. Leni Riefenstahl, 1938)
Outubro (real. Sergei Eisenstein, 1927)
O Destacamento Vermelho Feminino (Ópera de Pequim, 1964)
O Couraçado Potemkine (real. Sergei Eisenstein, 1925)
Singer Bryan Ferry has apologised for an interview in which he praised the iconography of the Nazi party. The UK star is reported to have told a German newspaper that the "mass marches and the flags" of Hitler's regime were "just fantastic - really beautiful". Jewish leaders in Britain condemned the comments, and called for Marks and Spencer to drop Ferry as a model. "I apologise unreservedly," the singer said in a statement, adding he found the Nazi regime "evil and abhorrent".
Olympia (real. Leni Riefenstahl, 1938)