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09 October 2022

 
(sequência daqui) Tinha Earthling (1997) acabado de sair, Jones/Bowie, por entre gargalhadas, revelar-me-ia um último segredo: “Eu e o Brian Eno, em 1978, fundámos a Escola do Pretensiosismo de que nos tornámos os curadores e principais conferencistas. O nosso objectivo era criar conceitos e ideias que irritassem toda a gente!” Em 2003, porém, antes de uma longa pausa de uma década, já muito mais a sério, diria: “Nos últimos 20 anos, a realidade transformou-se numa abstracção para muita gente. Não há conhecimento, apenas a interpretação dos factos com que, diariamente, nos inundam. Sentimo-nos como que à deriva no mar. E as circunstâncias políticas ainda empurram o barco para mais longe”. O fim de uma era?

06 October 2022

Brett Morgen talks about his David Bowie film Moonage Daydream
 
(sequência daqui) Na verdade, como, em 2016, aquando da conferência “David Bowie: Interart/Text/Media” organizada pelo Centro de Estudos Anglísticos da Universidade de Lisboa, Will Brooker, (escritor e professor de Film and Cultural Studies na Kingston University de Londres) sublinharia, as coisas não são assim tão simples: “David Bowie é um mosaico. Uma obra de arte e uma obra de vida criadas por David Robert Jones durante um período de 50 anos. Ele é, talvez, a maior obra de arte dos séculos XX e XXI. O artista, David Jones, já não está entre nós mas a sua criação ‘David Bowie’, permanece”. A 16 de Julho de 1972, na apresentação de Ziggy Stardust And The Spiders From Mars a dezenas de jornalistas americanos, Jones, aliás, “a sua própria personagem”, Bowie, não poderia ter sido mais claro: “Pessoas como o Lou Reed e eu anunciam, provavelmente, o fim de uma era. E digo isto catastroficamente. Qualquer sociedade que deixa à solta gente como nós está seriamente perdida. Somos ambos muito confusos, paranóicos, absolutos desastres ambulantes. Se somos a vanguarda de alguma coisa, não somos necessariamente a vanguarda de algo bom”. (segue para aqui)

02 October 2022

O FIM DE UMA ERA?

Em 1993, acabava David Bowie de publicar Black Tie White Noise, perguntei-lhe se tinha definitivamente desistido de criar novas personagens e heterónimos – Ziggy Stardust, Alladin Sane, The Thin White Duke... – e se decidira definitivamente a ser apenas David Bowie, músico, compositor e cantor. Gentilmente, respondeu-me: “Quando comecei, como não tinha coragem para subir ao palco com as minhas canções e não havia quem o fizesse por mim, tive de conceber essas personagens para não passar pela humilhação de ser eu próprio. Mas posso dizer que esse processo terminou por volta de 76. Foi nessa altura que, pela última vez, uma delas subiu ao palco. Depois disso, tem sido apenas uma questão de escolha de fatos diferentes”. Três anos mais tarde, por ocasião do lançamento de Outside – assente no ficcional "Diário de Nathan Adler", detective da brigada de Art-Crime, no qual, após descrever minuciosamente o assassinato e desfiguramento sanguinário da adolescente "Baby Grace Blue", se interrogava: “It was definitely murder, but was it art?” – voltei à carga e insinuei se Adler não teria sido uma recaída. Nada disso: “Em palco, continuo a encarnar a minha própria personagem, David Bowie, não exibo as outras. Fazem apenas parte do conteúdo das canções”. (segue para aqui)

Moonage Daydream - real. Brett Morgen)