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25 January 2008

O CONCEITO E A CONCRETIZAÇÃO
(em ricochete daqui)



Black Ox Orkestar - Ver Tanzt?

Entre o conceito e a sua concretização vai uma considerável distância. O conceito: música judaica klezmer praticada por um quarteto de Montreal onde participam elementos dos A Silver Mt. Zion e Sackville, editado pela Constellation (Godspeed & Cº) que reivindica como influências o rock, o free jazz e as músicas turca, grega e balcânica. A concretização: essencialmente klezmer tal como o conhecemos — música ora vibrante, ora melancólica, de crescendos e acelerandos emocionais —, executado por um quarteto (Gabe Levine, clarinete, clarinete baixo e guitarra; Jessica Moss, violino e clarinete baixo; Scott Levine Gilmore, voz, guitarra, bandolim, violino, harmonium, cymbalon e bateria; Thierry Amar, contrabaixo) que, ocasionalmente, se autoriza um módico de liberdade melódica e harmónica, improvisa q.b. e ensaia um ou outro momento dissonante mais heterodoxo. De rock, pouco ou nada (o que não é mau); de free jazz, talvez só a intenção (o que não é necessariamente bom); de turco-greco-balcanismos, alguns aromas; de klezmer, quase tudo. Nas palavras (cantadas em yiddish), asseguram-nos que são telegrafadas mensagens mais ou menos radicais como "Do the oppressed mirror the oppressor? The beaten child is in the street with fists and the sad race of wise men sends brutes to the border". A concretização não é má. O conceito parecia bastante melhor. (2004)

20 January 2008

GO EAST/GO WEST



Beirut - The Flying Club Cup

No primeiro álbum, Gulag Orkestar (2006), Zach Condon, americano de Santa Fe, criou a sua ficção privada do que seria a música cigana dos Balcãs – já a Black Ox Orkestar, os Gogol Bordello, The One Ensemble ou A Hawk and a Hacksaw haviam bebido desse cálice –, tal como a escutou nos filmes de Kusturica e nos discos do Taraf de Haidouks. A relação não seria etnomusicologicamente exacta (tal como Beirut – a cidade – se situa um nadinha mais a Leste) mas o álbum era muito bom. Em The Flying Club Cup, aparentemente, o eixo de referências ter-se-à deslocado para Paris (acerca da qual, Condon cita recorrentemente Jacques Brel – alguém que o esclareça sobre a sua nacionalidade belga), “chanson & musette” incluídas. Detecta-se, de facto, um ou outro aroma de Beaujolais e Veuve Cliquot sem que isso, no entanto, tenha anulado os intensos odores “balcânicos” anteriores. Esses e os também muito presentes de Stephin Merritt, Divine Comedy, Rufus Wainwright (felizmente q.b. e só q.b.) e mesmo Sufjan Stevens. O “bouquet” ficou consideravelmente enriquecido e há que dizer que o potencial desta estética-InterRail ainda mal começou a ser explorado.

(Vive La Blogothèque!)


















(2007)