Edit (23:06) - ... nunca esquecendo o velho Bert
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30 December 2025
08 June 2023
(sequência daqui) 3) No documentário da BBC Dylan’s Women (2011), não espiolhando em modo "paparazzo" a vida privada de Bob Dylan, registam-se, porém, aquelas mulheres que, de um modo ou de outro, foram determinantes na sua vida. A saber: Terri Thal, primeira "manager" cuja residência em Greenwich Village funcionava como santuário para os músicos folk do início dos anos 60 e ponto de encontro para discussões sobre música, política e teatro. Foi ela quem lhe conseguiu o primeiro concerto no Gerde’s Folk City, lendário clube da época em Nova Iorque; Carolyn Hester, figura importante do "folk revival" da qual Dylan encontrou forma de se aproximar, praticamente suplicando que o autorizasse a fazer a primeira parte de um concerto em Boston e logrando um convite para tocar harmónica no álbum que ela se preparava para publicar pela Columbia. John Hammond não estava desatento e, pouco depois, contratá-lo-ia; Suze Rotolo, a companheira na capa de The Freewheelin' Bob Dylan (1963) que lhe daria a conhecer Bertolt Brecht, Kurt Weill, e sobretudo, Rimbaud cujo “Je est un autre” lhe viraria o mundo às avessas (“Todas as campaínhas começaram a tocar. Aquelas palavras faziam perfeito sentido”); Joan Baez, que, com ele, durante um breve espaço de tempo (iniciado no Newport Folk Festival de 1961), constituiu a suprema sizígia folk; Sara Lownds, a “Sad Eyed Lady Of The Lowlands”, actriz, modelo e força benigna apaziguadora com quem foi casado de 1965 a 1977. (segue para aqui)
29 July 2021
(sequência daqui) Discípulo confesso (e brilhante) de Scott Walker mas também eclético adepto de Sandy Denny, Magazine, The Pop Group, Martin Carthy, Sinatra, Jim O’Rourke, Bill Evans, Brecht e Planxty, em Song of Co-Aklan, tanto assume o registo de agitador inflamado (“Feeling affronted? Blame the unwanted!” e “There’s aliens for blaming and poor folks for defaming”) como o de niilista friamente amargo (“Time will erase us, scene by scene, gone like the fragments of a dream“), mas assegura não ter pretendido criar “um álbum didactico nem pregar coisa nenhuma: não desejo agredir ninguém com o monopólio da verdade. Vejo-me mais como um parasita do que se passa no mundo do que como um influenciador”. O que não foi, de todo, impeditivo de – na companhia de veteranos dos Mansions, Microdisney e Scritti Politti mas também do inclassificável Luke Haines – ter gravado algo como uma sinistra visão de John Cale enquadrada pela elegância cinemática de David Lynch.
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11 August 2020
AGITADORES
No extenso e desvairado menu da esfera conspiranóica, um dos pratos actualmente com mais saída é o do “marxismo cultural”, herdeiro legítimo do “bolchevismo cultural” nazi. Simplificando bastante porque não é de digestão fácil, algures numa obscura caverna, uma seita de temíveis radicais apostados em virar o mundo do avesso, trabalharia dia e noite para manter em frenética actividade os seus agentes espalhados pelo planeta (e, em especial, pelos media, universidades, artes, letras, ciências sociais), soldadinhos da subversão do Ocidente branco e cristão e da militância por causas com as quais, na maioria, Marx nunca sequer sonhou: políticas de género, ambientalismo, imigração, secularismo, questões identitárias. Não basta ser direitolas para combater nas fileiras dos anti-marxistas culturais, é indispensável acreditar que, desta vez, “o espectro” anda mesmo por aí e que, sem darmos por isso, vai devorar-nos as entranhas.
"New Left Review #2" (álbum integral aqui)
Por, em 1985, terem chegado cedo de mais – o papão do “marxismo cultural” só foi detectado no início dos anos 90 – ou por tenderem para um marxismo mais "old school", os McCarthy de Malcolm Eden, Tim Gane, John Williamson e Gary Baker (Lætitia Sadier juntar-se-lhes-ia fugazmente antes de, com Gane, fundar os Stereolab) nunca caíram no index da nova Inquisição mas, na qualidade de agitadores infiltrados na cultura pop, houve muito poucos como eles. Adepto do distanciamento brechtiano, Eden (a locomotiva ideológica da banda), ao modelo punk de agit-prop irada, preferia as interrogações educadamente irónicas (“Who made the wealth in this pleasant land? The entrepreneurs made it with their only free hand. Why do prices rise? Who's to blame for that? The workers put up prices with their pay demands”) envoltas no doce crochet de guitarras de raiz Byrds/Smiths. The Enraged Will Inherit The Earth (1989) – segundo volume antes do terceiro e final Banking, Violence And The Inner Life Today (1990) –, agora reeditado em duplo vinil com as proverbiais raridades, não há-de escapar outra vez às patrulhas de vigilância.
07 April 2020
O ex-"sit-down comedian" desconhece, de certeza, Bertolt Brecht (e também a ciência muito apropriadamente suiça)
10 September 2019
LIMPAR O PÓ AOS ARQUIVOS (LVIII)
(com a indispensável colaboração do R & R)
(clicar na imagem para ampliar)
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13 April 2019
(já que veio à conversa a República de Weimar)
Weimar Republic - Germany: Berlin Metropolis of Vice (Legendary Sin Cities - I)
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31 August 2017
UMA ORGIA AUSTERA
Quando, à sétima canção de Stop Making Sense, David Byrne inicia um veloz corta-mato em redor do palco e sobre os adereços, enquanto o resto dos Talking Heads se entrega a uma intensa coreografia aeróbica, se até aí não tinha ficado claro, o que se escuta nessa interpretação de “Life During Wartime” eliminaria todas as dúvidas: “This ain't no party, this ain't no disco, this ain't no fooling around”. Não só não era, de facto, nada disso – a canção falava de cenários de guerra pós-apocalípticos com alusões aos Baader-Meinhof – mas era também completamente diferente da ideia que até aí fazíamos (e ainda hoje, em larga medida, fazemos) do que deveria ser um filme-concerto. Em Abril passado, por ocasião da morte do realizador, Jonathan Demme, Byrne recordou-o: “O génio de Jonathan foi encarar o concerto como uma peça teatral colectiva na qual as personagens e os seus tiques seriam apresentados ao público, permitindo-lhe conhecer a banda como pessoas com as suas personalidades distintas. Eu estava demasiado concentrado na música, na encenação e na iluminação para me aperceber quão importante era o recorte das personagens. Foi isso que tornou o filme tão diferente e especial”. À época, na “New Yorker”, Pauline Kael escreveu que ir ver Stop Making Sense era “como participar numa orgia austera” e descrevia David Byrne enquanto “esteta que opera no modo moderno de uma ironia assustadora e catatónica”.
Speaking In Tongues, o quinto álbum dos Talking Heads tinha saído em Junho de 83 e, na digressão que se lhe seguiria, David Byrne iria pôr em prática uma série de ideias que, há algum tempo, lhe tinham começado a espevitar o nervo criativo. Durante a tournée do anterior Remain In Light (1980), quando passara pelo Japão, tivera oportunidade de assistir a representações de teatro tradicional Kabuki, Noh e Bunraku, “altamente estilizadas, ao contrário do teatro pseudo-naturalista a que, no Ocidente, estamos habituados. Todos usavam roupa de tamanho grande, extremamente elaborada, e moviam-se de modo diferente daquilo que acontece na vida real”, conta ele em How Music Works (2012). Um pouco mais a Sul, em Bali, fora descobrir práticas religiosas rituais e o teatro de sombras local e tomara nota de que “mesmo quando alguns participantes entravam em transe, havia procedimentos estabelecidos, não se tratava de momentos puramente caóticos”. Aprendera, enfim, que “a ênfase ocidental no pseudo-naturalismo e no culto da espontaneidade como forma de autenticidade era apenas um modo de fazer as coisas em palco”. E, em Nova Iorque, no contacto com a cena teatral "downtown" – Robert Wilson, Mabou Mines, Wooster Group – e através das observações de William Chow (actor da ópera de Pequim que Byrne convidara para assistir a concertos dos Heads), amadurecera uma espécie de conceito pós-brechtiano: “primeiro, o mágico explica como se faz o truque e, a seguir, executa-o”.
Encontravam-se prontas a usar todas as peças que, meticulosamente reunidas, constituiriam os concertos que Jonathan Demme iria filmar no Pantages Theatre de Hollywood, em Dezembro de 1983: 88 minutos de um crescendo feito da exuberante geometria das coreografias (em que, ao quarteto base se acrescentariam Bernie Worrell, Alex Weir, Steve Scales, Lynn Mabry e Ednah Holt), da diabólica precisão das poliritmias pop-funk, da "body language" espasmódica de David Byrne e da sua "business suit XXXL", numa síntese de dança contemporânea, teatralidade pop experimental e fantasia ferreamente controlada. Só na digressão de Love This Giant (2012), com St. Vincent, David Byrne voltaria a envolver-se num projecto de palco de tal dimensão. Mas, então, já não estaria Jonathan Demme atrás das câmaras.
11 January 2017
Dagmar Krause - "Change The World - It Needs It" (Brecht/Eisler)
With whom would the righteous minded man not sit down to help the righteous?
What medicine would taste too bad to a dying man?
What baseness would you not commit, could you rid the world of all baseness?
And, if in the end, you change the whole world, for what task are you too good?
For what task are we too good?
Sink down in the slime.
Embrace your butcher.
But change the world, it needs it.
Who are you?
Who are you?
10 June 2016
"Patriotism ... is a superstition artificially created and maintained through a network of lies and falsehoods; a superstition that robs man of his self-respect and dignity, and increases his arrogance and conceit" ― Emma Goldman
"In every age it has been the tyrant, the oppressor and the exploiter who has wrapped himself in the cloak of patriotism, or religion, or both to deceive and overawe the people" ― Eugene V. Debs
"Unhappy the land that is in need of heroes" ― Bertolt Brecht
"How does one hate a country, or love one?... I know people, I know towns, farms, hills and rivers and rocks, I know how the sun at sunset in autumn falls on the side of a certain plowland in the hills; but what is the sense of giving a boundary to all that, of giving a name and ceasing to love where the name ceases to apply? What is the love of one's country; is it hate of one's uncountry? Then it's not a good thing" ― Ursula K. Le Guin
"There has seldom if ever a shortage of eager young males prepared to kill and die to preserve the security, comfort and prejudices of their elders, and what you call heroism is just an expression of this simple fact; there is never a scarcity of idiots" ― Iain Banks
"I'm no more modern than ancient, no more French than Chinese, and the idea of a native country, that is to say, the imperative to live on one bit of ground marked red or blue on the map and to hate the other bits in green or black, has always seemed to me narrow-minded, blinkered and profoundly stupid" - Gustave Flaubert
"Man is the only patriot. He sets himself apart in his own country,
under his own flag, and sneers at the other nations, and keeps
multitudinous uniformed assassins on hand at heavy expense to grab
slices of other people's countries, and keep them from grabbing slices
of his. And in the intervals between campaigns, he washes the blood off
his hands and works for the universal brotherhood of man, with his
mouth” - Mark Twain
12 January 2016
David Bowie's graduation speech at Berklee College of Music: “What I really enjoyed the most, was the game of 'what if?' What if you combined Brecht-Weill musical drama with rhythm and blues? What happens if you transplant the French chanson with the Philly sound? Will Schoenberg lie comfortably with Little Richard? Can you put haggis and snails on the same plate? Well, no, but some of the ideas did work out very well.” (1999)
(daqui)
27 September 2014
ASSUNTO DE ESTADO
Custa a crer que o mundo tenha desejado continuar a existir depois de Shakespeare. E depois de Rimbaud, Pessoa ou Borges. Não é verdade que não haja insubstituíveis. Não serão muitos mas, para todos aqueles que dizem o que mais ninguém diz de um modo que nenhum outro disse antes ou dirá depois, não se conhece outra palavra. É por isso que não se deve estranhar que o último álbum de Leonard Cohen, Popular Problems, publicado esta semana, um dia depois do seu 80º aniversário, esteja a ser tratado como um assunto de Estado. E, se há circunstância em que a expressão “assunto de Estado” não soa pomposamente tonta, é este. Em Londres, na Mac Donald House da Canada High Comission, foi apresentado por Gordon Campbell, Alto Comissário para o Reino Unido desde 2011, na qualidade de tesouro nacional. Tal como já havia acontecido nos seus equivalentes institucionais de Los Angeles e Bruxelas.
Não devemos levar-lhes a mal. Leonard Cohen é tudo menos património geograficamente privado mas, tivéssemos nós (ou quaisquer outros) um Cohen, e mereceríamos cobrir-nos de vergonha se não fizéssemos o mesmo. Por aqui, não paira, no entanto, qualquer espírito de testamento final. É o próprio Leonard que, apesar de, a poucos metros de distância, parecer ínfimo, frágil, quase imaterial, anuncia estar o próximo volume a caminho, e que, naturalmente, se poderá chamar Unpopular Solutions. Algo como o terceiro painel de um tríptico inaugurado com Old Ideas, o que, se pensarmos um segundo, não é senão a persistência naquilo de que, desde Songs Of Leonard Cohen, não encontra o ponto de fuga (e os humanos de todos os tempos com ele): amor, sexo, culpa, redenção, morte, êxtase e condenação.
Há canções e textos que foram escritos a uma velocidade “assustadoramente rápida”, outras – como "A Street" e "Born In Chains" – que levaram entre uma e quatro décadas a serem concluídas (“em parte, por perfeccionismo, noutra parte, por pura preguiça, e, em ‘Born In Chains’, por mudança do meu muito inseguro ponto de vista teológico”): “Creio que foi Auden que disse que um poema nunca é terminado, é apenas abandonado. Não pretendo inventar a roda. Pego em formas que já existem e faço o meu trabalho sobre elas. Sinto-me grato por poder chegar ao fim de algumas das canções que inicio. Se soubesse de onde vêm as boas canções, ia até lá muito mais vezes. Pedem-me, frequentemente, conselhos. É um engano porque o meu método é obscuro e não pode ser replicado. Escrever canções é semelhante a ser uma freira: é o matrimónio com um mistério. Procuro sempre descobrir o caminho para o centro de uma canção. Tal e qual como no resto da vida. E o resultado não é muito melhor… o único conselho que posso dar é que, se não desistirmos dela, uma canção acabará sempre por ceder. Mas não me perguntem quanto tempo poderá isso levar…”
Se é possível identificar uma linha a unir os pontinhos, “é um travo de desilusão… mas só dei por isso no fim”. As vacilações teológicas poderão também rondar em "Almost Like The Blues", entoada numa voz extraída da fundura das trevas (“There is no god in heaven, and there is no hell below, so says the great professor of all there is to know”), a mesma que, em "Samson In New Orleans", se interroga “And we who cried for mercy in the bottom of the pit, was our prayer so damn unworthy the Son rejected it?”, mas, como recomendam os melhores e mais perversos tratadistas do horror, introduzindo o tempero da ironia negra e subrepticianamente brechtiana, no discurso (“I saw some people starving, there was murder, there was rape, their villages were burning, they were trying to escape (…) there’s torture and there’s killing, there’s all my bad reviews, the war, the children missing, Lord, it’s almost like the blues”).
“Almost like the blues” seria, aliás, uma bela sinopse para Popular Problems. Nas canções escritas, a quatro mãos, com Patrick Leonard, o que se escuta é quase-blues, quase-gospel, quase-folk, um "ersatz" de tudo isso, superiormente obrigado a participar do sentido da voz e das palavras – é favor colocar o mais intenso acento tónico em “voz” e “palavras” -, sem escrúpulos de “autenticidade”, mas com a máxima potência na possibilidade de expressão. Interrogado sobre as suas opiniões políticas, Leonard Cohen declara-se como “um optimista que ainda não saiu do armário” mas, em simultâneo, confrontado com a condição de canadiano, explica que “os canadianos olham para os EUA como as mulheres vêem os homens, com muito cuidado”. É um excelente "soundbyte". Falando, porém, de política pura e dura, não há académico pós-doutorado que tenha ido além da espectrografia que Cohen, sobre a silhueta de um "sample" de canto arábico, em "Nevermind", exerce sobre o (seu) Médio Oriente e posteriores jihadismos adjacentes: “I was not caught, though many tried, I live among you, well disguised (…) there’s truth that lives and truth that dies, I dont’ know which so never mind”. Acessoriamente, explica que o motivo por que aborda estes tópicos é apenas consequência de andar pelo mundo e estas coisas apanharem-se “do ar”: “Tenho passado toda uma vida a construir uma posição política que ninguém consiga decifrar”.
O programa de governo do velho estadista da “tower of song”, porém, é tântrico (“It’s not because I’m old, it’s not what dying does, I always liked it slow, slow is in my blood (…) you want to get there soon, I want to get there last”), um tanto ou quanto sabiamente hesitante na definição do adversário (“You put on a uniform to fight the Civil War, it looked so good I didn’t care what side you’re fighting for”), seguramente arrepiante (“I see the ghost of culture with numbers on his wrist, salute some new conclusions which all of us have missed”). Mas, se alguém pergunta ao literato ancião - que confessa “leio muito pouco” - o que desejaria para o seu iminente aniversário, ele hesita, conta como, na tradição familiar, esse tipo de festas e celebrações nunca foi muito levado a sério e sugere “talvez, fumar um cigarro”. Quem o escuta, vários hertz abaixo de Tom Waits, em "Did I Ever Love You" ou "Samson In New Orleans", nunca pensaria que tal terapêutica fosse necessária. Ele não o diz mas adivinha-se que a oferenda ideal seria “a weekend on your lips, a lifetime in your eyes”.
30 November 2013
É um milagre, é um milagre, só pode ser um milagre! Paulo Teixeira Pinto * e Francisco Louçã, nas páginas do "Expresso", de acordo sobre as virtudes revolucionárias do CEO da Vaticano S.A.!!!
* peregrino de Fátima, apoiante de Passos Coelho, presidente da Causa Real, ex-militante "nacionalista" (ler "facho"), ex-Opus Dei, ex-CEO do BCP (de onde saiu com uma indemnização de 10 milhões de euros e com o compromisso de receber até final de vida uma pensão anual equivalente a 500 mil euros) e também apreciador do tal poema de "Brest"
Edit (17:42) JPP tu tem-me juízo...
14 March 2011
SUAVES VAPORES
Las Rubias del Norte - Ziguala
As Rubias del Norte são duas: uma é loira e a outra é morena. A loira chama-se Allyssa Lamb, a morena, Emily Hurst, e são ambas americanas, de Brooklyn, Nova Iorque. Encontraram-se na New York Choral Society e, não excessivamente entusiasmadas com o reportório clássico, sonharam com a música de um universo paralelo “onde o rock’n’roll nunca tivesse existido” e “a música latina dominasse a pop do mundo inteiro” tal como, em boa medida, sucedia entre os anos 30 e 50 do século passado. Rumba Internationale (2004) e Panamericana (2006), rotas de desvio estético-geográfico de boleros, valsas peruanas, "huaynos" chilenos e "guajiras" cubanas, levaram esse programa à prática, mas com Olivier Conan na tripulação - francês à solta em Brooklyn, responsável pela editora e clube Barbès e inventor dos Chicha Libre, máquina de triturar tropicalismos andinos, Vivaldi, Satie, Ravel e Joe Dassin –, dificilmente se ficariam por aí.
Muito naturalmente, então, Ziguala enrola órgãos Farfisa, congas, quatro, marimbas, piano, vibrafone, surf guitars e o Parker String Quartet, cubaniza alegremente a "Seguedille", da Carmen, de Bizet, e aponta destemidamente temas de Bollywood a sul do Texas, ao mesmo tempo que reconfigura "J’Attends Un Navire", de Brecht/Weill, ao modelo Latin-lounge, reggaefica "Porque Te Vas" e, sem rodeios demasiados, procede de igual e descontraído modo em relação a clássicos da "rebetika" grega ou a canções populares napolitanas. Há década e meia, em pleno boom do revivalismo "easy-listening", as Rubias poderiam ter desfrutado do momento eleito para espalhar os seus suaves vapores de ecletismo neo-latino pelas tribos de hedonistas ociosos. Hoje, em conjuntura menos favorável, serão apenas uma óptima escolha para casinos chiques e bares de hotel criteriosos.
(2011)
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