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28 May 2022

Amber Coffman - "Run Run Run"
 
(sequência daqui) Seria, justamente, isso que, paralelamente ao preconceito que a lançaria para todo o sempre nas labaredas da Inquisição pop, a transformaria em farol das movimentações punk, pós-punk e new wave com discípulos e fãs confessos como Thurston Moore, Kim Gordon (Sonic Youth), B-52, Kathleen Hanna (Bikini Kill), Courtney Love, RZA ou todos os que viriam a participar nos álbuns de homenagem Every Man Has a Woman (1984) – Elvis Costello, Harry Nilson, Rosanne Cash, Roberta Flack –, Yes, I’m A Witch (2007) – Peaches, Le Tigre, DJ Spooky, Cat Power, Flaming Lips – e Mrs. Lennon - Canções de Yoko Ono (2010) – só com intérpretes brasileiras. Aos quais deverão acrescentar-se aqueles que, agora, sob a produção de Ben Gibbard (Death Cab For Cutie), em Ocean Child – Songs of Yoko Ono, a 18 de Fevereiro, lhe ofereceram este valioso presente pelo seu 89º aniversário. Muito em particular, David Byrne com os Yo La Tengo, Sudan Archives, Sharon Van Etten, Thao, U.S. Girls e Stephin Merritt mas também Flaming Lips, Amber Coffman e Deerhoof.

10 April 2021

VINTAGE (DLXVII)

R.E.M. - "Me In Honey"
 
 
(sequência daqui) "A segunda obra maior chama-se 'Me In Honey', tem a voz poderosa de Kate Pierson, dos B-52, parece ser uma discussão sobre uma gravidez indesejada e tem menos a ver com manifestos 'pró-escolha' do que com um ele e uma ela a perguntarem um ao outro, por interposto nascituro: 'What about me?'" (Pedro Mexia na Revista do "Expresso", 01/04/2021)

15 March 2010

DANCING QUEEN



David Byrne & Fatboy Slim - Here Lies Love

David Byrne não é um tipo normal. E, nada de confusões, isto é, só pode ser, um elogio. O género de criatura – músico, artista e polímato irreprimível – que, logo na primeira página do booklet em que explica detalhadamente a génese e intenções de Here Lies Love, faz questão de referir que aquilo que o atraiu para a personagem de Imelda Marcos não foi muito diferente do que o fascinou ao ler The Emperor, o livro de Ryszard Kapuściński acerca da corte do imperador da Etiópia, Haile Selassie, e, em particular, as páginas em que era descrita a função do “portador das almofadas reais”, o funcionário capaz de, em cada momento, adivinhar o desejo de Sua Majestade se sentar e de lhe oferecer, sem atraso, o confortável apoio para os semidivinos glúteos: “Estas descrições recordaram-me a dramaturgia não-naturalista de muito do teatro e dança contemporâneos assim como o teatro ritual do Oriente, do Japão, China, Bali e Indonésia”.



Em Here Lies Love, o musical/opereta que Byrne, a quatro mãos com Fatboy Slim/Norman Cook (o enciclopédico DJ, produtor e músico originário dos Housemartins que, entre os alter-egos de Freak Power e Brighton Port Authority e a banda sonora de Moulin Rouge, se transformou na fonte de sabedoria e conhecimento sobre dance beats que o ex-Talking Heads procurava), acaba de publicar, existe também muito dessa estetização deliberadamente amoral da personalidade e da biografia da ex-primeira dama das Filipinas, mulher do brutal ditador, Ferdinand Marcos, no poder de 1965 a 1986, encarada como uma figura de Maria Antonieta oriental, perversa, porém ingénua, cujo sonho – como em todas as Vilar de Maçada deste mundo, frequentemente, acontece –, afinal, era escapar ao modesto provincianismo da Leyte natal e viver uma vida de brilho e fantasia disneyana.



E porque o sonho se tornou realidade e, para além de frequentadora habitual dos Studio 54 e Regine’s, de Nova Iorque, a ex-Miss Filipinas e Iron Butterfly (de cognome) se transformou em socialite e "disco-queen" excêntrica - alojou uma discoteca no último piso do palácio presidencial, exigiu que os Beatles fossem deportados das Filipinas por aí se terem recusado a actuar, mandou construir uma mansão integralmente feita de cocos e, quando vítima de uma tentativa de assassinato, apenas se queixou de que a arma do crime “era muito feia, devia ter, pelo menos, umas fitas coloridas” -, difícil seria que David Byrne conseguisse subtrair-se ao canto da sereia de Manila. O arco narrativo incluiria ainda o contraponto com a figura de Estrella Cumpas, a sua ama de infância que, impiedosamente, abandonaria, e todas as peças ficariam, definitivamente, arrumadas quando Byrne tropeçou na frase “here lies love” que a ainda viva Imelda deseja ver inscrita sobre o seu túmulo.



Para essa demanda do “êxtase e da extinção do eu, inerente a muita música de dança enquanto espelho da auto-percepção das figuras poderosas que se encaram como entidades simbólicas vivas”, David Byrne recorreu também a um numeroso cast de vozes femininas/Imeldas (a própria, quando tomou conhecimento do projecto, terá chegado a telefonar, oferecendo-se para o papel…) onde se incluem St. Vincent, Alice Russell, Natalie Merchant, Florence Welch, Shara Worden, Camille, Tori Amos, Sharon Jones, Cyndi Lauper, Róisin Murphy, Kate Pierson e Santigold (entre quase tantas outras) e entregou-se à confecção de um cocktail de house, funk, disco e techno com os previsíveis condimentos afro-latinos. E, aí, se apenas raramente, tema a tema, se identificam clássicos instantâneos do cânone-Byrne, todos contribuem de modo eficaz para o fluxo narrativo da peça integral que, no entanto, dir-se-ia claramente ansiar pela sua transposição para uma encenação de palco e não conviver de modo totalmente feliz com o encarceramento no espaço fechado de um duplo CD.

(2010)