"(...) Estávamos a ver o telejornal, eu o António os miúdos, e começam cu para aqui cu para acolá. O mais velhinho perguntou se era tomar ou levar. A outra está sempre distraída, mas quando dá para a maldade quer logo saber tudo. O António coradíssimo ensaiou-se com a abelhinha e a florzinha, mas a minha sogra que está com Alzheimer contou a história da tipa das Doce, não a do nosso Primeiro mas a outra que levou pontos por causa do Reinaldo — e depois era o cu, era o tarolo dos pretos, e o António aos berros com a mãe para se calar por causa das crianças e a velha a falar dos tarolos que tinha visto em África quando era solteira porque eles tomavam banho no rio todos nus e a velha pôs-se a abrir as mãos assim e a dizer que eram deste tamanho, pareciam burros, e que nenhuma mulher aguentava aquilo principalmente por trás, Mizete (...)".(post integral aqui)
"Fátima Padinha, uma das fundadoras d'As Doce - a primeira girls band portuguesa - abandonara o grupo para enveredar por uma carreira a solo, e nesse dia marcara encontro no Happening com Luís Represas, dos Trovante, que a convidara para um novo projecto. A mulher, com 27 anos, dá brado por onde passa. (...) Eram duas da manhã quando entra no bar. (...)
O olhar dela procura Represas - e, quando o encontra, fica petrificada: 'Ele estava a falar com o Pedro, fiquei de olhos em bico ao ver um rapaz tão bonito e interessante. (...) Quando me disse que ele era da JSD, eu, que era muito esquerdista, disse logo Ai Jesus!' (...) O Pedro não sabia quem eu era. Devia ser a única pessoa do país que não sabia. E disse-me que eu era parecida com uma D. Lucinda, amiga da mãe, porque tinha um nariz de judia como o dela'". (Felícia Cabrita, da segunda parte da biografia de Pedro Passos Coelho, na "Tabu"/"Sol")
(2010)
02 February 2009
CANTANDO, ESPALHAREI!
Os tempos poderão ser de trevas e os céus pairarem plúmbeos de ameaças. Mas, nestes dias em que a cintilação do Belo e do Bem parece ter-se deixado obfuscar pela penumbra da descrença, quiçá, da desistência e do desalento, há que manter o olhar desperto para os sinais que, além negrume, prenunciam o amplexo caloroso dos dias de luz fulgurante que hão-de vir.
Ainda a dar os primeiros passos mas já segura de si, uma jovem geração de actores políticos pisa o palco, febril de ideias e projectos através dos quais se plasmará o mundo novo que em si germina. Laurinda Alves é um valor inquestionável ao qual seria hediondamente cruel continuar a chamar "revelação". Saudemos, então, agora, Pedro Passos Coelho, prócere do Portugal do futuro, insígnia rutilante da social-democracia de amanhã, que, em prol do Bem Público, abdicou de uma promissora carreira como cantor lírico * - terá, outrossim, despertado essa sua sensibilidade para as coisas da arte nos anos em que partilhou o tálamo conjugal com Fátima Padinha, das lendárias Doce - para servir, o País, o Povo e a Pátria.
E, afinal (tão tipicamente dele), tudo começou precocemente mas de uma forma sumamente desapegada e singularmente desprovida dos aguilhões do ego que tanto e tão fundamente corroem a pureza de propósitos de políticos iniciantes. Como revelou à "Revista Plenitude", foi aos 14 anos que tudo aconteceu: "Sucedeu num Verão de grande tédio, em Trás-os-Montes. Não havia muita coisa para fazer e estavam lá umas pessoas, que eu conhecia, as quais desenvolviam actividades lúdicas na sede do PSD". Os trinta anos que vieram depois e os muitos mais que lhe auguramos serão, não ousemos duvidar, páginas douradas da Lusa História!
* "Em 2002, participou numa audição para um musical, My Fair Lady de Filipe La Féria: 'Estive num casting para um musical. Não tanto com a intenção de fazer carreira por aí, mas mais para enfrentar esse julgamento e ver como é que a voz se aguentava perante a pressão da competição e da prova. Foi uma prova com alguma dificuldade...', recorda. A experiência 'correu bem', mas sem sequência". (aqui)
"Parece que Pedro Passos Coelho passou ao lado de uma carreira artística. 'Podia ser um grande cantor em qualquer parte. É um talento para a música'. Maria Cristina de Castro, que chegou a cantar com Maria Callas e é uma referência no ensino do canto, continua a dar aulas ao candidato à liderança do PSD. 'É um melómano. Adora música. Tem uma voz esplêndida', diz a professora, para quem o aluno é 'um grande amigo'. Foi pela mão da ex-mulher, Fátima Padinha, uma das Doce, que Passos Coelho começou a ter aulas com a professora reformada do Conservatório Nacional. Até então era possível ouvi-lo cantar fado para amigos e companheiros de partido. Sobretudo num restaurante do Bairro Alto, a Adega do Ribatejo, onde ia com os seus companheiros da JSD". (aqui)
"Filipe La Féria lembra-se como se fosse hoje o dia em que viu desfilar mais de 300 candidatos a um casting para o musical My Fair Lady e deu de caras com alguém que conhecia da televisão. 'Lembro-me dele ter uma óptima voz, de ser apaixonado pela ópera e de ser uma pessoa que sabe o que quer, alguém que se expõe e arrisca'. La Féria 'adorava ter um primeiro-ministro cantor'. (aqui)