Andrew Bird - Armchair Apocrypha
Andrew Bird é (trocadilho deliberado) uma ave rara: o exacto tipo de músico e escritor de canções que, não só nasceu com o cromossoma do classicismo pop firmemente implantado no ADN criativo, como, a essa bênção genética, soube acrescentar um muito subtil apetite pela minúcia da arquitectura instrumental, uma queda para o experimentalismo discreto só detectável à lupa, o talento para a escrita de textos que nem sequer precisariam da bengala melódica e uma voz que é tudo aquilo que Rufus Wainwright sonharia ser mas não é.
Se The Mysterious Production Of Eggs (2005) era um luminoso caleidoscópio de joalharia pop, Armchair Apocrypha (criado, a quatro mãos, com Martin Dosh, um dos prodígios da Anticon) aprofunda a mesma via, enriquece-a de uma nova densidade eléctrica e rítmica e, por entre as infinitas portas de entrada que oferece (diria ele “across the great chasms and schisms and the sudden aneurysms"), lança-nos mais meia dúzia de epigramas como tema de meditação. Um para amostra: “with hearts and minds and certain glands, you gotta learn to keep a steady hand”. À beira da perfeição. (2007)