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01 March 2019

 Ou, como diz um amigo meu, entrar numa livraria é o mesmo que passear pelas vitrinas do Red Light District (sem ofensa para as meninas de Amsterdão)

"Há dias, entrei numa livraria para comprar um romance que tenho muita vontade de ler (...). Recuei quando vi a capa do livro, achei que não iria conviver facilmente com ela, durante o tempo de leitura, e muito menos guardaria um livro que assim se apresenta. (...) O editor português aplicou a este livro, e a quase todos os que saem das suas oficinas, a bitola gráfica e propagandística que julga adequada a leitores incautos e com pouca autonomia, que é preciso atrair com imagens, cores, sinais e frases de alto ruído, grande visibilidade e fraca elaboração. (...) É um pesadelo entrar hoje nas livrarias portuguesas, sobretudo nas que pertencem às grandes cadeias: é um mundo saturado de cores e volumes de grande porte, prontos para uma guerra comercial completamente insensata (...), com uma paginação e uma mancha que em tempos só eram usadas em livros infantis. Instaurou-se a infantilização dos leitores, a ideia de que quem entra numa livraria precisa, logo à entrada, de tutela e só quando chega às secções do fundo é que começa a ter direito à ousadia de pensar e ganhar autonomia" (AG)

13 December 2016

PARA DURAR 


Na madrugada de 13 de Maio de 1988, o trompetista e cantor de jazz, Chet Baker, foi encontrado morto, em Amsterdão, sob a janela do seu quarto no Hotel Prins Hendrik, na Prins Hendrikkade, perto do Zeedijk, então, uma zona de tráfico de drogas e marginalidade, vizinha do "red-light district" de De Wallen e, hoje, artéria central da Chinatown local. No quarto 210 – daí em diante, designado como "The Chet Baker Room" –, sem nenhuma surpresa para quem o conhecia, havia cocaína e heroína. À esquerda da porta de entrada do hotel, seria afixada uma placa de bronze com um baixo-relevo de Baker tocando trompete e onde se lê “he will live on in his music for anyone willing to listen and feel”. Howe Gelb foi um dos que ouviram e sentiram. Definitivamente terminados os Giant Sand (“Between the exponential cubed expansion of the band to the sheer audacity of its three-decade lifespan, Giant Sand are now dead”), a gravação do 22º volume da sua discografia a solo iniciar-se-ia, não por acaso, em Amsterdão, no Fireball Studio. 



O desafio era “escrever uma mão cheia de canções capazes de perdurar”, inspiradas nos standards de Cole Porter, Hoagy Carmichael, Monk ou Bacharach, “tal como Sinatra, Billie Holiday, Julie London ou Chet Baker os cantavam”. Por outras palavras, se Bob Dylan optou por publicar dois álbuns dedicados à interpretação de clássicos do American Songbook, Gelb preferiu criar os seus próprios Future Standards, contribuindo para adensar o enigma desse território que é “o lugar ideal para o confronto entre a cabeça e o coração, a razão e os impulsos inexplicáveis”. Recorrendo apenas a um trio de piano, contrabaixo e bateria (e ocasional guitarra) a aconchegar a voz dele e da mui julielondoniana Lonna Kelley, Howe Gelb, interiorizou, de facto, com inteiro sucesso, aquele espírito "late night" – a que o Tom Waits inicial deu corpo e chamou Closing Time – e a “science of love revealed and reveled, the celebration and the lament”, como se, por um instante no tempo (enquanto cantam improbabilidades tais que “Let the others spend all their whiling contemplating the apropos”), se tivessem deixado habitar, em simultâneo, pela lânguida névoa "loungey" de London e a quase imaterialidade do sopro vocal de Baker, aqui e ali, irremediavelmente tocados pelas insondáveis trevas de Cohen. 

21 September 2016

"Je me suis faite arrêter pour une performance au Van Gogh Muséum dans le cadre de l’exposition Easy Virtue. Cette exposition est organisée en collaboration avec le musée d’Orsay et a été montrée d’abord à Paris sous le titre Splendeurs et misères. Images de la prostitution, 1850-1910. Suite à ma performance Olympia je décide de donner un 'troisième coup' en poursuivant Orsay jusqu'a Amsterdam. Je réinterprète le 'teaser' réalisé par le musée Van Gogh car dans leur volonté de renvoyer une image de femme émancipée ils ne font finalement que reproduire des stéréotypes en effet rien de contemporain dans le regard qu’ils portent sur les femmes. Vu la grande similitude de leur 'teaser' avec le concept de mon travail qui fait revivre les modèles je me suis sentie concernée et j’ai décidé de leur proposer un version moins poussiéreuse que leur 'teaser'. Je fais sortir Gallien’s Girl du tableau, elle prend place devant le lit de prostituée exposé en plein musée. Sur le lit, la musique démarre : 'Fuck My Money', c’est une reprise de la musique du 'teaser' de l’exposition Easy Virtue en version rap. La performance commence. Dans un geste viril et provocateur, je balance des faux billets d‘euros tout autour de moi. Ce geste dit: 'Les putes c’est vous'. Par ce geste je renverse le rapport entre la prostituée et son client et je critique le modèle du marché de l’art"

21 May 2014

PESSIMISTAS

  
Alain de Botton poderá não ser o mais fulgurante intelectual contemporâneo dedicado à divulgação de temas filosóficos, literários e artísticos mas tê-lo visto e ouvido, há catorze anos, em Amesterdão – a ocupar a primeira parte de um concerto no qual os Magnetic Fields apresentariam 69 Love Songs –, monologando em modo-"stand up comedy", acerca do seu recém-publicado livro The Consolations Of Philosophy, obrigou a encará-lo, se não de uma forma mais “séria”, pelo menos, francamente simpática. Entretanto (depois dos assaz recomendáveis The Art Of Travel e The Pleasures And Sorrows Of Work – ficaram ainda onze na "to do list"), ler as respostas que deu a uma espécie de questionário de Proust que, em 2009, o “Independent” lhe enviou, não só contribuiu para o estreitar de uma espécie de afinidade virtual como ajudou a vê-lo-lo ainda sob outro ângulo. Por exemplo, à pergunta “qual a pessoa que o faz realmente rir?”, respondia “Arthur Schopenhauer. É profundamente pessimista e o pessimismo é divertido. Disse, uma vez, que ‘todo o homem deveria engolir um sapo pela manhã para ter a certeza de que não irá encontrar nada mais repugnante durante o resto do dia’”



Mas foi a reacção à interrogação imediatamente anterior (“qual o último álbum que comprou?”) que me fez prestar mais atenção: Ophelia, de Natalie Merchant. Estou apaixonado pela voz dela e, portanto, por ela própria”. Merchant não faz, de todo, o género da "pin-up" pop capaz de pôr as hormonas de cavalheiros de meia-idade em ebulição. Porém, se não se encontraram antes, tê-lo-ão feito na passada 5ª feira, no Shoreditch Town Hall de Londres para conversar sobre o último álbum de Natalie. E o pessimismo poderá ter sido um óptimo quebra-gelo já que Merchant confessa abertamente “Sou extremamente pessimista e cínica. Mas, ao mesmo tempo, consigo ser optimista em relação a pessoas e situações específicas”. Natalie Merchant, o disco, não é, realmente, nenhum convite para uma festa de hedonistas militantes: viagem interior agri-doce feita de tensas melancolias orquestrais e recolhimentos folk-acústicos, lugar de perdas e desistências (“Giving up everything, see the cold magnificent emptiness”), é coisa sofrida, magoada, dorida. À pergunta “qual a melhor invenção de sempre?”, de Botton respondera “painkillers”.

25 August 2012

PORQUE ANDA POR AÍ UM ENORME E INDIGNADÍSSIMO DESASSOSSEGO EM TORNO DO TEMA "PICHAGENS E CHICHI DE CÃO" & OUTRAS "JAVARDICES", PARECE OPORTUNO REPESCAR ESTE POST E ILUSTRÁ-LO COM MAIS UNS QUANTOS ESPÉCIMES DE "EXCREMENTOS DO EGO INVASOR" (A ACRESCENTAR AOS OUTROS 137 POSTS ANTERIORES)

Amsterdão, Holanda, 2010