Showing posts with label Amin Maalouf. Show all posts
Showing posts with label Amin Maalouf. Show all posts

13 January 2016

NENHUMA BANDEIRA


Não estará próximo de vir a tornar-se realidade mas não é proibido sonhar: uma comunidade da apreciadores de Monteverdi entre os Guarani do Brasil; uma rede oculta de praticantes de rockabilly no Conselho Geral da Opus Dei; uma célula clandestina de discípulos do pacifismo de Gandhi nos mais elevados escalões do Daesh; um nicho de fãs do "twerking" no interior da ordem sufi dos dervixes rodopiantes. Uma espécie de brigadas de guerrilha contracultural empenhadas no combate à ditadura dos estereótipos identitários (genuínas armas de destruição massiva, diria Amin Maalouf) e na oposição à obediência fiel às “tradições” da nação, da religião, da tribo, do partido e do clube, radicais livres do levantamento contra uniformes e emblemas que bem poderiam fazer seu o verso de Rûmi “Apenas o mastro em que a bandeira é hasteada e o vento. Nenhuma bandeira”. Não é, realmente, proibido sonhar e passar os olhos por alguma literatura será uma boa ajuda. Por exemplo, The Invention Of Tradition, coordenado por Eric Hobsbawm e Terence Ranger, ou Imagined Communities, de Benedict Anderson, exemplares desmontagens de várias ficções de carácter mais ou menos letal.


Entretanto, vale a pena ir prestando atenção a extraordinários pioneiros como aqueles que, no “Guardian”, as foto-reportagens de Frank Marshall e Paul Shiakallis têm dado a conhecer: a subcultura das bandas de heavy metal do Botswana, os "marok", seus fãs, e – publicadas no passado dia 25 – as imagens das “leather-clad rock queens of Botswana”, amazonas feministas do Kalahari, protagonistas do projecto de Shiakallis, Leathered Skins, Unchained Hearts, “um diálogo entre a fluidez da identidade e os seus imensos rostos, como ela se revela e esconde – a relação com os arquétipos da cultura africana e o modo pelo qual as 'marok queens' a reinventam”. No menos corrupto país africano (segundo a Transparency International, em igualdade com Portugal no ranking mundial, duvidosa honra para o campeão da democracia em África), inspiradas pela New Wave of British Heavy Metal do final dos anos 70, personagens que respondem por Dead Demon Rider, Coffinfeeder ou Ishmael Phantom Lord, filhos e netos não caucasianos dos Motörhead e Iron Maiden pouco dados a reverências perante o folclore local, magnificamente alheios às cartilhas da "apropriação cultural", quais Hell’s Angels da savana reconfigurados por Tarantino, imaginam um universo alternativo, com o centro em Gaborone e um raio de dimensão ainda por calcular. 

23 December 2014

DA-DA-DA-DA


Carmen Miranda é um filão inesgotável para o mui escorregadio jogo das identidades (“assassinas”, como as qualifica Amin Maalouf): portuguesa, da Várzea da Ovelha, carioca/bahiana ou confecção kitsch/exótica de Hollywood? Menina do convento de Santa Teresa de Lisieux ou “Brazilian Bombshell” dançando, escandalosamente "pantieless", com César Romero, no set de Weekend In Havana? Embaixadora, nos EUA, do Brasil de Getúlio Vargas ou emissária da Good Neighbor Policy de Roosevelt para a América Latina? Intérprete de “sambas demasiado negros” ou objecto dócil de “americanização” por comodidade de marketing e facilidade de exportação? Turbante tutti-frutti ambulante ou flamejante ícone gay? “Fantasia de um qualquer executivo impotente que se imaginava um magnata do cinema” – como refere David Toop em Exotica, citando a contracapa de uma compilação de êxitos “latinos” –, "a stranger reduced to what seemed strange about her", segundo Arto Lindsay, ou o brinquedo escapista favorito de Wittgenstein?



Era, de certeza, di-lo Caetano Veloso em Verdade Tropical, “um emblema tropicalista, um signo sobrecarregado de afectos contraditórios (...) O facto de ela ter-se tornado, com o sucesso em Hollywood, uma figura caricata de que a gente crescera sentindo um pouco de vergonha, fazia da mera menção de seu nome uma bomba de que os guerrilheiros tropicalistas fatalmente lançariam mão. Mas o lançar-se tal bomba significava igualmente decretar a morte dessa vergonha pela aceitação desafiadora tanto da cultura de massas americana (...) quanto da imagem estereotipada de um Brasil sexualmente exposto, hipercolorido e frutal”. Em 2014, atirar-se ao reportório de Carmen Miranda como o faz, agora, o Real Combo Lisbonense – Saudade de Você: Às Voltas com Carmen Miranda –, já não terá um efeito explosivo de igual magnitude mas é, sem dúvida, uma sequência natural para o divertimento iniciado, no álbum de estreia (2009), com a exumação vintage “da tradição das orquestras e conjuntos que, em meados do século XX, animavam os casinos, hotéis, bares e restaurantes das principais metrópoles ocidentais”. Transatlanticamente repatriada, sem nenhuma vergonha, em clave carnavalesca, "period music" de bailarico e folia, “Carmen Miranda da-da-da-da”!

31 January 2010

AS IDENTIDADES ASSASSINAS



Aparentemente, nem será um Eastwood-"vintage". Mas não é especialmente por isso que não me apetece ir ver Invictus: um filme que se ocupa da união de um país dividido através da descoberta da "alma nacional" a pretexto de um campeonato de rugby agrega num concentrado particularmente coeso diversas das coisas mais detestáveis. Numa palavra: o tribalismo. Sim, eu sei, aqui, paradoxalmente (e ilusoriamente) anti-tribal.

(2010)

30 November 2008

"JÁ TENS SOTAQUE..."



The Pied Piper Of Hützovina (Eugene Hütz of Gogol Bordello) - DVD real. Pavla Fleischer

Pavla Fleischer, de câmara à mão, caminha por uma vereda do acampamento cigano de Muchacevo, em Uzhorod, na fronteira da Eslováquia com a Ucrânia, nos Cárpatos, e um homem pergunta-lhe de onde vem. “De Praga”, responde. “Leva-me contigo”. “Para onde?”, “Para Praga”. Pavla pergunta-lhe porquê. “Para trabalhar”. “Mas, agora, vivo em Londres, em Inglaterra”, diz-lhe ela. “Não faz mal, posso ir para Londres, tenho passaporte e tudo”. Não, não era uma cena de engate. Alguns passos à frente, Zita, uma miúda de sete ou oito anos, cola-se a Pavla, olha-a timidamente e fecha o rosto. “Estás triste?”, “Sim...”, acena Zita. “Porquê?”. “Eu sei”. “Sabes o quê?”, insiste Pavla. Perdidas ambas na tradução do russo/ucraniano para o romani, nunca chegaremos a saber o que toldou os belíssimos olhos negros de Zita. De partida para o outro acampamento cigano de Svaljava, Eugene Hütz irá dizer a Pavla: “Vivem num planeta dentro de outro planeta. Quando chegámos, ficaram entusiasmados porque alguém os tinha ido ver e se lembrara que existiam. São das pessoas mais magoadas que existem”.



Hütz, por entre crianças seminuas e adultos no último círculo da indigência, num espaço circunscrito por barracas com telhado de zinco e coisa nenhuma, tocara e dançara com eles, os herdeiros, orgulhosos mas derrotados, da cultura da sua avó cigana que, mais tarde, irá rever, nos subúrbios de Kiev, e de quem ouvirá as palavras carinhosas mas suavemente desiludidas “Ah... já tens sotaque americano”. Eugene Hütz, ucraniano de ascendência cigana, Casanova impenitente e estrela ascendente da trupe gypsy-punk transcultural novaiorquina, Gogol Bordello, aceitara o desafio de se deixar filmar por Pavla – um quase “one night-stand” (apaixonado e, inevitavelmente, abandonado) com vocação documentarista – e escolhera refazer o percurso de regresso às suas origens. Dos Cárpatos (onde a realidade quase o silenciou), seguiriam para Kiev, ao encontro do ortodoxo director do teatro cigano da capital da Ucrânia que, após meia dúzia de minutos de escuta da música dos Bordello, o invectivaria, violentamente, com todas as letras: “Isso é exactamente aquilo contra que combato, é aquilo que nos destrói”. Etapas seguintes: Moscovo e Chita, na Sibéria, em busca de Sasha Kolpakov, o herói musical de Eugene. Que o compreende, aceita e apoia. Exemplar local praticamente único. Como explicou Amin Maalouf, as “identidades assassinas”, por definição, matam.

(2008)

14 June 2008

A HUMANIDADE NO SEU PIOR


Na margem do lago de Lucerna oposta aquela onde se situa o magnífico Centro Cultural projectado por Jean Nouvel, no café do hotel em que Stefan Winter e restante "staff" da Winter & Winter se hospedavam, as entrevistas quase simultâneas com "the Winter man" e Uri Caine (a cargo de Jorge Lima Alves e "yours truly"), a pretexto das incontornáveis Goldberg Variations na "versão Caine", já tinham há muito terminado. Mas, na minha mesa-Caine, com um gravador alimentado a pilhas chinesas compradas, de urgência, na única loja apropriadamente chinesa aberta, numa tarde de sábado, no irritantemente perfeito paraíso social suíço, a conversa informal pós-entrevista ainda continuava. E, a propósito de John Zorn, que ele próprio referira e com o qual também já colaborou, apeteceu-me pedir-lhe que, de uma vez por todas, me explicasse o que — sendo tanto ele, Uri Caine, como Zorn, de ascendência judaica — significavam realmente aquelas coisas da "Radical Jewish Culture" e da "Great Jewish Music" a que Zorn, na sua editora Tzadik (isto é, a "Justiça" hebraica mais fundamentalista), se dedicara de alma e coração, identificando como especificamente judeus músicos como Burt Bacharach, Marc Bolan ou Serge Gainsbourg que, para nós, desgraçados ignorantes da correcção étnica e política, eram apenas optimos... músicos.


E, de caminho, exibi-lhe o meu nariz, muito judeu: "Em Portugal, se calhar, somos quase todos árabes, celtas, judeus e tudo o que por lá passou. Mas praticamente ninguém quer saber disso, é um ancestral dado multicultural em que nunca nos lembramos sequer de pensar". E a América culturalmente sofisticada de Caine (muito mais culta do que a recente América "PC" de Zorn) depôs imediatamente as armas e reconheceu o equívoco: "Quase sempre, a invocação cega dessa herança cultural, étnica e política, acaba, como no caso de John Zorn, por coincidir com os programas da extrema-direita mais radical, mesmo quando — e será o caso dele — não se tem consciência disso. O horror do Holocausto, como o dos índios, dos vietnamitas, dos kosovares ou dos africanos não tem raça, é apenas a humanidade no seu pior". A seguir, contou-me duas histórias. A do pai dele, Caine (advogado, liberal, judeu-americano, que sempre educou os filhos nas tradições e preceitos judaicos inteiramente assumidos), que, quando pressionado para tomar posição pública contra uma manifestação de rua anti-semita, advogou o direito dos manifestantes a desfilar, como todos os outros, e, perante esse acto, a serem julgados pelo que faziam. Pelo que teve a casa violenta e agressivamente cercada pelos defensores do fundamentalismo judeu, talvez muito "PC", mas bastante pouco democráticos.


E, depois, a do próprio Zorn, judeu, familiar, cultural e etnicamente reprimido, que, como mecanismo de emancipação, arvorou o judaísmo (também como "marketing ploy") enquanto bandeira de algo que ele próprio não conhece assim tão bem. Ao ponto de, antes de um concerto na Holanda, se ter permitido provocar um seu devotadíssimo admirador perguntando-lhe, arrogantemente, se a comunidade judaica local tinha sido formalmente convidada. Ao que este, lhe respondeu que as entradas, naturalmente, eram livres... Uri Caine — também presente — tomou nota e, quando se encontravam os dois na sinagoga local, fez questão de lhe ler os nomes das vítimas do Holocausto, ali escritas, na parede, em hebraico. "Mas.. tu és capaz de ler hebraico?!", espantou-se Zorn. "Claro", respondeu-lhe Caine, "e tu que gostas de te mostrar como um judeu tão radical, empenhaste-te em aprender a falar japonês por motivos culturais, mas és incapaz de ler uma linha em hebraico". Moral da história: não será este, afinal, senão mais um episódio, na vertente cultural, daquela estúpida e eterna tragédia a que Amin Maalouf chamou As Identidades Assassinas?



(1999)

22 April 2007

ESCUTAR A ESCRITA


Identidades, poetas, Amin Maalouf, lobulophone, uma trilogia no seu tomo inaugural, fado/não fado/pós-fado, imagens de telemóvel, maracujás do Alasca e giestas de Singapura. É destas matérias que se faz Não Sou Daqui, o quinto álbum de Amélia Muge, outro “espaço de fronteira” na canção moderna portuguesa para o qual ela sugere duas ou três chaves de entrada.

Quando se dá a um álbum um título como Não Sou Daqui, isso autoriza logo uma série de interpretações possíveis: “não sou deste mundo”, “não sou de Portugal”, “não sou deste tempo”, “não sou do lugar onde me querem arrumar”... quis dizer exactamente o quê?
Ao dizer “não sou daqui”, estou a dizer outra verdade: estou lá. Em última análise, podemos ir parar a outro grande chavão: a identidade é sempre algo em trânsito. Também se pode ir às questões artísticas e reflectir se, num mercado cultural em nos situamos um pouco à margem, isso significa que não estamos nele. Não só estamos como estamos com um estatuto que varia entre a exclusão e a desigualdade (risos).



Essa questão das identidades está bastante entranhada em todo o disco: desde a primeira canção (“Sete Portas Tenho Em Casa”) onde baralha e confunde marcas e referências de lugares diversos até à citação das Identidades Assassinas, do Amin Maalouf, na contracapa do “booklet”: “se os fanáticos de todas as cores conseguem tão facilmente impor-se como os defensores da identidade, é porque a concepção ‘tribal’ da identidade que prevalece ainda no mundo inteiro favorece tal deriva”... aliás, dizer “não sou daqui” não é largar uma identidade e procurar outra?
Ou, então, dizer que, para haver um espaço de todos, esse espaço não será de ninguém. Já não será uma soma de culturas e identidades mas outra coisa. Habitualmente, as identidades são reservadas para os humanos, nunca se diz que um livro tem uma identidade, tem um título. E, muitas vezes, passa-se o contrário: há certos livros que têm muito mais identidade do que muitas pessoas que são apenas um título. Neste disco, essa reflexão será muito mais evidente porque parto de uma ideia de canção da qual procuro aperceber-me da identidade. E, ao aperceber-me de que aí já existe, no mínimo, um espaço de fronteira, de hibridação ou de mestiçagem, ficam muito mais nítidos esses conceitos através dos quais pensamos a identidade.


É também por força desses automatismos identitários que, por mais áreas diferentes que a sua música atravesse, haverá sempre quem não desista de a “arrumar” na gavetinha da “música popular portuguesa”?
O “arrumar”, em princípio, não faz mal. O problema é o sentido que se lhe atribui. Eu própria, quando digo que estou a iniciar uma trilogia, estou a arrumar-me nalgumas gavetas. E, neste disco, predispus-me a arrumar-me naquela a que chamei a da “ideia de canção”. Andar com a casa sempre de pantanas também acumula muito lixo... Agora, se isso significa ficar preso dentro de uma gaveta de onde se está proibido de sair, é outra coisa completamente distinta. O problema é que não podemos transformar a gaveta do nosso quarto na gaveta de uma nação que é o que, na maioria das vezes, acontece.

O que a fez conceber essa trilogia (de que o segundo tomo será sobre a música popular tradicional e o terceiro se dedicará às relações entre linguagem e tecnologia) de modo autónomo relativamente aos álbuns anteriores que passavam todos eles também por esses mesmos caminhos?
Essas três coisas – a canção, a música da tradição e a marca da tecnologia no lado mais experimental da minha música –, para mim, estão sempre presentes, são como que o meu tripé de criação. Mas cada um desses discos irá ter o seu nome, o seu rosto. Eu sou um produto de várias coisas. Serão três chaves de entrada para diversas áreas que me interessam. No fim, continuará a ser apenas... “múgica” (risos).


A questão da identidade tem também a ver com a sua relação de toca-e-foge com o fado. Mas, neste álbum, no “Fadunchinho”, apesar de ser através das palavras da Hélia Correia, declara “amigos, rendi-me ao fado e o fado também a mim se rendeu”...
Alguém, em Portugal, é capaz de recusar que está antes do fado ou depois dele? Se calhar, na música tradicional, encontro coisas que são fado antes do fado. E, em muitos dos cantores de fado que têm a ver comigo (o Camané, a Mísia, a Mafalda Arnauth), encontro outras que já são pós-fado. Na tal casa que, convencionalmente, se chama fado e se vê como “a verdadeira canção da alma portuguesa”, eu sinto logo que não sou dali. Nem sequer nasci cá, não tive pais fadistas, não sou da Mouraria... para muitos será, talvez, um lugar de refúgio. Se eu pegasse num xaile, me vestisse de preto, cantasse fados da Amália e dissesse que era fadista, se calhar, ninguém ia contestar: que bom, era uma sem-abrigo e tinha encontrado uma casa que era minha! Não foi esse o meu caminho mas isso não quer dizer que não tenha influências. É, muitas vezes, surpreendente sermos tanto aquilo que pensamos que não somos. Não sou dali mas, de vez em quando, estou lá.


Tanto no booklet como na componente DVD do disco, utilizou uma captação de imagens que se poderia classificar de “baixa-fidelidade”, através do telemóvel. Porquê ir por aí em vez de optar por altas definições e tecnologias “state of the art”?
Se eu não tivesse vivido em Moçambique no período a seguir à independência, talvez nunca tivesse compreendido como a escassez de recursos não implica necessariamente o bloqueio do pensamento. Não é por se usar um meio altamente sofisticado que as ideias que ele transporta são forçosamente grande coisa. Isto começou por ser um desafio e também, lá está, uma preparação para o outro disco. Nós vamos varrendo tecnologias que deixam de ser encaradas como viáveis só porque apareceram outras. Se calhar, os potenciais do quadro preto nunca foram completamente explorados... como se o meio estivesse obrigatoriamente agarrado ao desenvolvimento das ideias. Aliás, também, nos desenhos e grafismos que surgem no “booklet”, exponho um pouco o meu processo de criação: muitas vezes, antes de perceber que sonoridades saem de um poema, desenho as palavras, decomponho-as, são bússolas, mapas de entrada nesse universo. O do “Escutar Caetano”, por exemplo, é um bocado a ideia de como se escuta uma escrita. Foi depois disso que pedi a uma amiga que faz uns ruídos fantásticos com a orelha que gravasse esses sons do “lobulophone” que samplámos e que é um contraponto deste mapa que aqui está. Aprender a ouvir, é aprender a escutar o ruído e o silêncio e, depois, as outras coisas. Estamos sempre entre estes dois limites. (2007)