01 January 2026
04 February 2025
29 January 2025
16 January 2025
13 January 2025
"Gato Diplomata" (E. Lisboa)
10 January 2025
07 January 2025
05 January 2025
03 January 2025
EM LOUVOR DO GATO
"Quando este trabalho começou, não me apercebi que ele já tinha começado", diz Amélia Muge com a maior naturalidade deste mundo, a propósito de Um Gato É Um Gato, o livro/disco que acaba de publicar. Mas, se lhe oferecermos algum conforto contextual, talvez se entenda melhor o que ela pretende dizer: nos 30 anos entre Múgica (1992) e Amélias (2022) - duas variações sobre o proprio nome -, acham-se cuidadosamente arrumados 10 álbuns de originais. Aos quais poderiam acrescentar-se múltiplas colaborações com tão preciosa gente como José Mário Branco, Camané, Gaiteiros de Lisboa, Michales Loukovikas, Cristina Branco, as vozes búlgaras do Pirin Folk Ensemble, Camerata Meiga e vários outros. O que importa, porém, é aquela, dir-se-ia, matematicamente planeada relação 30anos/10 discos. Tanto assim que ela mesma pareceu acreditar nessa espécie de número de ouro: "Quando acabei o Amélias, disse 'Não faço mais disco nenhum!' e essa era, realmente, a minha intenção". (daqui; segue para aqui)
09 February 2024
31 January 2024
28 January 2024
25 January 2024
26 December 2022
(iniciando-se, de baixo para cima *, de um total de 37)
Laurie Anderson - Norton Lectures, Spending the War Without You: Virtual Backgrounds
18 April 2022
15 April 2022
"Meu Coração Emigrou"
(sequência daqui) Mas como surgiu, afinal, a ideia para um álbum no qual, à excepção de José Salgueiro (percussões e fliscorne) e Catarina Anacleto (violoncelo), apenas se escutam a(s) voz(es) de Amélia Muge sobrepostas no mil-folhas sonoro dos arranjos e cenografia electrónica de António José Martins? “Durante a pandemia quando, aparentemente, não era possível fazer nada e a própria disponibilidade mental nos obrigava a estar quase todo o dia frente à televisão a tentar perceber o que se passava. Por outro lado, parecia que a única coisa que tínhamos era a voz, só contactávamos com as outras pessoas através do telefone. Perante isto, pensei que fazer um novo trabalho era quase uma questão de sobrevivência mental. Por outro lado, o que poderia eu fazer que usasse o mínimo de recursos possivel dado que o contacto com outros músicos seria complicado? Claro que ter o António José Martins é logo possuir os recursos de uma central nuclear. Pensei, pois, no Zé mais as vozes de mim. E foi isso que aconteceu. À medida que se foi avançando com o trabalho, mais eu percebi que trabalhar apenas com esta ideia da voz não era um recurso pequeno, era um recurso enorme. Ligado a toda a experiência e a todas as memórias. Não numa atitude de 'antes era tão bonito, eu podia fazer isto, ai agora já não posso', mas como recurso a retirar de uma experiência vivida que nos permite ir um bocadinho mais além. Isso, articulado com o conhecimento que tenho do trabalho de outros músicos como a Laurie Anderson, as Zap Mama ou, mais recentemente, as Cocanha e os San Salvador. Houve sempre muita gente com quem trabalhei ou que ouvi e que iam tendo um bocadinho a ver com a minha própria experiência. Cada um ouve como pode e como sabe. Sabia que podia diversificar a minha voz em matéria de timbres, de alturas, de ressonâncias. Tinha as minhas experiencias com os outros e o conhecimento daqueles com quem nunca trabalhei mas sempre me inspiraram. Uma voz é feita de muitas vozes”. (segue para aqui)