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15 April 2026

Altın Gün - "Kırşehirin Gülleri"

 (do álbum On, na íntegra aqui)

14 April 2026

"Suçum Nedir"
 
(sequência daqui) Foi assim que a rica discografia de 5 álbuns, dos Altın Gün se foi constituindo e que, mesmo agora que, na banda, reduzida a quinteto, resta apenas um elemento de ascendência turca (na verdade, a maioria apenas cresceu nos bairros turcos de Amesterdão), ela continua a enriquecer-se. Até porque, desta vez, Garip ("estranho", em português) tem como fonte as canções do trovador folk ashik, Neşet Ertaş (1938–2012), cantadas com o acompanhamento de bağlama, um alaúde tradicional aqui electrificado. O perímetro sonoro Altın Gün fica assim delimitado pela ácida energia de "Neredesin Sen", o arabismo lounge de "Suçum Nedir", o chamamento de muezine lisérgico de "Zülüf Dökülmüş Yüze", o labiríntico e sepentino psicadelismo de bazar de "Gel Yanıma Gel" ou o quase Bollywood de "Gönül Dağı", cortesia da Stockholm Studio Orchestra.

11 April 2026

PSICADELIZAR-SE
As brigadas de vigilância "woke" - equivalente ocidental exactamente simétrico da Polícia da Moral Islâmica no Irão - ou têm-se visto assoberbadas com demasiadas operações de cancelamento e destruição ou o indispensável recrutamento para o reforço das hostes não andará a correr da melhor maneira. Na verdade, só algo desse género poderá explicar a desatenção sobre aquilo que, a partir de agora, designaremos como o Caso Altın Gün. Isto é, a história do holandês Jasper Verhulst que, há cerca de 8 anos, durante uma viagem à Turquia, qual junkie, foi adquirindo vinis de música local até à extinção do último cêntimo. De volta a Amesterdão, socorreu-se do Facebook enquanto agência de recrutamento de músicos turcos para constituir uma banda - Altın Gün - à qual seria confiada a missão de, inspirada pelo nacionalismo musical do início do século XX, e contaminada pelo pop/rock ocidental, deixar-se gloriosamente psicadelizar. Ou, como diriam, as milícias "woke", capitular perante a pérfida "apropriação cultural". (daqui; segue para aqui)
 
"Neredesin Sen"

28 May 2023

"Badi Sabah Olmadan"
 
(sequência daqui) Em Anadolu Ejderi, ficámos, há pouco tempo, a conhecer a mui óptima Gaye Su Akyol – uma espécie de Grace Slick tecendo melismas vocais sobre a trama psicadélica de uns Jefferson Airplane médio-orientais – e, agora, é o momento de escutar os Altın Gün, entidade colectiva que, sem necessitar de justificações, baralha ainda mais os dados e provocará, decerto, apoplexias aos ferozes adversários da “apropriação cultural”. Após uma viagem pela Turquia, há 5 anos, na qual derreteu o saldo bancário em vinis, o holandês Jasper Verhulst, de regresso a Amesterdão, colocou um anúnco no Facebook em demanda de músicos turcos com os quais formar uma banda. Responderam à chamada Merve Daşdemir e Erdinç Ecevit e, à razão de um álbum por ano, os Altın Gün, muito em particular no último Aşk, reinventariam gloriosamente a música popular e tradicional turca, embriagando-a de psicadelismo e passando-a pela austera peneira de aparelhagens e técnicas de gravação "vintage".

24 May 2023

EMBRIAGADOS DE PSICADELISMO
 

A famosa tirada de Orson Welles no filme O Terceiro Homem (1949), de Carol Reed – “Em Itália, durante trinta anos, sob os Bórgias, houve guerras, terror, assassínios e sangue mas produziram Miguel Ângelo, Leonardo da Vinci e o Renascimento. Na Suíça existiu amor fraterno, 500 anos de democracia e paz e o que é que produziram? O relógio de cuco” –, embora historicamente incorrecta e perigosamente vulnerável a utilizações políticas menos recomendáveis, chama a atenção para o facto de, sem transformar isso em lei geral, períodos históricos e contextos sociais conturbados poderem estar na origem de movimentações culturais intensas. O chamado Anatolian Rock (ou rock psicadélico turco) tem uma linha de vida que bebe no nacionalismo musical do início do século XX, deixa-se contaminar pelo pop/rock ocidental, choca de frente com o golpe militar de Setembro de 1980 e, posteriormente, renasce, reflectindo as várias linhas de força estéticas contemporâneas. (daqui; segue para aqui)

"Rakıya Su Katamam"