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08 March 2009

RUA AL BERTO (NAS OLAIAS)



Um momento alto de poesia! A polícia dá folga à ordem e à autoridade. No dia mundial da mulher, mulheres ciganas e negras envolvem-se à pancadaria nas barbas das forças da ordem, sabe-se lá se com a sua, destes, aprovação. Tudo se passou na Rua Al Berto, sita no bairro das Olaias, que a esta hora ainda se encontra sitiada e sob tiroteio...

"a dor de todas as ruas vazias.

sinto-me capaz de caminhar na língua aguçada deste
silêncio. e na sua simplicidade, na sua clareza, no seu abis-
mo.
sinto-me capaz de acabar com esse vácuo, e de aca-
bar comigo mesmo.

a dor de todas as ruas vazias.

mas gosto da noite e do riso de cinzas. gosto do
deserto, e do acaso da vida. gosto dos enganos, da sorte e
dos encontros inesperados.
pernoito quase sempre no lado sagrado do meu cora-
ção, ou onde o medo tem a precaridade doutro corpo.



a dor de todas as ruas vazias.

pois bem, mário - o paraíso sabe-se que chega a lis-
boa na fragata do alfeite. basta pôr uma lua nervosa no
cimo do mastro, e mandar arrear o velame.

é isto que é preciso dizer: daqui ninguém sai sem
cadastro.

a dor de todas as ruas vazias"

(Al Berto)

(2009)