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25 November 2021

Adia Victoria Live at Mississippi Studios PDX Announcing new French Pop EP (2017)

"I wanted this EP to take on a more eerie feel. Instead of the imagined dream pop girl wishing for her man to come home I reimagined the lyrics as sung by a lover scorned but still love sick and obsessed. I wanted to keep the timeless feel of these songs while breathing into them a bit of modernity; sharpen the edges a bit. What if ‘Parlez Moi de Lui’ were more of a hazey, trip out love letter from a woman still haunted by lost love. What if her in deranged mind her man still danced in and out of sight, just out of touch? I wanted to inject ‘Laissez Tomber Les Filles’ with a bit of the anger and danger I felt as a new political era descended on our country. This session would prove to be therapeutic in channeling my frustration with the current political landscape into powerful songs sung by iconic, emotional women. This EP was a way express all these feelings in a tangible way. There is so much emotionality to women that is often policed. This project gave me the chance to shake off those restrictions, free myself from my own mother tongue and speak in universal themes that flow beyond the borders of language.”

(EP integral aqui)

09 November 2021

"You Was Born To Die" (feat. Kyshona, Margo Price, & Jason Isbell)
 
(sequência daqui) Agora, com A Southern Gothic – variação negro-americana sobre o género literário que os branquíssimos Faulkner e Flannery O’Connor brilhantemente praticaram –, Victoria (“singer-songwriter, blues poet, folklorist, historian, and sociologist“) alarga o horizonte: “Não me interessa a História contada sob o ponto de vista dos conquistadores. Interessam-me as pessoas cujas histórias foram silenciadas. Gostaria que a minha música fizesse reflectir sobre a forma como caminhamos pelo mundo e como o mundo caminha através de nós”. Escoltada nessa reflexão por T-Bone Burnett (produtor imaculado), Mason Hickman, Margo Price, Jason Isbell, Kyshona e Matt Berninger (The National), Southern Gothic é um perfeitíssimo mosaico de farrapos de História ("Magnolia Blues"), hipnótica pop de câmara ("Please Come Down") e "murder ballads" em registo "trip hop" ("Deep Water Blues"). E o infinitamente mais que exige ser descoberto.

06 November 2021

 COMO CAMINHAMOS PELO MUNDO E 
COMO O MUNDO CAMINHA ATRAVÉS DE NÓS
 

Como escapa uma miúda negra, da Carolina do Sul, à claustrofobia de uma família Adventista do 7º Dia? Dedica-se a estudar tuba. E oboé. Toca na “marching band” da escola. Às escondidas, vai escutando Nirvana, Miles Davis, Fiona Apple e Outkast. Mas foi apenas quando, aos 21 anos, Adia Victoria conseguiu comprar uma guitarra, que as portas se lhe abriram: “Nada se passava na minha vida. A guitarra descobriu-me na mesma altura que os blues me encontraram. Senti-me autorizada a contar as histórias de que nunca tinha falado. Foi uma bóia de salvação. Um refúgio. Não sabia como as minhas mãos podiam ser tão inteligentes. Toda a minha relação com o corpo mudou: ele não existia apenas para consumo e prazer dos outros. Existia para que eu pudesse fazer algo com ele, para mim. Sim, foi isso que aprendi com aquela pobre Washburn acústica”. Quando, há dois anos, publicou o impressionante Silences, tinha também escancarado outra porta: “Não acredito em música apolítica. Tomamos posição e comentamos o que se passa no mundo. Toda a música e arte são políticas”. (daqui; segue para aqui)

26 December 2019

MÚSICA 2019 - INTERNACIONAL (IV)

(iniciando-se, de baixo para cima *, de um total de 40)























 




 



* a ordem é razoavelmente arbitrária...

Esqueçam a lista de dez que acabaram de ler. Não só a ordenação é consideravelmente arbitrária como, nos lugares que esses ocupam, se escolhidos noutro dia e a outra hora, poderiam, sem grande esforço, residir outros tantos igualmente valiosos. Para que constem: Robert Forster – Inferno, Bill Callahan – Shepherd In A Sheepskin Vest, The Monochrome Set – Fabula Mendax, Trash Kit – Horizon, Vanishing Twin – The Age of Immunology, Trupa Trupa – Of the Sun, Modern Nature – How to Live, Laurie Anderson – Songs From The Bardo, Gauche – A People’s History of Gauche, Jesca Hoop – Stonechild, The Delines – The Imperial, Sunwatchers – Illegal Moves, Sleater-Kinney – The Center Won’t Hold, School of Language – 45, Rickie Lee Jones – Kicks, Edwyn Collins – Badbea, Filthy Friends – Emerald Valley, Sean O’Hagan – Radum Calls, Radum Calls, Divine Comedy – Office Politics, Orchestra of Spheres – Mirror. Sim, foi um ano muito bom.

09 April 2019

NÃO BASTA O MUNDO


Oito cavas arcadas de violoncelo sobre um "drone" de cigarras digitais preparam o cenário para o que, em menos de dois minutos, ficará nietzscheanamente resolvido: “First of all, there is no god, ‘cause I went out and killed my god and laid his body in the dirt, I killed him clean, so it did not hurt”. Mais à frente, em registo de "lounge jazz" sideral, a necessária consequência: “Oh darling, I am a heathen, oh, evil hearted me, something lower than dirt, I hear ‘em callin’ me heathen, oh, like they think it hurts”. Quase no final, o funk cubista serve de gatilho para o disparo: “I wanna break free from my body, shaken loose my skin, 'cause I had a thought I am a god, of this I am convinced”, escuta-se em "Dope Queen Blues". Sim, blues. Por muito que Silences soe a assombrosa ópera lynchiana escrita por uma Fiona Apple urdindo uma "wall of sound" filigranada, Adia Victoria – negra, da Carolina do Sul, educada no opressivo fervor Adventista do 7º Dia ¬, ao “New York Times”, jura que se trata de blues: “Quero tornar os blues perigosos outra vez. Não é apenas uma sonoridade. Os brancos cometeram um erro crasso ao supor que lhes tinham desvendado o mistério e podiam pô-los a render. É nessa altura que aparece sempre uma negra esperta a subverter tudo de novo. E aqui estou eu”.



Na verdade, foi tudo um pouco mais complexo. Ao produtor, Aaron Dessner (The National), Adia propôs um enigma: “Como seria se Billie Holiday se perdesse no interior de uma canção dos Radiohead?...” Billie seria encontrada, encarcerada num "loop" de "Lady Sings the Blues", nos últimos 60 segundos de "The City", mas as coisas não ficariam por aí. De quem foi buscar o título do primeiro album – Beyond the Bloodhounds – ao livro de memórias de Harriet Jacobs, Incidents in the Life of a Slave Girl (1861), para Silences, recorreu à obra homónima (1978) de Tillie Olsen (sindicalista, comunista, escritora e feminista), interpretou canções de Gainsbourg, Portishead e Robert Johnson, e ajoelha perante Nina Simone, Flannery O’Connor e a poetisa surrealista Joyce Mansour, só podia aguardar-se algo à altura do que, em "Devil Is a Lie", proclama: “They say the weak shall inherit the earth, but the world was never enough”. O primeiro enorme álbum de 2019 é bastante mais alto do que isso. E só lhe fica bem ser assinado por quem não hesita em afirmar “Não acredito em música apolítica. Tomamos posição e comentamos o que se passa no mundo. Toda a música e arte são políticas”.