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24 September 2015

9/11


Em treze anos, nunca tinha acontecido: na sexta-feira de há duas semanas, a primeira página do “New York Times” não incluía uma única referência aos atentados terroristas de 11 de Setembro de 2001. Inevitavelmente, o jornal detentor de 117 prémios Pulitzer e que, no cabeçalho, ostenta o lema “All the news that's fit to print” (Phil Ochs intitularia o seu álbum de estreia, em 1964, All The News That’s Fit To Sing), foi, de imediato, acusado pela direita republicana de, por omissão, ofender a memória das vítimas do dia em que a história do século XXI começou. Observando a efeméride sob ângulo diferente, o precioso blog “Dangerous Minds” optou por recordar a lista de 165 canções que o Clear Channel (hoje, iHeartMedia, Inc., proprietário da maior rede norte-americana de rádio), pouco depois do 9/11, recomendou – não terá sido, realmente, censura – que os DJ das suas 1200 estações fizessem o favor de esquecer por uns tempos.

Leonard Cohen - "On That Day"

Relida hoje, se há exemplos de alusões obviamente sensíveis na atmosfera tensa desses dias – é o caso, entre muitas, das sete dos AC/DC (indiscutíveis “vencedores” em número de temas proscritos), de "It's the End of the World as We Know It (And I Feel Fine)", dos R.E.M., e "Sunday, Bloody Sunday", dos U2 (apesar de 11.09.2001 ter sido uma terça-feira) – outras há que fazem recordar a incineração pela ditadura de Pinochet de textos sobre arte cubista, coisa evidentemente oriunda... de Cuba: "Ruby Tuesday", dos Stones (escrita sobre uma "groupie" da banda), "We Gotta Get Out Of This Place", dos Animals (puro espécime de neo-realismo rock’n’roll), "Walk Like an Egyptian", das Bangles (exercício de ironia acerca do andar desequilibrado dos passageiros de um "ferry"), ou "Ob-La-Di, Ob-La-Da", dos Beatles (???). Francamente inexplicável, porém, é "Burning Down The House", dos Talking Heads, ter sido excluída mas a bem mais explícita "Listening Wind", também dos Heads (“Mojique buys equipment in the market place, Mojique plants devices in the free trade zone, he feels the wind is lifting up his people, he calls the wind to guide him on his mission”), e, sobretudo, a arrepiante "Oh Superman", de Laurie Anderson (“Here come the planes, they're american planes, made in America. (…) Neither snow nor gloom of night shall stay these couriers from the swift completion of their appointed rounds”), haverem conseguido furtar-se aos radares.

23 January 2008

DOS MILAGRES



Susanna And The Magical Orchestra - Melody Mountain

Não se deixem iludir pela aparência de Nouvelle Vague-em-formato-escandinavo: Susanna Karolina Wallumrød e o ex-Jaga Jazzist, Morten Qvenild, podem ter gravado um álbum de versões de "clássicos" (e outros nem tanto) mas, daqui, não esperem frivolidades estivais a condizer com a margarita gelada. Melody Mountain é uma pequena preciosidade onde as canções são despidas de absolutamente tudo que não o essencial e, faixa a faixa, os milagres se sucedem:



"It's a Long Way To The Top" (dos AC/DC), apenas cravo, orgão e voz, e "Crazy, Crazy Nights" (Kiss), voz e electrocardiografia electrónica, passariam bem por Linda e Richard Thompson, "Condition Of The Heart" (Prince) é um "lied" em renda de Flandres, "Don't Think Twice" (Dylan) desfila por uma passerelle entre sepulcros, "Fotheringay" (Sandy Denny) é Nico "lost in space", "Love Will Tear Us Apart" (Joy Division) faria o próprio Ian Curtis desfazer-se em pranto e "Hallelujah" (Leonard Cohen) acede, finalmente, à condição de salmo a que sempre aspirou. Scott Walker ("It's Raining Today"), Matt Burt ("These Days") e Depeche Mode ("Enjoy The Silence") fecham um círculo de incondicional rendição. (2006)