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26 November 2025

À BEIRA DO ABISMO
Quando, em 1997, Jeff Buckley morreu por afogamento no Wolf River - um afluente do Mississipi -, a sua discografia consistia de um e só um álbum de estúdio (Grace, 1994). Actualmente, sem que tenha sido registado algum fenómeno de ressurreição miraculosa, contam-se 10 álbuns de compilações, 11 ao vivo, 2 box-sets, 2 EP, e 5 videos, nos quais faltará ainda incluir outros cofres do tesouro que, na Wikipedia, recolhem inéditos como 'Dido's Lament' (uma ária de Dido e Æneas, de Henry Purcell, interpretada no Meltdown Festival de 1995, sob a direcção de Elvis Costello) ou "All Flowers In Time Bend Towards the Sun" (a colaboração de Buckley com Elizabeth Fraser, dos Cocteau Twins, que esta impediria de ser publicada considerando-a "inacabada" - ainda que acrescentando "Talvez eu não venha a ter essa ideia para sempre"). Responsável por tamanho dilúvio de material post mortem? Mary Guibert, a mãe adolescente do jovem génio Buckley, filho de outro Buckley genial, Tim, tão mais excepcional explorador dos infinitos sonoros quanto figura paternal distante e ausente. O qual, em It’s Never Over, Jeff Buckley (2025), o documentário de Amy Berg agora disponível, apenas de passagem é referido por Tim em à parte acri-doce: "O que herdei do meu pai? Pessoas que se lembram do meu pai... pergunta seguinte?" (daqui; segue para aqui)
 
 "Grace" | The Late Show | BBC | London

09 January 2023

XENAKIS REVOLUTION. LE BÂTISSEUR DU SON.

(sequência daqui) A 1 de Janeiro de 1945, um jovem estudante de engenharia (mas também de arquitectura, harmonia, contraponto e grego clássico), militante da juventude comunista e membro do ELAS (Exército Popular de Libertação), durante um combate de rua contra os tanques britânicos, em Atenas, seria atingido por um estilhaço de granada que o deixaria cego do olho esquerdo e com o rosto severamente desfigurado. Muito mais tarde, ele, Iannis Xenakis, confessaria que continuava, incansavelmente, a tentar reproduzir o som que escutara quando o estilhaço lhe explodira no rosto. Não seria o único exemplo de como a memória desses dias iria pairar sobre a sua música.”Imaginem uma grande multidão que se manifesta nas ruas”, dizia, “Cantam palavras de ordem umas a seguir às outras. O ritmo perfeito da última irrompe num enorme aglomerado de gritos caóticos. De repente, o inimigo ataca, ouve-se o disparo de metralhadoras. Depois do inferno visual e sonoro, o que resta é uma calma trovejante, cheia de desespero, poeira e morte”. E, numa perspectiva mais ampla do que a exclusivamente sonora, falava também acerca do “fantástico espectáculo” proporcionado pelos ocupantes alemães quando, numa atmosfera carregada de ecos do silvo das balas e explosões, enormes holofotes militares iluminavam a noite, num aterrador "light show". (Révolutions Xenakis - 03/12/2022 - 27/03/2023, Galeria de Exposições Temporárias do Museu Calouste Gulbenkian; segue para aqui)

21 April 2022

TURBULÊNCIA
 

"Reeling" era a terceira faixa – e um dos 6 temas inéditos – de 4-Track Demos, o álbum de maquetas de Rid Of Me (1993) publicado por PJ Harvey em Outubro de 1993 após grande insistência do produtor Steve Albini. Abria, memoravelmente, com as palavras “I wanna bathe in milk, eat grapes, Robert De Niro sit on my face, I can't sleep for thinking, set my head a reeling”. Reeling With PJ Harvey (1994) seria também o título de um video-álbum realizado por Maria Mochnacz, essencialmente dedicado ao registo de um concerto no London Forum, em Maio de 94. É, pois, apenas uma quase inevitabilidade que, no momento em que Reeling, álbum de estreia de The Mysterines – quarteto de Liverpool constituido por Lia Metcalfe (voz e guitarra), George Favager (baixo), Callum Thompson (guitarra) e Paul Crilly (bateria) – vê, finalmente, a luz do dia, a “DIYMagazine” nos faça saber que, numa parede da sala de ensaio da banda, uma foto emoldurada de PJ enquanto jovem (oferecida a Lia como prenda de aniversário pelo fotógrafo Steve Gullick) observa atentamente as operações. (daqui; segue para aqui)

13 June 2019

LIMPAR O PÓ AOS ARQUIVOS (LV)

(com a indispensável colaboração do R & R)

(clicar na imagem para ampliar)

06 January 2017

VINTAGE (CCCXXX)

Einstürzende Neubauten - "Halber Mensch / 1/2 Mensch" (1985)

16 July 2015

Ó Mestre, eles até podem ser comunas (e já nem são muito, muito, pois não?...) mas a pujante afirmação dos "socialist core values" na luta contra a - óbalhamedeus! - badalhoqueira nos gabinetes de prova revela uma moral de aço à prova do mafarrico! 

17 April 2014

26 August 2013

O PENSAMENTO FILOSÓFICO PORTUGUÊS (CXX) 

João César das Neves

Lot e as filhas - Joachim Wtewael (1600)  + sobre o tema aqui

Eternamente gratos ao Mestre por nos dar a conhecer "as novas formas de expressão - cinema, televisão, videojogos, sites, revistas" - e nos alertar também para os reprováveis conteúdos - "violência, erotismo, velocidade, grosseria, atrevimento" - que, ao ler a Bíblia, nos poderão desviar do Bom Caminho. (aqui)

02 September 2012

INFORMAÇÃO ADICIONAL SOBRE O MAIS IMPORTANTE FESTIVAL DE CINEMA DO ANO E UMA INSDISPENSÁVEL REFLEXÃO ACERCA DO TEMA

24 August 2012

O que verdadeiramente importa é saber se se trata de uma "violação legítima", de uma "violação forçada" ou só de um compreensível momentinho de entusiasmo

12 August 2012

IT'S ALL IN THE MIND, YOU KNOW
 

The Beatles/real. George Dunning  -  Yellow Submarine (DVD)  

Com um argumento começado a escrever por Joseph Heller (Catch 22), continuado pelo dramaturgo novaiorquino, Lee Minoff, e concluído por (entre outros) um professor de Grego e Latim da universidade de Yale (Erich Segal) que pretendia concretizar “uma odisseia homérica, uma história paralela à horrível jornada de Ulisses no regresso da guerra contra os Troianos”, Yellow Submarine, parido em plena era da paz e do amor (1968) encarados como bem de primeira necessidade e coisa quase de serviço público, foi uma das pedras essenciais na institucionalização dos Beatles enquanto gurus do florido movimento. Beatles que, na verdade, pouco ou nada ligaram ao filme e só lhe dedicaram a mínima atenção indispensável.



Enquanto, nos bastidores, querelas legais e contratuais se ensarilhavam, gente era contratada e despedida, a banda se desagregava, o desenhador Heinz Edelmann carburava a garrafas de Gordon’s, e 13 crianças, filhas de elementos da equipa de produção, nasciam fora dos sacrossantos laços do matrimónio, na tela, os quatro bravos de Liverpool – após a prevista odisseia a bordo do submarino amarelo – combatiam os miseráveis Blue Meanies, inimigos da música, do Bom e do Belo, e saíam, naturalmente, vitoriosos. Falsamente ingénua e infantil, a parábola cinematográfica, mesmo que, inevitavelmente, datada, é ainda um belo naco de surrealismo audiovisual, com magníficas sequências de assombrosa articulação entre imagens e música (as de "Eleanor Rigby", do Mar da Ciência, ou do Mar do Nada, por exemplo) e uma das mais geniais e injustamente ignoradas canções dos Beatles, a sonicamente electrocutada, "It’s Only A Northern Song". Restaurado no formato original e com um generoso cabaz de extras, nunca é tarde para o descobrir.

16 July 2012

E, AGORA, VÃO TAMBÉM INDEMNIZAR AINDA OS INOCENTÍSSIMOS SENHORES, COITADINHOS, QUE ANDARAM A SER INJUSTAMENTE DIFAMADOS, NÃO É VERDADE?


Nota: por que motivo coloca o "Público" esta notícia na secção "Sociedade"? Não se trata de política pura e dura?

08 November 2011

ANDAMOS A PAGAR OS SALÁRIOS A ESTA INÚTIL TROPA FANDANGA DE COWBOYS PINTALGADOS - QUE, COITADITOS, ESTÃO NA PENÚRIA - PARA PARTICIPAREM (À BORLA) NO LANÇAMENTO DO EDUCATIVO JOGO DE VÍDEO "CALL OF DUTY - MODERN WARFARE"?




* por pitoresca coincidência, exactamente o mesmo quartel onde, em Janeiro passado, 300 meninos ficaram de castigo uma semana por motivo de roubo de armas; devem ter feito beicinho durante todo o ano e, agora, lá os deixaram brincar...

(2011)

09 June 2010

LAURIE ANDERSON - "MUSIC FOR DOGS"
(Sydney Opera House, 5 de Junho 2010)



(2010)

23 February 2010

EDITAL



77 MILLION PAINTINGS, de Brian Eno

Em 2006 Brian Eno lançou um produto que reúne ao DVD a aplicação intitulada 77 Million Paintings. O nome traduz as combinações de vídeo e música geradas por um programa destinado aos sistemas operativos Windows e Macintosh. O software consiste em 296 imagens originais (JPEG ou PNG) que se sobrepõem em camadas de uma até quatro, destinadas a ser vistas num ecrã de computador ao mesmo tempo que a banda-sonora ambiental composta por Eno para a aplicação evolui numa progressão semelhante. Na vídeo-entrevista de cerca de meia-hora que iremos mostrar, Brian Eno explica o conceito e suas aplicações, deixando-nos a olhar suspensos e fascinados para um aquário tecnológico.

* sessão apresentada por João Lisboa, crítico de música do Expresso, responsável pelo blogue Provas de Contacto. No final a música de Brian Eno manter-se-á presente pela selecção compilada para o efeito. Bebidas, como sempre, por conta da casa.
[hoje, 22.00 horas, entrada livre - Patio da Galega 20-22, Rua da Boavista 118, Santos, Lisboa]



NOGO.kino 2010
(projecto comissariado por Ricardo Gross)

NOGO.kino designa a programação de curtas-metragens e documentários que interage com as áreas privilegiadas pela plataforma NOGO onde estas projecções, em DVD e HD, têm lugar uma vez por mês. Serão mostrados trabalhos produzidos por realizadores, sobretudo nacionais, que experimentem as potencialidades expressivas do Cinema/Vídeo, ou que reportem ao universo da criação artística noutros domínios: Arquitectura e Artes Visuais. Todas as sessões contam com a presença dos autores ou excepcionalmente de um apresentador.

(2010)

12 July 2007

BARE ESSENTIALS
 

 
 Young Marble Giants - Live At The Hurrah (DVD)
  
É bem provável que o que este DVD tem de menos interessante — não é mais do que um registo videográfico razoavelmente amador e tosco de dois concertos dos Young Marble Giants, a 21 e 22 de Novembro de 1980, no Hurrah Club de Nova Iorque — acabe por constituir-se como o documento mais fiel do que a banda de Alison Statton e dos irmãos Moxham, no fundo, desejou ser: a música reduzida à mais básica matéria-prima, os "valores de produção" encarados como algo que apenas funciona como estorvo, a total abdicação de uma ideia de encenação que era vista como supérflua e infinitamente desnecessária.
 
Três pessoas no diminuto palco de um clube acanhado, voz, baixo/ou guitarra, teclados de loja dos trezentos e "rhythm-box" idem, o volume de som estritamente necessário para que a audição fosse possível. Transparência e quase invisibilidade, música no grau zero da escrita, os "bare essentials", quinze micro-canções, pontos e linhas sonoras à beira da inexistência, amavelmente destituídos de qualquer emoção, à excepção da que poderá resultar da contemplação da geometria em movimento. Apenas um complemento visual para a escuta de Colossal Youth, esse álbum único que (quase) mudou o mundo. (2006)