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03 May 2026

Goblin Band - "Clyde Water"

"At some point in the last few years, London’s folk scene reimagined some much-needed vitality. At the heart of that resurgence are Goblin Band, a queer, celebratory, roguish quartet who have enlivened traditional music with the breezy irreverence of punk. They have won over audiences with their openness, and their gigs emphasise the rebellious joy of shared experience" (ver + aqui)

"Akhir Sarkha (The Last Scream)"
 
(sequência daqui) Entremos, então, pela magnífica "Shams", uma espiral de guitarra contaminada de flamenco que se deixa aproximar perigosamente de um espectro dos Doors, nos conduz até ao ponto no qual o perfil sonoro da canção se altera imprevisivelmente e, a seguir, os teclados de "Athar" abrem as portas a uma deriva de som e poesia praticamente sem palavras. A articulação de vertiginosas texturas rock e frases melódicas arabizantes parece inevitável, como se esta fosse a única forma de estas canções poderem existir, desde a radiação das linhas de guitarra exploratórias de Haya à inteligencia quase fisiológica do elástico baixo de Meesh até à bateria implacavelmente firme de Thing. Após a estreia internacional no final do ano passado, na Southbank londrina, "tudo nos convenceu que a nossa música não é coisa de nicho; vale por si mesma sem necessitar de explicações". Não será um acaso que este EP tenha sido publicado pela Women in CTRL Records / CTRL Music. 

29 April 2026

"(Zaman)"
 
(sequência daqui) Eis, portanto, Nora (voz), Meesh (baixo), Haya (guitarra "e muitos, muitos pedais"), e a sua baterista mascarada, "Thing", armadas de um EP, Sarab, que captura frases melódicas médio-orientais, psicadelismo calcinado pelo sol do deserto, rock de vocação noise e folk árabe, ora pulverizando-os contra uma incandescente parede de ruído, ora identificando os pontos de encaixe entre sequências musicais, found sounds animais captados em ambientes naturais e a fonética do dialecto najdi local. "No que diz respeito à produção, abordámos o som ou o pio de cada animal como se fosse um instrumento com o seu próprio timbre. Adoro design de som, por isso dediquei muito tempo a moldar as frequências, a esticar as texturas, a adicionar modulações subtis e tudo o que permitisse que o seu carácter natural conduzisse à composição" explicou Nora ao "Babystep Magazine", e Thing acrescentou: "Defrontámo-nos com as gravações em bruto, que não eram apenas 'samples', soavam como criaturas levadas ao limite, e isso era percetível nas suas respirações e gritos. Quando se ouve isso, deixa-se de pensar como músico por um segundo e tornamo-nos apenas um ser humano a ouvir algo que se extingue. Foi um projeto incrivelmente especial para nós. Os sons dos animais moldaram as guinadas da canção". (segue para aqui)

26 April 2026

NÃO SERÁ UM ACASO

No início de 2023, aquando da publicação de Anadolu Ejderi, da turca Gaye Su Akyol, foi oportunidade para parar um pouco e reflectir sobre o imenso e maravilhoso mundo que, ao longo dos anos, fomos capazes de ir descobrindo sempre que nos demos ao trabalho de espreitar para lá dos muros do nosso quintal. Recordámos, então, a afegã Elaha Soroor, a saudita-paquistanesa Arooj Aftab e a israelo-iraniana Liraz, o - pelos piores motivos - recém-descoberto universo ucraniano (Folknery, DakhaBrakha, Torbán, Dakh Daughters, Joryj Kloc) ou o inesgotável baú das inúmeras variantes chinesas contemporâneas. Na verdade, era apenas uma actualização do que já antes, em Setembro de 2021, havia sido recenceado: preciosidades como Le Mystère des Voix Bulgares, Les Nouvelles Polyphonies Corses, Cocanha, San Salvador, Lankum, John Francis Flynn, Lisa O'Neill e Stick In The Wheel. Podemos, pois - enquanto as occitanas Cocanha não nos revelam o seu último álbum ("Flame Folclòre") e as estonteantes napolitanas La Niña não nos oferecem uma oportunidade de, ao vivo, nos fazer levitar ao som de Furèsta -, ir abrindo uma vaga para o quarteto integralmente feminino Seera, oriundo de Riade, capital da Arábia Saudita, estado islâmico no qual a condição feminina não é propriamente exemplar. (daqui: segue para aqui)

Seera - "Shams"

22 April 2026

The Last Kobzar - a portrait of Ostap Kindrachuk in Crimea

(+ aqui)
"Foreign Land" 

(sequência daqui) Marichka Marczyk - música, médica militar no 3º batalhão de tanques das forças ucranianas, jornalista e etnomusicóloga - não seria capaz de se deixar imobilizar: recorrendo a um reportório de canções populares tradicionais e "de protesto" envolvidas em polifonias vocais e ensembles de cordas e ao apoio ocasional do vocabulário pop, jazz e tango, Songs of Stolen Children pelas Daughters of Donbas (isto é, Marichka e outras co-conspiradoras) é a extensão contemporânea dos vetustos kobzars (bardos itinerantes ucranianos que cantavam acompanhados por instrumentos de cordas, como a kobza ou a bandura, preservando a história através da canção, na qualidade de guardiões da memória colectiva). "Foi precisamente por dizerem a verdade que os kobzars foram quase exterminados pelos comunistas na década de 1930" declarou Marichka à "Songlines". "E é por isso que, às vezes, somos chamadas kobzars modernos. Porque levamos a verdade, sem censura, ao mundo".

19 April 2026

La Niña - Full Performance 
(Live on KEXP)

A VERDADE, SEM CENSURA
Quando, a 24 de Fevereiro de 2022, as tropas do criminoso de guerra, Vladimir Putin, invadiram o território ucraniano, a máquina de desinformação e propaganda social-fascista de Moscovo fez - até hoje - grande questão em sublinhar que o que estava em curso era uma "operação militar especial" destinada a "desmilitarizar e desnazificar" a Ucrânia e, nunca por nunca, um acto de guerra. Ou seja, havia que corrigir urgentemente a visão da realidade que, à excepção da brutal clique do Kremlin, todo o mundo partilhava: a Rússia imperialista invadira violentamente a Ucrânia, empenhava-se em apagá-la do mapa enquanto entidade política distinta e em eliminar a cultura ucraniana dos registos históricos. E, como mandam as regras, começando pelo princípio. Isto é, deportando cerca de 20 000 crianças ucranianas para campos de "reeducação", na Rússia, onde deveriam converter-se em jovens cidadãos russos modelo.  (daqui; segue para aqui)

"4.5.0." (Songs of Stolen Children (2026), features the single "4.5.0."— a Ukrainian military code for "all is calm/OK"— which serves as an emotional anthem of hope and resilience)