segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Saída de ônibus


Hoje tive a companhia de Antonio num passeio de ônibus para o Leblon. A idéia era fotografar a paisagem pelo caminho, mas nesse quesito foi meio frustrante, meu olho não se agradou de quase nada, só essas garcinhas numa parada rápida do bus pela Lagoa, e dentro do shopping essas lindas sombrinhas decorando um restaurante. Mas valeu a companhia e o almoço ótimo.










































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domingo, 28 de dezembro de 2008

presépio





Fui intimada a fotografar o presépio da igreja na benjamin constant, e cá estão algumas...







































 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Sete vidas


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Sete vidas é um filme estranhíssimo. Para começar, a gente não entende rigorosamente nada ao longo dos dois terços iniciais. Fica o Will Smith fazendo uma cara bem trágica, portanto sabemos que aquilo não é comédia e o protagonista sofreu ou sofrerá ou sofre alguma grande dor, mas como tudo está embaralhado (já disse uma vez por aqui, a propósito de um trabalho fantástico que tinha visto, que 'montagem é tudo' num filme; aqui também, mas pela razão oposta) você fica o tempo todo fazendo força para não parecer que sua inteligência diminuiu, tem vontade de perguntar ao vizinho ao lado se ele está entendendo alguma coisa, mas aguarda que um dia aquilo faça sentido, sobretudo porque parece que os diretores resolveram dizer: agora vamos embaralhar todos os acontecimentos e fazer um filme profundo.


Bom, não é exatamente isso que vemos, mas nossa espera pelo sentido é
recompensada no terço final, só que esse final é muito aquém do que se anunciava, o que nos leva a pensar: tanta confusão para isso apenas? O sujeito era apenas um ***? Alguém que foi responsável pela morte da mulher num acidente de carro, não suporta a culpa e então resolve *** e todo o filme é para chegar a esse momento?

É pouco, muito pouco, além de um tanto piegas. E ainda, é muita enrolação para pouco desdobramento.

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quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

BOAS ENERGIAS




Peguei essa imagem linda do Wilben Bohac para desejar um Feliz Natal para todos e um 2009 com saúde, alegria, prosperidade e mais todas as coisas boas que merecemos!

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Fatal



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Fatal é um filme belíssimo, sutil, verdadeiro, que trata de modo não simplório questões complexas envolvendo o desejo, a sexualidade e o envelhecimento de um homem, de forma tocante. O dueto entre Penelope Cruz e Ben Kingsley tem química e os dois fazem um trabalho de artesãos – ela, lindíssima e expressiva; ele deve ter feito muita musculação para viver o personagem, está em ótima forma para seus 63 anos, e nem de longe lembra o Gandhi de 1982.

O que o filme tem de exemplar é a forma nada banal como trata a paixão desse professor que está envelhecendo, suas inseguranças, seus temores e perplexidades face ao desejo por uma mulher mais jovem e linda, sua aluna nas aulas de literatura. Há nuanças, há uma fotografia belíssima, há closes de ambos muito fortes (e não apenas porque os seios de Penélope são bonitos), há o acompanhar questões e impasses muito próximos de nós, e há esse olhar – que alívio – sobre um mundo que não é (apenas) o dos 'estonteantes para sempre jovens'.

Sem muitas concessões, o filme sustenta-se até quase seu final, colocando as questões sempre de modo a não simplificar o que não é simples: devia ele ter ido à festa da namorada? Devia ter conhecido a família dela? Devia aceitar o amor mais jovem, com todos os seus impasses? Devia vivê-lo como um presente da vida em seu terço final? Devia ter feito isso, aquilo outro? Como na vida, qualquer possibilidade teria sido factível, embora para cada um de nós as escolhas sejam sempre aquelas possíveis naquele momento – foi aquela porque não poderia ter sido outra.

Agora, os acontecimentos finais são difíceis de analisar, eu me senti um pouco manipulada (embora tenha chorado como quase todas as mulheres). Não sei se precisava do drama, e achei, sobretudo, que o diretor encontrou uma maneira de tornar possível a aproximação entre os personagens, diminuindo a distância etária através de um ‘golpe do destino’: se o que impedia, em termos, a relação, era o medo que ele tinha da juventude dela (um dia seria abandonado por outro jovem etc, etc), a solução final aproximou-os, sim, mas não sem pagar o preço a uma certa pieguice, e ao dramalhão. Posso estar exagerando, mas...


De todo modo, ótimo filme, ótima fotografia, ótimas atuações. Sem dúvida, merece muito mais do que a mísera estrela que o jornal que leio lhe dá.

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domingo, 21 de dezembro de 2008

Fazendo as malas


O que li da Danuza, foi com prazer, sobretudo seu penúltimo, Quase tudo, uma autobiografia muito bem escrita, que eu li como ficção, com momentos de drama e outros de joie de vivre que expressam uma personalidade e uma vida cheias de acontecimentos interessantes, com um pouco da história da cidade do Rio.

O mesmo não posso dizer desse último, Fazendo as malas. O lado moça fútil e socialite, que há em Danuza, exacerbou-se aqui, o tom é meio "se não conhecer tal lugar não veio a Paris" (ou Roma, ou Lisboa ou Sevilha, as quatro cidades por onde passa), e há umas birras, umas bobagens, enfim, li até o fim bastante impaciente para que terminasse, e sem vontade alguma de ir aos lugares que ela menciona, nem o hotel Welcome, onde ela sempre se hospeda em Paris, que no outro livro me pareceu um castelo romântico (exagerando um pouco, claro), aqui ficou pequenino, sem graça. Com a quantidade de ótimos sites e blogues de viagem que existem hoje, mais úteis para 'pessoas normais' que queiram ir a Paris será ler o conexaoparis, por exemplo, cujas escolhas estão mais de acordo com as posses medianas da maioria. Danuza nem escreveu para a patota dela, nem para os mortais comuns. Escreveu para ela mesma, e de mau humor. Pena.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Carlito Azevedo

Nossa, bom demais o texto do Carlito Azevedo publicado hoje (20/12) no Idéias, do JB. Não resisto e replico aqui:

"RIO - O 'Idéias' publica, em primeira mão, à guisa de presente aos leitores, um poema em prosa de Carlito Azevedo, que integra o livro 'Sob o duplo incêndio', selecionado pelo projeto de patrocínios da Petrobras e com lançamento previsto para ano que vem. "

As metamorfoses

Como um filme que necessita de 24 quadros por segundo para que a imagem apresentada se mantenha íntegra na tela e à nossa vista, talvez o ser humano seja uma aceleradíssima repetição de si mesmo que se sustenta em seu espetáculo e visibilidade numa proporção de 100 quadros por bilionésimo de segundo. De modo que, por exemplo, aquele jovem que está entrando pelas portas da discoteca com um colete de explosivos sob a t-shirt azul continue pacificamente a ser aquele jovem que está entrando pelas portas da discoteca com um colete de explosivos sob a t-shirt azul, e aquela pálida garçonete atrás do balcão de um café do aeroporto aguardando apreensiva a aproximação da mãe de seu namorado que se atrapalha toda com a bolsa de onde retira uma pistola 9 milímetros continue a ser nada mais do que aquela pálida garçonete atrás do balcão de um café do aeroporto aguardando apreensiva a aproximação da mãe de seu namorado que se atrapalha toda com a bolsa de onde retira uma pistola 9 milímetros, tudo de forma íntegra e ininterrupta. Ou quase. Pois assim como a diferença ou sabotagem em um único fotograma entre os 24 que deslizam divertidos ou solenes por toda a extensão de seu mísero segundo cinematográfico não chegaria a alterar a imagem que vemos na tela, dada a precariedade do poder de percepção de diferenças de nosso humano olhar, a possível metamorfose daquele jovem de t-shirt azul explodindo dentro da discoteca, ou da pálida garçonete atrás do balcão com o peito estourado por uma bala 9 milímetros, e mesmo considerando-se a possibilidade de uma metamorfose extremamente esdrúxula como em boi, tapir ou bebê Radinbranath Tagore, desde que limitada a um único quadro entre os 100 daquele bilionésimo de segundo, não seria captada por nosso precário sistema retiniano, e só lograríamos perceber de fato a fenomenal e invejável continuidade da t-shirt azul do jovem entre os destroços de discoteca e gente recolhidos pela polícia e transportados para a calçada cheia de vento e do piercing sobre o lábio da pálida garçonete caída por trás do balcão sobre uma poçazinha de sangue. Num concerto em homenagem a Witold Lutoslawski, contudo, o anjo boxeador logrou perceber diversas metamorfoses da pianista Martha Argherich em cervo negro, dia de inverno, borra de vinho, chuva de ouro e outros prodígios incontáveis, metamorfoses essas que, entretanto, não chegaram a durar nem um bilionésimo de nano-segundo, o que permitiu que para os outros espectadores aquela bela criatura de longos cabelos ao piano continuasse a ser durante todo o transcorrer do concorrido espetáculo a renomada pianista argentina Martha Argherich.


quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

conversa de maluco



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Meu interesse por coisas ou roupas é pequeno, não há quase nada que eu queira, salvo uma ou outra câmera fotográfica carésima, que eu cobiço mas não compro até me tornar alguém que domine o métier com mínima competência.

Por outro lado, livros são um vício, não há como negar. A uma lista já quase impossível de dar conta, acrescentei agora: Entre nós (Philip Roth, coletânea de entrevistas com um monte de bambas); Leila Diniz (Joaquim Ferreira dos Santos); Fazendo as malas (Danuza Leão, influência da Isabel, que lê muuuito); Contemporâneos (Beatriz Resende) e, last but not least, Poemas dramáticos, do Fernando Pessoa, que eu já tenho mas está lá em cima numa altíssima prateleira (e a obra completa também, que doideira...), e esse é por causa de 'Antinous', um longo poema de amor (verso inicial: The rain outside was cold in Hadrian's soul) que eu teimo em querer entender todo, de tempos em tempos, e meu inglês, ao invés de melhorar, vai piorando, então eu o compreendo menos mas não me conformo e fico lutando, lutando... enfim, alguém muito bom tinha de traduzir esse poema para mim, não sei por que ninguém o fez ainda (eu, pelo menos, não conheço tradução).

Outros bons momentos dele:


O hands that once had clasped Hadrian's warm hands
Whose cold now found them cold!
.....

O fingers skilled in things not to be told!
O tongue which, counter-tongued, made the blood bold!
.....

Antinous is dead, is dead for ever,
Is dead for ever and all loves lament.
.....

Now are thy nights widowed of love and kisses
Now are thy days robbed of the night's awaiting;
Now have thy lips no purpose for the blisses,
Left but to speak the name that Death is mating
With solitude and sorrow and affright.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Antigos e soltos


Acabei de passar em revista quase todo o enorme e belíssimo volume Antigos e soltos - poemas e prosas da pasta rosa, uma edição de textos não publicados e rascunhos em fac-símiles de Ana Cristina Cesar, organizada por Viviana Bosi e editada luxuosamente pelo Instituto Moreira Salles.

O livro serve basicamente como fonte de pesquisas sobre a obra de Ana Cristina (será muito útil à crítica genética), tem valor muito mais afetivo do que literário, pois apresenta muitos textos ainda não resolvidos, muito ensaio e erro; não me parece um livro para se 'ler', mas para se ter e pesquisar, mesmo que não haja uma linha sequer de crítica, de que se ressente a obra. Teria sido necessário que a organizadora apresentasse ao menos um estudo consistente sobre o material coletado. Solto assim, fica muita coisa à espera de aproveitamento.

De todo modo, o produto final, o livro em si, é muito bonito, mas não sei se tanto dinheiro valeu o escrito. Em termos de consistência e relevância para a fortuna crítica de Ana C, o livro de Flora Sussekind (Até segunda ordem não me risque nada. Os cadernos, rascunhos e a poesia-em-vozes de Ana Cristina Cesar, 1995) ainda é mais importante.

sábado, 13 de dezembro de 2008

o punctum



A câmara clara é um réquiem de Barthes para sua mãe, recém falecida então. O livro é escrito para falar da saudade, da dor, da perda, do luto da mãe, dessa ausência que a fotografia recupera por brevíssimos instantes, no relance de alguma foto perdida no passado. Numa foto em particular, a Foto do Jardim de Inverno, ele descobre uma criança (a criança que sua mãe fora).

A respeito dela, Barthes observa: “Nessa imagem de menina, eu via a bondade que de imediato e para sempre havia formado seu ser, sem que ela a recebesse de ninguém; como essa bondade pôde provir de pais imperfeitos, que a amaram mal, em suma: de uma família?”.

Essa foto será exemplar com relação ao conceito de punctum com que ele trabalha (“o punctum de uma foto é esse acaso que, nela, me punge (mas também me mortifica, me fere”).

Na verdade, será também para falar desse punctum que o livro se escreve – trata-se daquilo que atua subjetivamente na percepção do Spectator, um detalhe, alguma coisa parcial que diz a alguém algo não previsto.
Das várias fotos que Barthes traz para nos fazer ver com ele o que o punge lá, ou cá, surpreende o que ele vê e eu não; o detalhe que o fere nem sempre coincide com minha escolha, e por isso será sempre subjetivo, pessoal.

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Acho que leio hoje esse livro de modo diferente do que o fiz há alguns anos. O interesse pela fotografia agora torna-o imprescindível. Gosto de tudo nele – das fotos, da maneira como compreende a fotografia, da forma como expõe absurdamente seus sentimentos, seu luto, sua dor.


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Ao longo das 39 horas de meu curso, fiz mais de uma centena de fotos, algumas de que gosto, outras nem tanto, e muitos equívocos, com os quais também aprendi. No entanto, não há uma foto, sequer umazinha, para a qual eu possa olhar e dizer: isso me fere, há aqui um punctum a me mover de mim mesma. E penso: só é possível haver esse encontro com fotos muito antigas? Em preto e branco? (É preciso observar que fotos ‘jornalísticas’ e/ou socialmente comprometidas não respondem ao conceito expresso por Barthes, não é disso que se trata).

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De todo modo, há uma foto minha antiga em que vejo profundamente o que o autor me diz. Trata-se de uma foto de infância, e o ponto-que-toca está nos sapatos que eu criança estou usando. A história, para mim, desse par de sapatos é impossível de ser comunicada a outrem, a não ser como isso mesmo que o nome diz: história. Mas posso ficar horas olhando para aquele branco, na esperança de ter de novo a magia do cheiro dos sapatos jamais vistos antes.


sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Última saída




Algumas fotos da nossa última saída, ao Jardim Botânico.
Voltarei em breve à escrita, espero.
































































 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Barthes, luto, fotografia



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Seria muito complicado explicar o que sinto agora que vejo a foto dele aqui a meu lado, sorrindo e me abraçando, tendo ao mesmo tempo a certeza de sua presença em minha vida (e em meu afeto) e a notícia (vaga?) de sua partida. Ao fim e ao cabo eu mesma me tornei, junto com ele, meio espectral, e já houve um dia na rua em que tudo e todos faziam parte de uma outra dimensão, e eu via com toda a absurda clareza a palha de que somos feitos. E eu era a mais fina delas.


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De todo modo, releio Barthes e a câmara clara para sua amada mãe (morta).


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O que a Fotografia reproduz ao infinito só ocorreu uma vez: ela repete mecanicamente o que nunca poderá repetir-se existencialmente. [p.13]

A cada vez que lia algo sobre a Fotografia, eu pensava em tal foto amada, e isso me deixava furioso. Pois eu só via o referente, o objeto desejado, o corpo prezado. [p.17]


E aquele ou aquela que é fotografado, é o alvo, o referente, espécie de pequeno simulacro, de eídolon emitido pelo objeto, que de bom grado eu chamaria de Spectrum da Fotografia, porque essa palavra mantém, através de sua raiz, uma relação com o "espetáculo" e a ele acrescenta essa coisa um pouco terrível que há em toda fotografia: o retorno do morto. [p.20]


A Foto-retrato é um campo cerrado de forças. Quatro imaginários aí se cruzam, aí se afrontam, aí se deformam. Diante da objetiva, sou ao mesmo tempo: aquele que eu me julgo, aquele que eu gostaria que me julgassem, aquele que o fotógrafo me julga e aquele de que ele se serve para exibir sua arte. [p. 27]


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Roland Barthes. A câmara clara. Tradução Júlio Castañon Guimarães. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

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sábado, 6 de dezembro de 2008

por um triz


Eu estava no alto da pedra, ele vinha correndo e eu pensando: vai devagar, não corre, não sai do foco e... foi por pouco.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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o simples




Quando essa foto me apareceu, disse que era não apenas meu ideal de fotografia, mas de vida. Uma moça achou graça, mas é isso que quero me tornar.













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quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Vendo com lentes


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O dia ontem (quinta-feira) estava um escândalo de bonito, e saímos pela segunda vez para fotografar no Forte e Arpoador.

Sempre revelamos 30 fotos no dia seguinte e o grupo todo escolhe dez que seriam as mais interessantes. Não sei como dizer isso sem ficar ruborizada, mas o professor disse que não dava para escolher minhas dez melhores porque ficaram todas muito boas. Eu bem que precisava dessa força, porque já achava que minha 'carreira' de fotógrafa não tinha futuro, agora me animei...:).

Aqui algumas delas.







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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

nos intervalos


Fui à Primavera do Livro, mas esse ano achei tudo meio confuso, muita gente no estande da Cosac, eu meio sem paciência, acabei saindo cedo e só comprei três livros infantis para os sobrinhos (a fila deles já começa a se
formar).

Também passei pela Feira de Artesanato da Marina da Glória, achei interessante, muita coisa boa, bonita e não muito cara. Aproveitei e tirei algumas fotos dos barcos de lá também, e o Pink Fleet está aqui porque tenho vontade de fazer um passeio nele, e vou qualquer dia.


Com esse curso de fotografia, tenho saído todo santo dia, o que já é coisa à beça para meu temperamento de eremita. Mas o mais difícil é mesmo a relação com as pessoas, por menos que seja, tem de haver um mínimo contato, um exercício nem sempre muito fácil;

Um pouco da minha lista de espera:

A trilogia de Nova Iorque, Paul Auster; Fantasma sai de cena, Philip Roth; Diário de um ano ruim, Coetzee; Onze anos de correspondência: os machados de Assis, Maria Cristina Ribas; Três contos traduzidos por Fernando Pessoa, O. Henry; Garbo, Barry Paris; A vida das musas, Francine Prose; O sussurro da mulher baleia, Alonso Cueto; Os desafios da terapia (reflexões para pacientes e terapeutas), Irvin D. Yalon; A cidade do sol, Khaled Hossein; As intermitências da morte, José Saramago; Eles eram muitos cavalos, Luiz Ruffato; Histórias fantásticas, Bioy Casares; A caixa preta, Amós Oz; Os cadernos de Malte Laurids Bridge, Rilke; O criado-mudo, Edgard Telles Ribeiro; Sábado, Ian McEwan; Mês de cães danados, Moacyr Scliar; Duras: uma vida por escrito, Frédérique Lebelley; Moby Dick, Melville; A louca da casa, Rosa Montero; Coroas, Mirian Goldenberg e por aí vai... sugestões para a ordem de leitura?

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Agora tenho um flicr para as fotos: http://www.flickr.com/photos/claralopez






sábado, 29 de novembro de 2008

saída na chuva





Fotos da primeira saída da turma de fotografia, tiradas num dia em que choveu e a bateria da câmera descarregou antes da hora. Com a prática, vão ficar melhores...:)

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Stein ainda

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Não sei bem por quê, mas Gertrude Stein anda me rondando há algum tempo. Já comentei por aqui A autobiografia de Alice B. Toklas e, en passant, o Duas vidas, de Janet Malcolm, uma delícia de fofoca acadêmica em alto nível. Agora, encontrei o pequeno Paris França e, lendo o início, trouxe para ver o resto.


No geral, achei A autobiografia (1933) uma viagem meio ególatra, mas há algo no estilo que me prende, talvez seja a liberdade que ela se dá, o jeito desabusado de falar de tudo e de todos. Sobre o livro, diz Janet Malcolm:


Uma das características mais notáveis na Autobiografia de Alice B. Toklas é a maneira arrogante com que Stein trata as pessoas menos importantes de seu círculo. Ela os aplaina como talvez nenhum biógrafo, antes ou depois dela, tenha aplainado um personagem. Stein sentia, ao mesmo tempo, alegria e um pouco de vergonha com o sucesso dessa obra tão habilmente escrita para o 'público'. Escrevendo na voz de Toklas, Stein obrigou-se a falar um inglês mais convencional que o inglês falado por ela em suas obras herméticas, mas o que o grande público gostava nessas obras não era apenas o fato de conseguir entendê-las. O público reconhecia que lhe havia sido dado algo verdadeiramente original - o livro é tão vanguardista e experimental, tão extravagante e subversivo quanto a mais vanguardista e subversiva obra de Stein. Ele é - entre outras coisas - uma antibiografia. (p. 191).


Nem tão vanguardista, nem tão subversivo, mas esses são conceitos que dependem não apenas de uma certa retórica acadêmica para circunscrevê-los, mas de um viés histórico para avaliar e situar obras como tal.
De todo modo, já no início desse Paris França ela diz o que talvez seja uma boutade, mas interessante:


Afinal, todos, ou seja, todos os que escrevem estão interessados em viver dentro de si mesmos para contar o existe dentro de si mesmos. Por isso os escritores precisam ter dois países, aquele onde nasceram e o outro onde de fato vivem. O segundo é romântico, é separado deles, não é real, mas na verdade está ali. [p. 34]
[...]
Claro que algumas vezes as pessoas descobrem seu próprio país como se fosse o outro, um exemplo recente disso é Louis Bromfield descobrindo os Estados Unidos, também houve alguns ingleses assim, Kipling, por exemplo, descobriu a Inglaterra mas em geral o outro país de que se precisa para ser livre é um país diferente, não aquele onde se nasceu. [p.35]


Eu me pergunto se essa é uma perspectiva basicamente européia, em que o outro país fica ali ao lado e, por isso, a necessidade de mudar de país para o exercício da liberdade fica mais simples.


Mas penso que a questão é verdadeira, ou seja, somos mais livres longe dos constrangimentos que nossa origem, nossos pertencimentos culturais nos impõem, mas não precisamos de outro país, no máximo de outra cidade, e não por uma vida toda. Acho que só o tempo para conhecer-se, fortalecer sua própria identidade, talvez.


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Paris França. Gertrude Stein. Tradução Sonia Coutinho. Rio de Janeiro: José Olympio, 2007.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Outros olhos

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Bom, estou meio que em outro mundo de frases e, por enquanto, o que estou podendo ler são coisas como:


"O conjunto de lentes que forma uma objetiva redireciona os raios que passam por ela, de modo que dois ou mais raios vindos de um mesmo ponto do objeto fotografado caiam no mesmo ponto dentro da câmera."


Como eu fico umas três horas para entender o que o sujeito está querendo dizer, e outras três tentando me concentrar nisso, os livros verdadeiros e amados continuarão um pouco na fila, mas acho que vou começar a levar algum para o curso, assim vou lendo pelo caminho.


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Ontem vi que as barraquinhas da Primavera dos Livros no Museu da República, de que o Kovacs deu notícias em seu blog, já estão sendo armadas para a festa que começa na quinta, oba... mas não sei mais onde colocar novos livros nessa minha fila parada.


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A aula de ontem foi como a frase lá de cima, tinha de fazer esforço pra entender e acordar, mas não vou desistir, de jeito nenhum.


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E entre dois aventureiros, um jovem que está começando a viver uma aventura extraordinária pelo mundo, e outro mais velho, bonitão, que já conheceu o mundo todo, tem por hobby viajar e ama ser ouvido por todos sobre suas andanças, qual me chama mais a atenção, heim, heim? O jovem, claro, e fiquei pensando por quê. Porque nele eu colo minha fantasia, o roteiro está em aberto e eu posso viajar também na imaginação, e acho talvez mais fascinante do que a própria viagem.


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É o que temos por hoje. E vamos às paralaxes.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Um filme e algumas histórias


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Vi um filme de que gostei muito, Sob a mesma lua, que me fez lembrar com toda clareza o que significa ser 'latino' (ou mexican) na terra dos yankees. Me lembrei do sentimento de ter sido vanished da face da terra pela simples indiferença quanto a minha existência (ou a de qualquer 'outro') naquelas plagas. E tudo com uma cortesia de arrepiar - isso porque eu tinha um título e um lugar na hierarquia acadêmica.

A barra no filme é que as pessoas são pobres, vão em busca do sonho americano, que consiste em ter um emprego de faxineira ou de catador de tomates na época das colheitas (o pior é que mesmo isso é melhor do que o que eles têm em sua terra, o que dá engulhos em todos nós).

É verdade que o foco principal é mesmo a relação entre a mãe que partiu há 4 anos e o filho de (agora) 9 anos que ficou no México - o que ambos fazem para ficar juntos de novo, de preferência na terra das oportunidades (o filme é de antes do crash). O garoto é um fofo, dá conta do trabalho muito bem e ainda é uma simpatia. Tá certo que o final não podia ser mais sentimental (tem de levar um lencinho), mas o diretor conta uma boa história e a conta bem.

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E boas histórias terá o garoto que eu conheci hoje no curso que comecei a fazer de fotografia. Desta vez um curso mais profissional, com 36 horas, e num lugar muito charmoso.

São doze alunos, e hoje foi uma conversa geral, um filme lindíssimo com os fotógrafos do National Geographic, e apresentações de todos. Eu fiquei besta com um garoto de uns vinte e alguns anos que está dando a volta ao mundo, só isso. Viaja com um fotógrafo amigo, fica no Brasil algum tempo e resolveu aproveitar a parada por aqui para fazer o curso, depois segue para a Islândia, bem pertinho... Eu acho que já quis fazer isso em algum momento da minha juventude, mas nunca havia conhecido alguém que está fazendo, fica parecendo meio um conto de fadas.

Mas há também o conto da carochinha vivido por outro aluno, que contou uma história fantástica em que ele perdeu sua grande foto: um disco voador, um ovni, que ele e amigos viram, todos viram quando vinham não-sei-de-onde, mas a máquina caiu na grama, estava escuro e ele não conseguiu pegá-la a tempo de fotografar. Eu acredito em ambos: na história e nos ovnis. E queria muitíssimo ser abduzida, mas até agora nunca vi um e nunca fui. Bom, conheci alguém que viu, já é alguma coisa.

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quinta-feira, 20 de novembro de 2008

sobre um ensaio


Outro texto interessante da coletânea Do jeito delas é o longo 'The fish', da Elizabeth Bishop, um poema narrativo quase épico sobre um peixe que é pescado e tinha várias linhas e anzóis pendurados no lábio inferior, como condecorações por sua bravura, tudo muito intenso e forte. Ao final ela (ou o sujeito lírico, se preferirem) deixa o peixe ir embora, um gesto nobre e politicamente correto - só que não tira os anzóis da boca do bicho, como pode!? Fiquei chateadíssima com esse final, mas reconheço que é poema dos bons.

De todo modo, o que quero ressaltar é a qualidade do ensaio Uma estranha cumplicidade, de Márcia Cavendish Wanderley, sobre alguns traços da vida e obra de cinco das poetas elencadas - Sylvia Plath, Anne Sexton, Emily Dickinson, Hilda Doolittle, Marianne Mooore.

Há algum tempo não leio crítica feminista, estou de férias por tempo indeterminado desse assunto, mas Márcia me trouxe de volta a essa trilha com uma escrita enxuta, clara, objetiva, informações indispensáveis sobre os traços fundamentais do estilo, dos temas e do modo poético dessas autoras, assim como traz à tona e sublinha aspectos das vidas que se relacionam às obras.

O suicídio, por exemplo, que irmanou Plath e Sexton no fascínio de ambas pela morte, a ponto de a segunda carregar na bolsa "para o caso de um ataque de infortúnio absolutamente intransponível, suas kills pills. Levava-as como outras moças levam a maquiagem a ser retocada. Como batom para lábios descorados." (p. 85). Ainda sobre Sexton, diz Cavendish que "Era uma mulher bela e espirituosa que deixava eletrizados os auditórios universitários quando, descalça e fumando um cigarro atrás do outro, às vezes acompanhada por grupos de jazz, dizia seus poemas." (p. 86).

Sobre Sylvia Plath: "a poesia de SP tem em 'Daddy' seu momento mais contundente, pois ali destila sobre seu pai alemão (visto como nazista) o mais assombroso rancor e maldade humanos através de uma, às vezes, aparentemente cândida linguagem. Maldade de ninfeta, Lolita às avessas, pois sua pulsão mais que sexual é letal, a autora vai tecendo lentamente seu algoz e sua vítima." (p.74). E talvez minha única discordância, quando a autora afirma que a partir dos anos 70 "a poesia de Sylvia Plath passa a desfrutar de foros de cânon dentro da história da poesia ocidental. Cânon talvez ainda construído apenas por essa corrente crítica [feminista], interessada na busca de parâmetros femininos que se equiparassem àqueles tradicionalmente instituídos, mas que a reverencia como uma das primeiras e talvez como a mais forte voz feminista da literatura de língua inglesa da contemporaneidade." (p. 80). Minha dúvida e questão: não pertenceria à Virginia Woolf de Um quarto todo seu esse título? De todo modo, nada tira o brilho desse texto, em tudo para mim exemplar.


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Do jeito delas - vozes femininas de língua inglesa. Tradução Jorge Wanderley. Organização e ensaios de Márcia Cavendish Wanderley, Carlos Eduardo Fialho, Sueli Cavendish. Rio de Janeiro: 7Letras, 2008.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Constituição no Museu

Muito boa a exposição Constituição de 1988 - a voz e a letra do cidadão, que está no Museu da República e vai ficar até outubro do ano que vem. Financiada pela Ford Foundation e BNDES, a gente percebe o profissionalismo de todos os envolvidos, e enfim a sra. Magaly Cabral disse a que veio na direção do museu e a curadora, Maria Helena Versiani, fez um trabalho de mestre.
Uma das idéias mais criativas e impactantes foi a de expor milhares de cartas de brasileiros dos mais diferentes níveis sugerindo o que achava importante que se colocasse na constituição. Há uma sala com todas as paredes e o teto cobertos de cartas, e quando a gente olha para cima vê aquele varal de papel e palavras, é emocionante.
Também o projeto editorial do livro que o visitante recebe ao final da exposição é muito bem feito, e nele se conta a história das várias constituições do país até chegar à de 1988, com fotos inclusive de algumas cartas. Não precisa ser nacionalista para curtir a exposição e se emocionar, trata-se de reconhecer um trabalho feito com muita competência.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Dois filmes


Sem as aulas de alongamento, e a obrigatoriedade de acordar cedo, estou voltando a seguir naturalmente meu relógio biológico, que é ficar acordada até tarde (sempre gostei de trabalhar em casa de madrugada) e acordar tarde, isso até encontrar outro lugar para ir. Ontem estava sem sono e acabei vendo dois filmes, Mississipi em chamas e Fim de caso.

O primeiro já vi umas dez vezes, não fora a direção do Alan Parker, e sempre que dou com ele vejo de novo, parece magnético, não consigo não ver. O filme tem 20 anos (é de 1988) e os acontecimentos situam-se em 1964, ano fatídico para nós também.

Um pouco como nosso Tropa de elite, o filme é eletrizante, mas há senões quanto aos mocinhos: no nosso caso, a polícia que tortura; no caso deles, os agentes do FBI que, apesar de acharem os corpos dos três trabalhadores no final e se empenharem na busca da verdade, deixam um rastro de homens negros mortos ao longo das investigações e, no mínimo, se omitem quanto a sua defesa em vários momentos. Tempos duros aqueles.

***
Também já havia visto Fim de caso (1999), de Neil Jordan, não sei quando, e vi agora, com mais clareza, o que parece ser sua força: um filme sobre a fé, a crença em Deus, não numa força espiritual em abstrato, mas em um Deus quase concreto mesmo. Há até um milagre feito pela personagem da Julianne Moore - ela cura a mancha no rosto do menino filho do detetive. De todo modo, um filme sobre amor absoluto, daqueles inquebrantáveis, ciúme e fé, com ótimas atuações de Ralph Fiennes e Julianne Moore.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Anne Sexton

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Não conheço a poesia de Anne Sexton, mas achei (na prateleira dos 'a ler') um livrinho que é basicamente uma homenagem da mulher de Jorge Wanderley, um professor e ótimo tradutor que morreu do coração há alguns anos, aos trabalhos de tradução que ele fez.
Conheci o Jorge, na verdade meu primeiro emprego em uma universidade foi em substituição a ele, que precisara afastar-se, e andei até alguns anos atrás com um pedaço de papel em que tinha copiado um trecho de Dante que ele havia traduzido da Divina Comédia, mas não ainda publicado. Era lindíssimo o poema, nunca mais vi esse papel, mas lembro que era um poema de amor a Beatriz.

De todo modo, trata-se de uma coletânea de poetas mulheres com o título Do jeito delas - vozes femininas de língua inglesa, com alguns textos de Sylvia Plath, Anne Sexton, Emily Dickinson, Hilda Doolittle, Marianne Moore, Louise Bogan, Elizabeth Bishop, Denise Levertov, Edna St. Vincent Millay, Edith Sitwell, Patricia Hooper, Elinor Wylie, e conheço um pouco apenas de algumas delas.

Esse poema de Anne Sexton achei ótimo, e de algum modo ele conversa com o tema do último post:


A mulher do fazendeiro


O guisado misturado,
a lascívia do seu campo,
sua vida local em Illinois,
onde todos os acres parecem
fábricas de vassouras florescentes:
- já faz agora dez anos
que ela é seu hábito;
e novamente hoje de noite
ele dirá vamos, doçura
e ela não lhe dirá o quanto além disso é preciso
para viver, quanto mais do que esta
breve ponte luminosa
da cama estridente ou ainda
mais do que os seus lentos toques em braille,
como os de um pesado deus tornado leve,
esta velha pantomima do amor
que ela deseja, embora
isso continue a deixá-la sozinha,
mais uma vez de volta a si,
a mente separada da dele, vivendo
a si mesma com suas próprias palavras
e detestando a umidade da casa
que neles permanece quando finalmente jazem
em sonhos separados
e a maneira como ela olha para ele
que está ainda forte no envoltório rubicundo
do seu sono habitual, enquanto dela
os anos jovens se estiolaram na mesma cama de casal
e ela o deseja aleijado ou poeta,
ou ainda mais solitário, ou, às vezes,
melhor, meu amado: morto.


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The Farmer's Wife


From the hodge porridge
of their country lust,
their local life in Illinois,
where all their acres look
like a sprouting broom factory,
they name just ten years now
that she has been his habit;
as again tonight he'll say
honey bunch let's go
and she will not say how there
must be more to living
than this brief bright bridge
of the raucous bed or even
the slow braille touch of him
like a heavy god grown light,
that old pantomime of love
that she wants although
it leaves her still alone,
built back again at last,
mind's apart from him, living
her own self in her own words
and hating the sweat of he house
they keep when they finally lie
each in separate dreams
and then how she watches him,
still strong in the blowzy bag
of his usual sleep while
her young years bungle past
their same marriage bed
and she wishes him cripple, or poet,
or even lonely, or sometimes,
better, my lover, dead.


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Do jeito delas - vozes femininas de língua inglesa. Tradução Jorge Wanderley. Organização e ensaios de Márcia Cavendish Wanderley, Carlos Eduardo Fialho, Sueli Cavendish. Rio de Janeiro: 7Letras, 2008.

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quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Desonra


Cada livro captura seu leitor por estratégias diversas e distintas e, dentre elas, a habilidade para contar histórias, de forma que elas passem a ser nossas também e, nesse gesto, nos tornem mais ricos, mais próximos de nossa própria humanidade, é fundadora na boa literatura. Além disso, uma obra precisará pagar tributo ao domínio da forma, seja na exploração das vozes narrativas que dirigem a atenção do leitor para um ou outro lugar de enunciação, seja na criação de personagens fortes, seja na estrutura mesma do jogo discursivo, como o fazem, por exemplo, Machado e a Clarice de A hora da estrela, para ficar só nesses dois.

A leitura do romance Desonra, de John Maxwell Coetzee (prêmio Nobel de 2003, Booker Prize em 1999 para o livro), impacta uma leitora como eu de várias maneiras: o protagonista é professor de poesia, portanto, tem uma experiência com a qual me identifico profissionalmente; ele também é um professor que se envolve sexualmente com uma aluna, e essa mistura de poder e saber sempre foi uma questão ética que vi infringida regularmente em alguns lugares onde trabalhei – atitude que sempre considerei abusiva e no fundo desprezava os sujeitos que se valiam da função para isso. 

Um tema forte do livro é o estupro, e ele me toca, como acho que a toda mulher. Leio, pois, como mulher, o episódio do "sexo-violação-quase-estupro"; na verdade, toda a página 33 do livro está anotada como uma conversa entre o que o personagem, David Lurie, diz e o que eu respondo a ele. Por exemplo, ele diz "Estupro não, não exatamente, mas indesejado mesmo assim, profundamente indesejado. Como se ela tivesse decidido ficar mole, morrer por dentro enquanto aquilo durava, como um coelho quando a boca da raposa fecha em seu pescoço. De forma que tudo o que lhe fosse feito, fosse feito, por assim dizer, de longe" (p. 33) - ao que respondo "estupro, sim, seu escroque!". Outras frases desse mesmo trecho: "...quando chega ao carro, é tomado por tal desânimo, tal embotamento, que fica encurvado sobre a direção, incapaz de se mexer" - eu lhe digo: “fuck you!”; “Ele a vê enchendo a banheira, entrando na água, de olhos fechados como uma sonâmbula. Gostaria de entrar na banheira” – eu-leitora : “com ácido?”; “Ao preencher a ficha depois, ele marca presença para ela e lhe dá uma nota sete.” Eu lhe digo: “escroque!” (tá, o que escrevo é mais forte que escroque...).

De todo modo, há a cena fundadora do livro, segundo penso, a cena que, de certo modo, dá o sentido político de tudo, a violação da filha pelos três homens, que se anuncia assim:
Pelo caminho, vêm três homens na direção deles, ou dois homens e um rapaz. Estão andando depressa, com os passos largos dos camponeses. O cachorro que está ao lado de Lucy diminui o passo, se arrepia.” (p.107).

(Cachorros têm uma função importante no livro, eles são objeto dos cuidados de Lucy, por um lado, e de Bev Shaw, por outro lado, que os sacrifica. Eles são ainda o tema da belíssima última página, um momento de profunda desolação, quando o homem é levado a desistir, ambiguamente, de um cão aleijado, e sequer terá esse cão por companhia).

Então os dois, pai e filha, chegam à fazenda e lá encontram os três homens, e o que acontece a partir daí será narrado com maestria e sutileza ímpares, basicamente pelo modo como a filha compreende a violação – como gesto político (que ele certamente é), mas sobretudo como um direito jamais enunciado claramente daqueles que foram historicamente dominados pela bárbara e branca colonização. Lucy transforma seu corpo e o vivencia, pois, como um território de conflagração política, como butim de guerra, e mesmo quando o pai enuncia as palavras duras (“Ao contrário, eu entendo muito bem”, diz. “Vou pronunciar as palavras que até agora evitamos dizer. Você foi estuprada. Múltiplo estupro. Por três homens.”) (p.179), ou quando ela mesma o faz (“Quando faz sexo com uma estranha, quando encurrala, prende, submete, coloca todo o seu peso em cima dela, não é um pouco como assassinar?”) (p.180), mesmo então ela não cede, não foge da fazenda, não abdica da terra a que quer ter direito, como os negros sul-africanos o têm de origem, compreendemos nós.

O livro é grandioso porque nos faz acompanhar destinos fortes, situações extremas, com frases duras, secas, às vezes de uma violência contida, que não explode abertamente. E, no entanto, nos reconhecemos em cada um dos personagens, compreendemos quantas nuanças nossas vidas comportam, quanta ferocidade também, e foram esses personagens que nos disseram sobre nós. Não é pouca coisa como legado literário.

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Desonra, John Maxwell Coetzee. Tradução José Rubens Siqueira. São Paulo: Cia das Letras, 2000.

O santo é o santo


Fui cumprir o que já está virando um périplo ao mosteiro de Santo Antonio para fazer jus a meu próprio desafio, quem manda... Enfim, fui lá e o santo é mesmo São Pedro. Quem mo disse agora foi um dos frades que lá trabalham, e que tirou essas fotos ótimas para mim (eu acho que minha nascente profissão de fotógrafa está fadada ao ocaso).

De todo modo, a informação é que essa estátua é de gesso, não tem autoria definida, é anônima, e que os atributos de São Pedro estão claros - o livro e a chave, vistos melhor nas fotos que ele tirou, hélas para minha carreira de fotógrafa...:)

Certo? Se alguém ainda tiver alguma dúvida, por exemplo, por que o livro e a chave são atributos dele, e se são essenciais ou acessórios favor consultar o site http://www.franciscanos.org.br/ que tem um monte de coisa interessante para ler e pesquisar.








segunda-feira, 10 de novembro de 2008

o nome do santo


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Dever de casa feito. O santo cuja foto aparece, onze posts abaixo, sob o título "o nome do santo" é.... SÃO PEDRO! Fui até o mosteiro de novo para conferir, a imagem fica logo de frente para o elevador, nem precisa ir muito longe.
Perdão, São Pedro, nós somos mesmo uns distraídos... mas o senhor há de convir que fica difícil mesmo, já que cada página da internet tem uma foto sua diferente da outra, e todas diferentes da minha foto.
De todo modo, todas dizem que o senhor é, junto com São Paulo, co-fundador da Igreja de Roma etc, etc...

domingo, 9 de novembro de 2008

Vicky Cristina Barcelona


Um filme em que se ri bastante com os imbroglios criados pelo trio, improvável, que se une para amar e viver em Barcelona. Do que eu gostei: parece clichê, mas o Javier Bardem está bom demais, e lindo, claro, assim como a Penelope. Não sei se porque o cenário é a lindíssima Barcelona, mas os dois espanhóis dão show de bola, e as duas moças americanas ficam meio de coadjuvantes dos dois. Aliás, a Cristina da Scarlett Johansson vai murchando quando entra em cena a histérica personagem da Penelope.

Gostei da música, tanto a da trilha, cantada em espanhol sussurante, quanto a do violonista que toca um trecho de uma peça, lindíssima; gostei também de ver a cidade por onde passeiam os visitantes, de modo que eu também me fiz um pouco turista ali, acho que todos nós saímos querendo estar em Barcelona e vendo as maravilhas de Gaudí, mas eu esperava mais do filme, acho que se criou muita expectativa em torno dele e acho que ficou aquém da fama.
Por exemplo, achei meio intempestiva a saída da Scarlett do jogo, assim como ficou meio descosida a paixão da Vicky pelo pintor interpretado por Bardem. No final, como afirma Pedro Butcher na crítica ótima, por sinal, da Folha Online, a mais coerente mesmo é a personagem de Penelope, louca do começo ao fim. E também não fiquei convencida das dúvidas existenciais da Cristina (aliás, estou achando que a Scarlett tem interpretado bastante ela mesma no cinema), creio que no final ela sentiu falta mesmo foi de um bom hambúrger do Macdonald.

sábado, 8 de novembro de 2008

vermelho


Para dar energia e vontade de viver.

bolo de flores


No Largo do Machado, esse bolo de cores por ocasião do dia de finados.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Dr. Fabio Machado Landim


Ele faria hoje 40 anos. Que esteja no melhor lugar, aquele que seu nobre coração merece habitar.

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Ele não era apenas meu sol, como no poema de Auden. Ele era o sol de todos nós, de quem ele cuidou com serenidade, leveza e generosidade. Ele era o sol de todos cujas vidas salvou, e foram muitas. E todos nós íamos a ele, nos momentos de pânico total, de medo absurdo, e só em vê-lo tudo ficava melhor, mais compreensível, mais tolerável.

Ele foi meu oncologista, e só tinha 34 anos, muita sabedoria, uma crença profunda nas pessoas, em sua profissão, uma gentileza intrínseca, um coração enorme. Serenidade.

Morreu numa cirurgia boba, desobstrução nasal, saiu do centro cirúrgico bem, com esse sorriso que era sua marca. De repente tudo mudou. Ele se foi em 21 de outubro, só soube ontem, e me sinto mais órfã hoje do que jamais.

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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Tradução do discurso



A Ana, gentilmente, traduziu o discurso do Obama, vejam em
http://amdcr.blogspot.com/

Mas acho que se deve também ouvir o Obama, então o legal para quem tem dificuldades em entender é ler a tradução da Ana e ouvir no site.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Obama



Eu também considero uma vitória histórica, e tenho de me curvar a uma América que nos dá lições também.

Reconheço a grandeza deste momento, reavalio minha antipatia pelos valores desse país e embarco no mote do Obama : change has come to America.


E o discurso da vitória, emocionante à beça, está aqui:

http://elections.nytimes.com/2008/results/president/speeches/obama-victory-speech.html#