Mostrar mensagens com a etiqueta Verão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Verão. Mostrar todas as mensagens

domingo, outubro 12, 2025

A bela praia que gosta de se intrometer nas eleições...


Ontem como estava perto do mar, resolvi passar ao lado das praias da minha infância.

Não esperava encontrar tantos veraneantes tardios, embora os médicos continuem a recomendar o Sol e o ar marítimo, com o célebre iodo, para algumas doenças, como as ósseas, por exemplo.

Fiquei a pensar que, se hoje estiver novamente, "um dia daqueles", há alguns candidatos que vão ficar com menos votos...

(Fotografia de Luís Eme - São Martinho do Porto)


segunda-feira, setembro 29, 2025

«São precisos dois para dançar o tango...»


Ela disse-me esta frase ainda na cama.

É uma frase que se tornou corriqueira e que é usada pelos políticos, quando lhes convém, mesmo que a sua dança seja outra.

Não sei se ela e eles sabiam que estavam enganados.

Soube-o em Agosto, quando entrei num bar, que tinha a música rainha da Argentina a espreitar para a rua.

Embora estivéssemos a meio da tarde, o ambiente da sala era de quase média luz, contrastando com a luz e o calor fortes de um Verão que já cansava e que nos aguardava lá fora.

Sentei-me rente ao balcão, pedi uma cerveja e fiquei a olhar para as paredes cheias de gente, onde não faltava o Deus Maradona, embora o espectáculo decorresse no meio da sala. Fiquei entre o pasmado e o agradado, a olhar para o homem, sexagenário no mínimo, mais magro que elegante, que dançava sozinho entre o balcão e as mesas, um tango dos bons. Aliás deslizava...

Dançava muito bem, sozinho. Provavelmente, ainda dançava melhor com um par feminino à sua medida. Mas naquele momento só se encontravam homens naquele bar, cinco, como os dedos de uma mão.

Depois de beber a cerveja e de ver o homem sentado num dos cantos da sala, a refrescar-se com uma água com gás, paguei e vim embora. Antes de sair, fiz-lhe uma pequena vénia e ele levantou o copo, como se estivesse a fazer uma "saúde" aos dois.

Sai para a rua satisfeito e esclarecido. Afinal nem sempre são precisos dois para dançar o tango...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, agosto 29, 2025

Sol, livros, mar, livros, sol, livros, mar livros...


Talvez os frequentadores da minha praia, não sejam pessoas muito normais. Talvez...

Noto isso pelo número de pessoas agarradas a livros que encontro rente aos chapéus de sol, com vista para o mar. 

Até parece que aquele lugar tem uma placa qualquer, invisível, onde se informa qualquer coisa como: "praia aconselhável a leitores de livros".

Sim, o nosso caso esteve longe de ser único (três pessoas com três livros abertos...). E ainda bem. 

Nota não menos importante, havia leitores de todas as idades. Sim, não me venham cá com o "filme" de que os jovens não lêem, eles eram praticamente iguais em número aos pais e aos avós, que gostam de ler deitados e sentados na toalha, a sentir aquela brisa quase azul que vem do Oceano.

Só me faltou mesmo, andar de chapéu em chapéu, a ver o que se lia mais, romances, ensaios ou poesias...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)

Nota: quarta e última crónica algarvia.


domingo, agosto 24, 2025

A praia ao sábado e ao domingo


Mesmo nas praias do Sul, também se nota que os sábados e domingos são diferentes dos restantes dias da semana.

Basta haver Sol e há logo romaria, em qualquer praia deste "paraíso à beira-mar plantado".

É nestes dias especiais da semana que se nota mais a presença de gente que não faz pausa para o almoço (trazem a geleira bem abastecida de sólidos e líquidos) e montam quase "acampamentos" na praia. 

Já não são as pessoas do meu tempo de infância... São mais finas, alimentam-se sobretudo de saladas e sandes, para estarem sempre prontos para ir a banhos.

Recordei alguns domingos passados em família na praia de Salir do Porto, com avós, tios e primos... Montava-se acampamento e comia-se comida quase normal, que nos obrigava a esperarmos três horas, com digestões dignas de abades. Havia sempre um tacho grande com arroz de tomate, (embrulhado em papel de jornal) e muitos panados... Não me lembro de haver garrafão de vinho, mas já não digo nada.

Acho que nunca mais almocei na praia... Até porque na adolescência só íamos à praia depois de almoço. O normal era o nevoeiro tomar conta da Foz do Arelho durante as manhãs...

E continuo a gostar mais da praia, de segunda a sexta. Gostos...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)

Nota: terceira crónica algarvia.


terça-feira, agosto 12, 2025

As praias privadas, e as outras, que são só para quem as conhece...


Este ano notei que a minha praia dos últimos quinze anos (a Praia do Cabeço, sem vigilância e concessionário...), está a perder qualidades. Começou a ser descoberta e já não tem aquele aspecto de "paraíso", com muito mais areia que chapéus e pessoas.

Sorri, ao pensar nos "condes da Comporta", que sabem que o dinheiro compra quase tudo, ao ponto de terem o privilégio de ter praias apenas para eles, a família e os amigos.

A falta de acessos vai continuar, porque há muito tempo que o "povo" perdeu aquela "batalha de Tróia", que se prolonga desta bonita praia até Melides. Os preços dos bilhetes dos ferrys que fazem a travessia entre Setúbal e a Margem Sul (aposto que nenhum ricaço de Tróia lhe chama isso...) e os obstáculos pouco naturais, que dificultam a chegada ao mar, são um bom exemplo de quem quer praias sem a presença dos "outros"...

Curiosamente, em nenhum momento quis ter "uma praia só para mim", até por saber que isso é possível, lá para Outubro. 

Claro que dispensava a companhia tão próxima dos espanhóis que falam pelos cotovelos e parecem ter um autofalante na boca. Apesar de terem quase toda a praia para eles, gostam de colocar o chapéu a menos de cinco metros de quem preferia estar por ali, sossegado, a ler e a ouvir apenas as ondas do mar...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve) 

Nota: primeira das minhas "crónicas algarvias".


sexta-feira, agosto 01, 2025

Não vale a pena olhar para trás


Não vale a pena olhar para trás.

O tempo de férias é sempre mais curto que o de trabalho, mesmo quando os dias não estão tão convidativos como deviam.

O "relógio humano" sempre foi tramado a fazer contas, os segundos que cabem num minutos tanto podem subir como descer, fruto das conveniências...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


terça-feira, julho 29, 2025

Coisas "feias", num Verão pouco perfeito...


Eu sei que é feio ouvir a conversa dos outros, e ainda pior reproduzir o seu conteúdo, mas ninguém é perfeito...

A prenuncia do Norte não deixava dúvidas sobre a origem da mulher, que falava para toda a esplanada, apesar dos toques no braço de uma moçoila novita, que devia ser filha.

Quando olhei para a minha companheira, percebi que ela não fazia tenção de se levantar, perante a possibilidade de assistir a "teatro de borla". Além disso, nem sequer tive tempo para pensar, porque o tom de voz da senhora que devia ter ultrapassado os cinquenta anos de idade há pouco tempo, espantava qualquer tipo de pensamento para bem longe...

Um homem parou e perguntou-lhe pelo marido. Ela respondeu, sem olhar para ele: «sei lá onde é que anda esse estupor.» E ele seguiu o seu caminho, sem mais palavras.

Foi quando outra senhora, que falava de uma forma mais suave, trouxe para a conversa a nora, que a estava a virar do avesso, pois não fazia nadinha lá em casa.

E lá veio a resposta, para todos escutarem. «Vim uma vez de férias com os meus cunhados, jurei para nunca mais. Em vez  de criada de três, passei a ser criada de seis. A fina da minha cunhada, além de estragar as unhas a lavar a loiça, dizia que não sabia cozinhar para tanta gente.» Uma outra senhora interrogou-a, «E ficou-se?» A mulher ainda respondeu mais alto: «Isso é que era bom! Aproveitei a deixa e disse que ela tinha razão, era muita gente, o melhor era cada uma de nós cozinhar para a sua família. Sabe o que fizeram?» ninguém sabia, mas a resposta não tardou: «Começaram a ir comer fora. Foi um sossego lá em casa às refeições.» 

«No ano seguinte queriam mais férias com a Tina, mas eu mandei-os para o hotel. Lá é que eles estavam bem, não precisavam de mexer uma palha, tinham criados para tudo.»

Repetiu a expressão, «Está a ver o filme, não está?», pelo menos três vezes. Talvez a pensar na malta que estava na esplanada. E estávamos todos deliciados com a fita, mesmo quem fazia cara de caso...

Foi quando nos levantámos e seguimos viagem, ainda antes do "pano baixar"...

Enquanto caminhava fiquei a pensar que havia ali algo de mais feliniano que de "pátio das cantigas"...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


domingo, julho 27, 2025

A beleza feminina continua mais "bonita" que a outra...


Hoje sei que nem sequer é muito poético dizer que todas as mulheres são bonitas, como um dos meus professores de português disse, numa turma já com "miúdas-mulheres".

Talvez ele dissesse isso, porque além de ser um "falso charmoso", usava óculos e não tinha sido muito abonado pela beleza. Coisas que o faziam descobrir em cada mulher uma musa...

Claro que com os anos descobrimos que há mais que um tipo de beleza, embora isso não consiga eliminar a existência de pessoas feias à nossa volta.

Mas há outro factor que pode influenciar o bonito do feio, é o estatuto social. Sim, as mulheres ricas-feias, sem sempre olhadas de outra forma que as mulheres pobres-feias. Isso acontece em parte, porque elas têm "tempo e dinheiro" para quase se disfarçarem de "mulheres interessantes", através das roupas que usam e da elegância que lhes é proporcionada, algo que é apenas um parente afastado da beleza...

Sei que estou a ser ligeiramente "sexista" (pois é, o homem continua a ter padrões de beleza bem mais ligeiros), mas isto só acontece porque me cruzei ontem com uma mulher feia, que percebia-se à légua que tinha qualquer coisa de interessante...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


sexta-feira, agosto 02, 2024

Ao contrário do país, eu não "fecho em agosto"...


Fizeram-me um pedido e lá andei, para trás e para a frente, ao encontro de portas semi-abertas ou fechadas, serviços a menos de "meio-gás" e funcionários que estavam ali, mas não estavam...

Não mudámos muito. E em muitas coisas, houve um tempo que melhorámos, mas na actualidade voltámos para a "cauda da Europa", que parece ser onde nos sentimos bem...

Claro que para as empresas e instituições com um número significativo de funcionários, o melhor é mesmo fechar as portas, porque é o mês em que "quase se pára" e também facilita o mapa das férias, não há chatices nem invejas, vai tudo de férias em Agosto e ponto final.

A senhora de cabelo claro abriu muito os olhos quando eu disse, que não me lembrava de "ter fechado em Agosto".

Virei costas e deixei-a a pensar, com cara de caso. Não lhe ia dizer que há muitos anos que faço férias em Julho, e que em Agosto tento contrariar a lógica deste "paraíso à beira mal plantado"...

Talvez em Setembro seja possível, encontrar o programa desejado por alguém...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


segunda-feira, julho 22, 2024

O que se pensa com quarenta graus à sombra...


O normal é nós pensarmos coisas diferentes, quando enfrentamos os mesmos problemas.

Pensei nisso quando estava à sombra, a sentir a brisa quente e suave que passava, capaz de quebrar em segundos qualquer pedra de gelo.

Talvez muitas pessoas pensassem que boa ideia era entrar em qualquer loja, com o ar condicionado ligado e ficar ali, a fingir que queria comprar qualquer coisa...

E eu ali sentado, armado em ambientalista, a pensar em todas as coisas parvas que continuamos a fazer, enquanto fingimos que este planeta aguenta tudo e que estes quarenta graus à sombra é uma coisa passageira...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


sábado, julho 20, 2024

Não há sistemas perfeitos e talvez o nosso ainda seja mais "imperfeito" que os outros...


Estava sentado a ver "o mundo passar" na esplanada de um restaurante no centro de Almada, no começo da noite. Saboreava o café, distraído com coisas mais lunares que terrestres, quando a minha companheira, reparou num facto, cada vez mais evidente nas nossas ruas: mais de metade das pessoas que passavam por ali eram oriundas de outros países. Pela forma como se expressavam percebia-se que a maioria tinha vindo do Brasil.

Claro que não concluímos que a população imigrante já ultrapassara os locais. Havia pelo menos duas razões para que fossem estas pessoas a passearem nas ruas e não os almadenses. A primeira dizia-nos que somos uma população envelhecida que sai cada vez menos à rua à noite (já o éramos antes da chegada destas gentes das américas e das índias, cuja maioria contribui de uma forma positiva para a nossa economia...). A segunda era que estas pessoas muitas vezes partilham casa e com estas temperaturas elevadas deve ser um suplício ficar dentro de quatro paredes em casas superpovoadas.

Depois passou por nós um vizinho carregado com dois sacos de mercearias. E lá voltei a ser "acordado"... Tratava-se de um chefe de família que sempre vivera de expedientes. De repente descobriu-se "velho e cansado", com mais duas bocas em casa para alimentar (a esposa que nunca trabalhou para fora e uma filha deficiente...), e teve de se "agarrar" com unhas e dentes ao Estado e a todas as Instituições que ajudam pessoas que dificuldades.  Corria o boato de que vendia muitos destes produtos, para arranjar umas moedas para o tabaco e para as cervejolas. 

Ao contrário da minha esposa, encarei o caso com normalidade, por ele ser quem era e por não existirem sistemas perfeitos. Até porque tudo indicava, que o nosso ainda fosse mais "imperfeito que os outros...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


terça-feira, julho 02, 2024

O sul do nosso contentamento...


Este é o "sul do nosso contentamento", há mais de uma dúzia de anos.

Talvez até seja difícil de acreditar, que é possível estar na praia, sem ninguém muito próximo, a sentir a calma do mar nos "algarves"... E não menos importante, são os cheiros do pinho e de outras plantas, quase aromáticas, no caminho para casa.

Temos menos "internet" que  noutros anos, algo que até acaba por ser saudável, dando-nos espaço para outras coisas, quase do antigamente...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)  


domingo, agosto 27, 2023

Somos todos culpados


Somos todos culpados.

Uns mais que outros.

Mas sempre foi assim, não é preciso ser religioso para perceber que o justo sempre pagou pelo pecador.

Estou falar deste Verão estupidamente quente aqui nas Europas e trágico em outras regiões do mundo (nem as nossas ilhas escaparam...), onde não faltam as também normalizadas cheias...

Somos todos culpados (sim, é sempre assim), porque na falta de melhor para fazer, assobiamos para o ar...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


segunda-feira, julho 17, 2023

"Agosto Azul" em Julho...


Nestas férias trouxe meia dúzia de livros para ler, como de costume. Um deles foi o "Agosto Azul" de M. Teixeira Gomes, que segundo consta foi um dos poucos Presidentes da República que além de resignar ao cargo, respirou de alívio por se livrar daquela "camisa de onze varas", durante a controversa Primeira República. 

Tenho este livro há bastante tempo, mas só agora, quando andei a fazer algumas mudanças, é que o deixei  de parte (com mais uma dúzia...), para ler nos próximos tempos. O gostar bastante da capa, toda azul, desta quarta edição (1984), também deve ter pesado um pouco na escolha.

Embora o livro não seja muito fácil de classificar, o que mais me apraz de realçar, é a forma como está escrito: a grande riqueza linguística,  cheio de expressões que caíram em desuso, tão comuns nos finais do século XIX e princípios do século XX. 

Não é difícil de perceber que Teixeira Gomes era um homem especial. Além de ser extremamente sensível, tinha uma ligação muito forte à natureza. Descendente de uma família abastada algarvia, teve a oportunidade de "conhecer mundo" desde cedo, como representante dos negócios do pai (venda de frutos secos). Natural de Portimão, tinha uma relação especial com o mar. Relação que está espelhada em várias páginas deste livro, como nesta transcrição:

«Vale-me a presença do mar e só posso pensar no mar... Que grande castigo seria passar sem ele! Eu não vivo contente em sítio donde lhe não veja luzir o azul por entre as árvores... É um segundo céu mais sugestivo por certo  do que o outro. A gente do sertão não tem mais do que um céu. e o mais pobrezinho... A proximidade do mar é o único lenitivo possível à torreira do Sol e a aragem que ele bafeja torna-se a bênção do Verão.»

Saindo do livro e voltando à sua vida, há um aspecto pouco singular (ou não... estamos a falar de um republicano e de um democrata que não devia morrer de amores por Salazar), foi o facto de ter vivido o final da sua vida exilado. Desde 1925 até 1941, data do seu falecimento, na Argélia, não mais voltou a Portugal, onde deixara a esposa e duas filhas...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


sábado, julho 15, 2023

"Ainda estou, mas quase que já não estou..."...


"Ainda estou, mas quase que já não estou..."

Pois é, daqui a pouco vou dizer adeus a Almada, por uns dias, e passar umas pequenas férias. 

Acho que era a minha avó materna que dizia, que sempre fez bem mudar de ares, nem que fosse um fim de semana prolongado. E como ela estava certa...

Sempre deve ter havido "stress", mas nunca como agora. Vou mesmo mais longe, acho que o nosso corpo não está preparado para viver a esta "velocidade" (tudo passa cada vez mais rápido nas nossas vidas e se não conseguimos acompanhar este ritmo, ficamos irremediavelmente para trás...). Isso explica também o aumento de depressões e outras doenças estranhas, quase iguais a este tempo quase maluco, que nos consome e se esforça para nos "engolir"...

É por isso que todos nós devíamos partir, mudar de ares, nem que fosse por apenas três ou quatro dias...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


sábado, junho 24, 2023

Não, isto não é calor de Verão, é calor do Deserto...


As pessoas distraiam-se no sábado de manhã. Embora estivéssemos à sombra o dia prometia ser daqueles de nos enchermos de calor, com os termómetros a passarem dos quarenta de Norte a Sul.

Por ser feriado e por ser sábado, houve quem brincasse com o assunto e dissesse que devia ser proibido acumular feriados com fins de semana. Ninguém ligou. 

Pois é, parece que até o humor se está perder-se...

Para mudar de assunto, alguém falou de um desfile que iria percorrer as ruas da cidade, para festejar o cinquentenário de Almada, ao fim do dia. Olhámos uns para os outros sem saber grande coisa. A culpa era nossa, nenhum tinha "facebook"...

Numa conversa cruzada, os mais "beligerantes" diziam que era desta que Putin ia para qualquer coisa melhor, ao jeito dos ditadores, quando acontecem revoluções.

Talvez fosse já efeitos do calor, dizerem-se tantos disparates juntos. Talvez...

Eu que sempre gostei de climas temperados e que adoro o microciclo do Oeste (mesmo que a minha praia tenha nevoeiros matinais frios...), estava a pensar que isto não é calor de Verão, é calor do Deserto...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


segunda-feira, maio 01, 2023

A Tentativa de "Rapto" de Abril e Maio...

 


Abril e Maio costumam ser meses de esperança e até de mudança... 

Mesmo que não seja uma verdadeira surpresa, o Verão está a querer antecipar-se à Primavera de uma forma mais intensa,  "roubando-nos" o que esta estação tem melhor, os cheiros, as cores, e até mesmo alguma frescura, nos começos das manhãs e nos fins de tarde...

Um pouco mais ao lado, nota-se a tentativa de "rapto" de Abril e Maio, com acções da extrema-direita parlamentar, que deviam envergonhar qualquer democrata (mas que dão pontos nas sondagens...), que acabam por influenciar a oposição e o Governo, de uma forma no mínimo estranha. 

Ou seja, ainda ninguém descobriu a forma certa de lidar com esta gente, que vai "minando" o regime democrático, tornando públicas algumas das suas fragilidades.

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


quinta-feira, setembro 29, 2022

"Até já Setembro"


Apesar de estarmos há já algum tempo na "era digital", a minha vida continua rodeada de papéis.

Há meses que ando a deitar coisas fora, mas são sempre mais as que ficam que as que vão para o "papelão"... porque  me agarro à ideia parva, de que ainda vão ser uteis para qualquer coisa, um dia destes. 

Não é nenhum drama (para mim claro...), sei que a vida também se preenche de "inutilidades", que passam anos encaixotadas, até ao dia em que voltam a ser revisitadas...

Foi nestes papeis que descobri um pequeno texto com mais ou menos quarenta anos, em que me despedia de Setembro e de uma namorada de Verão (tive várias, como toda a gente, penso eu...). As minhas palavras não tinham nada de especial. Mas percebi que havia algum receio de entrar em Outubro (foi quase sempre o "mês das perdas"...). O texto não estava datado, mas era com toda a certeza do começo da década de oitenta do século passado.

E lá veio o pensamento das "outras vidas", que todos vivemos, porque quase que desconhecia o rapaz que escreveu aquele texto...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


quinta-feira, agosto 04, 2022

O Regresso da Chuva no Microclima do Oeste...


Ontem fui almoçar com a minha mãe às Caldas. 

Parti de Almada com o dia cinzento, mas depois de Loures, a tonalidade dos cinzentos começou a escurecer... E quando estava a chegar a Óbidos começou mesmo a chover. Durante dois ou três minutos as escovas do limpa vidros dançaram com alguma velocidade... Mas quando cheguei às Caldas a chuva já tinha sido substituída por uma "cacimba" que quase parecia maresia...

Normalmente estaciono o carro perto do Parque e dou uma volta pelo Centro da Cidade. Desta vez fui directamente para a casa da minha mãe. Mas quando percebi que a "cacimba" desaparecera e os cinzentos  clarearam ligeiramente, fui fazer o habitual giro, com passagens pelo Parque, Praça da Fruta, Rua das Montras, Borlão e Largo da Estação.

E fiquei a pensar que gosto muito mais dos dias de Verão do Oeste, mesmo com nevoeiro matinal, que nos dias com mais de quarenta graus ao sol e à sombra...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


segunda-feira, julho 11, 2022

Segunda-Feira Marroquina


Se tudo o que é mais de trinta graus, já é calor a mais para mim, nem sei o que dizer com estas "ultrapassagens pela direita, pela esquerda e pelo meio" dos quarenta e vários graus.

Nem a proximidade atlântica nos vale... 

Não faço ideia se os turistas continuam a encher os aeroportos e Lisboa e o Porto. Provavelmente sim. Mas se calhar não era bem este Sol que queriam. Este parece-se mais com o deserto que com a Europa Mediterrânea, mesmo a da ponta mais ocidental...

Como seria de esperar, a "guerra" televisiva transferiu-se da Ucrânia para as nossas matas e pinhais, pois estamos na época dos incêndios. Se a televisão está apostada no "espectáculo", o Governo levou tudo mais a sério e declarou o estado de contingência, proibindo todo o tipo de actividades nas nossa zonas florestais, mesmo as agendadas (como os festivais de Verão...). É caso para dizer um carneiro é menos para brincadeiras que qualquer cabrita... E ainda bem, para todos nós.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)