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sexta-feira, novembro 22, 2024

As imagens são muito diferentes das vozes...


Sei que parece mais uma "palissada", mas as imagens são mesmo diferentes das vozes, pelo menos quando se compara a televisão com a rádio, mesmo que pareçam incomparáveis.

Reparo também que são mais as vezes que estou de acordo, que em desacordo, com a meia-dúzia de amigos, cuja amizade dura há bem mais de duas décadas. Talvez seja também por isso que continuamos amigos...

Não, não é por isso. Normalmente quando estamos em desacordo, não nos chateamos uns com os outros (claro que existe uma excepção, mas serve apenas para confirmar a regra...).

Mas vamos lá às tais "diferenças", que os donos dos canais de notícias fingem não perceber. A rádio, por emitir 24 horas por dia, sempre teve necessidade de repetir e actualizar as notícias, hora a hora. Como as vozes não trazem imagens coladas, não têm o mesmo efeito dentro de nós que o "pequeno ecrã". O serviços noticiosos televisivos vão muito mais longe (e cada vez mais longe...), estão horas e dias seguidos a transmitir a mesma notícia, a mostrar as mesmas imagens, a repetir os mesmos comentários, ditos por uma lista cada vez mais comprida de "tudólogos". 

A coisa torna-se tão doentia, que só se podem fazer três coisas: mudar de canal, desligar a televisão, ou então, ficar preso aos dramas do mundo, como se estes não passassem de "telenovelas"...

Estivemos todos de acordo - sem excepções para confirmarem regras -, que é esta aposta na transmissão de notícias com o "guião" telenovelesco, que está a banalizar todos estes acontecimentos gravíssimos, que acontecem diariamente, especialmente os mortais na Palestina, no Líbano e na Ucrânia.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


domingo, março 17, 2024

A magia da rádio e aquele toque, quase festa, nas minhas costas...



A rádio tem uma magia especial. Mesmo assim não lhe dou a atenção que merece. Quase que só a oiço quando ando de carro (coisa que não faço todos os dias...).

Mas não foi por isso que visitei a Antena 3, a propósito dos 50 anos da Revolução de Abril. Foi porque a Incrível Almadense tinha sido convidada para participar e acharam que devia ser eu a falar da história desta enorme Colectividade de Almada. Isso aconteceu já nos finais de Fevereiro, mas só ontem é que foi para o ar.

A única experiência radiofónica que tive, deve ter sido há já uns bons quarenta anos, quando apareceram as "rádio piratas", que invadiram o país (de uma forma genuína e descontrolada...), e foi episódica. 

Fui muito bem recebido pela Rita, pelo Francisco e pela Raquel, que me abriram logo o estúdio, para ver "como era" e ficar ali a ouvir o bonito exemplo de voluntariado de Fernanda Freitas, com o seu belo projecto de contadores de histórias para as crianças adormecerem nos hospitais... E depois apareceu Isabel do Carmo, médica e resistente (tanta sabedoria e simpatia) e o Kalaf Epalanga (esse mesmo, dos "Buraka som Sistema") e entretanto começou o programa. 

Durante quase meia hora contaram-se histórias, neste programa de Abril, "Não Podias", em que o tema central era "não podias reunir-te". Gostei muito de ouvir a  Isabel e o Kalaf, que iam respondendo às perguntas pertinentes do Francisco e da Raquel. E quase no fim falaram da Incrível e fizeram-me também perguntas, sobre como era a Incrível na ditadura. Disse logo, com um grande orgulho, que foi sempre democrática. Falei das sessões solenes de Outubro, em que era costume convidar uma grande figura do republicanismo (dei o exemplo dos professores Simões Raposo e Vieira de Almeida), que empolgado com o apoio e com a sala cheia, começava a denunciar algumas das tropelias do regime e acabava muitas vezes com "Vivas à República" - por acontecerem quase sempre durante o feriado do 5 de Outubro.

Falei também da fuga do Zeca Afonso do Salão da Incrível, quando apareceu para cantar de surpresa (em 1970). Como estava proibido pelo regime de cantar em público o seu nome não podia constar nos cartazes publicitários sobre os concertos musicais... da qual existem duas versões (e possibilidades reais de fuga, uma por um alçapão que fica num dos cantos do palco, quando se vai para os camarins e outra por umas escadinhas estreitas que tinham ligação com o cinema, para ruas diferentes, para a Capitão Leitão e para a Heliodoro Salgado).

Sei que o Francisco também me perguntou se não havia medo em relação às autoridades e como é nos defendíamos em relação a estes actos, de alguma forma "subversivos". Disse que a maior parte das vezes fazíamo-nos de parvos, como se tivéssemos sido apanhados de surpresa, perante os acontecimentos... E normalmente era suficiente para que as autoridades se ficassem pelas ameaças. Falei dos 175 anos e da banda, que dizem ser a única do país, que nunca deixou de tocar, desde a sua fundação e... o programa acabou (pois foi, soube a pouco, ficou tanto por dizer sobre a Incrível...).

Em relação ao título deste texto, ele deve-se ao gesto do meu filho, que foi apanhado de surpresa, no sábado de manhã e ficou a ouvir comigo (via televisão, que também pode ser rádio...) o programa "Não Podias" e gostou  do que ouviu e do que eu dissera e manifestou-o com um "que giro" e o tal toque suave nas minhas costas, em jeito de festa...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, julho 12, 2023

A música tem de tudo, o que vale é que podemos escolher o que ouvimos...


Uma das coisas que mais irrita uma das minhas amigas, é a música foleira que lhe entra pelos seus ouvidos e sai toda catita pela sua boca.

Como normalmente ouve o que não gosta, controla-se mais e a "música pimba" pode continuar a entrar pelos seus ouvidos, mas já não lhe sai pela boca, com tanta facilidade. Diz que a culpa é da rádio (afinal não colocam no ar só música estrangeira...) que ouve no carro.

É normal escutar coisas do género, "não tens mais estações de rádio, além dessas pindéricas que ouves e cantas?" E acabamos todos a sorrir.

Claro que a culpa não é dela, é sim, da chamada "música popular" (os cantores, detestam ser "pimbas", mesmo que não consigam fugir do registo e apelidam-se como "músicos populares"...), que por ser de "ouvido fácil", consegue chegar quase a todo o lado, até aos nossos ouvidos distraídos...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quinta-feira, março 27, 2014

Medo do Silêncio


Estamos de tal forma "adaptados" aos sons urbanos, que não achamos o silêncio, silêncio, normal.

Nunca como hoje houve tanta gente a viver sozinha. Raramente é uma opção feliz, mesmo que seja voluntária. Talvez seja por isso que assim que muitos destes solitários chegam a casa, uma das primeiras coisas que fazem é ligar a televisão ou o rádio, para "terem gente" em casa.

Não sei se é fobia, ou outra coisa qualquer, mas há mesmo quem tenha medo do silêncio...

Eu cresci num tempo em que existiam "quartos escuros" (falo disso nas minhas "Viagens pelo Oeste"...), "papões", etc. Ou seja, era mais fácil ter medo de muitas coisas. O regime também gostava de impor o "medo", assim como o "respeitinho", que era uma coisa muito bonita nesse tempo...

Lembrei-me destas coisas todas ontem à noite antes de me deitar. Quando desliguei a televisão, gostei tanto de sentir o silêncio em casa...

Sei que eu não sou exemplo para ninguém, pois gosto do silêncio e até da solidão (é quando estou só que penso mais nas coisas, que me surgem mais ideias a pedir para serem passadas para um papel qualquer...).

Mas compreendo as pessoas que têm medo do silêncio. As pessoas que muitas vezes quase que são forçadas a viverem sós e precisam das vozes da telefonia ou da televisão para lhes fazerem companhia.

quinta-feira, fevereiro 13, 2014

O Mistério das Vozes da Rádio


Hoje que se comemora o Dia Mundial da Rádio, não resisto a contar a história de um homem que ao longo da sua carreira radiofónica, só quis ser mais uma voz da rádio.

Bem parecido, foi vitima de assédio e sedução, em muitas tentativas de namoro da sua irmã mais nova, mas bem mais vistosa, que todos conhecemos como televisão. Disse sempre que não. 

Percebe a rapaziada mais nova que aceita dar o "salto" para o pequeno écran (bem mais agradável em termos monetários...), porque hoje a popularidade é bem diferente, tem outro peso.

Ele preferiu manter o mistério, nunca quis ser mais que uma voz. Nem nunca deu qualquer entrevista às revistas de todas as cores, que se vendem por aí.

Sabe que se fosse hoje, era impossível manter a discrição que fez parte do seu dia a dia. Não conseguia ser apenas uma voz...

O óleo é de Ana Perpinya.

quarta-feira, fevereiro 13, 2013

Sons do Mar no Dia da Rádio


Não sou grande consumidor de rádio, porque ando muito mais a pé que de carro e normalmente quando quero ouvir música, prefiro ser eu a escolher a música.

Mas a estação de rádio que ouço há décadas é a RFM, não sei se por fidelização se por outra coisa qualquer.

Acordo quase sempre com o "Café da Manhã" e com a alegria da Carla Rocha e do José Coimbra. Mesmo que seja apenas para ouvinte ver, estes sorrisos ajudam a acordar com boa disposição.

Quando conduzo à noite descubro que o "Oceano Pacífico" ainda sobrevive, com a voz inconfundível do João Chaves...

Parece que esta semana as coisas mudaram lá para os lados da rádio católica e estes três grandes radialistas foram substituídos...

Escolhi esta fotografia de José Boldt, porque os sons do Mar continuam únicos e têm a vantagem de não estarem reféns das audiências de ninguém.

domingo, outubro 07, 2012

Boas Músicas no Interior


As peripécias da TDT fizeram com que deixássemos de ter televisão na casa da Beira.

E como foi tão bom passar estes dias sem a companhia do pequeno ecran...

Ouvimos muita música, mas também o chilrear dos pássaros que habitavam nas oliveiras rente à nossa casa.

Além dos nossos discos, também ouvimos alguma rádio, inclusive a "Rádio Monsanto", onde revivi a rádio que se fazia quando eu era mais pequenote, pelos anos setenta. A forma de apresentar e de escolher música tinha muita nostalgia, e depois a mensagem inesquecível para os ouvintes: «para si bom dia, boa tarde, boa noite, conforme a sua sintonia.» 

Rima e é verdade. E claro, foi bom ouvir tanta música portuguesa, alguma que não ouvia há anos...

terça-feira, maio 05, 2009

Uma Vida Simples

Embora seja pouco habitual, ainda há quem passe a tarde de domingo a ouvir os relatos de futebol, mesmo que os jogos mais importantes sejam todos à noite por causa da "maldita televisão", da qual o Adelino se desfez e não sente saudades.

A que tinha, quase nova e a cores, ofereceu-a a um casal amigo, pouco tempo depois da morte da esposa. Nunca se entendeu com telenovelas nem com programas de "chacha" (a palavra é dele...), prefere ouvir música ou andar por aí a vagabundear. Ás vezes também pega na cana e finge que pesca rente ao Tejo.
Vive sozinho e a sua casa é um brinco (está mais limpa e arrumada que a minha...). Poucos homens da sua geração são tão auto suficientes como ele. Além de sempre ter gostado de cozinhar, com a doença da esposa, habituou-se a fazer de tudo em casa, para poupar as filhas, a Júlia e a Carla, casadas, com filhos e com emprego.
Gosto de falar com ele, porque é um homem extremamente culto. Leu pela vida fora muitos livros, ouviu todo o género de música e andou pelo mundo de cabeça levantada e olhos abertos. Agora já não lê muito porque a vista não ajuda, mas continua a ser um observador do quotidiano e um mélomano...
Já marcou uma caldeirada de peixe com os amigos mais próximos, para o último sábado deste mês e quer muito que eu apareça...
A fotografia é de Robert Doisneau, "Música de Câmara".

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

A Festa da Telefonia Sem Fios

A TSF faz na próxima sexta-feira 20 anos.
É impossível passar ao lado deste aniversário, sem aplaudir os jornalistas-fundadores desta cooperativa, que conseguiu alterar, completamente, o panorama da rádio portuguesa.
A partir de 29 de Fevereiro de 1988 as notícias passaram a ser transmitidas na hora e em directo, acabando com os "diferidos" e com algum "amadorismo", tão em voga nesses tempos...
Com a sua entrada em cena, percebeu-se que era possível fazer quase tudo, em rádio.
Deixo aqui um aplauso maior para Emídio Rangel, o "pai" da TSF e um dos grandes homens da comunicação no nosso país.
Um dos pontos fortes da comemoração é o lançamento do livro "Tão Perto do Mundo", onde nos são oferecidos 20 acontecimentos da rádio que mudaram a rádio...

sábado, novembro 17, 2007

Viva a Música Portuguesa!

Parece que a lei que "obriga" as estações de rádio a passar 25% de música portuguesa está a fazer muita confusão em algumas cabecinhas.
Só há uma forma de os animar (ou acordar...) recordar os bons da nossa música:
Zeca Afonso; Madredeus; Carlos do Carmo; GNR; Rui Veloso; Brigada Vitor Jara; Rodrigo Leão; Xutos e Pontapés; Mariza; Da Weasel; Carlos Paredes; Trovante; Dulce Pontes; Sal; Paulo de Carvalho; UHF; Filipa Pais, Clã; Sérgio Godinho; Mão Morta; Jorge Palma; Delfins; António Variações; The Gift; Carlos Mendes; Adriano Correia de Oliveira; Sons da Fala; Fernando Tordo; Heróis do Mar; Anabela; Rádio Macau; Adelaide Ferreira; Ala dos Namorados; Camané; Sétima Legião; David Fonseca; Sitiados; José Cid; Toranja; Amália; Essa Entente; Alfredo Marceneiro; Censurados; Mafalda Arnaut; Resistência; Manuel Freire; Entre-Aspas; Pedro Burmester; Opus Ensemble; Maria João Pires; Rio Grande; Maria da Fé; Pop Dell'Arte; Luísa Basto; Peste & Sida; Fernando Mauricio; Jafúmega; Filipe Laurent; Iodo; Maria João; Banda do Casaco; Francisco Naia; Carlos Bica & Trio Azul; Ana Moura; Quinta do Bill; Luís Represas; Ritual Tejo; Teresa Salgueiro; Tetvocal; João Gil; Santos & Pecadores; Lena D'Água; Fingertips; Pedro Abrunhosa; Ena Pá 2000; Alexandra; Grupo Xaile; Paulo Gonzo; Mário Laginha Trio; Fausto; Moonspell; Zé Mário Branco; Blind Zero; Aldina Duarte; Mler If Dada; João Braga; Braindead; Sara Tavares; Black Company; Vitorino; Ramp; Simone; Cool Hipnoise; Janita Salomé; CTT; Cristina Branco; Trabalhadores do Comércio; Fernando Lopes-Graça; Táxi; Eugénia Melo e Castro; Doce; Carlos Guilherme; Roxigénio; Marina Mota; Silence 4; Emanuel Nunes; Humanos; Rita Guerra; Polo Norte; Tiago Bettencourt; Anjos; Né Ladeiras; Kizomba; João Pedro Pais; Corvos; Mafalda Veiga; Duo Ouro Negro; Tony de Matos; Herminia Silva; Gaiteiros de Lisboa; André Sardet; Madalena Iglésias; Gomo; JP Simões; Lúcia Moniz; Bernardo Sasseti; Carlos Paião; António Chainho; Tonicha; Artur Pizarro; João Afonso; Lenita Gentil; Carlos Martins; António Pinho Vargas; Argentina Santos; Carlos Zingaro; Joana Amendoeira; José Peixoto; Tim; Francisco Fanhais; Kátia Guerreiro; Luís de Freitas Branco; Misia; José da Câmara; Teresa Silva Carvalho; Max; Pedro Caldeira Cabral; Tózé Brito; Jacinta; Luís Cilia; Isabel Silvestre; José Medeiros; Rui Pato; Carlos Alberto Moniz; Luís Madureira; Samuel; Nuno Guerreiro; Boss AC; Raquel Tavares; Pedro Joia; Maria Teresa de Noronha; Paulo Bragança; Júlio Pereira; Ana Sofia Varela; Pedro Barroso; Henrique Feist; Inês Santos; Carlos Ramos; Rão Kyao; Amélia Muge; Beto; Susana Félix, Paco Bandeira, António Vitorino de Almeida, etc.

Espero que esta lista de cento e setenta e quatro chegue, e está praticamente limpa de "pimbalhada" *...
A ordem dos músicos foi ditada apenas pela minha memória, ou seja, iam aparecendo e eu ia escrevendo...
O Zeca Afonso, se estivesse entre nós, fartava-se de rir, com o desplante dos pobres dos nossos radialistas, sem música portuguesa de qualidade para pôr a rolar...
* (Marco Paulo; Mónica Cintra; Tony Carreira; Ágata; Emanuel; Romana; Quim Barreiros; Luís Filipe Reis; Rute Marlene; Mikael Carreira; Rebeca; José Alberto Reis; Micaela;D'Arrazar; Toy; Excesso; Ana Malhoa; Marante; Delírio; Nel Monteiro; Adiafa; José Malhoa; Roberto Leal; Broa de Mel; Miguel & André; Ana; Rui Bandeira; Nucha; António Calvário; Artur Garcia; Maria José Valério; António Mourão; Fernando Correia Marques; Armando Gama; Mila Ferreira; Dino Meira; Sabrina; Clemente; Eugénia de Lima; Maria Albertina; António Pinto Basto; Cândida Branca-Flor; Nuno da Câmara Pereira; Gonçalo da Câmara Pereira; Nico da Câmara Pereira; Santamaria; Jorge Fernando; Linda de Suza; D'zrt, Zé Cabra, entre outras dezenas de artistas, conhecidos também por "reis" (e rainhas, claro) da cassete pirata)