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terça-feira, outubro 07, 2025

Será que se está a preparar em Gaza um episódio parecido com a "guerra de Solnado"?


Se há coisa que já se percebeu, é que tanto Trump como Netanyahu, são capazes de tudo, para atingirem os seus objectivos pessoais, que por vezes tentam fingir ser colectivos.

É por isso que tenho algumas suspeitas de que o Presidente dos EUA está a querer "acelerar" um acordo de paz em Gaza (que tem tudo para ser parecido com o de "judas"...), por ver que se está a aproximar a atribuição do seu tão sonhado "Nobel da Paz".

Prémio que tem "exigido" em quase toda a parte onde discursa, ao ponto de inventar guerras que terminou sem elas começarem. Embora seja quase anedótico, que um ditador mentiroso, possa ter tais aspirações, no mundo actual parece que tudo é possível.

O que é verdadeiramente grave, é a notória falta de carácter dos principais líderes europeus, que a única coisa que têm deixado no ar, na relação com Trump e com os EUA, é a sua cobardia e hipocrisia (onde nem falta um português de apelido Costa...), ao ponto de estarem prontos a apadrinhar um "prémio" completamente imerecido, mesmo que os seus júris, só de vez em quanto, escolham os melhores...

É por isso, que este episódio é parecido com a "guerra do Solnado" (que parava aos fins de semana, para descanso do "inimigo"...), embora essa fosse completamente inofensiva, ao contrário do que se passa diariamente em Gaza. 

Nada nos diz, que depois de Trump receber o tão desejado "Nobel da Paz" (parece que é mesmo uma possibilidade...), não volte a existir uma marcha atrás no acordo e o Israel se mantenha firme, no propósito de aniquilar todos os Palestinianos...


quinta-feira, novembro 30, 2023

Prémios enfiados dentro de "nuvens cinzentas"...


De longe a longe apanho uma ou outra notícia (antigas e raras...) de gente que recusou prémios, normalmente literários, por não os considerar justos... ou apenas por aparecerem tarde demais... 

Antes de Abril não se dava qualquer destaque a estes acontecimentos (bendita "censura", que até protegia os júris dos "prémios literários"), assim como a outros que fossem passíveis de provocar polémica na nossa "santa terrinha".

Lembrei-me disto e doutras coisas, quando cheguei a casa, depois de ter passado pela pista de atletismo municipal e perceber que agora tinha um patrono, que estava longe de ser a grande figura da modalidade no concelho de Almada (vou escrever sobre isso no "Casario").

O mais curioso é que durante a tarde tinha-me deparado com uma entrevista (já com uns anitos) de Rodrigo Guedes de Carvalho, em que ele diz: «O meio literário é uma nuvem cinzenta, sem rosto, cheia de sussurros, uma casta que manobra, que atribui prémios ou que se insinua junto de agentes para traduções e que vai de alguma forma impondo uma ideia do que é bom e do que é mau, sem que ninguém lhe tenha perguntado nada.»

Apeteceu-me sorrir quando recordei um escritor amigo, que já não está entre nós, que me contou da sua felicidade quando recusou um prémio literário, com alguma importância, por sentir que este já chegava tarde demais. Disse-lhes que não precisava nem queria aquele prémio para nada. Mas eles fingiram que não se tinha passado nada e deram o prémio a outro autor, que deve ter ficado feliz da vida...

Sei que isto diz muito de nós, pois nem na atribuição de prémios, ou de outras honrarias, conseguimos ser dignos e justos. Privilegiamos mais a amizade e o compadrio, que a qualidade...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, outubro 06, 2023

De vez enquanto, acontece (e ainda bem)...


De vez enquanto acontece, sentimos que o "Prémio Nobel" faz sentido e premeia os nossos melhores, sem andar à procura de "desconhecidos", para baralharem os eternos candidatos.

Aconteceu na Literatura, Jon Fosse, um dos grandes criadores do norte da Europa, foi o escolhido, e sem surpresas. Não fosse ele um dos grandes dramaturgos e romancistas da actualidade.

Na Medicina também foram premiados dois dos grandes investigadores da área da saúde, a húngara Katalin Karikó e o americano Drew Wiessman, que em dez meses conseguiram desenvolver e conceber a vacina que nos ajudou a combater o covid 19.

E a Paz também não poderia ter uma melhor premiada, que a jornalista iraniana, Narges Mohammadi, neste momento detida no seu País, onde está a cumprir uma pena de dez anos. Grande activista dos direitos humanos e dos direitos femininos, já foi detida 13 vezes, condenada a 31 anos de prisão e a 154 chicotadas. É um prémio que lhe dará ainda mais força para continuar a acreditar que a sua luta vale a pena. E vale mesmo.

Ainda bem que as coisas, de vez enquanto, acontecem...

(Fotografia de Luís Eme - São Martinho do Porto)


terça-feira, novembro 15, 2022

Algumas Singularidades de um Grande Escritor


Apesar de não ser o meu autor português preferido, sempre tive um grande respeito e admiração por José Saramago. Isso deve-se ao amor que sempre revelou pela liberdade, e também ao seu exemplo, de luta e de persistência, que foram fundamentais para que ele se transformasse num dos maiores criadores da língua portuguesa. 

E não menos importante, é o facto de Saramago nunca se ter esquecido de onde veio.

Não tenho dúvidas, de que são muito poucas as pessoas que têm a capacidade, não só de ultrapassar, mas também de colherem dividendos, das dificuldades e dos obstáculos que tiveram de enfrentar pela vida fora (na Cultura).

Vou só deixar aqui dois exemplos: o seu saneamento da direcção do "Diário de Notícias", depois do 25 de Novembro de 1975, e posterior desemprego, foram decisivos para a sua aposta na literatura a tempo inteiro e na sua afirmação como escritor; a forma como foi "maltratado" pelo governo do PSD, após a edição do seu livro "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" (1995) foi determinante para a sua saída do País, escolhendo a ilha espanhola de Lanzarote com destino, onde "ganhou mais mundo", acabando por conquistar o nosso único "Prémio Nobel da Literatura", em 1998. 

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, outubro 11, 2022

A "Justeza" de Prémios que Têm pouco a ver com Justiça...


Há muito boa gente que questiona a justeza de alguns prémios, como é o caso do Nobel da Literatura, normalmente o que gera mais "estados de alma" à sua volta, de todos os entregues pelos suecos.

Penso que este prémio não tem muito a ver com justiça, até porque há sempre, pelo menos umas cinco dezenas de escritores que são potenciais candidatos a receber, este quase "óscar" da literatura.

O mais curioso é o papel de quase "detectives", do júri sueco, que consegue, ano após ano, "desencantar" alguém que nem sequer faz parte dessa lista, como aconteceu mais uma vez, com a francesa Annie Ernaux.

Nesta aspecto, até tem uma coisa boa, sabe-se que nunca é entregue a "amigos", como acontece com tantos prémios cá no nosso burgo.

Claro que escritores como o nosso António Lobo Antunes, que acham que fazem parte do grupo muito restrito (menos de meia-dúzia...) dos "melhores do mundo", além de terem vontade de "trepar paredes", devem dizer das boas, quando ouvem o nome de laureado, ano após ano...

(Fotografia de Luís Eme - Laranjeiro)


quinta-feira, outubro 06, 2022

«Tenho de me pôr a pau, um ano destes ainda me apanham distraído e oferecem o Nobel»


Há pessoas que invariavelmente nos deixam bem dispostas, por terem a capacidade de fazerem humor com quase tudo. São um bálsamo para os nossos dias.

E felizmente, continuam pouco preocupados com os puritanos e com essa coisa curiosa que é o "politicamente correcto". 

Foi por isso que me fartei de rir, quando o meu amigo Rui, escritor da terceira divisão (tal como eu...), disse: «Tenho de me pôr a pau, um ano destes ainda me apanham distraído e oferecem o Nobel.»

É possível que haja muita gente que diga que conhece e já leu a escritora francesa, Annie Ernaux. Na nossa mesa nunca ninguém tinha ouvido falar da senhora, muito menos lido qualquer obra... 

Pois é, estes senhores júris do Nobel, devem fartar-se de procurar escritores que quase ninguém conhece, para lhes premiarem a vida e obra...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


segunda-feira, fevereiro 10, 2020

A Aposta na Surpresa e na Descentralização


Parece que o "Óscar" quer seguir as pisadas do "Nobel" (dos livros), apostando na surpresa e na descentralização do prémio (se for possível, claro).

Neste caso particular foi uma viragem na direcção da Ásia, aproveitando da melhor maneira a nomeação de um filme e de um realizador coreano. 

Parabéns ao realizador,  Bong Joon Ho, ao seu filme, "Parasitas", e não menos importante, aos seus excelentíssimos actores.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quinta-feira, outubro 31, 2019

Um Dia Bom para a "Caça às Bruxas"


As modernices que nos foram chegando das américas, dizem que hoje é um dia bom para a já medieval "caça às bruxas".

Embora as pessoas sejam livres de fazerem o que lhes apetece com os prémios literários que organizam (até podem pôr uma cláusula que ele só pode ser entregue a alguém da "irmandade"...), quando estes adquirem importância nos meios literários (como é o caso do PrémioLeya), podem e devem ser discutidos.

Neste caso particular, nem sequer preciso de libertar os "caçadores de bruxas", qualquer pessoa normal achará estranho que um prémio com 409 concorrentes, não seja atribuído pela falta de qualidade dos mesmos...

E quando os argumentos falam de "limitações na composição narrativa" e "fragilidades estilísticas", a coisa até se pode considerar hilariante, mesmo que não tenha graça nenhuma, pelo menos para as mais de quatro centenas de candidatos à vitória...

(Fotografia de Luís Eme - Vila Nova da Barquinha)

quarta-feira, agosto 14, 2019

coligação de avulsos...


Estou a acabar de ler "Coligação de Avulsos - ensaios de crítica literária", de Abel Barros Baptista.

Nem todos os ensaios me despertaram o interesse, mas há um ou outro, cuja pertinência acabou por me fazer pensar, muitas vezes até fora das palavras do autor.

É por isso que vou apenas realçar um ensaio, O Surto da Ficção e a Capitulação da Crítica, com aquele que o autor considera "melhor representante" da tal capitulação. Mas vamos lá às palavras de Abel Barros Baptista:

«O atrás referido Grande Prémio do Romance e Novela (APE) constitui-se o melhor representante da capitulação da crítica. José Saramago, por exemplo, o mesmo que viria a ganhar o Nobel em 1998, foi quatro vezes preterido nesse prémio: viria a ganhá-lo apenas em 1991, com o Evangelho Segundo Jesus Cristo, numa altura em que o seu êxito internacional era irreversível, sobre esmagador. É irrelevante debater se os romances que venceram Memorial do Convento, O Ano da Morte de Ricardo Reis, A Jangada de Pedra ou História do Cerco de Lisboa eram melhores ou piores romances que estes: interessa sim, sublinhar que, durante toda a década de 80, a crítica, com pouquíssimas excepções, paralisada perante o sucesso de um escritor relançado inusitadamente, não encontrou meios de lhe entender os livros, como se precisasse de mais tempo para assimilar uma radical novidade, o que até nem era o caso.»

Eu não falaria em falta de "entendimento", preferia a palavra "preconceito". Neste caso particular o preconceito que existe em termos ideológicos, sobre o homem - que neste caso particular foi José Saramago -, ao ponto de se ser capaz de colocar o escritor num plano secundário...

domingo, junho 16, 2019

«Hoje, mais que os livros, premeiam-se os autores»


Os prémios literários raramente são temas de conversa (pelo menos nas conversas que mantenho com as pessoas que escrevem...) E quando se fala dos ditos prémios, é quase sempre para dizer mal de alguém (e tanto pode ser o vencedor como um membro do júri...).

Foi por isso que foi bom escutar o Zé a dizer: «Hoje, mais que os livros, premeiam-se os autores.» E nem teve qualquer problema em falar de si próprio: «Por acaso, o único prémio literário que recebi, foi dado a um dos livros com que menos me identifico.»

Mas quis ir mais longe e acrescentou: «Embora esteja na moda, é uma parvoíce entregar "prémios de carreira" a quem tem menos de 80 anos...»

Quando lhe perguntei por que não recusavam este tipo de prémios ele foi taxativo: «De uma maneira geral as pessoas que escrevem não vivem muito à vontade. Pelo que todo o dinheiro é bem vindo...»

Foi quando o Rui resolveu um ar da sua graça e disse: «Ainda bem que o Herberto era milionário, pôde recusar uma data de prémios, E alguns até eram chorudos.»

Acabámos todos por sorrir, usando várias cores.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, maio 22, 2019

Chico (Camões) Buarque


Como não sou um purista, fiquei bastante feliz pela atribuição  do "Prémio Camões" de 2019 a Chico Buarque. 

Também olho para este prémio, para algo que não se limita a ser literário, quer ir mais longe. 

E o Chico vai bem mais longe, e até era capaz de colocar o nosso Luís de Camões a "sambar" de alegria...

(Fotografia de Luís Eme - Constância)

terça-feira, dezembro 04, 2018

Ainda São os Melhores do Mundo...


Mesmo que os "donos do futebol" tenham decidido deixar de lhes entregar os prémios de melhores futebolistas do Mundo (devem achar que já têm bolas de ouro a mais...), Cristiano Ronaldo e Messi, continuam a ser únicos. Neymar, Griezmann, Modric, Mbappé, Salah ou Hazard, mantêm-se a alguma distância, nota-se que lhes falta qualquer coisa para chegarem ao nível destes dois extraordinários atletas.

Curiosamente não são únicos apenas dentro de campo. A sua postura fora dos relvados também tem sido sempre exemplar. Apesar da já eterna rivalidade, tantas vezes exacerbada pelos jornalistas, nunca Ronaldo ou Messi, tiveram uma palavra de desconsideração um pelo outro. Mesmo sem serem amigos, sempre demonstraram um grande respeito, pelo que são e representam. 

É por isso que não escolho um, escolho os dois. Para mim, Messi e Cristiano Ronaldo, continuam a ser os melhores futebolistas do Mundo.

Nota: Concordo perfeitamente com a sua ausência na cerimónia de entrega dos prémios. É uma questão de dignidade.

(Fotografia de autor desconhecido)

quarta-feira, setembro 26, 2018

A Tentativa de Despromover os Melhores do Mundo por "Decreto"...


Parece que o mundo tem girado mais depressa nos últimos dias. Mas não, só sou eu que tenho tido menos tempo para passar por aqui, embora não me faltem motivos para escrever.

Um dos temas do sobre os quais me apeteceu escrever foi esta coisa dos prémios dos melhores da Europa e do Mundo do futebol.

O primeiro a ser excluído dos melhores foi Messi (este ano nem sequer fez parte dos três melhores do mundo...). Cristiano Ronaldo não foi excluído, mas ficou em segundo em ambos os prémios (o primeiro dos derrotadoa...), atrás de Modric.

Não vou sequer falar de justiça ou injustiça, mas parece-me ser claro, pelo menos para todos aqueles que acompanham o futebol, que Ronaldo e Messi ainda continuam a estar num patamar superior em relação a outros potenciais "melhores do mundo" (que penso que nunca atingirão o nível destes dois...).

E não serão a UEFA ou a FIFA (embora pensem que sim), a "decretar" o fim do seu reinado como "melhores do mundo". Poderão sim, continuar a exclui-los dos prémios de melhores da Europa e do Mundo, talvez por acharem que eles já têm muitas "bolas" lá por casa...

(Fotografia de Autor Desconhecido)

terça-feira, janeiro 10, 2017

A Justiça e a Injustiça dos Prémios...


Hoje assisti aos lamentos de alguém que concorreu a um prémio literário, e ao ser derrotado, não só pôs em causa o júri, como o próprio vencedor.

Disse-lhe que provavelmente  com outro júri, haveria outro vencedor. Mas isso faz parte dos concursos e das diferenças de gosto de cada um de nós. Claro que não o convenci (também não queria...).

Isso fez com que me lembrasse do fim da tarde de ontem, onde senti mais uma vez, que o "nacionalismo" muitas vezes soa a ridículo. Uma boa parte dos comentadores acharam que a entrega do prémio de melhor treinador do Mundo a Cláudio Ranieri foi  injusta e que quem devia ganhar era Fernando Santos...

Como eu não costumo ir atrás de "nacionalismos bacocos", achei que o treinador que conseguiu ser campeão de Inglaterra (que é considerada a melhor liga profissional do Mundo...), com uma equipa mediana, ao conseguir um feito extraordinário, realizado durante trinta e muitos jogos - e não em apenas sete jogos do campeonato da Europa -, mereceu, com todo o mérito, ser considerado o Melhor Treinador do Mundo.

Felizmente este ano ninguém colocou em causa Cristiano Ronaldo...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

sexta-feira, outubro 14, 2016

Mantém-se Viva a Velha Tradição Sueca de Brincar Com os Escritores...

Todos os prémios são discutíveis, tal como os seus vencedores.

É por isso que acredito que o que mais valoriza qualquer prémio, é a justeza dos seus laureados.

Dos vários prémios Nobel distribuídos anualmente, o Nobel da Literatura é o que tem gerado mais controvérsia, principalmente nos últimos anos.

Já pensei mais que uma vez, que os elementos que compõem este júri são uns brincalhões tramados. São capazes de "escolher" um autor que quase ninguém conhece, apenas com o intuito de dar cabo da cabeça dos "apostadores" e da paciência dos "eternos candidatos", com parece ser o caso do nosso António...

Este ano até o Bob Dylan deve estar a sorrir. E se tiver o número de telefone de Roth ou De Lillo, é capaz de lhes telefonar, só para lhes dizer que não teve nada que ver com a brincadeira.

(Fotografia de autor desconhecido)

sexta-feira, agosto 19, 2016

"As Primeiras Coisas" de Bruno Vieira Amaral


Comecei a ler, "As Primeiras Coisas", de Bruno Vieira Amaral no final de férias. Cheguei ao fim há já alguns dias e como tinha sentido logo vontade de dizer algumas coisas, aqui estou eu.

Devo começar por dizer que se trata de um bom livro, muito bem escrito, com acção, humor e originalidade. No entanto devo realçar que, mesmo sabendo que cabe quase tudo no "romance", acho que "As Primeiras Cosias" são outra coisa...

O autor foi inteligente na forma como montou esta história, depois de uma pequena divagação, faz a colagem de dezenas de crónicas biográficas sobre as personagens (muito bem construídas, com todos os "cromos" que são possíveis de encontrar num bairro problemático, entre o esquecido e o abandonado...) do Bairro Amélia, um dos muitos que povoam as cidades suburbanas que rodeiam a Capital, neste caso particular o Barreiro, metendo-as com relativa facilidade dentro da história autobiográfica que nos quis contar.

Apesar da qualidade da escrita, senti a falta da densidade do romance tradicional e do protagonismo de uma ou outra personagem (como o autor escreve na primeira pessoa, acaba por ser ele a figura principal da história, do princípio ao fim).

É também por isso que acho que este livro não merecia tantos prémios para romances (na contracapa são publicitados quatro...). Sem estar a ser "má língua", espero que o Bruno não tenha sido premiado por estar ligado a um dos dois grandes grupos editoriais que dominam o nosso pequeno mercado livreiro.

E claro, fico à espera de um segundo livro do Bruno, desejoso de que seja um romance de verdade, daqueles que as personagens tomam conta da história e conseguem fintar o autor...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, abril 08, 2014

As Palavras da Alexandra Sobre este Lugar chamado Portugal


A jornalista e escritora Alexandra Lucas Coelho recebeu nesta segunda-feira o prémio APE pelo romance, E a Noite Roda. O discurso que fez, para o qual olha, olhos nos olhos, para o actual poder político, merece ser lido, pois retrata muito bem este país e estes governantes miseráveis.

[...]
«Estou a voltar a Portugal 40 anos depois do 25 de Abril, do fim da guerra infame, do ridículo império. Já é mau um governo achar que o país é seu, quanto mais que os países dos outros são seus. Todos os impérios são ridículos na medida em que a ilusão de dominar outro é sempre ridícula, antes de se tornar progressivamente criminosa.
Entre as razões porque quis morar no Brasil houve isso: querer experimentar a herança do colonialismo português depois de ter passado tantos anos a cobrir as heranças do colonialismo dos outros, otomanos, ingleses, franceses, espanhóis ou russos.
E volto para morar no Alentejo, com a alegria de daqui a nada serem os 40 anos da mais bela revolução do meu século XX, e do Alentejo ter sido uma espécie de terra em transe dessa revolução, impossível como todas.
Este prémio é tradicionalmente entregue pelo Presidente da República, cargo agora ocupado por um político, Cavaco Silva, que há 30 anos representa tudo o que associo mais ao salazarismo do que ao 25 de Abril, a começar por essa vil tristeza dos obedientes que dentro de si recalcam um império perdido.
E fogem ao cara-cara, mantêm-se pela calada. Nada estranho, pois, que este presidente se faça representar na entrega de um prémio literário. Este mundo não é do seu reino. Estamos no mesmo país, mas o meu país não é o seu país. No país que tenho na cabeça não se anda com a cabeça entre as orelhas, “e cá vamos indo, se deus quiser”.»
 [...]

Vale a pena ler o discurso integral da Alexandra.

quinta-feira, fevereiro 20, 2014

Uma Boa Notícia


Manuel Jorge Marmelo, escritor e jornalista, foi o vencedor do "Prémio Literário Casino da Póvoa", atribuído durante as "Correntes d' Escrita" que decorrem na Póvoa do Varzim.

Uma boa notícia para um excelente jornalista e escritor do Norte, actualmente no desemprego.

Quem não conhece a escrita do Jorge, pode visitar o seu  "Teatro Anatómico" em qualquer altura...

segunda-feira, janeiro 13, 2014

Dia de Cristiano Ronaldo


Cristiano Ronaldo ganhou pela segunda vez a "Bola de Ouro", prémio para o melhor futebolista do mundo.

Emocionou-se bastante quando recebeu o prémio, para provar que é um ser humano como qualquer um de nós, apesar de tratar por tu os "Deuses do Olímpo".

quinta-feira, novembro 28, 2013

Os Bons Livros, Com e Sem Prémio


A Obra, "E a Noite Roda ", de Alexandra Lucas Coelho ganhou o  grande prémio do romance e novela da Associação Portuguesa de Escritores, por unanimidade.

Ainda não li o livro, mas vou ler, porque gosto bastante da escrita da Alexandra, que ainda ganhou mais "magia", com a sua passagem para o lado de lá do Atlântico.

Provavelmente não devia utilizar uma entrega de prémio unânime, e justa (segundo a minha opinião, claro), para falar do outro lado dos prémios, que têm sido tema de conversa em cafés, com gente que conhece melhor estes meandros que eu e que sempre que pode, lança a desconfiança no ar.

No inicio sorria. Também fazia o mesmo quando comecei a escrever para um jornal desportivo. O problema é quando somos confrontados com a realidade, com a existência de árbitros e dirigentes corruptos, etc. Lá se vai a nossa santa ingenuidade e começamos a perder o sorriso.

Claro que não há qualquer comparação entre a literatura e o futebol, até pela diferença material que existe entre estes dois "mundos". Mas apesar disso, há prémios literários que são  recebidos quase com a mesma desconfiança de alguns resultados de jogos de futebol. Há sempre quem pense que os elementos do júri (tal como os árbitros) não estão ali para serem justos, mas sim para beneficiar alguém. 

Um amigo que já fez parte de vários júris literários, disse-me que por vezes se passam coisas estranhas, mas normalmente o que está em causa, é a amizade e não o dinheiro (falo de prémios em que os autores estão identificados). Há quem queira muito oferecer o prémio ao Manuel ou à Maria - pela tal amizade e até devoção - e não tenha em atenção que se está a premiar uma obra e não o autor...