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sexta-feira, maio 29, 2026

O cinema português a filmar a história


O cinema português de vez em quando intromete-se com a nossa história e com os seus protagonistas. E ainda bem.

Foi o que fez José Filipe Costa, com o seu, Pai Nosso - Os últimos dias de Salazar. Estou curioso e quero vê-lo, por mais que uma razão.

A principal é abordar um período histórico, santificado na actualidade por uma direita imergente, mesmo que as suas virtudes maiores fossem a mentira, a ambiguidade, a corrupção, a hipocrisia e a repressão.

Se pensarmos que durante o tempo retratado no filme, existiam em simultâneo dois "presidentes do conselho", um a sério e outro a brincar, isto explica muito a seriedade do regime, apesar do tom cerimonioso dos governantes e da meía dúzia de famílias do regime, que dominavam todos os sectores do país. Sim, não devem existir muitos países que tenham alimentado uma farsa do género durante praticamente dois anos. 

Há muitos portugueses que desconhecem, este, e outros factos curiosos, da nossa história.

E nem vou falar da existência de pelo menos três versões da queda de Salazar (de duas cadeiras diferentes e da banheira...), além da oficial (caiu de cansaço quando estava a "trabalhar para o país" no seu escritório...), divulgada um mês depois do acidente caseiro.

Gosto quando o cinema mostra alguns lados da história, de que se fala pouco... 

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, abril 12, 2026

A política caseira e as viagens até à Lua...


Pensava que era possível falar de política (sei que com o futebol ainda é pior...), de uma forma descontraída, sem termos necessidade de nos afastarmos uns dos outros, num jantar mais alargado de família.

Estava enganado. Continuam a existir temas demasiado "quentes", tanto à esquerda como à direita...

A primeira discussão começou em relação ao Livre, que a minha filha chamou de um "partido capitalista", apenas por não ser contra a iniciativa privada. Claro que ninguém concordou. Confunde-se muito democracia com outras coisas...

Mas o pior estava para vir depois. Um tio disse que o Chega não era um partido de extrema-direita. Toda a gente o contrariou. Apenas eu o "defendi", dizendo que não sabia se este partido tinha ideologia, para além do populismo, de ser capaz de dizer uma coisa agora e cinco minutos o seu contrário.

Claro que houve alguém de cabelos cinzentos e sorriso fácil, que teve a habilidade de mudar de conversa, falando da "Lua". Até foi capaz de dizer que depois do homem ter chegado ao nosso satélite lunar, pensava que por esta altura já seria normal viajarmos até lá, de forma regular...

Felizmente não havia nenhum "negacionista" à mesa e a refeição continuou animada.

(Fotografia de Luís Eme - Céu)


sexta-feira, março 20, 2026

Cargos de responsabilidade que querem transformar em tachos e tachinhos...


Sem fugir muito ao que escrevi ontem sobre a nossa lei maior, a Constituição, percebe-se que aqueles que deviam ser os primeiros a respeitá-la, desvalorizam-na, sempre que podem.

Isso explica a dificuldade que os principais partidos do Parlamento têm, em chegar a acordo para a nomeação de juízes para o Tribunal Constitucional.

Quando se mete a política e a ideologia à frente da independência e do dever, acontecem coisas destas...

Os últimos governos tanto de Costa como de Montenegro tiveram de alterar vários diplomas porque eram inconstitucionais. Algo que os fazia "trepar paredes", como tem sido o caso do primeiro ministro actual, que nem sequer esconde o incómodo.

Ou seja, aquela que deve ser a principal qualidade na escolha de juízes para o Tribunal Constitucional - a sua independência em relação ao poder político - é a que menos conta nesta "batalha" pela escolha de três juízes. 

O partido do costume, nem tem qualquer problema em dizer que esta é a altura de virar o país para o lado direito (mesmo nos órgãos que devem ser independentes...), como se o PSD já não fosse um partido democrático...

Pois, o problema está aí. Se calhar o PSD já não é o partido que ajudou a construir esta Constituição, mesmo que os seus dirigentes gostem de encher a boca com o nome de Sá Carneiro...

(Fotografia de Luís Eme - Vila Franca de Xira)


domingo, março 15, 2026

«O que será de nós quando deixarmos de ler livros?»


Falávamos dos temas nacionais do momento (continuamos a não gostar de falar de guerras...) e lá apareceu o partido do "vale tudo menos tirar olhos" na conversa - que consegue ser ainda mais fiel ao "faz o que eu digo, não faças o que eu faço",  que os partidos, que tanto critica -, com os escândalos do vereador de Lisboa e da sua namorada.

Como temos a mania de que somos todos "gente das culturas", acabámos por falar ainda mais da senhora do mesmo partido, também de Lisboa (Assembleia Municipal), que quer alimentar uma coisa que não existe: uma política cultural de direita.

Mas como sabe que existe a versão oposta (pelo menos no seu olhar...), atacou com as mãos, os braços e as pernas, o Teatro do Bairro Alto, mais por ignorância que por outra coisa. Se estivesse bem informada, sabia que aquele espaço (depois do fim da Cornucópia...) foi criado para se ensaiarem e experimentarem outros lados da cultura e do teatro, mas sem pensar apenas nas minorias. 

Claro que este foi o primeiro ensaio de um partido que quer "matar o teatro" e outras expressões artísticas "esquerdistas", que só conseguem sobreviver através dos subsídios que eles querem cortar (curiosamente, ou não, já contou com a complacência do Moedas, que substituiu, Francisco Frazão, o responsável pelo TBA).

Claro que a culpa acaba de ser de todos nós, de se olhar para  o teatro e para as culturas com estranheza. Se esquecermos os primeiros anos após a Revolução de Abril (anos setenta e oitenta...), nunca se fez um esforço muito grande para criar públicos, para ensinar a olhar o teatro com olhos de ver, tal como outras artes. Teatro esse, que funciona muitas vezes como o nosso espelho, mas sem brilhos...

Foi engraçado a forma como a regressada Rita nos surpreendeu, quando disse: «O que será de nós quando deixarmos de ler livros?»

Pois é. Parece que não tem nada a ver. Mas tem tudo a ver...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, março 03, 2026

A decência não tem cor, sexo ou ideologia


A vitória de António José Seguro nas nossas eleições presidenciais é o nosso melhor exemplo, de que a decência não tem cor, sexo ou ideologia.

Embora possa haver muitas "interpretações" e "percepções", os mais de 65% de portugueses que votaram em Seguro, votaram sobretudo na democracia.

Esta primeira reacção dos portugueses contra o populismo faz com que acredite que o líder do Chega nunca chegará ao poder, pelo menos como primeiro-ministro.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, fevereiro 26, 2026

Parece que a mentira deixou de ter perna curta...


Não sei até onde se chegará, com todo este o movimento social e político crescente, em que se banaliza a verdade, ao ponto de deixar as pessoas cada vez mais divididas, entre a realidade e as percepções interesseiras deste ou daquele (Montenegro é bom nisso, quem o topa é o Passos...).

Sei que é um trunfo usado por todos aqueles que querem chegar ou permanecer "eternamente" no poder. E está longe de ser uma novidade.

Salazar sempre o fez, embora mentisse com o ar mais cândido do mundo e não se servisse do poder para enriquecer (só quem o rodeava é que "enriquecia", dizem...), mas apenas para se perpetuar como "dono do país".

Acontece que hoje, quando vemos e ouvimos Trump ou Ventura a mentirem com os dentes todos (se for preciso ainda pedem alguns emprestados...) e sem qualquer tipo de pudor, ficamos com a quase certeza de que a mentira deixou de ter a perna curta.

No meio disto tudo, há um coisa que ainda não percebi bem, foi se estamos mais estúpidos, ou se apenas fingimos ter as "orelhas maiores"... 

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, fevereiro 14, 2026

Só com uma política de proximidade é que se tem noção dos verdadeiros problemas das pessoas


Quando o ministro Relvas teve a "ideia luminosa" de reduzir o número de freguesias, conseguiu deixar as pessoas ainda mais desprotegidas, especialmente no interior.

Mas o Governo de Passos Coelho, sempre a querer ser "bom aluno" (nunca percebi muito bem o que isso representa, mas parece-me que é defender mais os interesses da Europa que os de Portugal...), e a ir "mais longe que a "troika", começou a fechar tribunais, repartições de finanças, estações dos correios, bancos, etc, Esta medida poderá ter reduzido as despesas, mas deixou as pessoas ainda mais isoladas e centralizou, quando a solução para um país mais equilibrado e justo será sempre a descentralização.

Pode parecer que não tem nada a ver, mas tem tudo a ver...

Eu posso falar da realidade local que conheço, que é urbana, em relação às freguesias. Em Almada existiam 11 freguesias, que foram reduzidas para cinco. Criou-se uma super junta de Almada, que passou a incluir Almada, Cacilhas, Cova da Piedade e Pragal. A partir deste momento, houve um afastamento das populações e uma desresponsabilização generalizada, com a velha desculpa de que "é impossível estar em dois sítios ao mesmo tempo". Se isso aconteceu em localidades coladas umas às outras, imagino o que se passou em concelhos com as Caldas da Rainha, em que se juntaram freguesias urbanas com freguesias rurais...

Abordando os problemas trágicos que têm afectado as pessoas, especialmente na região centro, não temos dúvidas de que continuam a existir pessoas isoladas e sem apoio, pelo desconhecimento da sua existência graças à falta de proximidade que existe, que transforma as pessoas quase em números...

Podem continuar a falar da regionalização, mas esta não vai resolver problema nenhum, a não ser criar uma série de "vice-reis" (alguns já se andam a colocar em bicos de pés), porque não irá acabar com o principal problema que existe, a falta de uma política de proximidade.  A solução terá de ser sempre ao nível do Concelho e não da Região.

Só quando se conseguir combater este problema se reduz a existência de portugueses de primeira e portugueses de segunda (que é o que existe na actualidade).

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sábado, janeiro 17, 2026

Cada um por si...


Não deixa de ser curioso, que quem se afirma através dos valores colectivistas e da solidariedade, nestas eleições presidenciais, tenha agido no sentido contrário.

Falo do PCP, do Livre e do BE, que em vez de se unirem numa única candidatura de esquerda, quiseram levar os seus candidatos até ao fim, apenas para fazer propaganda às suas ideias,  já a pensar em futuros dividendos políticos.

Claro que António José Seguro nunca foi o candidato de esquerda desejado (em especial pelo seu partido...), mas mesmo assim era, e é, o mais forte, o único que poderá ter aspirações a chegar à segunda volta.

O mais curioso, é que se o conseguir, o mérito será quase todo seu. Mas não precisava de ter começado a campanha, quase como medo de se afirmar como "socialista democrático" (o que quer que isso seja...), ao ponto de até merecer o apoio de "passistas"...

Esperemos que este "cada um por si" não dê maus resultados amanhã...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sexta-feira, janeiro 16, 2026

Claro que não é bem assim, mas...


Há já algum tempo que não falo por aqui das conversas com alguns camaradas de ofício.

Isso acontece porque nos últimos tempos tive menos disponibilidade para estar com eles. 

O mais curioso é que raramente estamos de acordo quando falamos de política, mas desta vez ninguém foi capaz de encontrar qualquer qualidade que fizesse sobressair um  dos cinco candidatos à presidência da República, que têm possibilidades de chegarem à segunda volta.

Desta vez exagerámos, ao ponto de usarmos adjectivos, daqueles que não podem ser transcritos por aqui...

Nunca foi tão óbvio, que qualquer um de nós podia ser também candidato, e nem precisávamos de andarmos armados em "Afonso Henriques"...

 (Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, janeiro 11, 2026

As memória de Alegre com o Guterres do "pantanal"...


Estou quase a acabar de ler as "Memórias Minhas" de Manuel Alegre e continuo a gostar do ritmo e da qualidade da escrita (nunca é chata...), mas também pela forma como relata os muitos acontecimentos que viveu no interior do PS.

Uma das partes mais curiosas desta obra é a explicação factual da deriva do PS para o "centrão", a caminho do liberalismo (abrindo a porta ao capitalismo e aos interesses económicos...), ainda nos anos oitenta, que teve como protagonistas Vitor Constâncio e António Guterres, a chamada "terceira via". 

Embora Alegre possa dar a sua visão pessoal, sem erguer qualquer bandeira a favor dos seus adversários dentro do partido, concordo com ela. Isto foi possível porque Mário Soares, queria muito ser presidente da República e afastou-se da direcção do Partido...

Foi neste período que as "raízes" de esquerda do PS começaram a "secar" nos corredores do Rato, graças ao sempre muito católico Guterres...

Há ainda outra coisa curiosa (não vem no livro...), é com Guterres que emerge Sócrates, que começara por ser militante do PSD lá nas Beiras, com os resultados que todos sabemos...

Todos falam da "grande inteligência" de Guterres. Não duvido dela. Mas com tudo o que se têm passado na ONU, percebe-se que ela está longe de ser a melhor qualidade de um político. Falta-lhe a coragem (sempre faltou, era mais de conspirar no sótão...) que os grandes políticos devem ter (que Soares e Sá Carneiro por exemplo tinham...), de ir contra tudo e contra todos, na defesa do que acha ser o melhor para todos, de dar murros na mesa na hora certa...

Muitos políticos limitam-se a perseguir sonhos, sem conseguirem "ler nas estrelas" e perceber que estão longe de ser os melhores para exercer as tais funções sonhadas (Marques Mendes é o nosso último grande exemplo...).

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, janeiro 02, 2026

A diferença entre leitores de jornais e leitores de títulos de jornais acentuou-se muito nos últimos anos...


"As pessoas não querem saber..." É já quase uma frase batida, pela mistura que se faz entre ficção e realidade, no dia a dia, mesmo ao mais alto nível.

Fala-se do líder do Chega, mas temos um primeiro-ministro que vive num mundo só dele, rodeado de cinderelas e de cristianos ronaldos, cada vez mais distante do "mundo dos outros"...

Mas o que eu quero mesmo é falar de jornais e de leituras.

Há bastantes anos que o "pasquim" mais vendido no burgo, raramente fazia coincidir os títulos de primeira página com as notícias publicadas no interior. Isso criava um problema - na época ainda menor - porque conseguia enganar as pessoas que tinham por hábito ler apenas os títulos de jornais e as "letras gordas".

Hoje existem mais seguidores da "fórmula" na imprensa, mas de pouco lhes vale, porque o leitor de jornais de papel, é "uma espécie em vias de extinção"...

Curiosamente, estes "leitores" das letras grandes foram os que mais facilmente deram o "pinote" para o mundo das redes sociais, que usa a mesma "técnica informativa", com uma diferença: quando mente, mente a valer, tanto nos títulos como no conteúdo.

Este fenómeno que tem pouco do entroncamento, é seguido pelo partido que também adora "desinformar" e é um caso de estudo pelo seu sucesso eleitoral, mesmo com ladrões de malas, pedófilos, agressores, violadores, etc.

Isto faz com que acabe o texto com a frase inicial: "As pessoas não querem saber..."

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sexta-feira, dezembro 19, 2025

Quando a meritocracia é usada como música de serrote...


É engraçado - sem ter graça nenhuma claro - o que algumas pessoas pensam da meritocracia, principalmente aquelas que se aconchegam mais para o lado direito da política.

O problema é quando a boca lhes foge para a verdade e temos de lhes dizer pra consultarem um dicionário, para perceberem qual é o verdadeiro significado da palavra "mérito".

Eu sei que o "homem cor de laranja" está a querer mudar tudo na América, com uma grande vontade em regressar ao velho Oeste e à lei do mais forte. O que me faz confusão é ver tanto europeu a defender o seu mundo, ou seja, uma sociedade sem princípios, onde tudo é possível, desde que tenhas dinheiro e poder.

Toda esta prosa porque encontrei um rapaz que em tempos trabalhou comigo, com quem acabei por beber um café e meter a conversa em dia.

Se soubesse o que esperava, tinha alegado "pressa" para um encontro qualquer, importante, e limitava o nosso convívio a um café e desejos de boas festas. Mal nos sentámos, veio logo com a "lengalenga" do costume contra os estrangeiros, apenas porque aquele lugar só tinha funcionários das terras por onde andámos a navegar nos séculos XV e XVI.

A conversa avançou logo para os nossos filhos (ele tem um rapaz mais velho um ano que a minha filha...). Estava chateado porque o filhote não conseguia arranjar um emprego de jeito e ganhava pouco mais que o ordenado mínimo e que a licenciatura que tirou de pouco lhe valia. Depois disse que os bons empregos deviam sempre em primeiro lugar para os portugueses, e só depois para os estrangeiros. 

Aquilo caiu-me tão mal. Esperava aquele conversa de muita gente, mas não daquele rapaz...

Percebi que estava na companhia de um "chegano". São contra a corrupção, contra uma sociedade pouco "meritória", mas quando toca às suas famílias, "venha a nós a santa corrupção e o compadrio" e que se lixe o mérito usado nos discursos. 

Claro que a conversa azedou. Ele ainda teve a lata de dizer, "continuas um comuna do caraças", como se isso fosse um "pecado mortal". 

Talvez por estarmos próximos do Natal, não lhe chamei fascista e ainda fui capaz de desejar boas festas a ele e à família...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sexta-feira, dezembro 12, 2025

"O congresso de migalhas" do primeiro-ministro


Não posso deixar de citar o grande Alexandre O' Neill, que num dos seus textos (De um "Congresso de Migalhas") do seu livro, "Tempo de Fantasmas", podia muito bem estar a referir-se ao espertalhaço do nosso primeiro-ministro.

«Ao grande torneio mandibular que os nossos antepassados introduziram no seu sistema de sobrevivência, com o correr sempre indiferente dos anos, sucedeu este pequeno jogo de migalhas, migalhas de tudo, que ficará como a forma típica do convívio neste tempo.»

A lei laboral, é isso mesmo, um jogo, ainda com mais migalhas, para serem distribuídas para os mesmos de sempre.

É por isso que o "conde de monteverde" é capaz de dizer, sem se rir, que a greve foi pouco geral, de mão dada com o seu querido Amaro, que já se percebeu há muito, que é "pau para toda a obra".

Isso só quer dizer, que não podemos baixar os braços, muito menos aceitar que o nosso patronato, que sempre se esteve borrifando para o crescimento do país (gostam é de ter "bolsos cheios"...), tenha a vida ainda mais facilitada para explorar os seus "colaboradores".

Sim, há coisas que nunca mudam. Uma delas é a filosofia dos "patrões" portugueses.

 (Fotografia de Luís Eme - Cova da Piedade)


sexta-feira, dezembro 05, 2025

Este é "mundo" que está à espera de muitos de nós, depois da esquina...


Há sempre questões polémicas e estranhas para escrever, aqui no "Largo". Tinha prometido a mim mesmo não falar de política e de políticos, durante alguns dias, mas é quase impossível passar ao lado de alguns dramas, cada vez mais assustadores. 

Um dos problemas que se está a tornar cada vez mais visível é o quase desprezo com que se tratam as pessoas de mais idade. Ao ponto de já existir gente com mais de setenta anos, a dormir nas ruas. Muitos delas não conseguem suportar o aumento das rendas e sem filhos para as ajudarem, são forçadas a mudar de vida, entrando no "mundo dos indigentes"...

Quase em paralelo, existe outro problema, não menos grave, que atinge estas mesmas pessoas (e os seus familiares directos).

Estou a falar da falta de lares, de casas de repouso com cuidados continuados, com preços compatíveis com as reformas da maior parte das portugueses. É quase impossível alguém arranjar um lar, de um dia para o outro (a doença faz com que surjam situações imprevistas...), com um valor inferior a 1.500 euros. Ou seja, só uma pequena percentagem dos nossos reformados, tem possibilidade de pagar o alojamento numa casa de repouso ou lar de idosos com vagas.

Como tem acontecido nos últimos anos, em quase tudo (saúde, habitação, justiça, segurança social, etc), o Estado quase que se limita a assobiar parta o lado, usando a técnica de sempre, de fingir que se resolvem os problemas, sem que se resolva coisa nenhuma. Até que os problemas se agravam de tal forma (é o que está a acontecer na saúde e na habitação), que deixa de haver qualquer espaço para fugas... 

É esta falta de soluções que faz com que continuem a surgir, aqui e ali, lares ilegais, onde se usa e abusa quase sempre da fragilidade e da necessidade das pessoas. Como pagam menos que nas "casas de repouso", os seus donos acham-se no direito de as tratar de qualquer maneira, sem que lhes sejam garantidas as condições mínimas de conforto e dignidade.

É muito triste viveremos num país, em que se paga uma brutalidade de impostos, e que se percebe, diariamente, que as coisas em vez de melhorarem, estão cada vez piores.

E ainda é mais triste sermos velhos e sentirmo-nos completamente abandonados por toda a gente...

(Fotografia de Luís Eme - Sobreda)


quinta-feira, novembro 27, 2025

Um PSD apostado em desregular, desiquilibrar e destruir o País...


A escolha das ministras da Saúde e do Trabalho, foram feitas com um propósito cada vez mais claro, ao ponto de parecerem desenhadas a régua e esquadro.

E pode-se dizer que têm tido sucesso nos seus propósitos.

O SNS é o que se vê, por mais "areia que nos tentem atirar para os olhos", está tudo pior nos hospitais e centros de saúde públicos. Algo que deve agradar - e de que maneira - a todos os grupos privados, que têm construído hospitais e clinicas nas principais cidades do país, com um sentido de oportunidade único. 

O trabalho começa a ser cada vez mais sinónimo de precariedade e salários baixos. E com a nova proposta de lei deste Governo, que segundo a ministra apenas tenta "equilibrar a balança" (segundo ela a lei actual favorece os trabalhadores...), as coisas só podem piorar. 

Só alguém que está ao lado do patronato, é que é capaz de dizer uma coisa dessas.

É uma vergonha para todos nós termos um governo que se diz democrático, mas que se percebe à légua, que está cada vez mais apostado em desregular, desiquilibrar e destruir o país, tanto no campo económico como social.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, novembro 18, 2025

Quando os extremistas não querem ficar sozinhos na fotografia...


Os últimos tempos dizem-nos, que não é apenas o partido mais da "bagunça" e da "anarquia política", da "extrema-direita", que tenta colocar rótulos aos nossos partidos de esquerda e do centro.

O PSD, sempre que pode, tenta empurrar o PS para o lado da esquerda radical (Alexandra Leitão foi vítima desta prática em Lisboa, como antes já tinha sucedido com Pedro Nuno Santos, que caiu em duas ou três "esparradelas" sociais democratas...), só que, com o líder actual, conservador até mais não, é um pouco difícil fazer esse jogo.

O caso ainda se torna mais de estudo, quando a direita (PSD, IL e Chega) começa a apelidar todos os partidos de esquerda, sem excepção (BE, Livre e PCP), de "extrema-esquerda", como se isso fosse a coisa mais normal do mundo.

Basta comparar  os seus valores e os métodos de fazer política, dentro e fora do parlamento, para se perceber que se trata de mais um embuste político. 

Embuste que conta com a parcialidade de muitos dos comentadores políticos, que falam e escrevem com dois braços direitos.

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


quarta-feira, novembro 12, 2025

O tempo vai passando, mas é impossível fechar os olhos a um primeiro-ministro manhoso e a duas ministras vingativas...


Provavelmente devem existir alguns ministros competentes no governo do "conde de monteverde". Não serão com toda a certeza as ministras da Saúde e do Trabalho, cujas primeiras acções políticas que tiveram foi criarem condições para as demissões de Fernando Araújo e Ana Jorge.

Normalmente a sabedoria popular não se engana, e o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita...

Isso explica o estado da nossa Saúde e a contestação que está a merecer a proposta da nova "lei do Trabalho".

Também não deixa de ser curiosa a reacção do "conde de monteverde", que continua a assobiar para o ar em relação à empresa que continua a ter dentro de casa, mas que não teve qualquer dúvida a apontar o dedo aos malvados comunistas, que ainda mandam na CGTP e querem "parar" o país, por causa de uma lei, que só quer facilitar as relações laborais.

E tem razão. Se se tornar mais fácil despedir trabalhadores, isso facilita, e de que maneira, as relações laborais. Então para os patrões...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, novembro 02, 2025

Eu sei, o mais difícil é deixá-los a falar sozinhos...


Sei que ainda não se chegou ao ponto, de existir uma quase urgência, em unir fileiras, no combate ao extremismo e populismo. 

Mesmo assim, sente-se que algo está a mudar. Há várias vozes que começam a tentar encontrar a forma mais eficaz, de se combater as provocações diárias do grupo de "pseudo-fascistas" (acho que nem eles sabem muito bem o que são, para além de populistas e oportunistas...), com assento parlamentar.

Até porque até agora, o combate não tem sido muito feliz, dentro e fora do Parlamento. 

A semana que passou foi um bom exemplo. Desde o advogado que chefiou um dos partidos mais estranhos da nossa democracia e que apresentou uma queixa na justiça para a extinção da "seita", ao deputado socialista que se levantou de um estúdio televisivo, onde debatia com um "provocador" (que conseguiu o que queria...) e quase que se fingiu uma "virgem ofendida". 

Ambos fizeram o que o "bando" esperava (deve ter dado umas gargalhadas sonoras à conta dos dois "papalvos")...

Eu penso que só quando se chegar à conclusão de que a televisão das notícias existe para informar e não para entreter e polemizar (provavelmente, já não se consegue lá chegar, porque as notícias são quase sempre transmitidas como "folhetins novelescos"...), é que as coisas mudam.

Quando fizerem com o senhor Ventura, o que já fizeram com o "animal feroz" (deixá-lo a falar sozinho à porta do tribunal...), as coisas começarão a mudar. 

Só não sei se quem manda nos canais informativos está muito interessado nisso, assim como os vários comentadores do "nada", que falam na televisão e escrevem nos jornais.

Sim, apesar dos nomes das suas antenas, há bastante tempo que eles vivem mais da "confusão" que da informação...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


quarta-feira, outubro 29, 2025

O desvio das atenções e um dos prováveis "pais da criança"...


No nosso pequeno "microcosmos" social, onde misturamos o café com palavras, o elemento mais desbocado, é também aquele que é capaz de ver mais longe e fazer o papel de "bombeiro", quando percebe que há um ou outro elemento com menos paciência para escutar os outros. Usa quase sempre o humor...

É sempre bom o Carlos trazer para a mesa alguma serenidade, quando a realidade nos começa a irritar, quase a sério. Até mesmo os elementos mais conservadores, deixaram de perceber o que se está a passar com as pessoas, que só se preocupam com o acessório, que se esquecem dos hospitais, do preço das rendas e dos ovos, deixando que lhes enfiem "burcas" na cabeça.

Graças às piadas secas do Carlos, sorrimos e concluímos que o problema está longe de ser apenas do cidadão comum ou das redes sociais. Não há uma televisão que consiga ficar indiferente às tiradas populistas do "coleccionador de salazares" ou aos seus cartazes provocatórios. Os seus editores são os primeiros a tornar notícias que deviam ser de rodapé, em "casos nacionais", obrigando os jornalistas a fazerem "sprints" atrás de mais palavras polémicas.

O mais curioso, foi estarmos todos de acordo, que o Ricardo Araújo Pereira, é o suspeito número um de ser o "pai da criança"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, outubro 24, 2025

A vida, entre a realidade e as percepções...


Continuo a acreditar mais em percepções que num aumento de violência nas ruas (pelo menos de uma forma significativa), mesmo sabendo que há pessoas e pessoas, e há ruas e ruas...

Sempre existiram vários "guetos", onde quem era de fora, não era bem recebido. Havia "covas da moura" nos vários concelhos que rodeiam Lisboa, mesmo que não fossem tão fechados, labirínticos e perigosos. A Margem Sul tinha (e tem...) pelo menos meia dúzia deles...

Normalmente só se fala destes bairros, quando se percebe que cresceram demasiado (em vez de centenas de pessoas, acolhem milhares...) e que se tornaram mais sujos e mais violentos, lançando o alarme em quem vive nas proximidades. 

Infelizmente, estes lugares estão longe de alojar apenas "marginais". Há cada vez mais gente a procurar estas zonas para viver (até foi criado um novo nicho de mercado, pois há quem enriqueça com o aluguer de "barracas"...), porque não conseguem alugar uma casa a preços acessíveis. 

Não se pode esperar, que quem cresce nestes lugares, viva apaziguado. Eles sabem que há "quem tenha tudo" e que "eles não têm quase nada"...

É por isso que me faz confusão, que os políticos fechem os olhos à existência destes bairros, sem o mínimo de condições para alojar seres humanos, ao mesmo tempo que continuam a alimentar a percepção do aumento de violência, um pouco por todo o lado...

(Fotografia de Luís Eme - Trafaria)