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domingo, abril 12, 2026

A política caseira e as viagens até à Lua...


Pensava que era possível falar de política (sei que com o futebol ainda é pior...), de uma forma descontraída, sem termos necessidade de nos afastarmos uns dos outros, num jantar mais alargado de família.

Estava enganado. Continuam a existir temas demasiado "quentes", tanto à esquerda como à direita...

A primeira discussão começou em relação ao Livre, que a minha filha chamou de um "partido capitalista", apenas por não ser contra a iniciativa privada. Claro que ninguém concordou. Confunde-se muito democracia com outras coisas...

Mas o pior estava para vir depois. Um tio disse que o Chega não era um partido de extrema-direita. Toda a gente o contrariou. Apenas eu o "defendi", dizendo que não sabia se este partido tinha ideologia, para além do populismo, de ser capaz de dizer uma coisa agora e cinco minutos o seu contrário.

Claro que houve alguém de cabelos cinzentos e sorriso fácil, que teve a habilidade de mudar de conversa, falando da "Lua". Até foi capaz de dizer que depois do homem ter chegado ao nosso satélite lunar, pensava que por esta altura já seria normal viajarmos até lá, de forma regular...

Felizmente não havia nenhum "negacionista" à mesa e a refeição continuou animada.

(Fotografia de Luís Eme - Céu)


sexta-feira, março 20, 2026

Cargos de responsabilidade que querem transformar em tachos e tachinhos...


Sem fugir muito ao que escrevi ontem sobre a nossa lei maior, a Constituição, percebe-se que aqueles que deviam ser os primeiros a respeitá-la, desvalorizam-na, sempre que podem.

Isso explica a dificuldade que os principais partidos do Parlamento têm, em chegar a acordo para a nomeação de juízes para o Tribunal Constitucional.

Quando se mete a política e a ideologia à frente da independência e do dever, acontecem coisas destas...

Os últimos governos tanto de Costa como de Montenegro tiveram de alterar vários diplomas porque eram inconstitucionais. Algo que os fazia "trepar paredes", como tem sido o caso do primeiro ministro actual, que nem sequer esconde o incómodo.

Ou seja, aquela que deve ser a principal qualidade na escolha de juízes para o Tribunal Constitucional - a sua independência em relação ao poder político - é a que menos conta nesta "batalha" pela escolha de três juízes. 

O partido do costume, nem tem qualquer problema em dizer que esta é a altura de virar o país para o lado direito (mesmo nos órgãos que devem ser independentes...), como se o PSD já não fosse um partido democrático...

Pois, o problema está aí. Se calhar o PSD já não é o partido que ajudou a construir esta Constituição, mesmo que os seus dirigentes gostem de encher a boca com o nome de Sá Carneiro...

(Fotografia de Luís Eme - Vila Franca de Xira)


sexta-feira, janeiro 02, 2026

A diferença entre leitores de jornais e leitores de títulos de jornais acentuou-se muito nos últimos anos...


"As pessoas não querem saber..." É já quase uma frase batida, pela mistura que se faz entre ficção e realidade, no dia a dia, mesmo ao mais alto nível.

Fala-se do líder do Chega, mas temos um primeiro-ministro que vive num mundo só dele, rodeado de cinderelas e de cristianos ronaldos, cada vez mais distante do "mundo dos outros"...

Mas o que eu quero mesmo é falar de jornais e de leituras.

Há bastantes anos que o "pasquim" mais vendido no burgo, raramente fazia coincidir os títulos de primeira página com as notícias publicadas no interior. Isso criava um problema - na época ainda menor - porque conseguia enganar as pessoas que tinham por hábito ler apenas os títulos de jornais e as "letras gordas".

Hoje existem mais seguidores da "fórmula" na imprensa, mas de pouco lhes vale, porque o leitor de jornais de papel, é "uma espécie em vias de extinção"...

Curiosamente, estes "leitores" das letras grandes foram os que mais facilmente deram o "pinote" para o mundo das redes sociais, que usa a mesma "técnica informativa", com uma diferença: quando mente, mente a valer, tanto nos títulos como no conteúdo.

Este fenómeno que tem pouco do entroncamento, é seguido pelo partido que também adora "desinformar" e é um caso de estudo pelo seu sucesso eleitoral, mesmo com ladrões de malas, pedófilos, agressores, violadores, etc.

Isto faz com que acabe o texto com a frase inicial: "As pessoas não querem saber..."

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


terça-feira, novembro 18, 2025

Quando os extremistas não querem ficar sozinhos na fotografia...


Os últimos tempos dizem-nos, que não é apenas o partido mais da "bagunça" e da "anarquia política", da "extrema-direita", que tenta colocar rótulos aos nossos partidos de esquerda e do centro.

O PSD, sempre que pode, tenta empurrar o PS para o lado da esquerda radical (Alexandra Leitão foi vítima desta prática em Lisboa, como antes já tinha sucedido com Pedro Nuno Santos, que caiu em duas ou três "esparradelas" sociais democratas...), só que, com o líder actual, conservador até mais não, é um pouco difícil fazer esse jogo.

O caso ainda se torna mais de estudo, quando a direita (PSD, IL e Chega) começa a apelidar todos os partidos de esquerda, sem excepção (BE, Livre e PCP), de "extrema-esquerda", como se isso fosse a coisa mais normal do mundo.

Basta comparar  os seus valores e os métodos de fazer política, dentro e fora do parlamento, para se perceber que se trata de mais um embuste político. 

Embuste que conta com a parcialidade de muitos dos comentadores políticos, que falam e escrevem com dois braços direitos.

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


segunda-feira, novembro 10, 2025

Apesar de vários "jogos" e "habilidades" governativas, a comunicação social vai conseguindo fazer a diferença (embora seja cada vez mais difícil)


A actuação da AIMA (Agência para a Integração, Migrações e Asilo) com alguns estrangeiros que vivem em Portugal chega a ser vergonhosa, contrariando o próprio nome.

Felizmente, há quem não cale a sua revolta e venha para a praça pública denunciar casos concretos, dizer como funciona esta agência estatal (o seu normal é não responder a e-mails, não atender telefonemas e "obrigar" as pessoas que precisam dos seus serviços, a passarem a noite à sua porta, para obterem uma senha e serem atendidas).

É preciso que pessoas como Lilian Kopke, que vive no nosso país há 38 anos, onde trabalhou até se reformar, com dois filhos portugueses, falem publicamente das dificuldades que têm em conseguir renovar o seu estatuto de residente permanente (renovável de cinco em cinco anos). 

Tudo indica que foi graças ao seu testemunho público, que a documentação que tinha desaparecida no sistema, voltou a aparecer, em poucos dias...

É uma pena que a nossa democracia ainda não tenha chegado a muitas instituições publicas (como a AIMA...), que ainda não perceberam que o seu principal papel é ajudar as pessoas a cumprirem a lei, informando-as correctamente dos seus direitos e deveres, e não em dificultar-lhes a vida, como acontece diariamente.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, novembro 09, 2025

Necessidades, oportunismos e "passa culpas"...


Estava a ler a notícia sobre o "passa culpa" entre a Câmara de Almada e o IHRU, tutelado pelo Governo sobre os bairros clandestinos do Concelho e percebi a mensagem de ambos.

Como de costume, sei que não irão fazer coisa nenhuma, a não ser que aconteça algo de grave, uma morte ou um acidente que coloque os vários poderes em causa. 

Se isso acontecer, a GNR ou a PSP serão enviadas de imeadiato para o local, tal como as máquinas para deitar abaixo algumas das barracas, que entretanto podem começar a ser construídas nas "terras de alguém" (até agora segundo se diz estes bairros estão eregidos em "terra de ninguém")...

Claro que este crescimento dos bairros da Penajóia, Raposo e companhia, deve-se a dois factores, que dificilmente se conseguem separar: os vários oportunismos de quem se habituou a "viver do nada" e dos "rendimentos mínimos" (até há quem já se dedique a "alugar barracas"...) e a necessidade de muitas famílias, que apesar de trabalharem, não conseguem ter dinheiro suficiente para alimentar o agregado familiar e alugar uma casa com condições mínimas de habitabilidade.

Nota: Texto publicado inicialmente no "Casario do Ginjal".

(Fotografia de Luís Eme - Feijó)


domingo, novembro 02, 2025

Eu sei, o mais difícil é deixá-los a falar sozinhos...


Sei que ainda não se chegou ao ponto, de existir uma quase urgência, em unir fileiras, no combate ao extremismo e populismo. 

Mesmo assim, sente-se que algo está a mudar. Há várias vozes que começam a tentar encontrar a forma mais eficaz, de se combater as provocações diárias do grupo de "pseudo-fascistas" (acho que nem eles sabem muito bem o que são, para além de populistas e oportunistas...), com assento parlamentar.

Até porque até agora, o combate não tem sido muito feliz, dentro e fora do Parlamento. 

A semana que passou foi um bom exemplo. Desde o advogado que chefiou um dos partidos mais estranhos da nossa democracia e que apresentou uma queixa na justiça para a extinção da "seita", ao deputado socialista que se levantou de um estúdio televisivo, onde debatia com um "provocador" (que conseguiu o que queria...) e quase que se fingiu uma "virgem ofendida". 

Ambos fizeram o que o "bando" esperava (deve ter dado umas gargalhadas sonoras à conta dos dois "papalvos")...

Eu penso que só quando se chegar à conclusão de que a televisão das notícias existe para informar e não para entreter e polemizar (provavelmente, já não se consegue lá chegar, porque as notícias são quase sempre transmitidas como "folhetins novelescos"...), é que as coisas mudam.

Quando fizerem com o senhor Ventura, o que já fizeram com o "animal feroz" (deixá-lo a falar sozinho à porta do tribunal...), as coisas começarão a mudar. 

Só não sei se quem manda nos canais informativos está muito interessado nisso, assim como os vários comentadores do "nada", que falam na televisão e escrevem nos jornais.

Sim, apesar dos nomes das suas antenas, há bastante tempo que eles vivem mais da "confusão" que da informação...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


quarta-feira, outubro 29, 2025

O desvio das atenções e um dos prováveis "pais da criança"...


No nosso pequeno "microcosmos" social, onde misturamos o café com palavras, o elemento mais desbocado, é também aquele que é capaz de ver mais longe e fazer o papel de "bombeiro", quando percebe que há um ou outro elemento com menos paciência para escutar os outros. Usa quase sempre o humor...

É sempre bom o Carlos trazer para a mesa alguma serenidade, quando a realidade nos começa a irritar, quase a sério. Até mesmo os elementos mais conservadores, deixaram de perceber o que se está a passar com as pessoas, que só se preocupam com o acessório, que se esquecem dos hospitais, do preço das rendas e dos ovos, deixando que lhes enfiem "burcas" na cabeça.

Graças às piadas secas do Carlos, sorrimos e concluímos que o problema está longe de ser apenas do cidadão comum ou das redes sociais. Não há uma televisão que consiga ficar indiferente às tiradas populistas do "coleccionador de salazares" ou aos seus cartazes provocatórios. Os seus editores são os primeiros a tornar notícias que deviam ser de rodapé, em "casos nacionais", obrigando os jornalistas a fazerem "sprints" atrás de mais palavras polémicas.

O mais curioso, foi estarmos todos de acordo, que o Ricardo Araújo Pereira, é o suspeito número um de ser o "pai da criança"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, outubro 24, 2025

A vida, entre a realidade e as percepções...


Continuo a acreditar mais em percepções que num aumento de violência nas ruas (pelo menos de uma forma significativa), mesmo sabendo que há pessoas e pessoas, e há ruas e ruas...

Sempre existiram vários "guetos", onde quem era de fora, não era bem recebido. Havia "covas da moura" nos vários concelhos que rodeiam Lisboa, mesmo que não fossem tão fechados, labirínticos e perigosos. A Margem Sul tinha (e tem...) pelo menos meia dúzia deles...

Normalmente só se fala destes bairros, quando se percebe que cresceram demasiado (em vez de centenas de pessoas, acolhem milhares...) e que se tornaram mais sujos e mais violentos, lançando o alarme em quem vive nas proximidades. 

Infelizmente, estes lugares estão longe de alojar apenas "marginais". Há cada vez mais gente a procurar estas zonas para viver (até foi criado um novo nicho de mercado, pois há quem enriqueça com o aluguer de "barracas"...), porque não conseguem alugar uma casa a preços acessíveis. 

Não se pode esperar, que quem cresce nestes lugares, viva apaziguado. Eles sabem que há "quem tenha tudo" e que "eles não têm quase nada"...

É por isso que me faz confusão, que os políticos fechem os olhos à existência destes bairros, sem o mínimo de condições para alojar seres humanos, ao mesmo tempo que continuam a alimentar a percepção do aumento de violência, um pouco por todo o lado...

(Fotografia de Luís Eme - Trafaria)


sexta-feira, setembro 26, 2025

A tentativa de falsear a história nas páginas dos jornais


As pessoas que escrevem nos jornais, vão descendo cada vez mais baixo, na tentativa de "acabar com os perigosos extremistas de esquerda", que vivem à sua volta (eu acho que é mais nas suas pobres cabecinhas...). Se não me admiro nada do que uma tal Maria João Marques escreve no "Público", tal como um Francisco Mendes da Silva, não esperava que João Miguel Tavares seguisse a mesma "cartilha". 

Claro que o problema é meu. Pensava que o fulano gostava de polémicas, mas era intelectualmente honesto. Mas não é.

Só se pode e deve falar da existência de uma "extrema-esquerda", ruidosa e perigosa, durante o PREC. Comparar o Bloco de Esquerda ou o Livre com o Chega, é um insulto à inteligência de qualquer português.

Como não nos chegavam as "trumpadas", estes comentadores aproveitaram os ventos que sopram da américa e começaram a comparar o fascismo com o comunismo, ao ponto de terem o desplante de escrever que há poucas diferenças entre ambos os regimes. Como sempre, vão buscar os exemplo do stalinismo, escondendo o ideário de Marx nas suas gavetas.

Imagino o que devem pensar, todos aqueles que lutaram contra as ditaduras salazarista e marcelista, mesmo os que não se reviam no PCP...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sexta-feira, setembro 12, 2025

A bagunça ideológica e política em que estamos metidos...


A morte de um político conservador numa universidade norte-americana, diz muito de como vai este mundo, povoado de radicalismos, tanto à direita como à esquerda.

Não vou falar do apoiante de Trump, mas sim destes tempos, em que, em vez de se respeitarem pontos de vista diferentes, se apontam dedos e se lançam boatos, quase sempre sem sentido, sobre as pessoas de que não se gosta e que pensam de maneira diferente. E neste caso, prefiro fixar-me na actualidade do nosso país.

O maior exemplo desta bagunça ideológica, começa e acaba no líder do nosso partido de extrema-direita. Nunca nenhum político mentiu tanto, e em vez de ser penalizado, recebeu créditos pelas suas demasiadas deturpações da realidade. Ainda esta semana falou erradamente de gastronomia e não de cidadãos, para criticar a visita do nosso Presidente da República à Alemanha, que segundo o seu ponto de vista viaja demasiado (mas nunca as 1500 difundidas por ele, afinal são apenas 160...). Como sempre, não se retratou das duas mentiras que disse sobre apenas um tema...

O mais curioso, é que hoje apareceu pela primeira vez à frente nas sondagens realizadas para primeiro-ministro.

Não sei o que se passa na cabeça dos portugueses, cuja maioria vive com dificuldades, mas mesmo assim, prefere ir atrás das mentiras de um "bando de gente execrável" - esta semana foi também conhecida mais uma faceta criminal de um candidato às autárquicas deste partido -, que tem tentado virar o Parlamento de pernas para o ar e que se percebe, que mesmo sem estar no poder, já se sente "acima de qualquer lei"...

Talvez hoje tudo seja possível, até a passagem do Seixal, directamente da CDU para o Chega (este partido ficou em primeiro lugar nas eleições para as legislativas neste Concelho...), nas próximas autárquicas...

(Fotografia de Luís Eme - Seixal)


quarta-feira, setembro 03, 2025

Esta coisa de termos um primeiro-ministro mentiroso (para felicidade de uns e tristeza de outros)


Desde que se tornou primeiro-ministro, Luís Montenegro tem sido apanhado a mentir, várias vezes. Ainda não chega aos calcanhares de Trump, mas para lá caminha, pelo menos nota-se que se esforça nos "treinos".

Os casos mais gritantes da sua fuga à verdade tem acontecido com o célebre "Spinunviva", que já nunca mais se descola da sua pele, mesmo que não use nem goste de tatuagens. Desde as mentiras iniciais (era uma empresa criada apenas para tratar dos seus "imóveis rústicos", que ficavam, salvo erro, em "Errabá-los" de cima e de baixo...), ao último caso, em que foi capaz de dizer uma coisa de manhã e o seu contrário à tarde (acesso às matrizes dos seus imóveis...).

Na saúde tem acontecido a mesma coisa. Mesmo que os dados estatísticos oficiais digam que há menos médicos de família e mais urgências fechadas, ele é capaz de dizer o contrário, com o seu inconfundível ar "falsamente sério".

Bem podem os meninos "huguinho", "pedrinho" ou "antoninho", aparecerem com as mãozinhas cheias de areia, para nos atirarem para os olhos, que já não resulta. Ganhámos reflexos suficientes para nos desviar das suas brincadeirinhas do jogo, "salva o chefe".

Pelo menos nesta coisa das "fugas à verdade", estamos bem alinhados com os grandes líderes mundiais, também temos um primeiro-ministro que gosta de dizer a sua mentirinha, com o ar mais sério do mundo, para felicidade de uns e tristeza de outros...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quinta-feira, agosto 28, 2025

Há demasiadas percepções (e repetições) à nossa volta


Sei que é um problema global, mas incomoda-me o rumo que querem dar ao nosso país, com as percepções a sobreporem-se, cada vez mais, à realidade.

Começou com a imigração, seguiu-se a violência... e agora ficamos com a sensação, de que vai haver sempre alguma coisa que irá ser vista com uma lente de aumentar e de "enganar", usada pelos políticos e pelos editores de um jornalismo, que está cada vez mais virado para o espectáculo e menos para a transmissão nua e crua de factos.

Não quero de maneira nenhuma diminuir a área ardida de Portugal, que é trágica e assustadora, mas devo dizer que fiquei aliviado por neste fim de semana que prolonguei por mais dois dias, perceber que não ardeu "tudo" na Serra da Gardunha e nas suas proximidades. 

Durante a viagem entre Almada e Idanha-a-Nova, não encontrei áreas ardidas (tinha receio de me deparar com um país pintado de cinzento...). Só quando me desloquei para o concelho de Penamacor, a caminho de uma das minhas praias fluviais preferidas, vi com os próprios olhos a devastação provocada pelo fogo, mas a alguma distância das povoações. Depois, em conversa com um familiar, que estava na nossa aldeia quando os incêndios estiveram mais críticos e assustadores na Beira Baixa, ele falou-me da nuvem de fumo cinzenta que invadiu toda a região e deixou vestígios nas casas, nos carros, nos campos e até na nossa garganta (no nosso quintal havia pontos negros, que vistos de perto, se percebia que eram pedacinhos minúsculos de carvão...), que levou as pessoas a cobrirem parte do  rosto com as  máscaras que tinham sobrado da pandemia. Mas foi este mesmo familiar que também nos contou que nem todas as aldeias estiveram cercadas pelo fogo, como foi relatado pelas televisões, cada vez mais reféns da desgraça alheia. Assim que ouviu algumas notícias, ligou logo a um amigo, que o descansou e disse que a sua terra não estava cercada como diziam (e felizmente nunca esteve...), que as chamas aproximaram-se apenas de uma das pontas da aldeia e estiveram controladas. Os únicos problemas era o ar ser irrespirável e a temperatura estar acima dos cinquenta graus...

O que acho de mais estranho nisto tudo, foi vermos a RTP, a SIC e a TVI a funcionarem da mesma forma que o CMTV, aumentando, vezes demais os problemas (repetindo as mesmas imagens até  à exaustão...), em vez de os manterem na escala e no tempo real. 

Mas, a pouco e pouco, vamo-nos habituando a esta forma de governar e de dar notícias, em que as ilusões e desilusões que alimentam as "telenovelas", colam-se cada vez mais à realidade, com a cumplicidade de um moedas ou de um montenegro, que são cada vez mais iguais ao ventura. Só lhes falta fazerem os mesmos "números" ridículos que este faz nas redes sociais, ou passarem a vida a correr atrás das televisões (que também o seguem, "religiosamente"...), sempre prontos para tirar dividendos políticos de qualquer desgraça alheia.

(Fotografia de Luís Eme - Beira Baixa)


sábado, agosto 16, 2025

"O que é meu é meu, o que é teu é nosso..."


Esta semana devolvi a chamada de um amigo (com mais de uma semana de atraso...), que me queria falar da publicação misteriosa de um dos seus trabalhos no "facebook". Até porque a sua aguarela tinha sido feita propositadamente para a capa de um dos meus livros.

Ele estranhou o facto, por calcular que se ele não tinha "oferecido" a imagem ao sujeito pequenino, que sempre foi hábil a usar as costas dos outros, para chegar ao alto das "montanhas da vida", eu muito menos.

Ficou incomodado, eu nem por isso. 

Sei que este mundo está mais do lado da "criatura", que do nosso, porque ele sempre agiu daquela maneira engraçada de que, "o que é meu é meu, o que é teu é nosso..." E, infelizmente, as redes sociais continuam adequadas à forma cobarde como ele age no dia a dia.

Claro que sabia por terceiros que "copiavam" textos e fotografias minhas e que as publicavam nestes lugares - onde o ar se torna irrespirável, mais vezes do que devia -, ignorando a autoria, como se fossem eles os seus criadores. 

Foi este sentimento de impunidade que sempre me afastou das redes sociais. Não preciso de me chatear (como acontece com o meu amigo e com muitas outras pessoas...), por estes lugares terem sido tomados por cobardes que se escondem atrás de um "nick name" e acham que podem fazer tudo, desde insultar as pessoas de quem não gostam a roubar os textos e as imagens dos outros, para "embelezarem" as suas "pocilgas"... 

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


segunda-feira, agosto 11, 2025

Problemas que existem mas, que, com uns truques (quase de magia) "deixam de existir"...


Até podia ser o refrão de uma canção, este título que escolhi, quase com o ritmo da "bossa nova".

Mas é a definição de uma forma de fazer política destes tempos modernos, levada ao extremo pelo Governo de direita do nosso país, com a cumplicidade das redes sociais e de um jornalismo cada vez mais subserviente e com menos capacidade de se ver ao espelho.

Eles perceberam que se inventarem um "não problema", que seja dito por alguém com poder (as ministras do trabalho e da saúde são boas a desempenhar este papel...), este acaba por esconder os verdadeiros problemas que afectam o país, pelo menos durante semanas.

Claro que nem tudo lhes corre bem. Como têm tiques autoritários e revelam mau perder, quando as coisas não correm como esperavam, quase que sopram pelos ouvidos. Foi o que aconteceu com a nova lei da imigração, que depois de fiscalizada pelo Tribunal Constitucional, volta ao Parlamento. Esse "mau perder" revela-se nas acusações contra os juízes que votaram maioritariamente contra, a passos de serem considerados uns "perigosos esquerdistas", quando apenas se limitaram a fazer cumprir a nossa Lei maior...

E entretanto, não se fala da saúde, da limpeza que não se fez das matas (nem sequer em volta de casas e de aldeias...) ou das casas que não se constroem... 

Como também se costuma dizer, é "fácil empurrar os problemas para canto". Pois é, os votantes das direitas, mesmo os que não passem de uns "pobretes e alegretes", até são capazes de desculpar estes governantes, por fazerem o mesmo que eles...

É por causa desta gente, que me apetecia acabar estas palavras com um palavrão, que caracteriza "alguns portugueses", que parecem ser sempre mais do que realmente são...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, maio 11, 2025

As greves pouco inteligentes da CP


Mesmo sendo de esquerda, no historial dos movimentos grevistas portuguesas, sempre me fez confusão a forma como eram (e são...) organizadas as paralizações, por parte dos sindicatos ferroviários.

São sempre greves que prejudicam praticamente só os utentes deste transporte, e deve ser por isso que muitas das reivindicações não são atendidas pelas administrações (desta vez até foram aproveitadas pelos "populistas" da AD, para lhes apontarem o dedo e prometer "mudanças"...).

Praticamente desde Abril, que não se vê uma única medida defendida pelos sindicatos que procure corresponder aos anseios das populações, melhorando a sua oferta, ao ponto dos sindicalistas se preocuparem cada vez menos em cumprir os serviços mínimos (como se viu nos últimos dias).

É por isso que se perguntarmos a alguém que utilize diariamente as linhas de Sintra, Azambuja ou de Cascais, se concorda com estas greves, recebemos quase sempre um não bem redondo e coisas bem piores que "eles não querem trabalhar e não respeitam quem trabalha".

Apesar das críticas que se ouvem aqui e ali ao Pedro Nuno, o único sinal de esperança que se sentiu, naquele que continuo a considerar "o melhor transporte do mundo", foi quando ele teve a tutela da ferrovia como ministro...

No regresso do Norte da "aventura de quatro dias" por Trás-os-Montes e o Minho, os meus companheiros deixaram-me em Santarém, para apanhar o regional para o Oriente. O comboio vinha lotado e cheio de jovens, com ar de estudantes universitários. Ou seja, apesar deste transporte continuar a ser tão maltratado (o "inter-cidades" que devia ter passado meia-hora antes do regional em Santarém, só nos passou quase a meio da viagem, obrigando-nos à ficar à sua espera em Setil...), continua a ter clientes...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, abril 30, 2025

A arte de fingir no palco da vida


Como toda a gente percebeu (penso eu...), o Governo "não existiu" durante horas, no dia do "apagão nacional". 

E a primeira excepção foram as declarações de um ministro (Castro Almeida) que sem ter dados ou certezas contribuiu para o festim de "notícias falsas", que começou por alimentar a tese do "ciberataque".

Provavelmente, qualquer Governo, faria a mesma coisa. Talvez não comunicasse tantas vezes à "posteriori". Não me lembro de tantas intervenções televisivas de um primeiro-ministro, que gosta de falar menos que o indispensável. Qualquer pessoa minimamente esclarecida, sabe que isso só aconteceu porque estamos num período eleitoral...

E se há coisa em que o chefe do Governo é bom, é "na arte de fingir", no palco da vida (e da política). 

Não é por acaso que apesar da palha que tem saltado do seu rabiosque, continua à frente das sondagens...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, abril 10, 2025

Hoje foi dia do Ginjal ser notícia de televisão e de jornal


Quem como eu conhece o Ginjal há quase quarenta anos, sabe que todos os problemas de degradação do cais e dos velhos armazéns, não se resolvem apenas com a colocação de placas de xis em xis metros de "perigo de derrocada", como foi feito, pelo menos nos últimos 15 anos, pelo Município.

Também é mentira que existam pessoas que vivem no Ginjal há trinta anos, como disseram na televisão. Lembro-me de quando saíram os últimos moradores, em que havia a expectativa do começo da obras (andaram por lá máquinas a terraplanarem alguns dos armazéns em pior estado, mais próximos da arriba...). Foi há já mais de dez anos.

Sei que entretanto foram passando várias "tribos" pelo Ginjal, desde os romenos, profissionais da mendicidade, em toda a área metropolitana de Lisboa, que depois se mudaram para o Caramujo, até aos migrantes africanos (muito deles devem estar em situação ilegal....) que foram ocupando o "prédio azul" e também as antigas instalações do Clube Naval de Almada, que transformaram quase em "área comercial" , durante e depois da pandemia...

O curioso, é que neste espaço de tempo, não houve qualquer tentativa de expulsar estas pessoas, que viviam em condições de habitabilidade precárias e a espreitar o perigo, diariamente.

Até que chegou o dia de hoje...

E agora, à boa maneira portuguesa, existe um corrupio de "moradores", que dizem viver ali "desde sempre", e que para variar, querem que a Autarquia lhes dê uma casa.

E o Cais do Ginjal vai ficar uns tempos (certamente longos, pelo andar das obras em Almada) "fechado para obras", porque começa a ficar intransitável...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

 

quinta-feira, abril 03, 2025

Extremos que nunca se tocam (apesar do esforço de alguma comunicação social e de alguns governantes)


Tenho cada vez mais dificuldade em perceber a condescendência que existe para com a extrema-direita, de quase toda a gente, desde os presidentes da República e do Parlamento, passando e acabando numa comunicação social, cada vez mais permissiva e menos factual, que adora fazer comparações com uma esquerda, que nunca foi extrema.

Basta ter memória e revisitar a passagem dos partidos de esquerda pelo Parlamento, onde sempre respeitaram a Constituição e mantiveram uma postura  divergente mas digna para com os seus pares, o que não acontece com o Chega. 

Se se tem levantado tanta poeira em volta das duas mulheres grávidas despedidas pelo BE, imaginem se existisse neste partido (ou no PCP...) alguém pedófilo ou ladrão de malas... Provavelmente já tinham recolhido assinaturas para correr com eles do Parlamento...

O mais grave é sentirmos que esta dualidade de tratamento, já nem se disfarça. Rodrigues dos Santos,  é apenas um exemplo deste jornalismo televisivo, cada vez mais tendencioso.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


segunda-feira, março 31, 2025

O "nacional-patriotismo", a "paz podre" e a hipocrísia, no seu melhor


O futebol sempre foi um lugar pouco recomendável, mesmo agora com novas lideranças nos chamados clubes grandes, percebe-se que os "vícios antigos" permanecem bem vivos (este final de campeonato vai ser um bom exemplo, com suspeições para todos os gostos...).

Foi por isso que se olhou com alguma naturalidade para as passagens de Fernando Gomes da presidência da Federação Portuguesa de Futebol para a do Comité Olímpico Português e de Pedro Proença da Liga de Futebol para a Federação.

O mais curioso, é o facto destas duas personagens, sem nunca terem sido próximas, terem fingido durante anos que tudo corria bem entre eles a "bem do futebol", mas sobretudo dos seus "interesses pessoais" (como se percebeu com as eleições recentes)... 

Felizmente a "paz podre" não banaliza o trabalho feito, tanto por um como pelo outro nas suas instituições. 

A Liga e a Federação além de terem boa saúde financeira, oferecem condições de trabalho que antes não existiam. A "Cidade do Futebol", erguida por Gomes, onde não falta nada aos atletas e treinadores da "equipa de todos nós", a nível das condições de treino e de conforto, fala por si (mas há ainda um canal televisivo de futebol que dá atenção à selecção, ao futebol feminino, ao futsal e às divisões inferiores, como nunca existiu antes e até o VAR foi instituído pela FPF).

É por isso que percebo a atitude de Fernando Gomes (ao contrário dos "patrioteiros" todos...), que veio para a "praça pública", desmentir o seu apoio a Pedro Proença para um cargo nas instâncias superiores da UEFA, até por ver o seu trabalho na FPF ser posto em causa. Sim, Proença, além de suspender de funções quatro responsáveis de várias áreas federativas, anunciou ainda uma auditoria interna à direcção anterior. Ele tem todo o direito de fazer isto tudo, só não pode depois é fingir que tem um apoio de Gomes, que não existe, para arranjar mais um "tacho", provavelmente bem remunerado, mesmo que seja feito em "senhas"...

A sabedoria popular diz-nos que, "quem não se sente não é filho de boa gente" e, além disso, é sempre saudável, o fim de qualquer "paz podre"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)