Mostrar mensagens com a etiqueta Mentiras. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Mentiras. Mostrar todas as mensagens

domingo, maio 17, 2026

O chavão de que "o que vem de fora é que é bom"...


Por vezes escrevemos um texto diferente, sem sairmos da sua "alma".

Isso acontece quase sempre, por terem ficado demasiadas pontas soltas no ar.

Continua a ser uma evidência, que o nosso país é uma maravilha para quem chega de fora, então se tiver a pele e o cabelo claro...

Podia aplicar aqui o bom e bonito, "vive e deixa viver", mas não é uma coisa assim tão simples e agradável.

Não se pode apagar todo um histórico, que se deve ao facto de termos sido sempre, um país pobre e pouco desenvolvido, que fixou a frase, de que "o que vinha de fora é que era bom" (com alguma lógica...) e que acabou por ficar gravada na cabeça dos portugueses.

Agora que se fala tanto em "reforma laboral", é importante falar dos ingleses que desenvolveram algumas das nossas indústrias no século XIX e sempre trataram os trabalhadores com mais dignidade e respeito que os patrões portugueses.

Todas estas coisas fizeram com que nos tornássemos hipócritas e subservientes (os políticos continuam a dar o exemplo nas relações com o EUA ou a Europa, ao quererem ser "bons alunos").

Embora seja um tema pertinente, e com opiniões diversas, acho que nunca nos conseguimos livrar do tal chavão, de que, "o que vem de fora é que é bom" (com a excepção das peles mais escuras, claro...).

Não é por acaso que em muitos lugares, se dá mais importância ao que dizem as pessoas de fora, que os da casa. Mas isso dá para mais um ou dois textos, escritos em jeito de crónica...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, maio 15, 2026

E esta? Portugal está pior e os portugueses vivem cada vez pior (não digam nada ao Montenegro, ao Soares ou ao Amaro)...


Apesar de nunca ter existido um governo em mais de 50 anos de democracia, que tenha usado e abusado, tanto, da propaganda e da "fumaça", a realidade já não dá muito mais espaço para encenações. 

A aposta em discutir "não problemas", como são os casos das alterações da Lei Laboral ou da Constituição, mesmo que sejam desejadas pelos patrões e pela direita, não resolvem qualquer problema dos portugueses.

A continuada tentação em culpar o PS dos "males" do país, também já não dá grandes hipóteses de se "sacudir o capote", quando tudo está pior que há dois anos. 

Sei que irão "cavalgar" na crise provocada por Trump, mas os problemas na saúde, na educação, na alimentação e na habitação, começaram a agravar-se antes da criação da "portagem do estreito de Ormuz"...

Luís Montenegro, por muito que finja viver num "país imaginário" e tenha conseguido transformar a comunicação social num feudo da direita (cada vez existem menos comentadores de esquerda nos canais televisivos...), já não pode dizer, com a "lata" que o caracteriza: que o país está melhor, mesmo que os portugueses vivam pior.

A realidade salta-nos aos olhos diariamente,, seja nos hospitais, nos mercados, nas escolas, nas bombas de gasolina, nos restaurantes ou nas imobiliárias...

Está tudo pior, se esquecermos a meia-dúzia de pessoas do costume (são tão egoístas, que querem tudo, até a tal lei laboral que põe fim ao pagamento das horas extraordinárias...).

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, abril 16, 2026

O regresso de um mundo a "preto e branco"...


Por se tratar de um processo lento,  nem toda a gente se apercebe de que estamos a voltar atrás no tempo.

Mas basta olhar com olhos de ver, para o se tem feito com o SNS e com a educação pública, com a não contratação dos profissionais necessários para que as coisas funcionem com alguma normalidade... ao mesmo tempo que crescem ao lado hospitais e as escolas privadas...

Mesmo esta lei laboral, que anda de reunião em reunião, até que seja aprovada,  aposta num corte significativo nos direitos dos trabalhadores, que já passaram a colaboradores há algum tempo, e cuja precariedade vai passar a ser entendida como "liberdade de acção e de mudança"...

Mas nem era disto que queria falar. Era sim do sentimento de um amigo antigo, que mesmo sem nunca ter sido comunista, nem antes nem depois de Abril, voltou a ver os outros a quererem colar-lhe este rótulo, apenas por se continuar a sentir humanista e gostar de ser livre.

A coisa mais curiosa que ele me disse ontem, foi que não é por lhe voltarem a chamar "comunista", que vai passar a chamar aos bandidos, tiranos e assassinos, que estão à frente da Rússia, do Israel, do Irão ou dos Estados Unidos, fascistas...

Claro que é no mínimo triste e desolador, voltarmos a ver tanta gente com vontade de roubar as cores ao mundo e querer que ele volte a ser apenas a "preto e branco"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


terça-feira, abril 14, 2026

«Sou um escritor de livros invisíveis»


Quando ouvi um amigo que escrevia livros, dizer, «sou um escritor de livros invisíveis», não o levei a sério.

Talvez por nesse tempo ainda existirem bastantes leitores de livros...

Apesar dos todo o optimismo de alguns editores, de que hoje há mais leitores e que se vendem mais livros, sei que são apenas mais duas mentiras, para juntar a tantas outras, deste nosso tempo. Tempo que perdeu a capacidade de olhar para dentro e para fora de si, e de se interrogar sobre o seu verdadeiro papel nesta bola cada vez mais achatada...

Hoje percebo melhor este meu amigo, por também eu ser "escritor de livros invisíveis"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, abril 03, 2026

Fingimos quase todos, que isto é normal...


É verdade, praticamente desde que chegámos ao século vinte e um, que deixou de haver um rumo, do que quer que seja, tanto no nosso país, como no Mundo, começando na Europa e acabando nas Américas.

Quase nunca pensamos nisso. São as conversas mais profundas, mais doridas, que nos fazem pensar de como era a vida no final do século passado e como é agora. 

E nem sequer estou a pensar nas guerras...

Estou a pensar nas mudanças que se deram dentro e fora de nós. Passo a passo, os governantes em quem votamos, vão-nos roubando qualidade de vida, fazendo da "mentira uma nação".

Depois de um século de conquistas, de ganhos em dignidade e valor do trabalho, eis que a exploração capitalista volta a surgir como uma inevitabilidade, como se tivéssemos quase todos de ser explorados porque há um fulano que gosta de ter na sua garagem uma colecção de ferraris, outro sonha viajar até à Lua, e por aí em diante. 

Para tornar tudo mais legal, há uma lei laboral (que acabará por ser aprovada, com mais ou menos pontos...), que promete numerar, cada vez mais  os "colaboradores" e tratando-os quase como se estivessem no final do século XIX, princípios do século XX, em que se ia diariamente para a entrada das fábricas, ver se havia algum trabalho para nós...

O mais curioso, é que fingimos quase todos, que isto é normal...

(Fotografia de Luís Eme - Olho de Boi)


quarta-feira, abril 01, 2026

Um dia que quase perdeu a graça


A mentira está de tal forma institucionalizada, que as habituais brincadeiras do primeiro dia de Abril quase que deixaram de fazer sentido.

Quem diria que este dia iria perder a graça...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, março 30, 2026

A deturpação diária da realidade...


A deturpação da realidade é uma constante diária da sociedade actual.

As pessoas que vivem alheadas da realidade e que gostam de criar narrativas paralelas, nunca tiveram um tempo tão propício às suas "invenções", como este em que vivemos.

Não podemos culpar apenas o partido populista, que gosta de normalizar a mentira, a indecência e a falta de respeito pelo próximo. Até porque existe pelo menos um canal de televisão que se alimenta das ficções noticiosas que cria.

O que aconteceu nos balneários do FC Porto, antes da realização do jogo de andebol entre a equipa da casa e o Sporting, diz quase tudo sobre este tempo em que vivemos. 

O cheiro tóxico existente nas instalações portistas quer fizeram com que a equipa leonina se equipasse nos corredores, conseguiu que os dirigentes portistas colocassem a possibilidade de terem sido os sportinguistas a levarem substâncias abrasivas para o balneário, em vez de fazerem um pedido de desculpas público, mais que justificável, aos adversários...

Mesmo que o desporto goste de se afirmar como "um mundo à parte" da sociedade, é uma vergonha o que se passou no Porto. 

Pior que o episódio que fez com que o treinador e um atletas recebessem assistência médica, foi a tentativa do FC Porto de branquear a situação, com as tais narrativas paralelas, que se estão a normalizar, dia após dia.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, março 03, 2026

A decência não tem cor, sexo ou ideologia


A vitória de António José Seguro nas nossas eleições presidenciais é o nosso melhor exemplo, de que a decência não tem cor, sexo ou ideologia.

Embora possa haver muitas "interpretações" e "percepções", os mais de 65% de portugueses que votaram em Seguro, votaram sobretudo na democracia.

Esta primeira reacção dos portugueses contra o populismo faz com que acredite que o líder do Chega nunca chegará ao poder, pelo menos como primeiro-ministro.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, fevereiro 26, 2026

Parece que a mentira deixou de ter perna curta...


Não sei até onde se chegará, com todo este o movimento social e político crescente, em que se banaliza a verdade, ao ponto de deixar as pessoas cada vez mais divididas, entre a realidade e as percepções interesseiras deste ou daquele (Montenegro é bom nisso, quem o topa é o Passos...).

Sei que é um trunfo usado por todos aqueles que querem chegar ou permanecer "eternamente" no poder. E está longe de ser uma novidade.

Salazar sempre o fez, embora mentisse com o ar mais cândido do mundo e não se servisse do poder para enriquecer (só quem o rodeava é que "enriquecia", dizem...), mas apenas para se perpetuar como "dono do país".

Acontece que hoje, quando vemos e ouvimos Trump ou Ventura a mentirem com os dentes todos (se for preciso ainda pedem alguns emprestados...) e sem qualquer tipo de pudor, ficamos com a quase certeza de que a mentira deixou de ter a perna curta.

No meio disto tudo, há um coisa que ainda não percebi bem, foi se estamos mais estúpidos, ou se apenas fingimos ter as "orelhas maiores"... 

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, fevereiro 23, 2026

"Bilhete-postal" para um amigo...


Sei que devia conversar, olhar-te nos olhos, em vez de estar a escrever este "bilhete-postal".

Até porque não acredito que tenhas mudado assim tanto, ao ponto de teres viajado para o planeta do Trump e do Ventura, sem levares bilhete de regresso. Faz-me confusão que acredites que o mundo agora é uma mentira e que vale tudo para "lixar o próximo".

Por muito desiludido que possas estar com os nossos políticos incompetentes e corruptos (eu sei que são mais de meia dúzia...), não podes pensar em os substituir por uma coisa pior: populistas especialistas em "cantos da sereia" e "cantigas do bandido", que dizem sempre o que queres ouvir, em especial quando estás farto de tudo e de todos. Cansado de ser enganado e de ver gente que está interessada em tudo, menos em resolver os teus problemas.

Podia dizer-te para olhares para os Estados Unidos.

Mas já não é preciso atravessares o Atlântico, começas a ter muitos exemplos de que esse partido onde votas não passa de um "antro de bandidos". E nem é preciso colocar o foco nos ladrões de malas ou nos pedófilos. Agora que se chegaram ao poder, já começaram a oferecer "tachos" (e panelas), às namoradas, irmãs, tias e primas, porque seguem à letra a frase mestra dos políticos de sarjeta: "olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço".

E depois há a parte que eles tentam esconder (mesmo que o seu "rabo gigante" fique sempre de fora...), a ideologia. De vez enquanto lá aparecem os "três salazares", assim como a tentativa de tapar "Abril" com "novembro", que é sempre demasiado pequeno e curto, para apagar esse dia inesquecível que nos devolveu a liberdade e a democracia.

Nota: texto publicado inicialmente nas "Viagens pelo Oeste", dirigido a um amigo caldense...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


sexta-feira, fevereiro 20, 2026

Cartazes quase bonitos...


É fácil dizer que tudo pode começar com simples gestos, como aquele de deixar o lixo bem acondicionado nos caixotes e não do lado de fora. E se for através de papeis e imagens, ainda custa menos...

Penso sempre que todas estas "mensagens" deviam ter um antes, com as pessoas que têm o poder de mudar alguma coisa, a descerem do "andar mais alto" para a rua. Não há nada como olhar de perto para tudo aquilo que nos cerca, a panorâmica muda imediatamente. Ver  "lá de cima" (mesmo as desgraças alheias, é sempre diferente...). 

E há imagens terríveis, que conseguem oferecer poesia ao trágico, mesmo quando não devem...

Talvez este seja o tempo de a maior parte dos políticos, deixarem de o ser, a "fingir", de pensarem que a sua verdadeira função é tentar resolver os problemas dos seus concidadãos, que vai muito para além da afixação de cartazes por toda a cidade, que normalmente não resolvem "porra nenhuma".

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


segunda-feira, fevereiro 09, 2026

As vozes de papagaio que tentam "chegar ao céu"...


Dando um pouco mais de atenção à onda "anti-esquerdista" que por aí anda (ao ponto do Presidente da República agora eleito, num primeiro momento, não querer assumir-se como socialista, mesmo no plano democrático...), percebe-se que há uma tentativa de criar uma nova narrativa política e histórica, culpando os "esquerdistas" de todos os males do país.

Mas a história é o que é. As mentiras que lhe tentam colar, normalmente ficam caídas no chão.

É também por isso que é importante dizer que tanto o 25 de Abril como o 25 de Novembro, mesmo sendo diferentes, foram protagonizados por democratas. E o último, mesmo que a direita queira agora agarrá-lo com as duas mãos, pode e deve-se afirmar, que os seus principais intervenientes pertenciam à área do socialismo democrático. Se na sociedade civil, Mário Soares é a grande figura, no campo militar, tanto Melo Antunes como Vasco Lourenço (os seus principais estrategos) sempre estiveram próximos do Partido Socialista.

E poderia continuar a falar de outras grandes transformações sociais no nosso país, como foram a criação do SNS (de António Arnaut) ou a assinatura do Tratado de Adesão na União Europeia (assinado por Mário Soares).

Mesmo que este seja o tempo dos "papagaios", estou certo de que as suas vozes não vão "chegar ao céu"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, fevereiro 01, 2026

O "jornalixo" e uma comunicação social que não mostra tudo...


Não vou escrever sobre a tragédia na região Centro, mas sim sobre um acontecimento que não vi ser notícia em lado nenhum, ligado à tentativa de colher dividendos eleitorais com a desgraça dos outros, com o artista da "tv e da cassete pirata" de sempre... 

Uma das pessoas que conheço natural de Leiria é a Isabel, que além do retrato indescritível que encontrou no terreno (até me falou do Japão dos terramotos, como termo de comparação...), também me falou do "aparecimento e desaparecimento" de Ventura, numa das zonas mais atingidas pela "Kristin". O jeitoso assim que foi visto pela população, rodeado pelos seus "muchachos", foi de tal forma insultado e vaiado, que desapareceu em segundos, sem que ninguém lhe pusesse mais a vista em cima. Estava acompanhado de pelo menos duas câmaras de televisão...

Como ela não viu nenhuma reportagem a mostrar estes enxovalhos (aconteceram pelo menos dois, que foram do seu conhecimento e quem o insultava não eram "ciganos"...), concluiu que há mesmo cumplicidade entre o Chega e as televisões.

Como eu esta semana tinha lido o artigo de opinião de Filipe Luís na "Visão" que também diz muito sobre a relação do senhor com a comunicação social, transcrevo-o com a devida vénia: «Se há alguém que não tem nenhuma razão de queixa dos jornalistas é o candidato apoiado pelo Chega. Pelo contrário: com sete dezenas de entrevistas, nos últimos cinco anos, em horário nobre, em todas as televisões, ele teve mais do dobro de tempo de antena de dois líderes, juntos, do PSD, um dos quais primeiro-ministro, e é o campeão político da nossa democracia em exposição mediática favorável, isto é, com presença constante, não apenas em entrevistas, mas também em declarações avulsas – nomeadamente, nos Passos Perdidos, no Parlamento – quase sempre em regime de “pé de microfone” (sem contraditório) com questionamentos “fofinhos” de entrevistadores que, muitas vezes, e sem cerimónia, em certos canais, trata publicamente por tu. Seguro ganhou a primeira volta, mas, três dias depois, era Ventura quem já tinha sido entrevistado três vezes, nas televisões. Duas conclusões: primeira, o “jornalixo” existe mesmo. Segunda, se Ventura é o que é, aos jornalistas o deve.»

Falar de cumplicidade, talvez seja ir longe demais, mas que há muito boa gente que escreve nos jornais e faz reportagens televisivas que está na profissão errada, está. Ou então não, sente-se bem, atolada no "jornalixo"...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


quinta-feira, janeiro 15, 2026

Três parágrafos com três dedicatórias


Nunca o discurso contra a esquerda esteve tão ruidoso. Em alguns casos, além de mentiroso, começa a ser doentio.

Normalmente vão buscar o Stalin e o Lenine (esquecem-se quase sempre do Marx, não sei porquê... espero que não o confundam com os "irmãos", de outros filmes bem mais alegres), como se todas as pessoas com um pensamento humanista, que se preocupam com quem vive à sua volta, fossem comunistas...

Como as coisas estão a avançar, começo a acreditar que, num tempo não muito distante, vão começar a culpar os "comunistas" por todos os problemas que aconteceram na Primeira República e também pela chegada ao poder de Oliveira Salazar (que na sua opinião até deve ter sido "um gajo porreiro" - espera, gajo não, isso é coisa dos esquerdalhos, é melhor escrever "senhor gajo")...

Notas: A dedicatória vai para João Miguel Tavares, João Vieira Pereira e Ricardo Simões Ferreira.

Em relação à escolha da imagem, já o bom do Vasco Santana dizia: "Chapéus há muitos, seus palermas!"

(Fotografia de Luís Eme - Corroios)


sexta-feira, janeiro 02, 2026

A diferença entre leitores de jornais e leitores de títulos de jornais acentuou-se muito nos últimos anos...


"As pessoas não querem saber..." É já quase uma frase batida, pela mistura que se faz entre ficção e realidade, no dia a dia, mesmo ao mais alto nível.

Fala-se do líder do Chega, mas temos um primeiro-ministro que vive num mundo só dele, rodeado de cinderelas e de cristianos ronaldos, cada vez mais distante do "mundo dos outros"...

Mas o que eu quero mesmo é falar de jornais e de leituras.

Há bastantes anos que o "pasquim" mais vendido no burgo, raramente fazia coincidir os títulos de primeira página com as notícias publicadas no interior. Isso criava um problema - na época ainda menor - porque conseguia enganar as pessoas que tinham por hábito ler apenas os títulos de jornais e as "letras gordas".

Hoje existem mais seguidores da "fórmula" na imprensa, mas de pouco lhes vale, porque o leitor de jornais de papel, é "uma espécie em vias de extinção"...

Curiosamente, estes "leitores" das letras grandes foram os que mais facilmente deram o "pinote" para o mundo das redes sociais, que usa a mesma "técnica informativa", com uma diferença: quando mente, mente a valer, tanto nos títulos como no conteúdo.

Este fenómeno que tem pouco do entroncamento, é seguido pelo partido que também adora "desinformar" e é um caso de estudo pelo seu sucesso eleitoral, mesmo com ladrões de malas, pedófilos, agressores, violadores, etc.

Isto faz com que acabe o texto com a frase inicial: "As pessoas não querem saber..."

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


segunda-feira, dezembro 15, 2025

As "percepções" e o uso e abuso da ignorância como armas políticas


Penso que nunca existiram governos tão mentirosos como estes dois últimos, chefiados por Montenegro. 

Desde os seus primeiros tempos que a AD governa segundo as percepções que mais lhe dão jeito, par reforçar a sua presença no Parlamento e ter cada vez mais poder governamental. É por isso que vai criando narrativas, que mesmo que não encaixem na realidade, deixam muitos portugueses na dúvida.

Apesar do caos que se vive na saúde (recordes de urgências fechadas e de tempos de espera, nas mesmas urgências; cada vez mais utentes sem médico de família, etc), Montenegro tem a lata de dizer a todos nós que as "coisas estão melhor" nos hospitais...

O mesmo se passa em relação aos imigrantes, em que tem aproveitado a "boleia" do Chega, para criar a percepção que as pessoas que chegam de fora, com tonalidades de cor diferentes das nossas, são uns bandidos, quando todos sabemos que a sua maioria trabalha e contribui para o equilíbrio da nossa Segurança Social. Mais uma vez, a realidade é um bastante diferente. Afinal parece que os verdadeiros bandidos são os portugueses que além de os tratarem como escravos, oferecem-lhes condições de habitabilidade indignas para qualquer ser humano.

Se ainda existe alguém com dúvidas desta prática política, a reação do primeiro-ministro e do "ministro da propaganda" em relação à Greve Geral, diz tudo sobre a forma como o governo olha para a realidade. Leitão Amaro foi mesmo capaz de falar de uma adesão entre os 0 e os 10%. Tentaram desvalorizar este movimento grevista, dizendo que só teve algum significado no sector público, que o resto da país não parou, esteve sempre a trabalhar...

Haverá centenas de exemplos pelo país fora que desmentem o governo. Mas basta falarmos da fábrica que é usada como o nosso grande "sucesso empresarial no mundo", a Auto-Europa. Apesar de praticamente ter parado a sua produção, foi ignorada tanto pelos ministros como por alguma comunicação social...

Infelizmente, as coisas têm tendência para piorar, pois a aposta continua a ser o uso e o abuso da ignorância das pessoas (à boa maneira salazarista), puxando-as cada vez mais para o que dizem as redes sociais e menos para o que se edita no verdadeiro jornalismo.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


domingo, dezembro 07, 2025

A "cegueira ideológica" dos liberais...


A cegueira ideológica está a atingir níveis impensáveis, tanto dos políticos que nos governam como de alguns jornaleiros, que inventam narrativas e um país que nunca existiu.

Quando li o que um sujeito chamado Ricardo S. Ferreira escreveu no Diário de Notícias, fiquei na dúvida de ele estava a querer enganar-nos, ou se estava a enganar-se a ele próprio. Provavelmente, era as duas coisas...

Quando alguém é capaz de escrever: «Quando o candidato presidencial comunista afirma, num debate, que o liberalismo são "ideias mofas do século XIX", o escândalo não é a sua mentira. Afinal, o comunismo vive da mentira, de reescrever a história. O escândalo é a tirada passar incólume. Mas isso tem uma explicação: nesta sociedade, quase todos os jornalistas inclusive, foram "educados" na mesma escola ideológica que ele.»

O que disse António Filipe, pouco me importa. O que me interessa é a parte final, quando este jornaleiro "explica" que quase todos os jornalistas foram "educados" na mesma escola ideológica que ele, ao ponto de falar da facilidade destes em recitar o "Manifesto Comunista". 

Sei que agora é normal mentir, com todos os dentes ou apenas com metade, na televisão, nos jornais, etc. Mas há limites (ou pelo menos devia haver...).

Em cinquenta anos de democracia, fomos governados apenas pelo PSD, PS e CDS, que não têm nada de socialistas. São eles que têm alimentado o famoso "polvo", que faz com que o líder do Chega, diga, à boca cheia, que temos vivido 50 anos de corrupção. Se nunca fizeram as reformas necessárias, foi por falta de competência técnica e por falta de vontade (o mais importante continua a ser ganhar eleições e não em tornar o nosso país mais competitivo e economicamente mais viável), nunca por questões ideológicas, muito menos "socialistas".

Esta governação social democrata reflectiu-se em praticamente tudo, desde a saúde à educação. Nunca existiram "ilhas" (os Açores e a Madeiras não contam nesta "aritmética").

Talvez o senhor Ferreira ache que tanto Mário Soares como António Guterres ou António Costa, são uns "perigosos marxistas" (não vale a pena colocar Cavaco Silva na equação embora este tenha sido primeiro-ministro durante dez anos)...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, dezembro 06, 2025

O verbo "indrominar" está cada vez mais na moda...


O verbo "indrominar" está cada vez mais na moda.

Primeiro foram os políticos, agora é a vez dos comentadores dos debates televisivos entre os candidatos a "marcelo", usarem esta palavra enganadora.

Adoram dar notas e fingir que são professores. E tal como estes, "chumbam" os rapazes e as raparigas com quem não "vão à bola".

E nós não devíamos ser tão inocentes. 

Claro que eles não foram, nem são, escolhidos ao acaso...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, novembro 28, 2025

«Tiraram o lugar a quem? Você vai fazer o que eles fazem, por esses campos fora?»


Sei que estou melhor, mas estou longe de estar curado.

Ainda falo muitas vezes em situações, em que o o bom senso aconselhava o silêncio.

Tudo isto que aconteceu no Alentejo e que reflecte uma realidade que não é apenas do Sul, mas que nos devia envergonhar, a todos, fez-me recordar um episódio. 

Realidade que é quase sempre conhecida e aceite pelos habitantes locais, por razões que continuo sem entender. A única coisa que sei, é que são estas mesmas razões que levaram as pessoas a fazer uma viragem de quase 360 graus, passando a votantes do Chega, depois de andarem  décadas a votar na CDU, por essas planícies fora.

Sei que os seus níveis de instrução são baixos, mas daí a não conseguirem perceber a realidade que lhe entra pelos olhos dentro, é outra coisa... 

Compreendo que não olhem para os sujeitos que trespassaram o café e o mini-mercado, como as melhores pessoas do mundo, até por estarem ali para ganhar dinheiro à custa deles. 

Mas o problema nem é esse, nunca foi. 

É aquela cor de pele, aquele olhar escuro e em desconfiança permanente, que não lhe garante nada de bom. E depois vêm as palavras de ordem que lhes entram pela cabeça dentro, sempre que o "rei dos aldrabões" aparece na televisão. Palavras que ainda os fazem acreditar mais, que aqueles estranhos só vieram para cá para lhes "roubar trabalho".

Foi num destes cafés, perdidos por esse interior fora, quase sem gente, que escutei esta frase sacramental enquanto bebia uma mini na companhia de dois familiares afastados, à passagem pela rua de três "indianos".

Não consegui falar calado e perguntei-lhes, sem qualquer rodeio: «Tiraram o lugar a quem? Você vai fazer o que eles fazem, por esses campos fora?» Olharam um para o outro e não me responderam. 

Só uns dois minutos depois e que um deles disse qualquer coisa como: «Também não é bem assim...»

Nada era bem assim, mesmo que eles fingissem não perceber.

Não disse mais nada mas fiquei a pensar, que a trabalharem desta forma e ser recebidos desta maneira, de Norte a Sul, talvez a melhor coisa que esta gente fizesse, fosse mesmo "ir para a (tal) terra deles"...

(Fotografia de Luís Eme - Beira  Baixa)


quinta-feira, novembro 27, 2025

Um PSD apostado em desregular, desiquilibrar e destruir o País...


A escolha das ministras da Saúde e do Trabalho, foram feitas com um propósito cada vez mais claro, ao ponto de parecerem desenhadas a régua e esquadro.

E pode-se dizer que têm tido sucesso nos seus propósitos.

O SNS é o que se vê, por mais "areia que nos tentem atirar para os olhos", está tudo pior nos hospitais e centros de saúde públicos. Algo que deve agradar - e de que maneira - a todos os grupos privados, que têm construído hospitais e clinicas nas principais cidades do país, com um sentido de oportunidade único. 

O trabalho começa a ser cada vez mais sinónimo de precariedade e salários baixos. E com a nova proposta de lei deste Governo, que segundo a ministra apenas tenta "equilibrar a balança" (segundo ela a lei actual favorece os trabalhadores...), as coisas só podem piorar. 

Só alguém que está ao lado do patronato, é que é capaz de dizer uma coisa dessas.

É uma vergonha para todos nós termos um governo que se diz democrático, mas que se percebe à légua, que está cada vez mais apostado em desregular, desiquilibrar e destruir o país, tanto no campo económico como social.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)