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segunda-feira, dezembro 01, 2025

«Somos tantos...»


Ela não estava na fila para as escolhas de mais um desses concursos televisivos, em que se percebe que  existe tanta gente que sabe cantar e devia fazer corar de vergonha esses fulanos (as) que em sociedade com as televisões e com os programadores, enchem os fins de semana de música parola. Mas podia estar...

Deu-me vontade rir, ouvi-la dizer, "somos tantos...»

Até porque não estava ninguém à nossa volta.

Embora eu estivesse farto de saber que o mundo não começava e acabava ali, que as multidões estão sempre ao virar da esquina...

Só não percebi se ela estava a querer desistir, antes de conseguir ser qualquer coisa, ou se queria ir à luta e estava ali, a querer ganhar balanço.

Depois disse-me que estava com receio. Questionei-a sem palavras, apenas com o olhar.

E ela levantou-se do chão, mostrou-me um sorriso enigmático, para me contar o seu dilema: «Às tantas começamos a querer muito ser isto e aquilo, perdemos o medo e começamos a andar em frente, sem receio de pisar os outros que já estão à espera de vez, sentados ou deitados...»

Podia dizer-lhe, "bem vinda à selva urbana", mas não ia adiantar muito. Até porque ela já encontrara pelo caminho várias espécies de "animais", capazes de se "transvestir" de leões, zebras, ursos, gazelas, macacos ou serpentes...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


quinta-feira, março 06, 2025

Talvez elas se sintam mais úteis ao mundo...


Estava a passar e fingi que não vi, quatro miúdos, aliás duas miúdas e dois miúdos, a fumarem erva e com uma vontade enorme de provocar quem passava, no quase carreiro que percorro todos os dias, a poucos metros da minha casa.

Não deviam ter muito mais de catorze anos. Ou então tinham ficado pequeninos. 

Passam por ali centenas pessoas, diariamente, mesmo assim eles fazem questão de "marcar aquele território" como seu, a fumar coisas aromáticas e a falar alto, e não num lugar mais recatado (existem vários a poucas dezenas de metros...). 

Sem que tivesse muito a ver com o assunto, lembrei-me de duas amigas, professoras, que continuam a dar aulas no Monte de Caparica, nas escolas que acolhem a juventude que habita no famoso Bairro do "Picapau-Amarelo". 

Dão aulas há bastantes anos, podiam ter mudado de escola, mas nunca o fizeram. Nunca lhes perguntei porquê.

Talvez gostem de ser desafiadas diariamente, pelos rapazes e raparigas, a quem a vida (e a sociedade...) obriga a terem comportamentos diferentes, mesmo que tenham os mesmos sonhos dos "meninos" e meninas", com menos rua e mais atenção dos pais... 

Quando estiver com elas, vou perguntar-lhes, mesmo que pense saber "bocados" das suas respostas...

Sim, talvez no Monte algumas coisas façam mais sentido, talvez elas se sintam mais úteis ao mundo...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sexta-feira, fevereiro 07, 2025

«Somos uma cidade de velhos e estrangeiros»


Basta olhar para quem passa por nós para concluir que há mais que alguma verdade na frase do Carlos, de que: «Somos uma cidade de velhos e estrangeiros.»

Ainda lhe perguntei: «E nós, somos o quê?», para ouvir logo de seguida: «Se não somos chineses, somos velhos.»

Não é apenas Almada, que oferece este retrato. Todos sabemos que a nossa população  continua a envelhecer, de Norte a Sul.

Acabámos por falar do inquérito/ sondagem, divulgado esta semana, que nos disse que 73% dos nossos estudantes universitários, pensam emigrar, mal acabem os cursos.

Não se ouviu qualquer  "ruído", pela parte dos políticos, do governo ou das oposições. Mas é triste, andamos a formar jovens para servirem outros países, com tudo o que isso tem de negativo para nós.

Mesmo que sejam apenas 40% por cento, é um número que devia assustar os governantes e obrigá-los a agir, a criar mais incentivos para que os jovens não se vejam "obrigados" a emigrar...

Claro que os problemas de Portugal não se resumem apenas aos dos jovens. Há vários anos que não somos um país para jovens, para velhos ou para estrangeiros (os com dinheiro não contam...).

O mais triste é perceber, diariamente, que os políticos continuam a fingir que resolvem os problemas, sem que resolvam coisa alguma. E depois ainda têm a lata de se fingirem indignados por um militar ser o preferido dos portugueses nas sondagens para a presidência da República...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sábado, novembro 23, 2024

«Queremos ser animais e não seres humanos»


«Queremos ser animais e não seres humanos.»

Esta foi a frase que retive de uma jovem de 22 anos, como reacção ao nosso comportamento perante as guerras, mas também à forma como nos relacionamos com os outros, especialmente os que são diferentes de nós.

Era suposto falar-se de teatro. Mas o teatro é a nossa vida, pelo que fez todo o sentido soltar aquela frase no meio de nós.

Como de costume, a resposta que foi dada à miúda atrevida, cheia de ideias próprias e certezas, foi de que não podia generalizar as coisas de uma forma tão simplista.

E eu ali a pensar, "claro que pode, e que ainda bem que ela é assim". 

Sei que é a indiferença que nos vai destruindo como pessoas. 

Não há ditador que não adore a frase de que "quem cala consente". Não há um ditador que não cresça, perante a indiferença das maiorias...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, julho 29, 2024

«Felizmente a esperança é uma adolescente»


Estávamos a conversar sobre a quantidade de jovens que sabem cantar e andam por aí, fora de mão, ao contrário dos "artistas da cassete pirata" que animam os arraiais nos fins de semana televisivos. 

O custo zero merecia mais que que a pinderiquice das roupas, das danças, o mau gosto das letras e, claro, o "play baçk" musical.

O Ruca disse uma coisa bonita e certa: «Felizmente a esperança é uma adolescente.»

E é mesmo. Quando somos jovens não desistimos dos nossos sonhos às primeiras e às segundas, e ainda bem.

Só há um problema, que muitas vezes se descobre tarde demais: no nosso país a qualidade nunca foi o requisito mais importante, para o que quer que seja...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, abril 29, 2024

Querer ser outra coisa...


Em menos de 10 minutos, em dois transportes diferentes, tive a mesma sensação, com duas pessoas diferentes.

Aquilo que lhes era mais comum, além da juventude, era a sua ambiguidade sexual. 

Sim, ambiguidade sexual. 

O primeiro era um rapaz com uma bela cabeleira loura (o trabalho que deveria dar, ter um cabelo tão sedoso e comprido...), que estava sentado de uma forma estranha. Enquanto o observava ia perdendo características de "rapariga loura", para passar a ser  um "rapaz louro", por coisas peculiares. O corpo não tinha muitas curvas e calçava um número de ténis quase grande... Só quando se levantou para sair na estação do metro percebi que era um "Alberto"...

Já sentado no cacilheiro, recebi a companhia de um rapaz de cabelo curto, roupas pretas, olhos e lábios pintados, brincos. O tempo da duração da viagem fez-me perceber que era demasiado leve e suave, para ser "o que parecia (e queria) ser". Agora era uma rapariga que lutava contra a tal questão, do que era suposto ser, segundo a sociedade...

O mais curioso, foi pensar que ambos deviam estar em negação, que se recusavam a aceitar o sexo que lhes fora destinado, por mais um daqueles acasos, que não se explicam (e agora também se podem negar...). 

Talvez tivessem medo do destino que a vida lhes traçara e queriam mudar o seu rumo, ou apenas queriam ser algo diferente...

Pois é, vivemos num mundo onde se há coisa que não nos falta, é o "talvez"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, dezembro 01, 2023

Continuar a seguir a mesma marcha, para trás (nestes tempos de mil e uma promessas)...


Ontem peguei na Carolina ao colo e gostei daquela sensação, até por ela ser uma bebé alegre. Mais tarde dei por mim a pensar que há já alguns anos que não andava com um bebé ao colo.

À minha volta estavam dois casais ainda sem descendentes (os meus sobrinhos) que já ultrapassaram os trinta e não falam sequer em ter filhos...

Como vivem bem e têm bons empregos arranjei logo duas justificações para que isso aconteça: pelo desejo dos jovens em prolongarem a juventude (por culpa dos pais que lhe dão demasiado conforto...) e também por vivermos tempos adversos à criação de novas famílias.

Mas o problema não é assim tão simples. Até porque a maior parte dos jovens não têm o nível de vida deles...

Se olhar para este nosso país, com alguma profundidade, encontro muitas mais razões. A principal talvez seja a "despreocupação social", com pelo menos vinte anos, para com os jovens (quando se começou a acentuar a quebra da nossa taxa de natalidade...). 

Com ela veio o aumento da precaridade do emprego e a dificuldade em arranjar uma casa a preços decentes, que deverão ser os problemas mais graves, e que nenhum governo se preocupou em resolver, num tempo que só foi de "vacas gordas" para meia dúzia de pessoas...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, outubro 04, 2023

A rua também é dos jovens...


Pode ser a minha "costela" anarquista" a fazer das suas, ou até alguma nostalgia da rebeldia da juventude, mas prefiro ver os jovens a fazer disparates nas ruas (e até a atirarem tinta a ministros, mesmo que esta seja mal empregue, bosta de vaca fresquinha tem mais a ver com eles...), que vê-los ausentes, fechados nos quartos a jogarem no computador aos gritos ou demasiado silenciosos, a darem "voltas ao mundo" com o telemóvel.

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sábado, setembro 16, 2023

Somos todos menos tolerantes...


Os jovens servem para tantas coisas nas nossas sociedade, até para nossos "bodes expiatórios".

Foi o que pensei quando ouvi um senhor de fato e gravata a dizer na televisão (penso que foi um inspector da judiciária...), que os jovens de hoje são muito pouco tolerantes,  tentando explicar o inexplicável.

Só que não são só os jovens, é toda uma sociedade. Gente de todas as idades que comunica casa vez menos com os outros (se esquecermos as mensagens, claro), que se fecha na sua concha e tolera cada vez menos quem os rodeia. 

O mais grave, é que são incapazes de perceber metade do que se está a passar à sua volta...

Sei que sou um "marginal", e que devia ter vergonha de dizer (e escrever) que só uso o telemóvel para telefonar (e cada vez menos...). Mas não sou só um rapaz das margens (até vivo na Margem Sul e tudo...), sou também um "olhador", atento a tudo o que me rodeia. 

Sim, não perdi o hábito de andar na rua de cabeça levantada, sem medo de olhar as nuvens que prometem chuva e os rostos que se baixam e escondem atrás de um rectângulo quadrado, que finge ter o mundo lá dentro...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, agosto 05, 2023

A natureza tudo vence, até o nosso egoísmo...


Fala-se muitas vezes dos jovens, quase sempre de forma injusta.

Devíamos pensar sim, no mundo que lhes estamos a deixar, até onde fomos capazes de levar o nosso egoísmo, onde se torna demasiado óbvio que as nossas preocupações sobre o bem estar  e o futuro de todos, continuam a não se distanciar mais de um passo do presente e do nosso olhar. 

Claro que generalizo. Mas é a única forma de falar sobre o amanhã. A maior parte das pessoas se puderem estar em casa com o ar condicionado ligado, para esquecerem os 40 graus que estão lá fora, não têm qualquer problema existencial em carregar no botão. E ainda menos em tomar dois duches diários, mesmo que nas áfricas crianças, adultos e idosos, não tenham água potável para beber...

O resultado desde "viver atrás do espelho", apenas para nos pentearmos e tornar o nosso rosto mas agradável, é visível diariamente. Se numa ponta do Planeta chove a rodos, provocando cheias, no outro há incêndios que destroem parques naturais agradáveis e grandes zonas florestais que contribuíam para o equilíbrio ambiental...

Apesar dos cientistas colocarem muitas vezes em cima da mesa o ano 2050 como limite (não sei porquê...), à velocidade com que tudo se transforma e a temperatura sobe, é melhor alterarem as contas, porque serão cada vez menos, os que lá irão chegar. E em situações de vida bastante complicadas, a todos os níveis.

Muitos de nós, com mais de cinquenta anos, em vez de alterarmos os nossos hábitos, dizemos que já cá não estaremos, quando tudo começar a ruir. 

E está tudo dito...

(Fotografia de Luís Eme - Fratel)


sexta-feira, abril 28, 2023

Um Futuro cada vez mais curto...


Fazem-se muitas críticas aos jovens, quase sempre injustas.

Quando se percebe que os nossos horizontes são cada vez mais curtos, com várias contribuições, que vão desde a desordem climática (que só se pode controlar com a nossa mudança radical de hábitos...), a um capitalismo cada vez mais devorador de tudo o que mexe e até às ameaças veladas de uma terceira guerra mundial (os russos falam muito disso e não se devemos levar para o lado dos "cães que ladram não mordem"...), é difícil acreditar em qualquer futuro.

Por muito optimistas que sejamos, percebe-se à légua que o futuro é cada vez mais curto. E quem o percebe ainda melhor são os jovens, que vivem cada vez mais, um dia de cada vez.

Talvez pudessem lutar mais. O problema é que estão cada vez mais em minoria. E é por isso que quase são obrigados a aceitar trabalhos precários, mesmo que alguns políticos gostem de os apontar como a "geração mais bem preparada de sempre". Têm de viver na casa dos país até cada vez mais tarde (comprar ou alugar casas é coisa para uma minoria ainda mais pequena, meninos com país que se alimentam desta desigualdade social e e deste quase caos ambiental (estamos quase lá)... 

Ou seja, é difícil, viver de outra maneira...

(Fotografia de Luís Eme - Vidais)


sexta-feira, abril 14, 2023

«Talvez agora toda a gente queira ser "jotinha"...»


Estive com o Gui, para lhe entregar um trabalho que me tinha pedido, e, como sempre, acabámos por falar da actualidade política (talvez por termos a sensação de que não existe "actualidade cultural"...), do "furação" político que está a abanar com as estruturas socialistas.

Foi ele que disse que a direita nunca tinha feito tão bem o "trabalho de casa", que nunca se viu tanto "tiro ao boneco" como neste primeiro ano de legislatura. Concordei, sem me esquecer de lhe dizer que, "factos são factos".

Dissemos algumas coisas impublicáveis, como é comum quando falamos de política e de políticos. O que ambos achámos curioso, foi o País só agora estar a descobrir onde anda metido, há pelo menos vinte anos. Sem recuarmos muito no tempo nem sermos demasiado exaustivos, ambos sabíamos que José Sócrates, Rui Rio, Paulo Portas, Pedro Passos Coelho, António José Seguro, Ana Catarina Mendes, Luís Montenegro ou António Costa, todos eles foram "jotinhas", tanto do PS como do PSD.

Não viria mal nenhum ao mundo, se ao longo dos anos estas estruturas partidárias não se tornassem das melhores "agências de emprego" deste portugal de letra pequena (e também mais bem pagas e com mais incompetentes por metro quadrado...). O Gui com o seu espírito brincalhão, acrescentou que também eram boas "agências de casamento", para quem não andava à procura de miúdas giras. E exemplificou a "promiscuidade familiar socialista" nos governos nacionais e locais, onde só falta mesmo arranjarem um empregozito para o gato e para o cão.

Quando o Gui disse que «talvez agora toda a gente queira ser "jotinha"...», fiquei com algumas dúvidas. Pode-se ganhar bom dinheiro, mas estes "enxovalhos públicos" não são bons para o futuro de ninguém...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


segunda-feira, março 27, 2023

«Há, Ele é isso tudo? Ainda bem! Assim tenho a certeza que ninguém mo rouba!»


Tenho impressão que as pessoas falam cada vez mais alto nas ruas, com e sem telemóvel.

Muitas vezes não queremos saber da vida delas para nada, mas é impossível não ouvir algumas coisas, com a estranheza possível.

Mas nem tudo é dramático ou triste. Três jovens estavam entretidas a "azucrinar" a cabeça de outra jovem, por causa do namorado desta. Ele era feio, gordo, usava óculos, era desengonçado... e provavelmente mais alguma coisa que me escapou.

O mais curioso, foi a rapariga namoradeira ter conseguido calar as outras três com uma resposta quase "assassina",  deixando-as a olhar umas para as outras, sem contudo perderem a leveza do momento.

Bastou-lhe dizer: «Há, ele é isso tudo? Ainda bem! Assim tenho a certeza de que ninguém mo rouba!»

Claro que alguns segundos depois, acabaram todas a rir, como se tudo não passasse de uma piada.

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


domingo, setembro 25, 2022

Os Jovens a Política e os Políticos


A reportagem do "Linha da Frente" (RTP1) desta semana foi sobre os jovens, dando um foco especial às suas posições políticas e às suas formas de luta.

Concordei com algumas coisas, com outras nem por isso. O que acaba por ser normal.

Penso que eles estão certos, quando dizem que é através das "manifestações de rua" que se pode mudar alguma coisa na sociedade.

Eles sentem que têm de ser eles próprios a lutar e a agarrar o seu espaço, até porque o sindicalismo que se pratica, anda pelas "ruas da amargura", já não convence quase ninguém.

Claro que não consigo concordar com o jovem que disse que o voto era o nível mais básico da política. Embora metade dos portugueses já tenha desistido de votar (e mesmo assim ganham eleições, mas sem qualquer proveito...), acho que é uma das raras ocasiões em que a nossa democracia funciona mesmo a sério. É uma das poucas possibilidades que temos de mudar alguma coisa...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa) 


terça-feira, abril 26, 2022

A Mensagem podia muito bem ser esta: "Não compliquem o que é simples."


A equipa de juniores do Benfica, que venceu a "Liga dos Campeões Europeia" deste escalão, deu uma lição de bem jogar e de objectividade, na tarde de ontem. Lição que devia ir "direitinha" para a equipa de seniores, que joga um futebol complicado, pobre e feio,  e que está a "anos luz" do que é praticado por estes jovens, cujas idades vão dos 17 aos 20 anos. 

O bom exemplo prático que estes jovens deram na Suiça, podia muito bem resumir-se a uma curta mensagem: "não compliquem o que é simples".

O "castigo" que eu dava aos jogadores e técnicos da equipa principal do Benfica, era verem este jogo de terça a sexta, antes de cada treino. Talvez, que, com a insistência, acabasse por ficar alguma coisa na cabeça de todas aquelas "vedetas", que são muito bem capazes de achar que "já sabem tudo..." 

Um tudo que, diga-se de passagem, é muito poucachinho...

(Fotografia de autor desconhecido - de homenagem ao "King") 


quarta-feira, outubro 13, 2021

A "Legenda" sem Música (de ontem)


De vez em quanto escrevo coisas quase incompreensíveis, porque eu próprio não sei bem o que dizer sobre alguns acontecimentos, que ajudam a "perder a fé" na espécie humana. Espera, "perder a esperança", talvez faça mais sentido.

O filho de um amigo meu toca num banda e convidou-me (com bastante insistência) para estar presente no primeiro concerto a sério pós pandemia. A sua música até é do meu agrado, anda pelo jazz e pelo blues, sem fugir da zona do rock.

Só não estava à espera que fosse "impossível" entrar. Nem mesmo pela famosa "porta do cavalo" (havia uma fila enorme também para a porta mais pequena, para os amigos e familiares...).

O que me espantou mais foi a loucura daquela gente. Gritavam, barafustavam, saltavam para cima uns dos outros, apontavam o dedo, ameaçavam, etc. Afastei-me um bocado e fingi perceber o porquê daquela algazarra, com noventa e nove por cento daquela gente sem máscara. Até fui capaz de pensar que qualquer vírus, com dois dedos de testa, fugia dali a sete pés (pois é, só que a covid 19 é outra coisa, mais fina do que parece e nem sequer tem testa...).

E foi por isso que ontem até inventei uma saída airosa, de um filme, onde nem sequer entrei. Mas, sim, vim com o Pedro para baixo e dissemos aquelas coisas e outras muito piores.

Ficámos com a sensação de que as discotecas e bares com música ao vivo não vão estar abertos muito tempo, e não é por falta de álcool (há sempre reservas e mais reservas de bebidas que queimam quase todas as "células do bom senso"...). Aliás, basta ver e ouvir as notícias, com violência diária dentro das noites lisboetas e portistas, e até mortes...

Polícias? Vi dois. Mas estavam ainda mais afastados que eu. Não deviam gostar de ouvir gritos (quem é que gosta?).

São coisas que sempre existiram? Então fechamos os olhos e a vida continua. As morgues e as urgências dos hospitais também servem para estes "vírus"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, outubro 12, 2021

«Não ligues, são novos e só olham para fora. Gostam de fingir que não têm "dentro", que são ocos»


Estive por ali, dois ou três minutos. Depois virei costas a toda aquela gente, irritada com o vulcão que nunca mais aparece, para virar a cidade de pernas para o ar. 

Não me lembrava de ver tantos dedos apontadores, tanta gente chateada porque nunca mais chove. 

Vim-me embora, nem me dei ao cudado de fingir que vinha fumar um cigarro à porta do salão.

Já na rua acabei por sorrir, porque estava por ali um amigo, que fumava mesmo um cigarro. Ele estava à espera de companhia para descer até ao centro da cidade.

Enquanto caminhávamos de regresso ao nosso bairro, percebemos o quanto estávamos velhos, Era uma tarefa quase impossível entender aqueles jovens rebeldes, estávamos mesmo fora deste tempo. No nosso tempo, éramos diferentes, nunca quisemos agarrar a lua sem no mínimo saltar.

O que estranhámos mais foi não haver qualquer possibilidade de diálogo. Foi quando o Pedro me disse, sem conter o riso: «Não ligues são novos e só olham para fora. Gostam de fingir que não têm "dentro", que são ocos.»

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, dezembro 06, 2019

O Clima na Ordem do Dia


Podem chamar os nomes que quiserem à Greta (Thunberg), a adolescente do Norte da Europa, mas há algo que não lhe vão conseguir tirar: o ter conseguido colocar a questão climática na ordem de todos os dias, pelo Mundo inteiro. 

Mas ela não se ficou por aqui, tem "arregimentado" a juventude de todos os continentes, para um problema que é de todas as gerações, embora se saiba que serão os mais jovens (mesmo os que ainda não nasceram...), quem mais irá sofrer no futuro, por se continuar a adiar medidas, que já são urgentes há pelo menos uma dúzia de anos.

O grande problema continuam a ser os políticos das principais potências mundiais, reféns do capitalismo e, por isso, incapazes de fazer o que deve ser feito.

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)

quinta-feira, junho 06, 2019

O Meu Amigo, Filho do "Belarmino"...


Estive com um amigo que não via há mais de uma dúzia de anos.

Acabámos por falar sobretudo da nossa juventude. Do nosso bairro, das nossas "patifarias" de adolescentes, dos nossos amigos e também da nossa família, dos nossos irmãos e pais. A Foz do Arelho também não faltou, não fosse ela a praia da nossa vida...

Ou seja, falámos sobretudo do passado. Não dissemos uma palavra sobre os nossos filhos e companheiras. Só quando vinha de cacilheiro para a Outra Banda é que pensei no assunto. 

Pois, o presente é outra coisa, onde só nos encontramos por acaso...

Os nossos pais já partiram, sobram as mães, que são amigas, apesar da distância geográfica que as separa (penso que continuam a falar ao telefone...). Quando lhe falei no pai e das confusões que gostava de armar quando bebia mais que a conta (o seu lado texano de gostar de virar homens e bares de pernas para o ar...), ele continuava a não se sentir nada orgulhoso, desse lado quase negro paterno. Recordei que na época nós delirávamos quando sabíamos o que acontecera na noite anterior na tasca do Alfredo, ele nem por isso... O pai só se "curou" destas aventuras (que chegavam a meter polícia e tudo...) quando conseguiu deixar de beber.

Mas a sua lenda continua viva. Não deve haver ninguém do nosso antigo bairro que não conheça o poder dos punhos do "Belarmino" (não fazemos ideia de quem lhe ofereceu esta alcunha, que deve ter tudo a ver com o filme de Fernando Lopes...). 

A componente mítica é de tal forma forte, que hoje até há quem associe todas estas aventuras ao "herói" do filme do bom do Lopes, e não ao pai do meu amigo, mesmo que Belarmino Fragoso nunca tenha passado pelas Caldas...

(Fotografia de Luís Eme - Foz do Arelho)

terça-feira, maio 21, 2019

«Dá uns chutos na bola e acha que pode comprar o mundo»


Um rapazola que não devia ter muito mais de vinte anos descia a avenida montado num descapotável vermelho, de matrícula inglesa, com o volante ao contrário.

Como todos os "deslumbrados", olhava para todos os lados, a dizer que estava por cá.

Um homem parado no passeio disse para quem o quis ouvir: «Dá uns chutos na bola e acha que pode comprar o mundo». Se era assim, devia conhecer um pouco mais da vida do rapaz que o comum dos mortais, que estava por ali, naquele momento.

Sabia que basta jogar na terceira ou quarta divisão inglesa, para ganhar mais dinheiro, que muitos jogadores da nossa Primeira Liga...

Mesmo assim desejei que o rapaz soubesse que a vida de jogador dura apenas um instante. E por isso mesmo, que não passasse demasiado tempo a passear-se de descapotável...

Quando estava a chegar a casa, agradeci à rua, por continuar a ser um bom "alimentador" do Largo...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)