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sábado, maio 16, 2026

«Acho que não ias perceber, com exemplos, mas o teu país é muito mais livre que o meu»


Lembrei-me da última conversa que tive com uma mulher de pele e cabelo claro, que vivia na Beira Baixa e nunca deixou de escrever para os jornais do seu país. Conheci-a por um mero acaso.

Alguém lhe dissera que eu também escrevia. Ela estava a investigar a história de uma família importante (já quase não se fala dela...) e a forma como beneficiou dos fundos europeus. Queria que eu lhe explicasse algumas coisas, por ainda não perceber as muitas virtudes da língua portuguesa. Ou seja, a nossa conversa foi mais sobre o português que sobre a dita família.

Quando ela se instalou no interior, no começo do século, ainda não estavam na moda os famosos "nómadas digitais", que vivem espalhados por todo o lado. Nem a vida era tão fácil para quem vem de fora, como é hoje...

Encontrei-a uns vinte anos depois, numa superfície comercial, acompanhada da filha adolescente. Acabámos por beber um café e gostei de ver que ela falava a nossa língua correctamente, apenas se notava um ligeiro sotaque.

A vida já estava pior para todos, inclusive para quem era de fora e vivia como nós. Mas ela nunca pensou em regressar para a Holanda com o companheiro e os dois filhos.

Embora eu não tivesse sido curioso ao ponto de perguntar o porquê, ela disse-me uma coisa, daquelas que nunca se esquecem: «Acho que não ias perceber, com exemplos. Mas o teu país é muito mais livre que o meu.»

(Fotografia de Luís Eme - Beira Baixa)


sábado, fevereiro 14, 2026

Só com uma política de proximidade é que se tem noção dos verdadeiros problemas das pessoas


Quando o ministro Relvas teve a "ideia luminosa" de reduzir o número de freguesias, conseguiu deixar as pessoas ainda mais desprotegidas, especialmente no interior.

Mas o Governo de Passos Coelho, sempre a querer ser "bom aluno" (nunca percebi muito bem o que isso representa, mas parece-me que é defender mais os interesses da Europa que os de Portugal...), e a ir "mais longe que a "troika", começou a fechar tribunais, repartições de finanças, estações dos correios, bancos, etc, Esta medida poderá ter reduzido as despesas, mas deixou as pessoas ainda mais isoladas e centralizou, quando a solução para um país mais equilibrado e justo será sempre a descentralização.

Pode parecer que não tem nada a ver, mas tem tudo a ver...

Eu posso falar da realidade local que conheço, que é urbana, em relação às freguesias. Em Almada existiam 11 freguesias, que foram reduzidas para cinco. Criou-se uma super junta de Almada, que passou a incluir Almada, Cacilhas, Cova da Piedade e Pragal. A partir deste momento, houve um afastamento das populações e uma desresponsabilização generalizada, com a velha desculpa de que "é impossível estar em dois sítios ao mesmo tempo". Se isso aconteceu em localidades coladas umas às outras, imagino o que se passou em concelhos com as Caldas da Rainha, em que se juntaram freguesias urbanas com freguesias rurais...

Abordando os problemas trágicos que têm afectado as pessoas, especialmente na região centro, não temos dúvidas de que continuam a existir pessoas isoladas e sem apoio, pelo desconhecimento da sua existência graças à falta de proximidade que existe, que transforma as pessoas quase em números...

Podem continuar a falar da regionalização, mas esta não vai resolver problema nenhum, a não ser criar uma série de "vice-reis" (alguns já se andam a colocar em bicos de pés), porque não irá acabar com o principal problema que existe, a falta de uma política de proximidade.  A solução terá de ser sempre ao nível do Concelho e não da Região.

Só quando se conseguir combater este problema se reduz a existência de portugueses de primeira e portugueses de segunda (que é o que existe na actualidade).

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sexta-feira, fevereiro 13, 2026

O regresso da regionalização...


Com tudo o que está a acontecer no país, aparecem adeptos da regionalização, por todos os cantos. Há de tudo, desde independentes a gente ligada aos partidos, que falam desta divisão política do território, como se ela fosse a salvação de todos os problemas que existem neste portugal de letra pequena, desde a centralização do poder ao ordenamento do território.

É importante ter memória. O medo que existia em relação à regionalização devia-se sobretudo ao mau exemplo dado por muitos autarcas, que deixaram os seus Municípios quase falidos e com graves suspeitas de corrupção. Isso só acabou quando as contas das Autarquias passaram a ser controladas pelo Tribunal de Contas.

Há outra coisa que se deve ter em conta. Se a qualidade dos políticos tem decrescido a nível nacional, a nível local nota-se a presença de gente mais responsável e melhor preparada tecnicamente para as funções que exerce.

E sim, agora talvez faça sentido pensar-se na regionalização, mesmo que continue a ser demasiado apetecida por quem adora o poder, como é o caso dos políticos que abandonaram os Municípios, depois de atingirem o limite mandatos, como é o caso de Rui Moreira...

(Fotografia de Luís Eme - Trafaria)


terça-feira, janeiro 20, 2026

Não sei quem fechou primeiro...


Não sei quem fechou primeiro, se foram os tribunais ou as finanças. Depois foram os bancos a decidirem transformar-se em caixas de multibanco. É esta a história de demasiadas cidades e vilas do interior...

Agora é a vez de fecharem restaurantes e salas de cinema, nos mesmos sítios onde já não existem os tribunais e outras coisas que tais... 

É normal. Sem pessoas, não há negócio que resista...

É também por isso que este mesmo interior, corre o risco de deixar de ter à venda jornais diários em papel...

Quem não parece muito preocupado com este estado de coisas, é o Estado do país (que temos a mania de dizer que somos todos nós, mesmo que seja mentira...).

Talvez os governantes que têm como apelido "estado" gostem destes vazios. 

Talvez gostem que quase toda a gente viva com a possibilidade de ver o mar...

 (Fotografia de Luís Eme - Castelo Branco)



domingo, maio 19, 2024

Uma viagem pelo interior (ir, vir e olhar...)


Na sexta-feira eu e o meu filho fomos (e viemos) à Beira Baixa, numa viagem quase relâmpago, pelas nossas estradas nacionais. 

Não tínhamos decidido se voltávamos no dia seguinte ou no próprio dia, porque levávamos mobiliário, que precisava de ser montado (claro que podia ser montado num outro dia qualquer... e foi isso mesmo que  acabámos por decidir).

Chegámos, abrimos as janelas todas, para que a casa fechada arejasse. Arrumámos as coisas, fizémos uma limpeza ligeira e enquanto comíamos qualquer coisa, trocámos algumas palavras e, sim, nada nos prendia ali, iriamos voltar para a estrada...

Durante a nossa pequena estadia  na aldeia cruzámo-nos com apenas duas pessoas nas ruas. Uma senhora saiu de casa apenas porque eu devo ter feito mais barulho do que devia ao colocar coisas no ecoponto.

Este é o retrato da maior parte das terras do interior. Pequenas localidades, quase abandonadas, que só ganham vida no Verão com o regresso dos emigrantes (de dentro e de fora...), que vêm à "festa" e ficam mais alguns dias, para dar alguma ocupação às casas que ficam fechadas o ano inteiro...

Não sei se existe alguma solução, para a maior parte delas. As mais bonitas e típicas vão tendo o turismo... que embora seja uma ilusão, pois finge apenas que lhes devolve a vida, transforma-as apenas em "museus" para "inglês (francês, espanhol ou português) ver... 

Mas a maioria nem isso têm. Irão caindo no esquecimento, que é a marca do nosso País, há largas dezenas de anos, que apenas parece saber viver perto do mar...

(Fotografia da Beira Baixa)


domingo, março 05, 2023

Quando a Realidade é "Encomendada"...


Estava a ver a reportagem televisiva (SIC) sobre as casas abandonadas pelo Estado na Serra de Montesinho, no Jornal da Noite, quando comecei a pensar que havia ali qualquer coisa que não batia certo.

Num país com centenas de aldeias quase desertas por esse interior fora (Beira Baixa, Beira Alta e Trás-os-Montes), onde o que mais existe são casas vazias, quase que soa a mau gosto fazer-se uma reportagem destas, distante dos grandes centros urbanos (especialmente Lisboa e Porto), onde também existem centenas de prédios devolutos e abandonados pelo mesmo Estado, que ainda não sabe bem o que é que lhe pertence, de Norte a Sul. E estes sim, uteis para quem precisa de uma casa próxima do local de trabalho.

Claro que pode sempre ser uma reportagem "encomendada" por alguém que está interessado em comprar e ganhar algum dinheiro com as casas de montanha abandonadas, com o chamado "turismo selvagem". 

É por isso que convém lembrar-lhes que existem por ali animais, como os lobos, veados, gatos selvagens, sem esquecer os musaranhos, ouriços-caixeiro e toupeiras, entre outros de menor dimensão. 

E na minha opinião, é muito mais importante preservar o seu habitat natural que abrir novas portas para o turismo.

(Fotografia de Luís Eme - Beira Baixa)


quarta-feira, setembro 01, 2021

Um Olhar pelo Interior (esquecido e abandonado)


Fui passar o último fim de semana à Beira Baixa, e mesmo em Agosto (há sempre gente que vive lá fora e cá dentro, que aproveita o período de férias para visitar os familiares, dando alguma vida às aldeias...), é impossível passar ao lado do abandono e do esquecimento a que está votado o interior.

É por isso que continuo a perguntar: como é que um país tão pequeno, se foi tornando tão desequilibrado, década após década?

Haverá várias respostas, quase todas ligadas aos políticos que nos têm governado, tanto à direita como à esquerda. Em quase meio século de democracia, privilegiaram sempre a Capital e o Litoral, fazendo de conta que o resto do país não existia...

Os projectos para ontem e hoje levaram sempre a melhor sobre os projectos para amanhã. Os nossos governantes nunca procuraram desenvolver o país como um todo, os interesses particulares sobrepuseram-se quase sempre aos colectivos. 

E quando existem investimentos no interior, são também quase sempre de curto prazo. O objectivo dos investidores é "sugar" tudo o que lhes for possível (inclusive às Autarquias, que lhes oferecem vários incentivos e benesses, sem conseguirem que que estes contribuam para o desenvolvimento local), no mais curto espaço de tempo.

É por isso que nos vários passeios que tenho feito por esta região, além das muitas casas abandonadas, em ruínas, também encontro algumas unidades, industriais e agrícolas, relativamente recentes (já do tempo da União Europeia e dos respectivos fundos...), fechadas e a degradarem-se, dia após dia...

(Fotografia de Luís Eme - Beira Baixa)


terça-feira, fevereiro 04, 2020

A Pronúncia do Norte Quase no Sul


Almada além de ser a primeira Terra que fica para Além do Tejo, junto à Capital, é também um dos concelhos com uma maior proximidade com esta região, graças aos muitos imigrantes que foram chegando e por cá ficaram.

Hoje, por um mero acaso, estive na mesma sala onde se encontravam quatro senhoras, que já caminhavam para lá da meia-idade, e, surpresa das surpresas, eram todas oriundas do interior Norte.

Embora não ligasse ao que diziam, reparava na forma como falavam, na sua pronúncia tão acentuada (embora vivessem por aqui há décadas...). Na minha cabeça comecei a querer traduzir o que diziam, a tentar "escrever" a sua oralidade. 

Reparei que com apenas uma palavra, dizia quase tudo, até porque as quatro amigas eram todas do distrito de "Bijeu"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

terça-feira, outubro 17, 2017

Morre-se um Pouco Todos os Dias...

Vamos morrendo um pouco todos os dias, mas há dias em que "morremos" vários anos seguidos...

Foi mais ou menos isto que a mulher de mais de setenta anos disse, quando à hora das telenovelas começou a chover, e todos voltámos a sorrir na esplanada coberta...

Ninguém lhe respondeu. Fingimos todos estar mais interessados na chuva que estava a lavar as ruas e a disfarçar o nosso sentimento de culpa, por não conseguirmos fazer nada, para alterar o rumo de um país que gosta de aproximações ao abismo.

Mas a mulher precisava de desabafar. E continuou a falar, a dizer o que quase todos sentíamos: «Agora não foram só duas ou três terras queimadas, foi o país quase todo. Todos conhecemos uma aldeia ou uma vila que ficou destruída, ou alguém que tem um familiar ou amigo que perdeu tudo...» 

E continuou, agora mais enraivecida: «E nenhum destes bandidos que governa se vai embora.» Nós continuámos a fingir-nos entretidos com os fios de água que caíam e já formavam poças.

A mulher que falava por nós todos ainda foi capaz de dizer: «Só espero que não desate a chover sem parar. Só faltava virem as cheias a seguir...»

(Fotografia de Rui Oliveira - N.Magazine)

terça-feira, janeiro 03, 2017

O País da Liberdade...

Nunca tinha pensado nas potencialidades do nosso país como espaço de liberdade e de anonimato, para pessoas que um dia qualquer tinham andado com a estrela de famoso nos bolsos.

Sabia que no Algarve havia muita gente importante com casa de férias, mas normalmente vivem recatados, entre amigos, onde é proibido falar português. A única coisa que querem de nós é o sol e o areal da praia...

Foi por isso que foi uma surpresa saber que aquele casal de idade que se esforçava para falar português vivia na Beira, numa pequena quinta com oliveiras e também outras árvores de fruto, da qual falavam com um carinho especial.

Quando a Marta nos apresentou, gostei sobretudo da serenidade que transportavam nos olhos. Disseram que tinham vindo para ficar, para sempre, neste canto da Europa. Não voltaram a Paris nem a outra cidade europeia. Preferem passar o tempo a ver as coisas a crescer na sua aldeia. 

Quando sentem necessidade de passear, dão um volta pelo nosso país. Só lhes falta conhecer a parte de Trás-os-Montes, para lá do Douro. E cada vez amam mais Portugal e os portugueses.

Os filhos e os netos quando os querem ver, sabem que é só aparecer por cá.

Adoram o nosso silêncio e o respeito pela privacidade alheia. O senhor com idade para ser meu pai, sorriu, quando contou que  houve uma altura em que pensou ser impossível voltar a ser livre nesta vida, puder ser apenas mais um...

Pois é, nem tudo é mau, por não sermos um pais muito culto e conhecedor da gente que entra nos filmes...

Claro que quem gosta de andar de vermelho e de ser amado "eternamente" pelas multidões, o melhor que tem a fazer é não se mudar para Portugal, por causa das desilusões.

(Fotografia de autor desconhecido)

quarta-feira, fevereiro 17, 2016

Dilemas Humanos...

Quando se nasce perto do mar ou de um rio largo como o Tejo, é quase incompreensível não se saber nadar, até por uma questão de sobrevivência.

Sim, sobrevivência. Sempre me pareceu estranha a versão de que muitos pescadores preferiam não saber nadar, para em caso de naufrágio, sofrerem menos. Podem sofrer menos, mas dificilmente sobrevivem, pelo menos quando se estabelece uma comparação com os seus companheiros que sabem nadar.

Mas quem nasce a centenas de quilómetros do mar e apenas com ribeiros por perto, pode mesmo chegar à idade adulta sem saber nadar. Com algum jeito, é possível esconder esta limitação, fingindo por exemplo não gostar dos banhos de mar, por causa das ondas e da temperatura da água.

Andar de bicicleta é quase a mesma coisa...

Estou a escrever porque houve alguém que me perguntou: «Se eu te dissesse que não sabia nadar nem andar de bicicleta, o que é que chamavas?»

Claro que a primeira palavra que me surgiu foi mentirosa...

Mesmo sabendo que se pode viver sem problemas de maior, pois nadar ou andar de bicicleta estão longe de ser coisas essenciais no nosso dia a dia citadino.

(Óleo de Pino)

segunda-feira, junho 01, 2015

Um Largo Cheio de Estórias


Este mês estou a pensar fazer algo diferente aqui no "Largo". Não vou montar barraquinhas e festejar os Santos Populares, até porque prefiro manter o sossego habitual.

Este meu "Largo" tem a vantagem de ficar num lugar onde não passam carros, onde é possível sentarmo-nos nos seus bancos e deixar escorregar algumas migalhas de pão no chão e recebermos a companhia dos pardais que se fartam de cantar nas árvores...

Mas vamos lá ao que interessa: ao longo do último ano fui escrevendo aquilo que poderia ser um romance (mas já são pelo menos meia dúzia, tal foi a divagação...), pelo que irei transcrever alguns pedaços de histórias, ilustrados com a beleza das fotografias a preto e branco.

Será este o Junho no "Largo da Memória"...

A fotografia é de Bill Perlmutter.

terça-feira, janeiro 27, 2015

Voltou a Morrer-se em Casa, quase Pacificamente, por esse Interior Fora...


O jornalismo mudou muito e para pior, Não se anda à procura de notícias, espera-se que as notícias batam à porta. E quando batem é um corropio, com reportagens para quase todos os gostos.

É por isso que os jornais e as televisões montam piquetes nas urgências dos hospitais, à espera de mais mortes enquanto se espera a vez. E por razões que a razão desconhece, continuam atentos a quem passa pelo estabelecimento prisional de Évora...

Num outro país, longe dos hospitais e onde os centros de saúde fecharam, muitos avós, perdidos nas aldeias do interior, morrem calmamente, sem que tenham de viajar para o "purgatório" que conhecem da televisão, onde tanto se morre da cura como do mal, pelo menos é o que pensam.

Se não há dinheiro para todos os medicamentos, menos haverá para pagar um táxi até à cidade mais próxima, quase sempre a trinta, quarenta quilómetros...

Os governantes e os jornalistas estão longe deste país. As terras longínquas dão poucos votos e ainda menos notícias.

Nada que incomode muito os velhos destas terras votadas ao abandono. Se lhes perguntarem se querem ir para o hospital, não abrem a boca mas abanam a cabeça, e dão uma resposta negativa. Se puderem escolher, morrem em casa, preferencialmente durante o sono, mesmo que seja breve... 

O óleo é de Célia Reisman.

sábado, agosto 23, 2014

Faltava-lhe um Outro Caminho...


Quando se vive no interior normalmente sente-se falta do mar... sente-se falta do que está mais distante.

Ele não, sentia falta de um caminho de ferro, de ver chegar e partir comboios que deixavam e levavam pessoas, e também dos outros de mercadorias, que demoravam uma eternidade a passar. Sabia porque contara uma vez as carruagens, quando foi à cidade grande, enquanto esperava pela composição que o traria de regresso a casa. A automotora puxava nada mais nada menos que 36 carruagens...

Quando olhava para trás, não tinha dúvidas que tinha sido um rapaz estranho, demasiado curioso por tudo o que o rodeava. Devia ser por isso que era bom a  fazer perguntas que incomodavam os adultos, quase sempre por não terem respostas...

Hoje quando volta ao lugar onde cresceu, sorri quando pensa nas coisas que pensava que lhe faltavam na infância, especialmente as respostas que nunca recebeu dos adultos...

O óleo é de Michael Peck.

quarta-feira, agosto 06, 2014

Longe do Mar


"Longe do Mar" é um dos últimos livros publicados na colecção Retratos da Fundação (Francisco Manuel dos Santos), da autoria do jornalista do "Público", Paulo Moura.

Comprei o livro sem saber muito bem qual era a sua história (estava à espera numa superfície comercial e para matar o tempo, fui à procura de uma revista e trouxe o livro...) e acabou por ser uma boa surpresa.

Embora já tivesse lido algumas destas histórias no jornal e no blogue do Paulo, "Repórter â Solta", foi bom voltar a sentir o que é viver no interior, em muitos casos praticamente afastados de tudo...

Uma das histórias que já tinha lido e que voltei a ler - com alguma emoção - foi da senhora que viveu durante vinte anos sozinha na aldeia de Anta, a Joaquina. Parece uma coisa absurda, alguém viver tanto tempo sozinha, ainda por cima numa aldeia praticamente inabitável no Inverno, mas aconteceu...

O livro conta muitas outras história de vida, que se passam ao longo da estrada nacional nº 2, de Chaves até Faro, nem sempre fáceis, de gente que até parece ser de outro país...

sábado, abril 19, 2014

Interioridades


Mesmo sendo um país pequeno, somos incapazes de aproveitar ou explorar as potencialidades que existem no interior. 

Mas não é coisa de hoje, sempre o fomos, sempre tivemos o desejo de "vir ver o mar" e depois acabamos por ficar...

Fala-se muito de qualidade de vida, que existe longe dos grandes centros urbanos. Mas e o resto? E já não falo do teatro, do cinema, dos concertos? (e agora até os livros - falamos pouco, mas quase que não existem livrarias, fora dos centros comerciais...). Falo sim dos centro de saúde, das escolas das repartições de finanças e dos tribunais, encerrados, porque o dinheiro manda em quase tudo...

Compreendo muito bem os jovens que partem assim que podem, até porque a "pasmaceira" nunca foi uma coisa muito saudável para quem está na flor da idade...

O óleo é de Keita Morimoto.