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quarta-feira, outubro 22, 2025

As escolhas que fazemos, com mais ou menos fé...


Enquanto ouvia a senhora que viajava no mesmo cacilheiro que eu, pensava que havia algo contraditório nas suas palavras, como se por ela ser crente, não pudesse lamentar a sua triste vida...

Não demorei muito tempo a sentir que estava errado, que uma coisa era a vidinha, outra era a fé. E mal de quem as confunde e não consegue reagir aos dramas que fazem parte do dia a dia de todos nós.

Embora continue a ser uma frase forte, "felizes daqueles que acreditam", não pode servir esconder a realidade ou fazer com que as pessoas aceitem de bom grado o seu "triste fado". E era isso que a senhora fazia. Estava longe de se ficar com o "seu destino"...

Quem não tem um Deus, ou vários Deuses, à partida é mais livre na forma como vive e aceita a vida. O que não quer dizer que não ande por aí mais perdido, que todos aqueles que são capazes de se agarrar a qualquer religião e sentir que têm ali alguém, que os pode valer nas horas difíceis.

Há demasiados coisas que acontecem à nossa volta, que escapam ao nosso entendimento. É também por isso que há quem procure respostas nos muitos templos que pululam por aí, que peça ajuda a um Deus maior, sempre que tropeça numa pedra...

E depois há os outros, que  acreditam no seu "livre arbítrio", que  gostam de sentir-se livres, até mesmo de deuses...

(Fotografia de Luís Eme - Alentejo)


sábado, maio 17, 2025

«A vida dá-nos coisas com uma mão e tira-nos outras com a outra»


Quem me lê já deve saber que escrevo directamente no computador todos os dias, ou seja nunca há "textos requentados".

É também por isso, que muitas vezes estou a pensar escrever sobre uma coisa e depois acabo por escrever sobre outra...

Ontem aconteceu isso mais uma vez... 


Era para falar sobre o desabafo de uma amiga sobre as aventuras de uma viagem, sonhada há muito tempo, marcada por demasiados percalços...

Embora tenha gostado, tudo teria sido bem melhor se encontrasse menos obstáculos pelo caminho. 

Sorrimos quando ela levantou o véu dos "mistérios da vida", com a frase, «A vida dá-nos coisas com uma mão e tira-nos com a outra.»

Com o seu sentido de humor muito peculiar acrescentou ainda: «Só não percebi ainda, o que é que todas estas peripécias têm que ver com Deus"...

Pois... eu também não.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sexta-feira, maio 16, 2025

A frase "felizes os que acreditam" e as habituais "faltas de comparência" de Deus...


A única pessoa com quem falo do tal Deus, que só quem tem fé, consegue abraçar e seguir, é o Chico (e claro, a minha Mãe...). Ele além de ser um excelente ser humano, é um homem de fé. Ainda bem para ele. Não duvido que é mais feliz que todos nós...

Normalmente não se fala destes temas nas mesas de café. Acho mesmo que ele é a única excepção no meu grupo de amigos, que aborda qualquer tema religioso, inclusive o espiritismo. Na nossa "Tertúlia do Bacalhau com Grão", quando ainda cá estavam os nossos queridos amigos Carlos Guilherme e Orlando, era um fartote de riso no nosso canto, e nem mesmo assim ele desistia, embora com humor nos chamasse "hereges" e dissesse, que quando fossemos "lá para cima", logo descobriríamos a verdade...

A tal verdade continua a ser um mistério. Mas o Chico por vezes diz que tanto o Orlando como o Carlos agora "já acreditam", já sabem como é o "mundo de lá". Raramente uso  do meu cepticismo para o contrariar, embora lhe recorde muitas vezes a realidade (cada vez mais cinzenta) e as "faltas de comparência" de Deus aqui e ali, para lhe fazer perceber que não é a "fé" que muda o mundo.  

Mesmo que não duvide da quase palavra de ordem religiosa: "felizes dos que acreditam"...

(Fotografia de Luís Eme - Monte de Caparica)


segunda-feira, abril 21, 2025

Deixou-nos hoje o maior exemplo de humanismo, nestes tempos estranhos...


Nem de propósito...

Ligo a televisão e a primeira notícia que nos é dada, é do falecimento do Papa Francisco.

Há muito tempo que não tínhamos um Papa tão próximo das pessoas, tão cheio de humanismo. Simples nos gestos e nas palavras, nunca se escondeu atrás de nada, nunca teve medo de denunciar as grandes atrocidades do nosso tempo e de apelar à Paz, muito menos de enfrentar os "poderes ocultos" que sempre dominaram o Vaticano, abordando temáticas como a homossexualidade ou a participação da mulher na Igreja, sem o uso de subterfúgios.

A história diz-nos que nunca se sabe ao certo que nos irá trazer o "fumo branco"...

O ideal é que o Cardeal escolhido para substituir o Papa Francisco, partilhe o seu amor pelo próximo e tenha a coragem de dizer o que pensa, sem medo de qualquer poder, reforçando o seu legado pela Paz, pela Liberdade e pelo Amor.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sexta-feira, abril 18, 2025

Ainda os deuses, transformados em bonecos de pedra...


Ando a ler "Um Adeus aos Deuses", de Ruben A., por sentir alguma curiosidade pela história do livro e pela paixão que várias gerações de romancistas, poetas, pintores e escultores tinham pela Grécia, enquanto civilização clássica povoada de deuses.

O Ruben, a páginas tantas, escreveu: «Compreendo esta paixão pelos deuses que tinham os gregos. Eles viviam permanentemente no profano, nos extremos do poder do homem e na aceitação de uma força mística que os continha dentro da prática local dos ritos religiosos. Depois dos gregos o homem raras vezes quis voltar à companhia dos pensamentos imutáveis, o homem criou uma vida própria fora da dúvida e alheia aos deuses - espécie de materialismo imediato que a ciência serve em utilidades domésticas.»

A partir de certa altura, quisemos  ser nós os "deuses", quisemos colocar o mundo a girar à nossa volta, ao mesmo tempo que usávamos a presença de um deus (em chegava...), para nos ajudar a perpetuar no poder, tornando-nos "senhores" de qualquer mundo...

(Fotografia de Luís Eme - Lagoa de Albufeira)


quinta-feira, abril 17, 2025

Deuses que nos vão abandonando, desiludidos, e um tanto ou quanto, "descrentes"...


Embora nos últimos anos nos tenhamos tornado uma "miscelânia humana", há um povo, os judeus, que parece permanecer cada vez mais anónimo. Isso acontece, por razões que todos conseguimos entender.

A tentativa do governo de Israel acabar com um povo e com uma nação que vive ao seu lado, envergonha qualquer ser humano, com um mínimo de dignidade e de respeito pelo próximo, mesmo que seja israelita.

A maioria permanece em silêncio. 

Tem sido assim nos últimos setenta anos. 

Escritores como Amos Oz são a excepção que confirma a regra. Se ele ainda estivesse entre nós, não esconderia a revolta e a vergonha por ter como líder político, um assassino.

É um silêncio ensurdecedor, que entre outras coisas, nos afasta cada vez mais do território dos deuses.

Deuses que nos vão abandonando, desiludidos, e um tanto ou quanto, "descrentes" ...

(Fotografia de Luís Eme - S. Martinho do Porto)


sábado, agosto 17, 2024

Os Homens, os Deuses e as Religiões...


Tinha ido falar com aquele Padre, por razões que passavam ligeiramente ao lado da religião. Era a história que me interessava, saber mais coisas sobre um acontecimento, ao mesmo tempo que aproveitava para conhecer melhor duas ou três pessoas. 

Claro que não me pude afastar do caminho de Deus, até porque se diz que ele está em toda a parte (é nesta parte que quase todos pensamos que anda distraído, basta olharmos para o que acontece em Gaza...).

Foi uma conversa muito útil, e não só em termos históricos. No campo religioso, não estava à espera de tanta abertura e lucidez.

Foi ele que disse que andamos errados há quase dois mil anos, de parte a parte. Tanto de quem diz ter "procuração de Deus" como de quem "frequenta os templos". Eu estava ali, como se não pertencesse a nenhum desses dois mundos. Era um "perdido"... Mas percebi a mensagem.

Quando vinha a caminho de casa (não apanho logo transportes públicos, faço sempre alguns quilómetros a pé, onde tenho espaço e tempo para reflectir sobre as coisas...), vi tudo com mais clareza. 

Não sei se haverá um tempo em que as religiões deixem de funcionar como "capas" ou "toldos" de protecção (estas foram duas das palavras, simples, usadas pelo "homem de Deus"...), que usamos sobretudo para ficarmos mais resguardados e protegidos, e não para nos tornarmos melhores pessoas.

Voltei a sorrir, tal como tinha feito na parte final da nossa conversa, quando ele disse que não há nenhuma religião que nos ensine a fazer o mal ao próximo...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, setembro 11, 2023

«Só podemos controlar a nossa vida até certo ponto»


Era verdade. Mais uma das muitas que dizem ser daquele senhor, que é quase dono de todas as verdades com cheiro a lugar comum. 

O que me chamou a atenção foi a forma como a senhora disse a frase: «só podemos controlar a nossa vida até certo ponto.» Havia ali uma aceitação, que ficava quase entre o divino e o ficar à espera do que caísse alguma coisa do céu.

Talvez seja esse uma das imagens mais fáceis de colar a quem vai ficando com os cabelos cinzentos. 

Não sei se é por se ter vivido muito, ou se, por de alguma forma, já estarem no lado dos "descartáveis". Também pode ser cansaço. Sim, viver também cansa (não sei se a frase é do grande Zé Gomes Ferreira, mas fica-lhe bem)...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


quarta-feira, abril 26, 2023

Os Católicos e os Outros...


Neste momento está a ser transmitida na SIC, no "Essencial",  uma reportagem sobre a Igreja Católica e os abusos sexuais.

Nada do que estou a ver altera a minha visão sobre esta religião, cuja sobranceria sempre me fez confusão. Não consigo entender porque razão a maior parte dos católicos acha que está mais perto do Céu e de Deus, que o cidadão comum.

Até porque isto não acontece graças à sua prática diária (muitos não passam de uns "filhos da mãe", para não lhes chamar outra coisa...), mas sim à oração e ao pedido de perdão a Deus. E é isso que me incomoda mais nesta gente, que parecem fazer questão de cometer erros para depois serem perdoadas. Não consigo entender esta lógica de errar, pedir perdão, rezar, rezar, até se sentirem a flutuar no "céu". E depois têm o dia ganho.

Não falo de cor, tive uma educação católica, com catequese e missa aos domingos. Quando me consegui "libertar deste fardo" (deveria ter uns 12, 13 anos...), só voltei a presenciar missas em dias de festa (casamentos e baptizados). E é por isso que sinto que a maior parte dos membros do Clero, está mais próxima de Judas ou de Barrabás, que de Jesus Cristo...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)