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segunda-feira, abril 20, 2026

Abril existe para todos (mesmo que algumas pessoas não achem muita piada)...


Sei que nem toda a gente gosta de Abril.

Também sei que isso tem pouco a ver com o que a sabedoria popular nos diz, das águas mil, até porque existem guarda-chuvas e a temperaturas é primaveril.

Tem sobretudo a ver com a "vidinha" e com a famosa "saudade", que não é apenas do fado. Continua a existir gente à nossa volta não consegue esquecer os privilégios que tiveram numa "outra vida", tanto na Metrópole como no Ultramar (mesmo que o tempo tenha ficcionado ligeiramente a realidade...).

Mas isso sempre foi o menos importante.

Importante é sentir que Abril existe para todos...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


terça-feira, março 03, 2026

A decência não tem cor, sexo ou ideologia


A vitória de António José Seguro nas nossas eleições presidenciais é o nosso melhor exemplo, de que a decência não tem cor, sexo ou ideologia.

Embora possa haver muitas "interpretações" e "percepções", os mais de 65% de portugueses que votaram em Seguro, votaram sobretudo na democracia.

Esta primeira reacção dos portugueses contra o populismo faz com que acredite que o líder do Chega nunca chegará ao poder, pelo menos como primeiro-ministro.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, fevereiro 22, 2026

O encurtamento da estrada da liberdade...


Nos últimos anos, mesmo os países que se dizem democráticos, têm tido o cuidado de ir colocando limites nos caminhos da liberdade.

É por isso que hoje temos de ter mais cuidado com o que dizemos e com o que escrevemos (as redes sociais e os anonimatos não contam, claro...).

Está sempre alguém escondido na esquina, preparado para retirar as nossas frases do contexto e fazer acerca delas "um filme" diferente, daquele que era nosso.

E se pensar de forma oposta, é mesmo capaz de ver coisas, que nós, autores dos textos ou palestrantes, nunca escrevemos ou dizemos.

Isto até se percebe, porque sempre foi mais fácil de levar pelos campos um "rebanho de carneiros", que um conjunto de "ovelhas tresmalhadas". Mas não explica que países que se dizem democráticos (EUA é o maior exemplo) governem cada vez mais como ditaduras...

(Fotografia de Luís Eme - Beira Baixa)


sábado, janeiro 17, 2026

Cada um por si...


Não deixa de ser curioso, que quem se afirma através dos valores colectivistas e da solidariedade, nestas eleições presidenciais, tenha agido no sentido contrário.

Falo do PCP, do Livre e do BE, que em vez de se unirem numa única candidatura de esquerda, quiseram levar os seus candidatos até ao fim, apenas para fazer propaganda às suas ideias,  já a pensar em futuros dividendos políticos.

Claro que António José Seguro nunca foi o candidato de esquerda desejado (em especial pelo seu partido...), mas mesmo assim era, e é, o mais forte, o único que poderá ter aspirações a chegar à segunda volta.

O mais curioso, é que se o conseguir, o mérito será quase todo seu. Mas não precisava de ter começado a campanha, quase como medo de se afirmar como "socialista democrático" (o que quer que isso seja...), ao ponto de até merecer o apoio de "passistas"...

Esperemos que este "cada um por si" não dê maus resultados amanhã...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


segunda-feira, dezembro 22, 2025

Hoje é um daqueles dias em que se pode dizer que a democracia funcionou...


Hoje é um daqueles dias, em que podemos dizer que a democracia funcionou no nosso país.

Viver em democracia será tudo, menos "fazermos o que nos dá na real gana", sem nos preocuparmos em respeitar os outros, apenas porque são diferentes de nós

E não é a existência de um partido formado por gente ordinária e com "alma de bufos", que se pode andar por aí, a apontar dedos aos outros, dentro e fora de cartazes, que procuram discriminar, neste caso particular, os ciganos.

E não venham com histórias sobre liberdade de expressão. Não há nenhum dicionário que indique que a palavra liberdade é sinónimo de libertinagem...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


segunda-feira, novembro 24, 2025

Recuar até 24 de Novembro de 1975...


O 24 de Novembro de 1975 foi um dia crucial. Foi o dia onde quase tudo ficou decidido, graças à inteligência do "grupo dos nove" (felizmente eram mais que nove...), que com a ajuda de Costa Gomes, um Presidente da República, com um sentido de Estado raro, conseguiu reduzir de uma forma notória o número de "forças inimigas", ao fazer com que Otelo Saraiva de Carvalho (Copcon), Álvaro Cunhal (PCP) e Rosa Coutinho (Fuzileiros), dessem ordens às forças que dominavam, para que não participassem de uma forma activa na tentativa de golpe militar do dia seguinte.

Penso que só neste dia, quando se "contaram as armas", é que a possibilidade de uma "Guerra Civil" deixou de ser uma ameaça séria. É preciso recordar que tinham sido distribuídas milhares de armas aos partidos políticos, tanto do lado mais esquerdo como do lado mais direito do MFA e que o país estava "partido" ao meio (o Tejo era a fronteira)...

Carlos Guilherme foi dos meus melhores amigos nos últimos vinte anos. Era "Capitão de Abril" e fez parte das operações do 25 de Novembro de 1975. Tivemos muitas conversas sobre algumas datas importantes, como foram o 16 de Março de 1974 (eu tinha um interesse particular por ser de Caldas da Rainha...), o 11 de Março de 1975, e claro, o 25 de Novembro.

Tão boas como as nossas conversas foram os almoços para os quais ele me convidou, na Associação 25 de Abril, onde depois do repasto havia sempre uma palestra com um dos vários intervenientes deste período decisivo para Portugal. Eram sempre contados vários episódios importantes, bastante esclarecedores sobre alguns erros históricos e uma ou outra "mitologia", distante da realidade. Recordo as intervenções de Torcato da Luz e de Almada Contreiras sobre estes acontecimentos (na época estavam no lado esquerdo do MFA...), tal como os contributos de outras camaradas presentes, como realce para Otelo ou Vasco Lourenço.

Todas as movimentações que se deram nestes dias de Novembro, foram sobretudo militares. Mesmo o PS, teve uma importância relativa. A "contagem de espingardas" deu-se entre os militares moderados e os revolucionários, com a vitória dos primeiros, que estavam em maioria e defendiam um regime democrático, com eleições livres, assim como a aprovação de uma nova Constituição, pela Assembleia Constituinte, eleita a 25 de Abril de 1975.

O curioso, é que quem quer fazer, hoje, deste dia uma festa, em 1975 caminhava em sentido contrário. É preciso dizer que as famílias políticas mais conservadoras, que agora agarram o 25 de Novembro com as duas mãos  (como é o caso do CDS e da IL) tinham fugido para Espanha e para o Brasil. Ou então andavam entretidas a incendiar sedes comunistas no Norte do País e a realizar atentados bombistas, que fizeram várias vítimas mortais (o Padre Max é a mais conhecida...). 

Estavam longe de lutar pela democracia, queriam sim, o regresso da ditadura e do sistema social desigual, que lhes tinham roubado e de que tanto gostavam, pois fazia-os sentirem-se "reis" e "rainhas" num país, que ainda era "para menos pessoas" que na actualidade...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, novembro 05, 2025

Hoje apetece-me ser novaiorquino


Hoje apetece-me ser novaiorquino.

Estou bastante satisfeito pela lição que os habitantes da maior urbe dos Estados Unidos da América deram ao homem "cor de laranja", que finge ser o "todo poderoso" do mundo e arredores.

Não tiveram medo das ameaças do presidente nem tão pouco se preocuparam com o facto de Zohran Mamdani ser muçulmano.

Querem sim, voltar a sentir que vivem num país democrático.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, outubro 02, 2025

A Paz, o Pão e a Liberdade a Sério, que tanto falta fazem na Palestina...


Já todos percebemos que a direita e a extrema direita, com a ajuda de vários comentadores (e até de jornalistas...), estão apostados em serem os "pais" da "extrema esquerda portuguesa", mesmo que ela continue ausente no nosso espaço político, se pensarmos nos partidos que defendem os valores democráticos.

O único partido que tenta não cumprir nem respeitar a nossa Constituição, é o "albergue venturioso", que tanto aceita fascistas como bandidos (os "casos de justiça" falam por si...).

É por isso que acaba por ser estranhamente normal escutarmos - e lermos - as muitas adulterações que têm sido feitas à "Flotilha de Gaza", até mesmo de ministros, como o da nossa defesa.

Digam o que disserem, é sobretudo uma acção humanitária, promovida pela esquerda europeia, que apoia a Palestina. A esquerda que não esconde os valores que defende nem o que pensa sobre o genocídio de Gaza, levado a cabo por Israel.

(Fotografia de Luís Eme - Setúbal)


sábado, setembro 20, 2025

A Constituição é a Mãe de todas as Democracias


Aquilo que chamamos democracia tem a grande vantagem de permitir a troca de argumentos entre rotos, gente com roupa remendada e, imagine-se, fulanos com fatos engomadinhos de domingo.

O que não permite é que não se cumpra a Constituição, que rege os países democratas, onde estão inscritos os deveres e os direitos de todos, sem qualquer tipo de discriminação. Sim, nas Constituições não há maiorias e minorias, cidadãos de primeira ou de segunda.

É por isso que as verdadeiras democracias não permitem dizer,  - ou fazer tudo o que nos apetece -, às pessoas de quem não gostamos ou com quem não concordamos. Mas não somos nós que impomos os limites, é a Constituição.

Ou seja, até podemos gostar de "xafurdar" em pocilgas, falar aos gritos ou dizer os nomes piores que conhecemos. Não temos é de obrigar os outros a fazerem também estas coisas, que parecem contribuir para a nossa felicidade.

Agora está na moda falar de "linhas vermelhas". Só que normalmente cada um traça as linhas que quer, mais curtas ou mais compridas, ou seja, conforme lhe dá jeito. 

É também por isso, que nunca foi tão importante o papel do Tribunal Constitucional, que até aqui tem funcionado de forma equilibrada, nas escolhas dos seus juízes (embora as direitas, que agora estão em maioria no Parlamento queiram desiquilibrar a balança...).

Tudo isto para dizer que há limites nas democracias. Não é o Presidente da República ou o Primeiro-ministro que os impõem (muito menos os líderes partidários), é a nossa Constituição.

(Fotografia de Luis Eme - Lisboa)


segunda-feira, junho 30, 2025

É sempre bom voltar a pensar nas coisas que parecem ser mais confusas do que aquilo que realmente são


Antes da conversa de ontem, associava os "limites" mais a ditaduras que a democracias.

Depois de pensar no assunto, percebi que ambas têm limites. 

A grande diferença, é que nas democracias a maior parte dos limites são impostos por nós. Nas ditaduras normalmente acontece o contrário, uma boa maior parte dos limites são impostos pelo Estado (até afixam avisos e tudo...).

Eu sei que é uma forma demasiado simplista de falar destes "limites", mas não se afasta muito da realidade.

Claro que mesmo nas democracias, fazem-nos sentir, cada vez mais, até onde podemos ir. Mas isso acontece também pela dificuldade que temos em lidar com a liberdade, que nunca foi a "utopia", de podermos fazer tudo o que nos apetecesse...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, junho 29, 2025

«Acredito, cada vez mais, que as pessoas estão fartas da democracia. E apenas por uma coisa, por ela gostar de impor limites»


A conversa começou com o humor, a tal coisa que para alguns não deve ter limites, e para outros nem por isso, sem nos estarmos a focar em casos particulares ou ligarmos ao desabafo do "humorista da mesa", que disse que cada vez é mais difícil fazer rir as pessoas.

Claro que a conversa avançou logo para outro lado, quando o Carlos  disse: «Quem não quer ter limites, não tem muita vontade de jogar ao jogo da democracia. E também gosta muito pouco de respeitar os outros.»

A resposta, entre a estupefacção e a indignação, foi colectiva. Houve mesmo quem dissesse que os limites faziam parte dos regimes fascistas.

Foi quando o Carlos resolveu ser ainda mais contundente: «Vocês andam mesmo distraídos. Felizmente, em democracia, quase tudo tem limites, ao contrário das ditaduras. Talvez vocês prefiram esses regimes onde vale tudo, onde é costume prenderem-se pessoas, apenas porque sim.»

E foi buscar um exemplo fresquinho: «Não viram o que o senhor todo poderoso da Hungria tentou fazer com a manifestação sobre a liberdade sexual lá do sitio? Ameaçou prender todos os que fossem a manifestação "ilegal". Só não estava à espera que saíssem à rua mais de duas centenas de milhares de pessoas. Deve ter ficado a coçar a cabeça, por não ter prisões suficientes para toda aquela "paneleiragem".»

Foi quando todos percebemos que estávamos a ver o filme errado e voltámos a colocar os pés no chão.

E ele continuou: «O "Monteverde" também não deve gostar nada da palavra limite. Se ele pudesse, tinha silenciado os jornais e continuava a receber avenças da clientela.»

Para depois dar-nos o "safanão final": «Acredito, cada vez mais, que as pessoas estão fartas da democracia. E apenas por uma coisa, por ela gostar de impor limites.»

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, maio 14, 2025

O medo, entre a "percepção" e a "realidade"...


As ruas da "percepção" e da "realidade", ficam quase sempre ao lado uma da outra.

Quase todos contribuímos para se faça alguma confusão entre as duas, especialmente os políticos do lado direito, que sentem saudades de um estado mais repressivo. E claro, as polícias, que têm sempre alguma dificuldade em fazer cumprir a lei nos regimes democráticos, onde não se pode, nem deve, "bater" apenas porque sim.

Falámos disso ontem. A conversa foi alimentada por alguns de nós sentirmos que o "medo", continua a crescer, quase todos os dias, à nossa volta. 

As guerras que matam gentes de todas as idades, diariamente, devem ter alguma influência, mesmo que nós não nos apercebamos bem destas "percepções" (todos achámos que sim).

O curioso foi na viagem de regresso a casa, de metro, ter reparado em três indivíduos orientais, que entraram na Alameda, com mochilas grandes (deviam ter chegado há pouco tempo...), além de falarem as suas línguas estranhas, olharem para quem os rodeava, com desconfiança. Eu sei que é difícil olhar de outra forma, para um mundo que nos trata como cidadãos de segunda ou terceira, que nos gosta de apontar o dedo, mas...

Aquela reacção fez com que recordasse uma boa parte dos ciganos que fui conhecendo ao longo da minha vida. Eles tinham como sua principal defesa, fazerem-nos sentir medo, pensarmos que eles eram capazes de fazer as coisas horríveis que nos ameaçavam, aqui e ali.

Pois é, temos quase sempre "medo" do que é diferente de nós. E quanto mais "fechados" e "nacionalistas" formos, pior...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, abril 26, 2025

"25 de Abril Sempre, Fascismo Nunca Mais!"


Felizmente o Dia da Liberdade continua a ser uma festa.

É num clima de alegria, serenidade e cumplicidade que se desce a Avenida da Liberdade, com gente de todas as idades.

Curiosamente ou não, cada vez assistimos mais à presença de jovens, com cravos vermelhos, sorrisos bonitos e vivas ao "25 de Abril, sempre / Fascismo nunca mais!"


(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, abril 24, 2025

Abril é Abril, mesmo que lhe queiram chamar outra coisa...


Cinquenta e um anos deviam ser tempo mais que suficiente para todos percebermos que, Abril é Abril, mesmo que lhe queiram chamar outra coisa...

Abril é Abril, mas continua a não ser igual para todos. Nem todos gostam da cor, dos cheiros, e até da alegria de se andar de mão dada com a liberdade pelas ruas (se pudessem iam passar uns dias à Polinésia...). 

Abril é Abril, mas nem todos querem, e gostam, de igualdade. Gostam sim de misturar as coisas e de fingir que não percebem que podemos ser iguais, continuando diferentes. 

Sim, não precisamos de nos vestir da mesma maneira nem de comprarmos ou comermos as mesmas coisas, para vivermos Abril mesmo em Novembro. 

Normalmente quem não gosta de ouvir falar em igualdade, tem aquele "sonho antigo", de um dia qualquer, conseguir ser "mais que os outros". Isso sim, é importante.

É gente que nunca se contenta com  "igualdades", querem sim, um mundo só para eles...

Felizmente hoje já são mais previsíveis. 

O primeiro sinal que dão, é não gostar de cravos, a flor de Abril que é Abril...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, abril 02, 2025

Às vezes ainda escuta o grito: «Isto é tudo meu!»


Nem toda a gente compreende, o porquê, das pessoas com bons empregos e uma boa vida, serem de esquerda. Acham que estes deviam ser todos "pobrezinhos", usar calças de ganga e camisas aos quadrados...

Estávamos a falar das "cegueira ideológicas", quando apareceu a Laura.

Como de costume entrou muda e saiu calada.

Olhei-a e fiquei a pensar que devia ser o único daquela mesa de trabalho, que sabia das várias "questões ideológicas" que enfrentou desde muito cedo. Sim, teve logo na infância, a percepção de que alguma coisa estava errada no seu mundo. Ao contrário dos irmãos e dos primos, não percebia a razão de "ter tudo" e dos outros, que trabalhavam na quinta do avô, "não terem nada".

Também lhe custava não puder brincar com os filhos dos trabalhadores, e logo ela, que gostava tanto de correr e de saltar... Nem mesmo depois do 25 de Abril.

Como não viviam no Alentejo não enfrentaram o pesadelo das ocupações nem outra qualquer batalha laboral com os trabalhadores. Pelo contrário, ainda aumentaram o património, graças à desgraça alheia...

Já adolescente, foi "convocada" com o resto da família, para conhecer uma das novas propriedades da família. Fez-lhe muita confusão, ver o avô num dos pontos mais altos da herdade, de braços abertos, com um charuto no canto da boca, a dizer, quase num grito de felicidade, «Isto é tudo meu!»

Foi apenas a confirmação, de que aquele não era o seu mundo. Achou tão estranho perceber que  o avô era incapaz de dizer: "Isto é tudo nosso"... 

É muitas vezes olhada de desdém pela família. Alguns sobrinhos chamam-lhe a "tia comunista", mesmo que nunca tenha sido do PCP. Quando me contou mais esse episódio lembrei-me de ouvir um dos sobrinhos do Nuno (Teotónio Pereira), falar do mesmo modo, pouco orgulhoso de ter um "tio comunista"...

Se o avô da Laura ainda fosse vivo, era capaz de achar mais que graça, à "cambalhota" que estão a obrigar o mundo a dar...

(Fotografia de Luís Eme - Seixal)


sexta-feira, fevereiro 28, 2025

Carneiros já sei que somos, mas agora também está tudo parvo?


Fevereiro foi um mês estranho, e Março não o será menos, tanto dentro como fora de portas.

Por cá, temos um primeiro-ministro, que não passa de uma cópia manhosa de outro primeiro-ministro, que também achava que não devia prestar contas ao país,  muito menos responder a jornalistas, escudando-se em balelas, como a de que "ainda está para nascer alguém mais sério que eu".  O cromo de agora diz uma coisa parecida: "não há ninguém mais transparente que eu"...

Nas Américas existe alguém que faz lembrar os putos mimados dos recreios das escolas, que a única maneira que tinham de tentar fazer amizade, era "comprando-a". Não sabiam jogar à bola mas tinham uma, normalmente das boas. Como éramos parvos e queríamos era dar uns chutos na redondinha, fingíamos "gostar dele"...

Pois é, não se pode dizer que tudo isto aconteceu de repente, porque sempre existiram pessoas à nossa volta, cuja única religião que seguem é a do "poder e do dinheiro". O que existe nos nossos dias é mais gente que perdeu a vergonha e sente-se encorajado a pensar que "toda a terra é sua"...

Não queria falar das redes sociais, mas é impossível passar ao lado deste "mundo faz de conta", que cada vez toma mais conta do "mundo real". E dia após dia, o buraco é escavado mais fundo nestes lugares, onde parece que quase tudo é permitido... Isso explica que um "palhaço" se vanglorie de atropelar alguém, com dados que batem certo no mundo real (o onde, o quando e o porquê...), como se esta coisa de viver não passasse de um "jogo"...

Olhamos à volta e ficamos com a sensação de que não param de crescer, por cá e por lá, os "inadaptados da democracia", gente que acha que a liberdade é uma coisa só para eles, encorajando o "fantasma do salazar" a aparecer em cada vez mais portas e janelas, neste falso paraíso...

Carneiros já sei que somos, mas agora também está tudo parvo?

(Fotografia de Luís Eme - Beira Baixa)


sábado, fevereiro 15, 2025

É sempre a velha história, "faz o que eu digo, não faças o que eu faço"...


Olhamos para a frente, para o lado e para trás, e sentimos que a velha história, do "faz o que eu digo, não faças o que eu faço", permanece sempre actual, consegue adaptar-se a todos os tempos e a todas as gentes...

Quando o vice-presidente dos EUA vem à Europa dar lições de liberdade, quando limitou essa mesma liberdade aos nativos do seu país, está tudo dito, mostra como tudo anda de "pernas para o ar". Até agora, a falta de liberdade nunca foi um problema no velho Continente, faz parte sobretudo das Américas, das Áfricas e dos Orientes...

O primeiro-ministro há muito tempo que segue a cartilha mofa cavaquista, só lhe falta mesmo munir-se da imortal fatia de bolo rei, e mastigar as palavras, em vez de responder aos jornalistas (o que só faz quando lhe apetece e apetece-lhe muito poucas vezes, à frente das câmaras). Ainda consegue suplantar o Costa, na arte de fingir que "está tudo bem", como se não fosse ele o principal responsável pela governação...

Não deixa de ser curioso, que tenha sido uma mulher do Chega, a despertar o Parlamento, para um ano de insultos, de falta de respeito e de mentiras, de um grupo de bandalhos, que pensa que "vale tudo, menos tirar olhos", naquela que deveria ser a Casa da Democracia e não da bandalheira. Apesar de ser um partido misógino, xenofobista, racista e machista, consegue ter mulheres a disparar para os seus próprios pés e a ofender outras mulheres...

Esta frase também pode ser aplicada ao "rei do Norte", que nos deixou hoje. Embora seja dia de "dizer bem", continuo a ter a mesma opinião, que tem por exemplo, Frederico Varandas. Não esqueço o que vi nos Estádios, no começo dos anos 90 do século passado, em que reinava outra figurinha histórica dos nortes, o "guarda abel", que era de carne e osso e não uma mera personagem de ficção...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, dezembro 07, 2024

Mário Soares: um político de corpo inteiro


Mário Soares nunca foi um dos meus políticos preferidos. Sempre achei que ele era capaz de fazer tudo pelo poder. E de certa forma era...

Mas com o tempo fui percebendo que ele tinha uma intuição política única, o que fazia com que tivesse muitas vezes razão,  antes do tempo.

Embora fosse amigo do seu amigo, não evitava desafios, nem desistia daquilo que achava ser melhor para todos (mesmo que estivesse errado...). Isso explica, em parte, as "zangas" com Salgado Zenha e com Manuel Alegre, que lhe eram muito próximos. O mais curioso foi ambas terem sido provocadas por duas eleições presidenciais, distintas, em que experimentou o sabor da vitória e o sabor da derrota.

Com um olhar quase de historiador, não tenho qualquer dúvida, de que Mário Soares foi a grande figura política do nosso país dos últimos cinquenta anos. 

Os dois pontos pela qual é mais criticado pelos extremistas, são aqueles é que teve um papel decisivo para a nossa democracia (só não foi para a democracia dos outros, porque eles não quiseram...). 

Refiro-me ao processo da descolonização, que nas circunstâncias em que se realizou, dificilmente poderia ter outro resultado. As guerras pelo poder, protagonizadas entre o MPLA e a UNITA em Angola e pela FRELINO e RENAMO em Moçambique, ultrapassaram as nossas fronteiras e acabaram por dar razão aos nossos políticos, por muito que isso faça doer a todos aqueles que viveram por lá e tiveram de partir de um dia para o outro, abandonando os seus lares e os seus bens.

Sobre o 25 de Novembro já se disse praticamente tudo. Foi ele quem enfrentou os extremismos, da esquerda e da direita, foi ele quem se uniu aos militares democratas e devolveu o rumo certo ao nosso país.

Não tenho qualquer dúvida de que, sem a influência de Mário Soares, seríamos um país pior, em todos os sentidos.

Na actualidade, faz-nos muita falta um político com a sua intuição, para combater o populismo e a mentira, crescentes, desta extrema direita, cada vez mais difícil de classificar.

(Óleo de Júlio Pomar)


segunda-feira, novembro 25, 2024

O 25 de Novembro foi apenas um Golpe Militar Democrático, e não uma Revolução!


É preciso recordar que esta direita e extrema-direita, que nunca gostou de Abril (pudera, uma boa parte deles perderam uma série de regalias, perceberam que afinal eram pessoas como as outras, apesar dos privilégios que os rodeavam...), não esteve directamente ligada ao golpe militar, de 25 de Novembro de 1975.

Nesses tempos conturbados os fascistas - disfarçados de democratas conservadores -, andavam mais entretidos a incendiar sedes do PCP  e a serem protagonistas de ataques bombistas, em toda a região Norte (alguns dos quais mortais), que em preparar golpes militares democráticos.

Claro que, dia após dia, iam sonhando com a possibilidade de voltar ao poder, apostando em dividir o território português ao meio, ficando com todo o Norte do Tejo (como se a democracia não tivesse atravessado o rio...), porque o presente fazia-lhes doer. Gostavam era do país dos pobrezinhos e coitadinhos, a quem davam esmolas, para onde caminhamos, há mais de uma década...

Voltando ao 25 de Novembro, foi um golpe militar democrático, protagonizado pelo "Grupo dos Nove" (liderado por Vasco Lourenço e Melo Antunes) e pelo Presidente da República, Costa Gomes, com o apoio efectivo do PS, por intermédio de Mário Soares, que esteve sempre na primeira linha deste combate pela democracia (ao contrário dos representantes do PSD e do CDS, que hoje querem ser protagonistas...). Este golpe pretendia acabar com os excessos esquerdistas, que estavam a tornar o país ingovernável e a dividir cada vez mais os militares. 

Felizmente foi uma acção militar bem sucedida, quase sem sangue derramado, que teve Ramalho Eanes como o seu comandante operacional.

É preciso dizer que, esta comemoração, não passa de mais uma farsa, de uma direita que tenta alterar a história, como se isso fosse possível. 

E claro, também quer voltar ao "passado". Mas isso depende de todos nós e não apenas deles...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, novembro 02, 2024

Autoridade é tão diferente de autoritarismo...


Há gente que vive duas ou três vidas sem conseguir distinguir a autoridade de autoritarismo, normalmente por duas razões: preguiça ou interesse.

E nem estou a pensar naquele senhor com pele cor de laranja, que quer ser o "deus todo poderoso" das américas. Muito menos nas polícias. Estes são daqueles, que não têm grande interesse em fazer esta distinção, quanto mais confusão melhor...

Se nós em casa, e depois os professores na escola, fizessemos sentir a diferença prática que existe entre estas palavras, talvez todos gostássemos mais das democracias e menos nos autoritarismos...

De uma forma simplista, entendo a autoridade, como algo que é aceite e necessário, para que se possa viver com regras. Já o autoritarismo, olho para ele como algo que nos é imposto, e por isso mesmo "obrigatório" e muitas vezes também "injusto".

Mas nem precisamos de sair da família, onde se confunde e mistura, tanto estes dois termos, pais que querem ser os "melhores amigos dos filhos" e "polícias", quase em simultâneo. Claro que nunca dá bom resultado. Ser pai não é ser uma coisa nem outra...

Não é por acaso que se utiliza a autoridade moral e  ética, como exemplos da prática humana. Já em relação aos autoritarismos, eles o que querem menos saber, de morais ou éticas...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)