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domingo, janeiro 12, 2025

A liberdade nunca foi fazermos e dizermos o que nos dá na "real gana" (um)


Acho que os grandes problemas da sociedade actual são a forma como se entende a liberdade, seja em casa, na escola ou na rua.

E devo dizer, desde já, que nesse aspecto as redes sociais não têm grande coisa a ver com o assunto.

Houve mudanças enormes nos últimos cinquenta anos no nosso país, mas nem todas foram bem definidas, reguladas e aceites pelo comum dos mortais. 

A necessidade de mudança foi tal, que levantou logo outras questões (ainda durante o PREC...), que foram agravadas pela falta de cultura democrática, normal, para quem tinha vivido quase meio século em ditadura. Além do poder repressivo, abusava-se do "respeitinho", imposto pela generalidade das autoridades e das instituições.

Infelizmente, tanto no seio da família, como na escola ou na vida em comunidade, nunca se conseguiu encontrar o caminho certo para a tal liberdade, que se alimenta tanto de direitos como de deveres. Foi bom abolirmos o "respeitinho", mas foi muito mau deixarmos de respeitar o outro, como alguém igual a nós, nos tais direitos e deveres, que quando cumpridos, são a grande marca das sociedades mais bem sucedidas, social e economicamente.

Facilitou-se demasiado o caminho e chegámos a um tempo em que tudo parece "estar em crise". Mas é uma crise que parece interminável e dura há praticamente duas décadas e se tem agudizado (aí sim, com o apoio das redes sociais, onde tudo parece ser permitido...)...

Mas eu continuo a pensar que tudo começa e acaba no uso que damos à boa da Liberdade.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)



sábado, abril 27, 2024

Também é um problema da democracia...


Tal como sempre se falou da "crise no teatro", também é histórica a "crise no associativismo".

Infelizmente são crises reais, por motivos diferentes. E de alguma forma estão ambas ligadas à democracia, mais pelo que não se fez do que pelo que se fez...

A preocupação de se criarem públicos para as actividades culturais ficou-se pelo caminho, algures entre as escolas e as instituições que tutelavam a Educação e a Cultura.

É difícil gostar do que não se conhece (a não ser que sejam espectáculos cuja comunicação seja mais directa com as pessoas, como acontece com as comédias...), do que não se sabe que também serve para pensar e nos ajudar a viver...

Em relação à "crise do associativismo", ela é sobretudo humana. Se antes de Abril era fácil encontrar, pessoas com "vontade de servir", hoje aparecem pessoas é com "vontade de se servirem"... Isso explica a crise do associativismo (a excepção são as grandes instituições, onde aparecem sempre várias listas de dirigentes, porque os interesses que se escondem por detrás, económicos, políticos ou desportivos, são mais que muitos...).

Pelos dados conhecidos, hoje vai acontecer "Abril" no Porto, com o fim do reinado de 42 anos de Pinto da Costa (que nos últimos anos se escuda nos muitos títulos conquistados, mas que se revelam cada vez mais insuficientes...). Este é o nosso exemplo maior do que o poder faz as pessoas, não as deixando sair na hora certa, desbaratando, tantas vezes, tudo o que se fez de positivo. 

Em Almada existem pelo menos meia-dúzia de colectividades que são presididas pela mesma pessoa há mais de vinte anos, fazendo com que estas caiam no marasmo, quase por razões naturais. Isso acontece porque a motivação deixa de ser a mesma, ao mesmo tempo que se vai ficando cada vez mais colado "à cadeira do poder" (sei do que falo porque presidi uma colectividade durante oito anos, mas por sentir na pele os "malefícios do poder", consegui sair pelo próprio pé...). É esta colagem que faz com que não se criem condições para que exista, pelo menos, uma alternativa de mudança, para que tudo se torne mais respirável e para que exista espaço para a diferença...

Infelizmente as pessoas fingem não perceber o que se passa à sua volta. E pior ainda, fingem não ver os vários maus exemplos alheios, que poderiam muito bem servir de "espelho"...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


domingo, maio 14, 2023

Aprendemos coisas diferentes com a mesma lição de vida...


Na primeira grande crise deste milénio, um amigo meu perdeu o emprego, teve de vender a casa e aprender a viver novamente com pouco dinheiro.

Como era relativamente jovem e inteligente, aos poucos e poucos foi refazendo a vida. E hoje leva uma vida próxima dos padrões anteriores a esse pesadelo, pela qual tiveram de passar milhares de portugueses.

Um dia destes conversou comigo sobre essa época e sobre estes tempos que vivemos. Disse-me que "ser pobre" ajudou-o bastante, ao ponto de se ter precavido para que a família não volte a passar pelo mesmo. Nunca mais deixou de valorizar cada euro que ganha e cada euro que gasta.

O curioso da nossa conversa foi ele ter confessado que a mulher "não aprendeu nada" com tudo o que passaram. Ou seja, não prescinde de comprar tudo aquilo que deseja e que esteja ao alcance da sua bolsa. Já desistiu de falar com ela sobre o assunto porque lhe responde que tem tempo de poupar e de não comprar o que gosta, quando voltar a ser "pobre". E ele mete a "viola no saco"...

A única coisa que lhe disse foi que estava enganado, quando dizia que a esposa não tinha aprendido nada. Olhou-me curioso, antes de eu acrescentar, que, como somos diferentes, também aprendemos coisas diferentes com a mesma lição de vida...

Claro que ele não ficou nada convencido. Nada de preocupante, porque nós não estávamos ali para nos convencermos um ao outro, apenas para conversar...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


segunda-feira, maio 08, 2023

Os "Mercadores de Outras Venezas"...


É curioso, os preços aumentam em todo o lado, mas eu só me queixo e "chateio" o jovem merceeiro da minha rua.

Talvez isso aconteça por o conhecer de gaiato e por sempre falarmos sobre tudo e mais alguma coisa.

Ao ver os seus preços, digo-lhe que as coisas no "chinês" (são pelo menos três na praça Gil Vicente...) são muito mais baratas (e são...). Finge não acreditar e não saber como é que eles vendem as coisas a esses preços... Mas é apenas isso mesmo um fingimento. Os chineses utilizam a mesma "técnica" que os merceeiros das grandes superfícies, vendem mais barato com o objectivo de vender muito mais, multiplicando as margens de lucro...

Confidenciou-me que há gente que não vê há semanas largas (pessoas idosas com reformas baixas, que ele trata pelo nome...) por ali na loja. Digo-lhe em jeito de provocação que vão ao "chinês". Ele abana a cabeça e diz que não, dando a entender que talvez o dinheiro não dê para as compras que antes eram quase diárias...

Não sei se é assim. Sei apenas que esta vida quase que só continua boa para os "mercadores de outras venezas"...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


sexta-feira, abril 07, 2023

Semana Santa com Sol e Sombra


Tenho a sensação de que a chamada "Semana Santa" é cada vez mais aproveitada pelo turismo e menos pela religião.

Mesmo o chamado "turismo religioso" não tem qualquer hipótese de competir com o "turismo de praia", com estas temperaturas próximas dos trinta graus.

E não há mais gente a aproveitar esta "escapadinha", porque há muitas famílias que não podem mesmo ir para fora e aproveitar o Sol e a beleza das praias e dos campos.

A sombra não paira apenas na Igreja, paira também nas famílias portuguesas, cada vez com mais dificuldades em sobreviver a esta inflacção, que é um "doce" para o capital... 

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


terça-feira, janeiro 10, 2023

«As culturas perdem com quase tudo...»


Acendeu um cigarro e depois disse: «as salas de teatro voltaram a ter demasiados lugares vagos.»

Antes que eu o interrompesse,  explicou-nos o óbvio. «Sei que não é nenhuma novidade. Acontece sempre que aumenta o preço do pão, do leite, do peixe, da carne...»

E depois fez uma confissão: «É nestes momentos que tenho inveja do futebol. Não há nenhuma crise que consiga tirar os malucos das bancadas dos estádios.»

Levantou-se e antes de nos virar costas, ofereceu-nos mais meia-dúzia de palavras, com um sorriso que tinha tanto de amargo como de derrotista: «As culturas perdem com quase tudo...»

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sexta-feira, novembro 04, 2022

O Amor à "Pátria" (entre a globalização e a aposta no ressurgimento dos nacionalismos)


Este foi um dos temas mais consensuais da nossa conversa. Não há ditador que prescinda do amor e da defesa da Pátria (muitas vezes contra tudo e contra todos...), agarrando-se a tudo o que pode, como sejam os momentos de glória do passado, o amor-próprio das pessoas, e sobretudo, de muita mitologia.

Não deixa de ser curioso, que tenha sido a globalização a promover o crescimento os nacionalismos na Europa. 

Esta aproximação dos continentes. assim como a abertura das fronteiras entre países europeus, consolidou outro fenómeno: a chegada quase diária de "migrantes" (vindos quase sempre do Norte de África, em fuga da fome, da guerra e do desemprego...). Chegada que também tem contribuído para o papel cada vez mais relevante dos partidos populistas e nacionalistas, xenófolos e racistas, na Europa.

Os tempos de crise que temos vivido nos últimos anos, colocam tudo em causa. Quase ninguém quer que lhes ameaçassem o emprego e a qualidade de vida. 

E estas questões são "terreno fértil" para o crescimento de partidos extremistas, que voltam a trazer à luz do dia o "Deus, Pátria e Família", que tanto jeito deram ao salazarismo e marcelismo, na manutenção do regime ditatorial durante quase meio século.

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


quarta-feira, junho 29, 2022

Sinais Sonoros da Crise na Minha Rua


Nos últimos dias a minha rua tem sido visitada por um senhor que se faz anunciar como se visitasse uma das nossa aldeias do interior, com a música eloquente do Quim Barreiros, que de alguma maneira está ligada ao comércio do pão. 

Ainda antes de chegar à minha rua já começo a ouvir "Ai, ai, Maria! Gosto de ir à tua padaria."

Embora "o disco da Maria já comece a ficar riscado", percebo que o senhor para sobreviver a estes tempos estranhos, tenha de apostar em novas rotas, mais citadinas, para vender o seu pão alentejano...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


quinta-feira, fevereiro 03, 2022

Tudo Começa e Acaba Dentro de Campo


O Benfica está a atravessar uma crise complicada dentro e fora de campo.

Aos problemas com a justiça seguiu-se a falta de respeito de alguma comunicação social, que tem explorado diariamente o conteúdo de conversas privadas entre dirigentes, treinadores, agentes e até jogadores (sem qualquer relevância criminal, mas que minam as relações pessoais e a imagem do Benfica...).

Mas continuo a acreditar, que tudo começa e acaba dentro de campo. Com vitórias todos estes problemas acabavam por ser esquecidos.

É por isso que eu digo, que por mais problemas que existam - exteriores ao balneário -, é completamente inaceitável que jogadores que ganham dez vezes mais, corram dez vezes menos, que os adversários, como aconteceu ontem no jogo com o Gil Vicente e em muitos outros, com adversários de qualidade inferior, nos últimos três anos.

Podem continuar a falar dos árbitros (que também já não respeitam o Benfica como respeitavam...), mas o principal problema está no plantel escolhido (com mais "mão" de dirigentes e de empresários que dos treinadores...), onde se nota que quase metade da equipa não tem classe para vestir a camisola do clube da Luz.

Se Rui Vitória, Bruno Lage ou Nelson Veríssimo, nunca tiveram "peso" como treinadores, para puderem escolher os futebolistas com quem queriam ou não trabalhar, o mesmo não se pode dizer de Jorge Jesus, que escolheu e aceitou vários jogadores de qualidade duvidosa, que estão claramente a mais no Benfica e não merecem o dinheiro que ganham.

Mas como disse anteriormente, tudo começa e acaba dentro de campo. Com vitórias todos estes problemas acabavam por ser esquecidos...

(Fotografia de Eduardo Gageiro)


domingo, agosto 23, 2020

Não Vale a Pena Pensar Muito, Mas...


Em nome da sanidade mental de todos nós, é bom não pensarmos muito, em tudo o que perdemos em menos de meia-dúzia de meses.

Mesmo que nada disto tenha sido "fabricado", contraria tudo aquilo que tenha a ver com liberdade. Especialmente a de movimentos...

Tenho cada vez menos dúvidas que estes tempos são quase uma "festa", para quem tem tiques autoritários e gosta de usar os outros como se fossem meros objectos. Hoje é mais fácil arranjar formas de se perpetuar no poder, aproveitando a "crise" e o "adormecimento" das pessoas, que ontem.

Não é que o Costa seja "anjinho" (começou por aproveitar bem a deixa do Rio, para passar a ir menos vezes ao "tribunal parlamentar"...), mas se o PSD estivesse no poder, com o "quer posso e mando" do seu secretário geral, seria pior, até nos podíamos ir aproximando da Turquia, ou da Hungria. Não é por acaso que ele nutre alguma simpatia pelo Chega...

É por isso que não nos devemos abstrair totalmente do mundo que nos rodeia, por muito que nos apeteça "desaparecer"...

(Fotografia de Luís Eme - Quinta da Arealva)

quarta-feira, maio 20, 2020

«Talvez o melhor seja mesmo acabarem com o Teatro»


Hoje bebi um café com um amigo que faz teatro. Não estava à espera de o encontrar tão desanimado. Embora seja ligeiramente mais novo que eu, já passou a barreira dos cinquenta e há pelo menos dez anos que, lhe dizem que é velho demais para mudar de profissão. Mas ele acha que é desta que tem de pensar em fazer outra coisa qualquer...

A nossa conversa foi quase um monólogo. Percebi que precisava muito de desabafar com alguém e eu também não tinha respostas nem soluções para o drama que está a viver. Voltou para a casa  dos pais, porque o senhorio nem sequer quis ouvir falar das "suas dores", embora também não tivesse grandes argumentos, pois, não sabe quando é que volta a ter ordenado (está a receber um apoio inferior ao ordenado mínimo... apoio esse que pode ter de ser reduzido se continuarem parados)...

Nos últimos anos a companhia onde trabalha funciona quase como um circo. Além de actores, são também cenógrafos, técnicos de som, técnicos de luzes, bilheteiros, arrumadores, funcionários de limpeza, e tudo o mais que seja necessário, para que o espectáculo comece à hora marcada, e possa trazer para casa o ordenado que não chega aos mil euros...

Gostava que o teatro fosse capaz de sobreviver diariamente sem subsídios, mas não tem grandes ilusões. Sabe que só o chamado teatro comercial - mais alegre, mais primário e de melhor "digestão" -, consegue encher plateias. 

Continua a defender que o abc do teatro tem de começar logo na escola primária, para que se perceba bem cedo qual é a sua função social. Mas sabe que isso será muito difícil de acontecer, porque os políticos, tanto à esquerda como à direita, preferem enfrentar no seu dia-a-dia "carneiros" a "seres pensantes".

O seu último desabafo foi o mais marcante: «Talvez o melhor seja mesmo acabarem com o Teatro.»

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

terça-feira, maio 19, 2020

Lisboa Agora é Paisagem...


Era comum dizer-se que o País era Lisboa, e que o resto era paisagem.

Hoje vê-se que o País, de Norte a Sul, está a querer voltar ao normal, com as pessoas a saírem às ruas e as lojas, cafés e restaurantes a abrirem as portas. E está a conseguir, lentamente. Só Lisboa é que continua praticamente deserta...

É o preço que se paga quando uma cidade se vira apenas para o exterior, para o turismo e para as gentes que chegam de outros países, ao mesmo tempo que "expulsa" os lisboetas, incapazes de pagar as rendas de luxo que os senhorios "com mais olhos que barriga", cobram pelos seus imóveis... 

Depois basta surgir um problema qualquer inesperado como o "covid 19"... e a cidade fica de "braços caídos", sem saber como reagir...

Foi o que aconteceu.

E já todos percebemos que vai demorar largos meses a que tudo volte ao normal.

Mesmo assim, não sei se irão perceber, que não há nenhuma cidade que consiga enfrentar qualquer contratempo, se não estiver organizada de uma forma equilibrada. Ou seja, os visitantes ocasionais nunca deverão ser mais que os habitantes locais...


(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sábado, maio 02, 2020

Quem Nasceu como Cigarra nunca Será Formiga


Começa a ser normal repetir-me por aqui no "Largo", por duas ou três razões. Escrevo mais sobre o "universo cultural", por ser o meio a que pertenço (mesmo que muitas vezes esteja com um pé dentro e outro fora...). 

Por os problemas sociais se repetirem sempre que há uma crise, agudizando e tornando ainda mais visíveis as diferenças de estatuto social (mesmo dentro da mesma profissão, por exemplo, há actores e actrizes - as "prima-donas" das telenovelas -, que nunca sentiram na pele nenhuma crise...). Por algumas pessoas nunca aprenderem, que o amanhã está logo a seguir ao hoje... Sim, eu também tenho amigos assim, em que a diferença entre ganhar mil e cinco mil euros num mês, está nos restaurantes que frequentam, ou no fim de semana que desfrutaram em Londres ou Paris... mas depois, no final do mês, a conta volta a estar como sempre, igual a zeros.

Este desequilibro é provocado pela atracção natural de quase todos nós, por uma vida deliciosamente incerta, sem essas coisas dos trabalhinhos das nove às cinco. Ou seja, a liberdade é muito boa, mas sempre teve coisas do caraças... 

Quem nasceu como "cigarra" nunca será "formiga". E ponto final.

(Fotografia de Luís Eme - Arealva)

quarta-feira, abril 15, 2020

Não Basta "Publicitar" a Solidariedade...


Espero que os responsáveis pelos canais de televisão, que se mostram sempre muito expeditos a divulgar e a participar em acções de solidariedade telefónicas, estejam atentos aos dramas humanos que os envolvem. 

É importante que não se "esqueçam" também de praticar a solidariedade para  com os muitos trabalhadores precários que lhes prestam serviço (mesmo que as suas contratações sejam feitas por produtoras independentes - muitas vezes com um único vínculo: o chamado "31 de boca"...).

Mesmo sabendo que isso não é muito bom para o "espectáculo", gostava que se lembrassem-se de todos aqueles, que ao deixarem de trabalhar, deixaram de receber  ordenado (desde técnicos a actores)...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sexta-feira, março 27, 2020

Um Dia Mundial de Teatro sem Palmas e sem "Patadas"


Se o Dia Mundial da Poesia foi estranho, não sei o que dizer do Dia Mundial do Teatro...

Não me incomoda apenas a estranheza dos palcos silenciosos e das salas vazias e fechadas. 

Saber que esta é a actividade cultural mais vulnerável do nosso país, por estar cada vez mais dependente dos apoios de terceiros, é que considero, muito preocupante.

Se durante os anos da "troika" houve muitos actores que foram forçados a mudar de profissão, os dias que se aproximam não vão ser melhores...

Mas a realidade é o que é, não vale a pena escondê-la atrás do "biombo": há um divórcio cada vez maior entre os portugueses e o teatro.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

terça-feira, março 24, 2020

Ainda Antes do Dia Seguinte...


Os nossos patrões sempre foram - e continuam a ser - um grande exemplo de cidadania no nosso país. Só de pensarem que lhes "vão mexer nos bolsos", começam logo a pensar na melhor forma de passarem ao lado, de qualquer crise, mesmo que esta seja momentânea. 

É por isso que não nos devemos admirar que tenham iniciado a "onda de despedimentos", logo no dia em que foram obrigados a fechar portas, com a imposição do "estado de emergência" no nosso país.

As primeiras vitimas foram todos aqueles que trabalhavam de forma precária (a maioria estrangeiros, alguns dos quais nem sequer contrato de trabalho tinham...) na restauração, hotelaria e comércio.

Não vale a pena falar de "imoralidade", muito menos de "falta de ética", porque segundo os "livros" onde eles estudaram, estas duas condições humanas vivem distantes do mundo dos negócios. Muito menos lembrar-lhes dos milhões que ganharam nos últimos anos, graças ao "maná" do turismo...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sábado, agosto 10, 2019

Primeiro Eu, Depois Eu e Depois Outra Vez Eu...


Os "simulacros" involuntários provocados por uma greve, que ainda não começou, têm sido um bom teste para qualquer tempo de crise.

O egoísmo é a marca maior que fica, com os exemplos de quem corre para as filas das bombas de gasolina, apenas por que sim, ao mesmo tempo que decora a casa com "jarricanes". 

E não satisfeitos, ainda esvaziam as prateleiras dos super-mercados, como se viesse para aí qualquer "fim do mundo"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

terça-feira, julho 17, 2018

Quando a Inteligência, a Esperteza, a Demagogia e a Alegria (aparente), Sabem a Pouco...


O Governo de António Costa e a "Gerigonça" será um dos grandes casos de estudo político, nos próximos anos, graças ao "milagre" da sua manutenção no poder e também pela quantidade de adjectivos (muitas vezes antagónicos...) e de substantivos que faz despertar em cada um de nós.

Percebemos no trabalho, nas escolas, nos hospitais nos super-mercados e nas ruas, que a nossa vida, dia após dia, se vai tornando cada vez mais difícil. Uma maior parte de nós há quase uma década que não vê os ordenados e pensões aumentados. Ao mesmo tempo que tudo à nossa volta vai aumentado, desde os bens essenciais, às rendas e aos combustíveis.

Mesmo assim, o Governo e o primeiro-ministro fingem que está tudo bem.

As únicas vantagens que noto são o aparente bem estar social, devido à "alegria postiça", que começa e acaba com os sorrisos do Costa e de toda a sua "corte de seguidores", que nos deixam com a sensação de que passam mais tempo a "vender sonhos" que a governar...

Eu sei que, apesar de tudo, é preferível  viver neste "aparente paraíso", que no país do "Passos e da Troika", em que, além de mandarem os nossos filhos emigrar... difundiam um orgulho (quase salazarento), de irem mais longe que a troika", enquanto iam destruindo, despedindo e retalhando o país.

Mas é bom que "os costas" comecem a fazer coisas realmente importantes e úteis para todos nós, especialmente na saúde, na educação, no trabalho e nos transportes.

Até porque o "estado de graça" alimentado pela "governação com sorrisos" e pelos acasos que têm alimentado a comunicação social (os "brunos", os "meninos da Tailândia" e os "mundiais"...) começa a ter os dias contados.

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, maio 04, 2017

Só nos Desiludem as Pessoas de Quem Realmente Gostamos...


Como já devem ter reparado, ando há pelos menos dois dias, a tentar fugir das palavras.

Sei que não devo, nem quero, particularizar.

Se pensar bem, nem se pode dizer que me aconteceu uma coisa do outro mundo. Toda a gente sabe que a amizade não sobrevive a tudo. Apenas a quase tudo...

Não foi a primeira vez que descobri que a desconfiança às vezes anda perto demais do ciúme e da inveja, e que se pode tornar numa mistura explosiva... 

Nem se pode falar de uma "história de saias", até porque ela anda quase sempre de calças...

Acabei por ficar a pensar que a forma de gostar nunca tem uma medida certa, é por isso que às vezes gostamos mais dos nossos amigos que eles de nós, tal como o seu contrário. 

E claro que fiquei desiludido. Sei que só nos desiludem as pessoas de quem realmente gostamos...

(Fotografia de Rurik Dmitrienko)

quarta-feira, dezembro 28, 2016

O Cenário de Guerra de um País Pacífico...


Num mundo que gosta de inventar crises em todos os continentes, que sangra África e o Médio Oriente há tempo demais, esta fotografia do Ginjal é apenas isso, uma fotografia. 

Pode parecer um "cenário de guerra", embora sejamos, aparentemente, um dos países mais pacíficos do Velho Continente.

A passividade portuguesa também se sente na recuperação das coisas...

(Fotografia Luís Eme)