Mostrar mensagens com a etiqueta Crimes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Crimes. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, novembro 28, 2024

Segurança & propaganda política


Não consigo perceber onde é que o primeiro-ministro, quis chegar, com as afirmações que fez sobre a segurança e sobre crimes no nosso país, durante a semana.

Além de revelar a sua já habitual "esperteza saloia" na interpretação de números, conseguiu ser infeliz (e até ofensivo), especialmente em relação aos crimes e às vítimas de violência doméstica, na sua primeira intervenção.

Em relação à sua segunda intervenção, sei que não se devem criar alarmismos, nem dar a importância, que o "canal do crime" português não tem, por mais audiências que sonhe ter. Mas também não se pode enfiar a "cabeça na areia" e fingir que está tudo bem (não está, os incidentes nos subúrbios de Lisboa, provam isso...).

Até porque Montenegro não é uma daquelas pessoas que falam muito bem de boca fechada (como é o caso da sua ministra da Administração Interna ou como foi o caso do ministro Cabrita no governo de António Costa...). Ele sabe muito bem o que diz e o que quer dizer.

Talvez ande mesmo em busca do eleitorado perdido para o Chega. Há uma grande probabilidade de o líder do PS estar certo.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, outubro 28, 2024

«Nós, não somos bons. Somos muito bons, na arte de "enfiar a cabeça na areia"»


O Rui nunca escondeu a ninguém que cresceu no famoso "Bairro do Pica-Pau Amarelo". 

Felizmente, não foi uma coisa para todo o sempre. À distância de trinta e muitos anos, sente que não lhe fez mal nenhum conhecer gente tão diferente. Muito menos ter amigos de todas as cores.

Sentiu na pele, literalmente, desde muito cedo, que era um felizardo. Os suspeitos de qualquer coisa no bairro, tinham sempre a pele mais escura que ele.

Contou-me tudo isso, depois de ler o que escrevi aqui no blogue, sobre racismo. Mas foi ainda mais longe. Falou-me de outro problema, não menos problemático, o machismo reinante, a imensidão de homens bêbados que batiam quase diariamente nas mulheres, apenas porque sim. 

Acrescentou que essa foi a principal razão para a sua família sair do bairro. Os pais não suportavam a "normalidade" da violência doméstica naquele lugar. Se havia coisa que o seu pai se orgulhava, era de nunca ter levantado à mão à mãe. E acabou por ter problemas na vizinhança, por  ter "metido a colher entre homem e mulher", mais que uma vez...

Chocou-o ver o primeiro-ministro a falar de Portugal, como se fosse um autêntico paraíso, quase sem crimes, quase sem criminosos. E foi ainda mais longe, quando explicou que o número de mulheres que são mortas pelos companheiros ou ex-companheiros, os pretos que são presos e agredidos nas esquadras, culpados apenas de terem a pele mais escura, estão fora destas estatísticas.

Foi por isso que me disse: «Nós, não somos bons. Somos muito bons na arte de "enfiar a cabeça na areia".»

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

 

quarta-feira, julho 06, 2022

A Ficção esta Sempre a querer Meter a Realidade do Bolso (ainda a propósito dos cartuchos com sal)...


Se eu tivesse qualquer dúvida sobre o gosto das pessoas por histórias, com balas verdadeiras e não com cartuchos com sal, tinha-as perdido com a aventura do Alfredo, contada aqui, há dois dias.

Como eu já tinha dito num comentário, a família do Alfredo não achou graça nenhuma a este seu "momento de loucura" (mesmo que tenha surtido efeito, pois não voltaram a ser incomodados...). 

Mal sonhavam eles que o melhor ainda estava para vir...

Todo e qualquer dissabor que o Alfredo pudesse vir ter, até mesmo com as autoridades, desapareceu, graças à imaginação das pessoas. O único tiro disparado naquela noite passou a "tiros". E nunca sequer a vizinhança colocou como hipótese que tivesse sido "o velho dos rés de chão" a disparar contra os "bandidos". Também nunca questionaram o casal de idosos sobre o que acontecera. Preferiram colocar a imaginação no terreno, como qualquer escritor de livros pretos.

Ou seja, existem pelo menos duas versões sobre o que aconteceu. A primeira, espalhada pelos vizinhos do prédio, na manhã seguinte, era de que tinha sido algum familiar ou amigo do Alfredo que surpreendera os dois ladrões a quererem entrar em casa e que os tinha corrido a tiro (alguém sabia que eram dois, da janela deve ter vistos os dois vultos a fugir...). Sem que ninguém percebesse porquê, houve outro alguém que resolveu "apimentar" o que aconteceu naquela noite (deve ver o CMTV...) e começou a falar de uma "guerra entre gangues" e que tinham sido disparado vários tiros. Só faltou mesmo terem despejado um frasco de ketchup na rua, para que a acção tivesse o "sangue" usado nos filmes. 

E como é natural, foi esta segunda tese que ganhou força e que se está a espalhar pelos cafés de Almada (claro que com ela veio também o habitual xenofobismo, devido ao excesso de "brasileiros" e de "paquistaneses" que vivem na cidade).

As únicas pessoas que sabem o que realmente aconteceu, permanecem em silêncio, porque nestes casos o "silêncio é mesmo de ouro"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)