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sexta-feira, junho 19, 2026

É tão fácil comparar o que não é comparável...


A coisa mais fácil de dizer e fazer, depois da primeira jornada do Mundial, é colocar Messi no Olimpo e Ronaldo nas catacumbas.

Fingem mais uma vez que se pode comparar o que não é comparável.

Muitos até dizem que Cristiano nunca foi um génio, que o seu talento é apenas fruto de muito trabalho e disciplina.

Se tivessem falado com os seus antigos companheiros das camadas jovens do Sporting, ou com os seus técnicos, percebiam que Ronaldo foi desde sempre, "o melhor de todos". Desde os iniciados até aos juniores.

Claro que foi sempre um jogador diferente de Messi, até na zona do terreno onde jogava. Por ser alto, forte e rápido, jogava nas alas, sem nunca perder de vista a baliza adversária. A velocidade, a força, a técnica e a inteligência, sempre foram as suas grandes armas. Messi, pequenino e franzino, valia-se da magia que tinha nos pés, para esconder a bola e ludibriar os adversários, ao mesmo tempo que era protegido (e bem) pelos árbitros, pela sua aparente fragilidade física.

É por isso natural que se note muito mais, a decadência futebolística de Cristiano. Além de ser mais velho dois anos e alguns meses, perdeu,  naturalmente, as suas principais armas. A velocidade e a força física não são as mesmas aos 42 anos, que eram aos 25, 30 ou 35 anos. É um problema com o qual Messi não se confronta de forma tão directa. A sua magia não se perde no tempo, porque faz parte da sua essência, sem estar dependente apenas da condição física, de mais ou menos velocidade.

É por isso que continuo a achar que não se pode comparar o que não é comparável.

Escrevi isto sem qualquer patriotismo bacoco. Para mim, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, são os melhores de sempre.

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


quarta-feira, junho 17, 2026

Nada disto é surpreeendente (nem a reacção dos portugueses)...


Como não tenho as expectativas muito elevadas em relação à nossa selecção de futebol no Mundial, não fiquei surpreendido com o empate, até por o Congo ser uma das melhores equipas africanas.

A verdadeira questão é a forma de jogar da selecção de Martinez, que  joga sempre "do meio-campo para trás", com aqueles passinhos inconsequentes, quase em género de "rabia". Mas há ainda um problema ainda grave, recorrente: a sensação de que os jogadores do meio-campo jogam em todo e lado e em sítio nenhum. Parece que jogam sempre fora dos lugares onde poderiam realmente render e dar espectáculo. Quando temos um Bernardo Silva (o mais desaproveitado), um Vitinha, um Bruno Fernandes ou um João Neves, na zona crucial do jogo, o mais natural era jogarmos de uma forma avassaladora e proporcionar situações de golo aos nossos avançados.

É por isso que espero que Jorge Jesus seja o próximo seleccionador. Com ele sei que a selecção passa a jogar do "meio-campo para a frente", sem medos, ao mesmo tempo que aproveita todas as potencialidades dos nossos melhores futebolistas.

Em relação aos habituais delírios portugueses, que vão da "besta ao bestial", de "melhores a piores do mundo", são isso mesmo, delírios...

(Fotografia de Luís Eme - Seixal)


segunda-feira, junho 15, 2026

Uma camisola cheia de metáforas...


Caminhava na passagem metálica entre o cais de desembarque e a estação fluvial do Cais de Sodré, quando vi uma coisa curiosa à minha frente,  a fazer de "segunda pele", de um senhor com ar de mais velho que eu.

Como mediano fotógrafo de rua, não perdi a oportunidade de lhe "roubar" uma fotografia, sem que ele desse por isso e mostrasse qualquer incómodo.

Senti logo que estava ali à minha frente, um objecto antigo cheio de metáforas...

Começava no número. Cristiano tinha vestido a camisola número dezassete em 2004 (a sete ainda pertencia ao Figo...). Entretanto, tinham passado vinte e dois anos. O jovem que tinha vinte anos, tem agora quarenta e dois.

Por muitos chás que tome, disfarçados de "elixires da juventude", o tempo não perdoa, especialmente em desportos altamente competitivos, como é o futebol.

O senhor da camisola não deve pensar como eu. Deve estar mais próximo do selecionador nacional, que por razões que a razão finge desconhecer, pensa que a melhor equipa portuguesa continua a ser Cristiano mais dez...

Pode ser que a meio do Mundial, a outra "razão" (a verdadeira) lhe mostre, que há muito mais mundo, para lá do "planeta ronaldo".

Se isso acontecer, pode ser que consigamos ser felizes...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, abril 02, 2026

Perdedores que são vencedores...


Lembrei-me de um vencedor que sempre foi olhado como um perdedor,  dentro de uma conversa sobre as nossas diferenças, sobre nem todos conseguirmos competir da mesma forma, depende sempre bastante do ambiente que nos rodeia.

Por o desporto ser o lugar onde se distribuem mais rótulos de vencedor e de perdedor, Fernando Mamede veio-me logo à memória.

Talvez ninguém tenha percebido de uma forma tão marcante, que o desporto não é para perdedores, como Mamede. Nem mesmo o facto de ter batido o recorde do Mundo dos dez mil metros com uma grande marca, que perdurou no tempo (cinco anos...), amenizou a imagem que se ficou dele, para todo o sempre...

Como homem frágil que era, deve ter sofrido horrores por lhe colarem na testa a palavra "derrotado", ignorando todos os seus êxitos. Recordo que esteve imbatível durante mais de um ano nos grandes meetings europeus, onde corria  ao lado (aliás, à frente....) dos melhores atletas do mundo. 

Logo o Fernando Mamede que ganhou tanto... Mas as pessoas só têm memória para Jogos Olímpicos, Campeonatos do Mundo e da Europa...

Infelizmente, a imagem que ficou, foi de que se ganhou muita coisa ao longo da sua carreira, mas foram sempre as provas erradas...

Pois é, a história diz-nos que um vencedor também pode passar por perdedor, mesmo que tenha sido um dos melhores fundistas do mundo, no seu tempo.

(Fotografia de autor desconhecido - que também é uma forma de homenagem a Moniz Pereira, o "Senhor Atletismo", que sempre o apoiou, mesmo nos momentos mais dramáticos)


sábado, dezembro 13, 2025

Um "Patinho Feio" Campeão do Mundo...


Há muito tempo que não ouvia tantas vozes a questionarem a vitória num Campeonato Mundial de Fórmula Um, conquistado no passado domingo por Lando Norris.

Até parece que o seu carro andou sozinho nas pistas, que ele se limitou a ficar sentado no seu interior. Ou que,  tanto Oscar Piastri como Max Verstappen, resolveram estender-lhe a passadeira e oferecer-lhe o título de 2025.

Ao contrário de vários especialistas, gostei bastante que Lando fosse Campeão do Mundo. Sei que ele cometeu alguns erros, que só o prejudicaram, pois poderia ter sido coroado campeão antes da última prova. Mas isso deve-se sobretudo à sua juventude.

Esta semana até colocaram em causa a sua "sexualidade", mesmo que tenha como namorada, uma miúda gira, que por acaso é portuguesa...

Mas nestas coisas dos campeões, quando não se cai em graça, por muito que se tente ser engraçado, é sempre mais difícil chegar lá.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quinta-feira, novembro 13, 2025

Ser simpático deveria ser a décima primeira qualidade de um treinador...


A selecção de futebol portuguesa está longe de ser a "melhor do mundo", como muitos comentadores e jornalistas a "pintam".

Quanto muito, tem alguns jogadores de nível mundial.

E não vai ser com "sonhos" e "palavras simpáticas" que se chega lá. É preciso muito trabalho, porque isto de se ser capaz de fazer uma grande equipa, com grandes jogadores, não é para todos.

Já percebi há algum tempo, que este seleccionador - apesar de ser muito simpático, falar português e tratar o Cristiano Ronaldo como "sua alteza" -, está longe de ter a qualidade técnica necessária, para construir a tal "equipa de sonho", capaz de desafiar qualquer outra selecção por esse mundo fora.

Embora se trate de uma mera opinião pessoal, não tenho grandes dúvidas que na actualidade, os únicos treinadores portugueses com capacidade para construírem a tal "grande equipa", seriam Jorge Jesus, Abel Ferreira ou Leonardo Jardim.

(Fotografia de Luís Eme - Seixal)


segunda-feira, junho 09, 2025

As vitórias escondem tudo, mesmo que seja por um só dia...


As vitórias são o que são no desporto, especialmente no futebol, o lugar onde se passa mais rapidamente de besta a bestial e vice-versa.

Tudo isto para dizer que, nada mudou em relação ao que penso sobre o seleccionador nacional de futebol, Roberto Martinez, depois da vitória na Liga das Nações.

Basta olhar para o onze que escolheu (a insistência em João Neves a defesa-direito ou de Francisco Conceição a titular, sabendo que ele é bom como "agitador" de jogo, ou seja a entrar quando as coisas não estão a correr bem), numa final que era para ganhar denota, sobretudo, "burrice"...

Até o presidente da federação que andou a tomar refeições e a conversar com José Mourinho, Jorge Jesus e Sérgio Conceição, teve de afirmar na televisão que ele vai ficar até ao fim do contrato (veremos...).

A única coisa que sei, é que estes jogadores enormes, mereciam quem aproveitasse melhor as suas potencialidades, sem termos de estar a espera de golpes de sorte ou de recortes individuais, como foram os de um "gigante" chamado Nuno Mendes, de um malabarista como é Rafael Leão e de um guarda-redes extraordinário, como é o Diogo Costa, que adora defender grandes penalidades.

Apesar de considerar o Cristiano, um grande campeão e o maior atleta do mundo, não gosto que esta selecção "continue a ser dele". Ele já não tem condições para ser indiscutível, mas sim, para ser apenas mais um no grupo de vinte e seis (mesmo sabendo que ele nunca irá aceitar essa condição)...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, novembro 06, 2024

E esta? Afinal correu tudo bem...


Como devem calcular não estou a falar das eleições nos EUA (é um problema sobretudo dos norte-americanos, das maiorias - mulheres - e das minorias - latinos e pretos - que votaram no "homem cor de laranja". Além disso sei que ele não vai fazer todas aquelas coisas estúpidas que prometeu fazer na campanha...).

Estou a falar, sim, de Ruben Amorim, que já é o melhor treinador português da actualidade. E será, com toda a certeza, dentro de dois ou três anos, o nosso melhor de sempre.

Sei que só alguém muito, muito especial, serias capaz de dar a "volta por cima", perante um cenário desportivo, que tinha tudo para correr mal (ser "obrigado a ficar" e dirigir a equipa em três jogos, depois de assinar por outro clube...).

Mesmo não sendo "lagarto", estou grato a Ruben Amorim, por ser diferente, para melhor, da maior parte dos treinadores, e mesmo assim ganhar. 

Basta pensar que é o único treinador português do lote dos nossos cinco melhores, que nunca se desculpa ou fala de arbitragens, quando perde jogos, ao contrário de José Mourinho, Jorge Jesus, Abel Ferreira ou Sérgio Conceição.

Embora seja difícil, tenho a esperança de que um dia o Ruben volte ao Benfica...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, outubro 30, 2024

Quando "o Feitiço se vira contra o Feiticeiro"...


Por estes dias, o Manchester United está a fazer ao Sporting, o mesmo que este fez ao S. Braga, há mais de quatro anos: "compra" Ruben Amorim, pagando a respectiva cláusula de rescisão. E ponto final.

É apenas mais um bom exemplo de que adoramos fazer aos outros, coisas que não gostamos que nos façam a nós...

E como nos diz, muito bem, a sabedoria popular: "o feitiço virou-se (mais uma vez) contra o feiticeiro". 

Todos aqueles que dizem que este caso não é comparável, falam com o coração e não com a razão, o que até é perfeitamente legitimo num adepto de futebol.

Já o mesmo não se pode dizer dos gestores profissionais do clube. É por isso que não percebo toda a carga dramática que os dirigentes do Sporting estão a colocar no balneário, no treinador e nos jogadores, quando se percebe que a cabeça do técnico já está em Inglaterra. 

Em vez de se desenvencilharem do "problema", o mais rapidamente possível, estão a fazer os possíveis para que ele deixe cada vez mais marcas na equipa, colocando em causa, tudo, até o primeiro lugar que ocupam no campeonato...

(Fotografia de Luís Eme - Beira Baixa)


segunda-feira, agosto 12, 2024

O ouro inesperado de dois grandes campeões


A primeira imagem que me ficou gravada, depois da vitória inesquecível de Iúri Ribeiro e Rui Oliveira, na competição de ciclismo de pista, foi a alegria genuína dos dois jovens, para quem o sonho do ouro olímpico, era isso mesmo, apenas um sonho.

Mas felizmente há sonhos que se tornam realidade.

Claro que só se tornam realidade, quando se consegue lutar até à exaustão por eles, com espírito de sacrifício, inteligência e com a sorte dos campeões.

E foi isso que o Iúri e o Rui fizeram. 

E depois foi um espectáculo, dentro de outro espectáculo, protagonizado por quem ainda não acreditava no que tinha acontecido. 

Vou ainda mais longe, nunca tinha visto ninguém a cantar o hino de forma tão emotiva e feliz, depois de terem recebido as medalhas.

(fotografia de autor desconhecido retirada do site do "Record")


quinta-feira, junho 27, 2024

As habituais contradições do dia seguinte...


Não tinha pensado escrever sobre a Selecção e sobre o Europeu, por sentir (como de costume...), que as espectativas estavam demasiado altas.

E continuo a pensar, que não há nada melhor que uma derrota, para colocar toda a gente com os pés no chão. Claro que não é preciso viajar do 80 ao 8, nem os "bestiais" passarem a "bestas", em apenas noventa minutos... Muito menos que o senhor Martinez passe a ser apenas o "espanhol" (sim, com letra minúscula).

Continuo a pensar que não somos a melhor Selecção da Europa. Mas também acredito que tudo é possível, basta que a sorte fique no nosso lado (o que não aconteceu ontem, além das ofertas que fizemos, o árbitro também era do clube dos que "não gostam do Ronaldo" (é a única explicação para não marcar o penalty das puxadelas da camisa...).

Só espero é que os jogadores pensem como eu. Faz muito mal a qualquer equipa, achar que são "os melhores da europa", antes de jogarem. 

É muito importante respeitar os adversários.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quinta-feira, novembro 30, 2023

Prémios enfiados dentro de "nuvens cinzentas"...


De longe a longe apanho uma ou outra notícia (antigas e raras...) de gente que recusou prémios, normalmente literários, por não os considerar justos... ou apenas por aparecerem tarde demais... 

Antes de Abril não se dava qualquer destaque a estes acontecimentos (bendita "censura", que até protegia os júris dos "prémios literários"), assim como a outros que fossem passíveis de provocar polémica na nossa "santa terrinha".

Lembrei-me disto e doutras coisas, quando cheguei a casa, depois de ter passado pela pista de atletismo municipal e perceber que agora tinha um patrono, que estava longe de ser a grande figura da modalidade no concelho de Almada (vou escrever sobre isso no "Casario").

O mais curioso é que durante a tarde tinha-me deparado com uma entrevista (já com uns anitos) de Rodrigo Guedes de Carvalho, em que ele diz: «O meio literário é uma nuvem cinzenta, sem rosto, cheia de sussurros, uma casta que manobra, que atribui prémios ou que se insinua junto de agentes para traduções e que vai de alguma forma impondo uma ideia do que é bom e do que é mau, sem que ninguém lhe tenha perguntado nada.»

Apeteceu-me sorrir quando recordei um escritor amigo, que já não está entre nós, que me contou da sua felicidade quando recusou um prémio literário, com alguma importância, por sentir que este já chegava tarde demais. Disse-lhes que não precisava nem queria aquele prémio para nada. Mas eles fingiram que não se tinha passado nada e deram o prémio a outro autor, que deve ter ficado feliz da vida...

Sei que isto diz muito de nós, pois nem na atribuição de prémios, ou de outras honrarias, conseguimos ser dignos e justos. Privilegiamos mais a amizade e o compadrio, que a qualidade...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, setembro 19, 2023

O outro lado do futebol (com pessoas como nós)...


Felizmente o futebol às vezes consegue escapar ao negócio e a toda a clubite doentia, que o suja e empobrece.

Hoje deixou-nos um treinador brasileiro, que tive a felicidade de conhecer e de ouvir excelentes histórias de um futebol que já não existe, o grande (em tamanho e em qualidade humana) Marinho Peres. 

E depois acabei por me lembrar de outro excelente treinador (que também foi um grande jogador, internacional, como o Marinho...), o Jaime Graça, que também me contou vários episódios inesquecíveis, dos seus tempos de atleta e também de técnico. Estupidamente o Jaime nunca pode demonstrar o seu real valor como treinador. Foi como se o seu nome tivesse sido "vetado" na primeira divisão dos nossos campeonatos... 

Fingiu que não se sentiu incomodado ou injustiçado, por saber que havia coisas mais importantes que o sucesso (sucesso que conheceu muito bem como jogador, pois fez parte da selecção dos "Magriços", que obteve o excelente 3.º lugar no Mundial da Inglaterra e foi um dos grandes jogadores do Benfica dos anos sessenta...). E depois fez um trabalho notável no futebol juvenil do Benfica..

E por falar em "sucesso", fiquei muito feliz por o João Félix estar a brilhar no Barcelona (hoje marcou mais dois golos...) e demonstrar que os vários problemas que enfrentou no Atlético Madrid, tinham pouco a ver com o seu valor como futebolista...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, setembro 10, 2023

A ignorância "atrevida" e "burra" televisiva (cada vez mais normal)...


Logo que ouvi pela primeira vez a notícia, pareceu-me estranha, até pela marca obtida ser demasiado vulgar. Refiro-me ao recorde dos 10.000 metros tão badalado hoje nas televisões, porque finalmente Samuel Barata tinha batido o recorde nacional desta distância (com 27.45,00")  de Fernando Mamede.

Como fiz atletismo e gostava de estatística, tinha algum conhecimento sobre as melhores marcas nacionais de praticamente todas as disciplinas. Com o passar dos anos, fui-me afastando da modalidade, mas não ao ponto de perceber que estava a ouvir uma "burrice" nos vários canais televisivos que anunciavam o dito recorde.

Consultei a lista dos recordes nacionais e das melhores marcas e verifiquei que estava certo. Ou seja, estava a dar-se relevo a algo que nunca teve grande importância, que são os tempos obtidos em provas de estrada (se excluirmos a maratona...). E isso acontece porque há diferenças substanciais entre os vários percursos, que podem ser mais - ou menos - favoráveis a que se obtenham grandes marcas. Isso acontece por exemplo nas maratonas. Há duas ou três maratonas espalhadas pelo Mundo que são as onde se conseguem melhores resultados, e por essa razão são as mais procuradas pelos atletas...

Ou seja, o verdadeiro recorde de Portugal dos 10.000 metros, nem sequer pertence a Fernando Mamede. É de António Pinto e foi obtido em 1999, com 27.12,47". A segunda e terceira melhor marcas pertencem a Fernando Mamede e a Carlos Lopes, obtidos na mesma prova realizada a 2 Julho de 1984, que toda a gente que gosta de atletismo se deve recordar. Carlos Lopes estava isolado, quando Fernando Mamede faz uma parte final de prova incrível e além de passar Lopes, bateu o recorde Nacional e o recorde do Mundo (que nessa prova também foi batido por Carlos Lopes...). Mamede conseguiu a excelente marca de 27.13,81" e Lopes, 27.17,48". E ainda existem duas outras marcas com tempos inferiores ao de Samuel Barata, em pista, as de Domingos Castro (27.34,53", obtida em 1993) e de Dionísio Castro (27.42,84" em 1988).

Sem pretender desvalorizar o valor de Samuel Barata, sei que está longe da qualidade atlética destes cinco fundistas portugueses citados (na sua época eram dos melhores do Mundo)...

Se queriam noticiar este feito, não deviam falar em recorde, mas sim em melhor marca. E sem se esquecerem de dizer que tinha sido obtido numa prova de estrada, que continua a estar longe de ter a credibilidade dos tempos realizados numa pista de atletismo.

Estranho não ouvir ninguém da FPA (Federação Portuguesa de Atletismo) a manifestar-se sobre esta notícia. 

(Fotografia de Luís Eme - Óbidos)


sábado, junho 03, 2023

"O Planeta Ronaldo" continua a dominar a Selecção


Quando as pessoas ocupam um novo cargo, devemos-lhe alguma condescendência, quanto mais não seja por estas ainda estarem a "conhecer os cantos à casa".

Só que por vezes, logo nos seus primeiros discursos, descobre-se ao que vêem. Isso percebeu-se com alguma nitidez quando só faltou ao novo seleccionador de futebol dizer-nos: "não se preocupem, que eu não vou mudar os 'cantos à casa', a equipa que joga continua a ser Ronaldo e mais dez".

Se o faz por uma questão de sobrevivência, é no mínimo triste. Se o faz por ter problemas de carácter, a história ainda é pior.

Pensava que com a chegada de um novo seleccionador, entrava-se num tempo novo, colocando todos os jogadores no mesmo patamar, acabando com as histórias de existirem "donos da selecção", ou que esta não passava do "clube dos amigos do ronaldo".

Infelizmente o seu começo diz-nos o contrário. Mudou-se o nome do homem, mas continua tudo igual.

Não sei se o João Mário conseguiu colocar o "dedo na ferida". Mas o exemplo que deu, para justificar o seu abandono, é contundente. Quando se está na melhor forma de sempre e só se entra no último minuto de um jogo "quase a feijões" (estamos a falar de um jogador com mais de 50 internacionalizações e não de um estreante...), percebe-se que aquele não é o nosso lugar, que aquela não é a nossa selecção. E embora seja benfiquista, também continuo a não perceber como é um jogador como o Pedro Gonçalves, continua a não ser escolhido para os 25 ou 26...

Tudo isto para dizer que gosto pouco do discurso de pessoas como o senhor Martinez, que tentam agradar a gregos e a troianos.  E tem sempre uma "resposta para tudo" na manga, "politicamente correcta" (como convém...), para justificar as suas opções.

A sorte dele, é ter alguns dos melhores jogadores do mundo. E como já se percebeu, ele não é de "inventar muito", pelo que o difícil é não ter sucesso.

Mas é triste que a selecção continue a não ser "de todos nós"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, dezembro 29, 2022

O Adeus ao Verdadeiro Rei...


Pelé deixou-nos hoje.

Ao contrário de Maradona, Ronaldo Nazário, Messi ou Cristiano Ronaldo, Pelé foi considerado o "melhor futebolista de todos os tempos", enquanto andou a espalhar magia pelos estádios de futebol do mundo inteiro.

E isso não aconteceu por falta de concorrência. Foi contemporâneo de Eusébio, a nossa "pantera negra", e também de Johan Cruyff, que chegou a ser apelidado do "pelé branco", que também foram extraordinários futebolistas e fazem parte da história do "Desporto-Rei".

Não sei se a elegância, a beleza e a espectacularidade dos gestos técnicos de Pelé se ficaram a dever ao facto de o futebol do seu tempo ser mais lento, sei que nunca existiu um futebolista tão completo como ele. Usou os dois pés e a cabeça como mais ninguém, na arte de marcar golos.

É provável que se o futebol fosse uma disciplina do circo, Maradona e Messi, o suplantassem, mas só mesmo na "arte circense", com dribles para todos os gostos e outros truques que arrebatam plateias.

Mas não é.

E é por isso que não tenho qualquer dúvida que Pelé foi, e é, o verdadeiro Rei do "Desporto-Rei".

(Fotografia de autor desconhecido)


terça-feira, dezembro 06, 2022

Coisas Normais num Mundo quase Estranho...


Num mundo ligeiramente mais perfeito falava-se de muitas outras coisas, para além de Cristiano Ronaldo, que todos sabem que já não é um rapaz de 20 anos.

E seria uma coisa perfeitamente normal, um jogador já com 37 anos, começar o jogo no banco dos suplentes, resguardando-se para aquela que pode ser a fase decisiva da partida, que até pode ter prolongamento, como aconteceu no Espanha-Marrocos.

Não sei o que é que se passa com o nosso seleccionador, mas é uma coisa estranhíssima (segundo o seu historial...), dar a titularidade a Gonçalo Ramos, mesmo que ele tenha sido o nosso melhor avançado durante esta campanha (Rafael Leão e André Silva pareceram "corpos estranhos", na selecção, nos momentos em que jogaram...).

Acredito que com esta equipa iremos vencer o jogo.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, outubro 21, 2022

Quase no final de 2022 percebe-se que Cristiano Ronaldo, afinal, sempre é Humano...


Cristiano Ronaldo desde o começo da época que tomou opções, que tinham tudo para acabar mal, como parece que irá acontecer (é quase impossível reverter a sua situação em Manchester...) num futuro próximo.

A única solução que iria conseguir "apagar" a sua ausência na pré-época, seriam os golos. Só que eles não têm aparecido. Só eles é que teriam conseguido derrotar a "arrogância" do novo técnico holandês.

E é aqui que se percebe que, afinal, Cristiano Ronaldo sempre é humano. Não tem nada de "extra-terrestre", como se chegou a insinuar. Também tem fragilidades, comete erros, não é perfeito. 

Mas tem um passado, que fala por ele (ou pelo menos devia falar...).

Infelizmente o treinador do M. United não tem qualquer respeito pelo passado e presente de Cristiano Ronaldo. Até se fica com a sensação que só aceitou ficar com Ronaldo no clube, para lhe "dar uma lição", para lhe explicar que é ele que manda na equipa e que só joga quem ele quer.

Ao contrário de muitos, tenho a convicção de que Cristiano Ronaldo não está "acabado" para o futebol, mas terá de ser mais inteligente a gerir este final de carreira. Caso contrário, arrisca-se a ter de ir para as Arábias ou Américas e acabar a carreira de futebolista (sem qualquer dúvida, um dos cinco melhores do mundo de sempre) na sombra...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


segunda-feira, setembro 05, 2022

Cristiano Ronaldo e a Tentativa do seu "Assassinato Futebolístico"


Quando qualquer pessoa famosa ou poderosa, tem um momento infeliz na sua vida ou começa a cair em desgraça, por qualquer motivo, percebe que o "ódio" fica mesmo na porta ao lado do "amor".

Cristiano Ronaldo já tinha experimentado mais do que uma vez, essa vertigem tão comum no futebol, de se passar de besta a bestial, em apenas um minuto, mas não deve ter imaginado que era tão invejado e odiado, especialmente pelo "mundo" que se alimenta cada vez mais de especulações e menos de notícias.

Sem lhe perguntarem para onde queria ir jogar, colocaram-no em quase todos os continentes. E também em clubes, mais e menos importantes. Alguns tiveram o cuidado de dizer, "Cristiano Ronaldo, não obrigado", como aconteceu na Alemanha, por exemplo. Outros devem ter ficado tão surpreendidos com as notícias como Cristiano. No último dia de mercado, quase em desespero, por perceberem que ele ia ficar mesmo em Manchester, ainda o "empurraram" para a Turquia, mas quase em jeito de piada. O Sporting não escapou a esta polémica, nem o seu treinador, Ruben Amorim, que até foram capazes de escrever e dizer que se o Ronaldo viesse, ele se demitia... Inteligente e frontal como Ruben é, não teve qualquer problema em dizer que tudo aquilo era mentira, que o jogador nunca fora sequer discutido como hipótese para o clube de Alvalade (o que qualquer pessoa inteligente percebe, pelos valores envolvidos...).

Nunca se foi tão longe na divulgação de mentiras, como neste mercado futebolístico. É evidente que Cristiano nunca iria jogar para o Atlético de Madrid, depois de jogar no Real, tal como não fora na época passada para o Manchester City, nem nunca iria para o Benfica...

Nesta tentativa de "assassinato futebolístico" de Ronaldo, estranhei o "silêncio ensurdecedor" do seu empresário, que não deu um único passo em sua defesa. E também não fazia ideia que havia tantos comentadores desportivos ingleses que não o suportavam.

Apesar de ter de lutar contra "tudo e todos", espero que o Cristiano volte rapidamente aos golos e dê a resposta certa dentro dos relvados a todos aqueles que o detestam e querem ser eles a decidir o fim da sua carreira do melhor jogador português de todos os tempos.

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


quarta-feira, agosto 10, 2022

Fernando Chalana (1959-2022)


Fernando Chalana deixou-nos hoje. 

Foi o maior génio do futebol que a minha geração teve o prazer de ver nos estádios. A baixa estatura nunca foi um problema para ele. Além de ser um dos futebolistas mais rápidos e inteligentes com a bola nos pés, tinha uma coisa fundamental para um jogador, corria sempre em frente, na direcção da baliza. Embora fosse dos melhores tecnicamente, não perdia tempo com rodriguinhos. Era senhor para "sentar" os adversários na relva, mas sem perder de vista a baliza e os seus companheiros melhor posicionados para fazerem golo, a razão da festa do futebol.

Cresceu ainda no tempo que o "futebol era a brincar", em que o profissionalismo deixava muito a desejar. A sua genialidade fazia com que fosse um dos "alvos" preferidos dos defesas adversários. E como tal acabou por ser fustigado por muitas lesões, algumas graves, que acabaram por comprometer a sua carreira, que poderia ter (e bem merecia) um final bem mais feliz.

O exemplo de Fernando Chalana (tal como aconteceu com Eusébio), diz-nos, mais uma vez,  que a genialidade e a simplicidade podem coabitar com sucesso, tanto na vida como no desporto. E ainda bem.

(Fotografia de Autor Desconhecido)