Mostrar mensagens com a etiqueta Agricultura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Agricultura. Mostrar todas as mensagens

domingo, junho 08, 2025

Eu sei que há muito mais coisas, para além da "vida do campo", mas...


Apetece-me escrever, que "não há nada como a vida do campo"... mas claro que há, até mesmo para mim, que desde a infância, a "parte de leão" das férias grandes eram passadas na casa dos meus avós maternos, que eram agricultores a tempo inteiro.

Além da autêntica "quinta pedagógica" que ocupava os dois pátios rente à casa (havia um pouco de tudo, bois, burra, porcos, coelhos, galinhas, por vezes patos, o peru do Natal, e até porquinhos da índia... Havia as fazendas, as vinhas e outros espaços de brincadeira com os rapazes da aldeia, como os pinhais ou até o rio... ou seja, as férias eram um tempo de descoberta e de aventura...

Mesmo com estas memórias, há muito mais vida para lá dos campos. Até porque eu nestes tempos estava longe de adorar o trabalho agrícola, fingia que era um "menino da cidade", ao contrário do meu irmão.

Onde eu já vou...

Queria apenas dizer que passei este fim de semana (foi tudo demasiado rápido...) no campo, acordei duas noites com o chilrear da passarada (que é música para os meus ouvidos e algo de irritante para a minha companheira...).

O mais curioso, é que mesmo com televisão e internet dentro dos telemóveis, ela nunca foi ligada... e não senti falta nenhuma do mundo digital...

Claro que isto só aconteceu porque foram apenas dois dias e duas noites passados nos campos... sem tempo para sentir saudades do que quer que seja...

(Fotografia de Luís Eme - Beira Baixa)


terça-feira, outubro 29, 2024

O passado, além de nos começar a perseguir, a partir de uma certa altura das nossas vidas, também pode ser motivo de orgulho...


Estava com as mãos na terra castanha, a apanhar as ervas que cercavam os pés das videiras, antes de as podar, e a pensar no prazer que tenho em mexer e remexer nesta areia diferente, que me pinta as mãos de castanho, por deixar as luvas arrumadas na prateleira da garagem, voluntariamente...

Sou o único que faz isso. Todos os restantes elementos da família, antes de fazerem qualquer coisa, no terreno com cada vez menos uso, enfiam as luvas nas mãos, como se este mundo lhes fosse estranho. E é...

Nenhum deles teve um Avô, agricultor a tempo inteiro, numa aldeia que era o espaço privilegiado das férias grandes, minhas e do meu irmão, que tinham muito mais campo que mar, na infância... 

Penso sempre nele, quando olho para as minhas mãos castanhas enquanto mexo na terra estranha, que produz muito mais ervas daninhas que plantas para consumo interno. Se tivesse escutado os seus conselhos em vez de andar a brincar com o meu irmão, muitas vezes em "terrenos proibidos", onde deixávamos sempre a marca do nosso calçado, quase como "impressão digital", talvez o hoje fosse diferente... Mas aqueles eram tempos de brincar, e eu estava longe de sonhar ser agricultor, até por saber e ver a roda viva do avó, que saltava quase diariamente de fazenda em fazenda, porque era ali que estava o seu sustento...

E gosto de pensar no Avô, não só por ser um tempo feliz, este da infância, mas por sentir um grande orgulho neste homem, excessivamente sério, incapaz de apanhar uma peça de fruta, mesmo da que cai no chão, de uma fazenda que não fosse sua...

(Fotografia de Luís Eme - Óbidos)


sexta-feira, abril 26, 2024

Com amigos destes...


Acho curioso (mas não devia...) que os comentários mais cínicos sobre a escolha do nosso novo Sebastião, sejam de comentadores de direita (pois é, são a maioria, pelo menos nas televisões...), que não se esquecem de referir: "eu sou amigo dele, mas..." (há muito  por aí quem defenda que amigo não empata amigo, até na cobiça da namorada alheia...).

Temos a mania de que a célebre "dor de cotovelo" é mais portuguesa que universal. Manias... O que não há dúvida é que alguns comentadores com mais uns anitos que Bugalho, a escrever e a falar, aqui e ali, acham que também já deviam ter a oportunidade para dar o "salto" e encher os bolsos (ainda por cima este dinheiro é "europeu", vale mais...).

Mas a realidade é outra coisa. E posso dar um exemplo familiar: o único comentador de quem a minha mãe me falou nos últimos tempos é do "rapaz penteadinho e bem vestidinho", que é capaz de dizer as maiores barbaridades, com o ar mais sério do mundo (ela é socialista e continua a ter uma "adoração" pelo Costa...).

O mais curioso é a atenção que tem sido dada à "agricultura" nestes dias pouco pardacentos. Não se trata apenas do Marcelo ter chamado a Montenegro de "saloio" (mesmo que ele seja mais urbano e moderno do que o que o presidente pensa, esta escolha fala por si...), há também vários comentadores que foram buscar os "melões" (coitados, não tiveram um avô que lhes ensinasse a escolhê-los e devem comprar demasiados "pepinos" em forma oval...), para dizer que o jovem é uma "incógnita".

Sem cinismos, eu acho que se trata de uma boa escolha, pelo menos para quem quer ser segundo nas eleições...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


terça-feira, janeiro 30, 2024

Ser agricultor quase a brincar...


Ontem e hoje de manhã andei armado em agricultor.

Já devo ter escrito que quando era pequenote e passava uma boa parte das férias grandes em casa dos meus avós maternos, detestava aquela vida do campo. O meu avô era agricultor a tempo inteiro e tinha quase uma dezena de fazendas. Não recordo o nome de todas, mas não esqueci o das mais importantes, a "Ambrósia" (a jóia da coroa...), a "Várzea", o "Arneiro" ou o "Vale da Moira" (estas duas eram vinhas...).

Eu, ao contrário do meu irmão, não tinha qualquer fascínio por aquelas coisas, nem tão pouco pela variedade de animais, que podiam suplantar algumas "quintas pedagógicas"...

Foi preciso crescer e fazer-me homem para gostar dos milagres da natureza, de ver as coisas a crescerem desde a semente até ao fruto.

Embora goste de quase tudo, mexer na terra suplanta tudo. Sou o único que nunca usa luvas nas tarefas agrícolas (normalmente fico com as unhas ligeiramente castanhas, mas é uma maravilha o contacto com a terra e com as plantas...).

(Fotografia de Luís Eme - Sobreda)


domingo, agosto 23, 2015

A Chuva de Verão


Gosto da chuva de Verão, provavelmente por ela nunca ser duradoura.

Aparece e desaparece num ápice, ao mesmo tempo que nos deixa o cheiro agradável a terra molhada, para quem  mora em lugares onde ainda existem pequenas amostras de campos e jardins... E amanhã de certeza que as ruas da cidade também vão cheirar menos mal, depois destes últimos meses fartos em calor...

Os únicos que não devem achar muita graça à coisa são os agricultores, que já estavam a fazer contas de cabeça e à espera que fosse declarada "seca", de Norte a Sul... mas a natureza (e o São Pedro...) gostam de ser desmancha-prazeres e ainda bem.

Claro que não fui dançar para a rua como o Gene Kelly, mas que foi bom sentir os fios de água a salpicarem-me a roupa e o rosto, foi.

sábado, março 22, 2014

As Árvores e a Poesia


Ontem não escrevi nada por aqui sobre as árvores e sobre a poesia, de propósito.

Não me apeteceu deixar um poema, muito menos meter-me com a natureza, com as plantas, tão maltratadas por muitos de nós, apesar de serem essenciais à vida...

Tinha pensado em escrever sobre a minha relação com elas, por terem entrado em tempos diferentes na minha vida, por razões absolutamente naturais. 

Por ser descendente de agricultores, desde muito cedo me habituei a conviver com a natureza. Excluindo os quinze dias passados na praia, eu e o meu irmão passávamos os mais de dois meses das férias grandes em Salir de Matos, na casa dos meus avós.

À distância de mais de quarenta anos, sinto que o tempo não era barreira para nada, ou seja, tínhamos tempo para tudo...

Além das mil e uma brincadeiras com amigos, visitávamos as fazendas do avó (a Ambrósia, o Arneiro, a Várzea, o Vale da Moira...), onde eu e o meu irmão éramos mais "pisadores" que ajudantes...

O avô era um mestre das coisas da natureza, estava sempre pronto a ensinar-nos e a explicar-nos o ciclo da vida das plantas. E também gostava de nos contar histórias (uma boa parte eram lendas populares que vinham de gerações). Ainda o consigo ver, ele sentado na cadeira da cozinha e nós sentados nas escadas de pedra que davam para a "casa de fora", muito atentos e em silêncio.

Da poesia não encontro um rasto... Camões deve ter sido o primeiro poeta que me foi oferecido, já na escola primária (o Bocage era espalhado de boca em boca, nas anedotas em que era sempre mais esperto que os espanhóis, franceses ou ingleses, mas nesses tempos não fazia ideia que fosse poeta...).

Na secundária conheci mais poetas. Gostava sobretudo da Sophia...

Pessoa descubro-o já no fim da adolescência. Era impossível não ficar deslumbrado com tanto talento "circense". Sim, ele era palhaço, domava leões, fazia malabarismo e também muito ilusionismo. E fazia tudo bem...

Os seja, a natureza foi-me imposta pelas raízes familiares. A poesia não, foi (e continua a ser) descoberta por mim.

Nesta imagem apareço eu e o meu irmão, disfarçados de agricultores, nos finais dos anos 1960, na Ambrósia...

terça-feira, janeiro 22, 2013

Quando as Árvores Decidem Morrer Deitadas


Um dos aspectos mais tenebrosos destes dias de vendaval, foram as muitas árvores que se deixaram derrotar e decidiram morrer deitadas, contrariando o velho hábito de se despedirem da vida de pé.

E tanto posso falar das árvores centenárias da Serra de Sintra, do Parque das Caldas da Rainha e de tantos outros lugares quase paradiziacos, como de árvores produtivas como as oliveiras, laranjeiras ou pereiros, que também não aguentaram as tropelias do tempo.

O óleo é de Z. Z. Wei.

quinta-feira, abril 19, 2012

O País do Salazar já Anda por aí, à Espreita, numa Esquina Perto de Nós


Os "prodígios" económicos e financeiros deste governo, não param de me espantar. Cada vez há menos emprego e as perspectivas de sairmos do buraco" onde nos encontramos, estão a ficar mais longe. 
Mesmo assim os senhores insistem em ser mais duros que a própria "troika", em qualquer medida ou reforma. Mas como não querem que ninguém morra à fome, fazem publicidade aos refeitórios que vão abrindo, onde distribuem sopinha para os pobres. E agora também distribuem terras, para quem as quiser cultivar.

O tentativa de recriar o país rural que existia antes de 1974 está de volta,  em que mais de metade da população se limitava a trabalhar para comer.


Compreendo cada vez mais os capitães de Abril que se manifestam e dizem que não foi para isto que fizeram a Revolução dos Cravos.

O óleo é de Gene Brown.

sexta-feira, julho 08, 2011

A Margem Sul e o Tejo da Maluda


Gosto muito da geometria e das cores da Maluda.


Embora esta Margem Sul dos combustíveis não seja a mais recomendável, não deixa de ser um belo quadro, ainda com muito campo aberto, preparado para aceitar os desafios do Presidente da República, da aposta na agricultura. O azar do senhor é o passado não se apagar com uma simples borracha, e, mesmo aqueles que têm a memória curta não se esquecerem do sujeito que era primeiro-ministro quando se "desmantelou" praticamente a agricultura e as pescas...

sábado, novembro 29, 2008

A Apanha da Azeitona

A nossa agricultura tem sido bastante condicionada pela União Europeia. Uma das actividades que vão resistindo é a apanha da azeitona. Não é por acaso que continuamos a ter um dos melhores azeites do mundo...

Os nossos maiores olivais existem nas Beiras e nos Alentejos. Muitos deles hoje são propriedade espanhola...
Apesar de ser uma tarefa árdua, vai resistindo ao tempo.
Esta prosa deve-se ao facto de ter sido convidado para participar na "apanha da azeitona" na Beira-Baixa, neste Outono, onde ainda tenho raízes paternas. Claro que com este frio, nem pensar. Mas senti alguma curiosidade em assistir e ajudar neste trabalho agricola, ainda bastante artesanal, por esse interior fora...
Esta fotografia antiga mostra-nos o traje feminino usado na apanha da azeitona, e é, de 1912. O autor é desconhecido.