Estrada nacional
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alguém lhe tirou
as medidas
altura, largura
ombros, pés
provável rosto desfeito,
cicatrizes incontáveis
e naquele entroncamento
plantam-se
flores de plástico
acendem-se velas
todas as semanas
a recordação incessante
do que se perdeu
amanhã ou depois
mando gravar o
teu nome no passeio
mando apagar a
borracha que marca o asfalto
amanhã ou
depois: passo sem te ver
mas as flores
continuam lá
as velas são
substituídas
o tempo teima em
não passar
pelo menos para
ti