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segunda-feira, 25 de abril de 2011

Clássico na Loja: “Alta-Fidelidade” de Nick Hornby


O magnífico livro de Nick Hornby, “Alta-Fidelidade”, é um clássico para qualquer pessoa que atende numa loja de discos, incluindo aqui no Dupond e Dupont. Todos nós, sobretudo homens lojistas, nos revemos naquelas personagens. Todos nós temos um bocadinho de Rob (o patrão da Championship Vinyl) e de Dick e Barry (os seus empregados). Também atendemos com enfado os executivos com mau gosto, também falamos de gajas, também adoramos fazer todo o tipo de listas, também não temos muito jeito para grandes margens de lucro. E no entanto formamos um loja especial – especialmente disfuncional. É assim que funciona a loja de discos londrina Championship Vinyl, um dos cenários do livro, a par do apartamento de Rob e do pub onde actua a amiga norte-americana do trio de lojistas. Pelo meio, no meio de tudo, está a ex-namorada Laura, sempre a assaltar a mente deliciosamente egoista e ressabiada de Rob.

A mais insípida e americanizada versão cinematográfica do romance, realizada por Stephen Frears, faz-nos ainda gostar mais do livro. O que falta ao filme sublinha o que a obra de Nick Hornby tem: aquele humor britânico tão corrosivo e auto-crítico.

GP

quarta-feira, 30 de março de 2011

Preparativos para um casamento, segundo Adrian Tomine


Saiu há coisa de um mês na magnífica editora canadiana Drawn & Quarterly. E é o livro mais recente desse notável autor chamado Adrian Tomine. Ou seja, mais um da trupe dos autores norte-americanos de banda desenhada que fizeram da sua a vida a sua arte, enfiando para dentro das suas histórias aquilo que a vida lhes enfia para dentro do dia-a-dia.

No caso de Scenes from an Impending Marriage, nada mais se passa no pequeno objecto de 54 páginas que não seja o relato dos preparativos para o casamento de Adrian com a sua mulher, Sarah. Sem a melancolia de álbuns soberbos como Summer Blonde ou Shortcomings, este é um pequeno divertimento, uma brincadeira terna, honesta e despretensiosa que o autor resolveu promover a livro. E ainda bem que o fez. Lê-se rapidamente de pé, enquanto se espera companhia para jantar. E fica-se com o coração mais quentinho. E apetece guardar na mesa de cabeceira e voltar a ele todas as noites. Nem que seja só um bocadinho. Puro prazer.

GF

sexta-feira, 25 de março de 2011

O tempo perguntou ao tempo que horas são, Don DeLillo?


Há tempos que o tempo não me ocupava tanto tempo assim. Omega Point (Ponto Ómego quando a digestão se faz em português). O livro de Don DeLillo (não confundir com Don DeLuise, do Candid Camera) é uma das mais belas reflexões sobre o tempo - lato -, o tempo - nosso - e o que tempo - que julgávamos nosso, mas que se escapa e, na verdade, não é senão dele mesmo. O mote aparece sugestionado pela instalação de 24 Hour Psycho, aquela em que Douglas Gordon (o tipo que instalou 17 câmaras num campo de futebol para seguir cada movimento de Zidane) desacelera a obra-prima de Hitchcock até se esticar durante 24 horas.

Livro belíssimo, uma vez mais, porque esta decomposição dos movimentos, o fazer de cada miserável movimento a coisa mais importante do mundo e, simultânea e paradoxalmente, esvaziá-lo de sentido é simplesmente avassaladora. O falso-mistério do livro é de uma poesia sublime: ninguém quer verdadeiramente saber para onde foi 'ela'. O que interessa é que se foi; o interessa é o que se faz com isso; o que interessa é o que o deserto, em Point Omega, é o único elemento que não comporta miragens.

Tenho lido.

GF