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sexta-feira, 18 de março de 2011

MGMT


Quinzena Temática – produtos de Brooklyn em destaque

Os MGMT, formados pelo vocalista/guitarrista Andrew VanWyngarden e pelo teclista Ben Goldwasser, são, dentro do electro-psicadelismo, uma espécie de atletas de pentatlo moderno: muito bons nos mais diversos domínios. Decifram o atalho escondido para a glória pop, num patamar milionário Beatles/Rolling Stones/Beach Boys. E elaboram labirintos deslumbrantes quando é tempo de experimentar. Muitas vezes são um misto das duas coisas, e as suas músicas tornam-se um cocktail explosivo.

No álbum de estreia "Oracular Spectacular", foram exuberantes e expansivos, e de repente o mundo parecia uma coisa fácil de conquistar. No segundo álbum, "Congratulations", apareceram mais introspectivos e elaborados; podem ter desesperado a editora mas assinaram a sentença da eternidade.

São já grandes demais para se ficarem cingidos a um movimento localizado a uma área. E salvaguardadas as grandes diferenças, são actualmente o laboratório de teclados mais próximo do sucesso à larga escala dos Depeche Mode.



GP

segunda-feira, 14 de março de 2011

Just Kids (2010)


Quinzena Temática – produtos de Brooklyn em destaque

É um dos livros mais belos, despudorados e generosos de que a mitologia rock alguma vez se poderá orgulhar. O relato da relação entre Patti Smith e Robert Maplethorpe, pela mão dela e por promessa a ele, é uma prosa de evidentes qualidades literárias (venceu o prestigiado National Book Award e as canções de Patti não deixam muito a adivinhar para o seu talento em páginas A5), mas sobretudo de partilha abnegada de uma história de amor, amizade, cumplicidade artística e tudo o mais. Sempre com Brooklyn a correr em pano de fundo.

É de uma ternura e uma candura poéticas que quase o lançam para terras da ficção, mas ao mesmo tempo puxado para o lado de cá da vida por uma honestidade desarmante relativamente à pobreza romântica em que os dois viviam, bastam-se um ao outro, à paixão febril que os consumia e fazia de cada um a fonte de inspiração do outro, com Rimbaud na mesa de cabeceira.

'We were as Hansel and Gretel and we ventured out into the black forest of the world. There were temptations and witches and demons we never dreamed of and there was splendor we only partially imagined. No one could speak for these two young people nor tell with any truth of their days and nights together. Only Robert and I could tell it. Our story, as he called it. And, having gone, he left me the task to me to tell it to you'.



GF

domingo, 13 de março de 2011

Clap Your Hands Say Yeah


Quinzena Temática – produtos de Brooklyn em destaque

A transparência da internet deu justiça célere a um dos melhores álbuns pop-rock dos últimos anos. Da edição de autor quase anónima ao destaque do site Pitchfork, foram apenas precisos poucos dias e milhares de excitados interlocutores. "Clap Your Hands Say Yeah" é uma colecção de canções que tem tudo para viciar grupos de amigos e casais amorosos e originar o passe-a-palavra de post em post. O encanto adolescente daquelas canções desenhadas a regra e esquadro para ouvidos alheios desvaloriza a colagem excessiva dos maneirismos vocais de Alec Ounsworth a David Byrne ou o conformismo do quinteto com o formato pop-rock tal como sempre o conhecemos.

O segundo álbum é também um segundo capítulo na história do grupo nova-iorquino. "Some Loud Thunder" é uma traição à geometria direita de "Clap Your Hands Say Yeah". Podem ter pago com isso um preço elevado com o menor reconhecimento público, mas vincaram um posição autoral pelas melhores razões.

Entretanto, estão num impasse há quatro anos. A carta de desejos de bom regresso está pronta há já algum tempo – terá sido redigida em vão?


GP

quarta-feira, 9 de março de 2011

David Sitek


Quinzena Temática – produtos de Brooklyn em destaque

Deus costuma estar em todo o lado. David Sitek também. Sobretudo em Brooklyn, onde muito operou como músico e produtor, até se irritar com o hype à volta do borough mais cool de Nova Iorque e migrar para a costa oeste soalheira.

É justamente muito associado a esse furacão industrial de nome TV on the Radio, até porque é seu membro efectivo. Mas, entretanto, foi construindo o seu próprio casulo que deu asas como Maximum Balloon, uma espécie de UNKLE deste tempo para o qual convida quem bem entende (de David Byrne a Theophilus London, entre outros ícones actuais).

Mas o seu CV de grande pensador de música deve muito ao seu trabalho de produtor. Liars, Holly Miranda ou os Foals já estiveram sob as suas mãos de cirurgião. Entre os trabalhos mais notáveis, contam-se a metamorfose dos Yeah Yeah Yeahs da antiga rebelião punk para a nova harmonia cinematográfica (no álbum "It’s Blitz!") ou a proteção à menos dotada princesa Scarlett Johansson com umas nuvens de dream pop em "Anywhere I Lay My Head", num trabalho de pinças que se saldou numa saudável viragem do avesso ao reportório de Tom Waits.



GP

segunda-feira, 7 de março de 2011

Coney Island Baby (2002)


Quinzena Temática – produtos de Brooklyn em destaque


Coney Island é uma península na zona sul de Brooklyn, famosa pela sua praia, mas sobretudo pelo seu parque de diversões. Rodas gigantes com vista privilegiada para Nova Iorque, algodão doce e pipocas, anões levantadores de pesos e todo um conjunto de pormenores que caminham para as tendas de circo com gente estranha, onde os carneiros com cinco patas e as cabras com três cabeças são, seguramente, reais. Este cenário, mais as espingardas que se bem disparadas dão direito a ursos de peluche, as montanhas-russas e os pequenos criminosos que por ali se passeiam, são o pano de fundo para uma das mais belas canções de amor de todos os tempos. Como a descrição sugere, o autor dessa canção é Tom Waits. Coney Island Baby faz doer o coração de tão belissimamente desamparada e é um dos temas mais marcantes de Blood Money, álbum editado em 2002 e feito de temas compostos para a peça de teatro Woyzeck - texto de Büchner, numa encenação de Robert Wilson.

Bendita a mulher que merece ser cantada assim: 'She's my Coney Island baby'.



GF

Blue in the Face (de 1995)


Quinzena Temática – produtos de Brooklyn em destaque

Gravado em cinco dias como uma sequela de "Smoke", "Blue in the Face" é uma salganhada (elogio!) de ficção com realidade, cuja rodagem informal e improvisada permite-nos momentos de confidência deliciosos como o último cigarro que Jim Jarmusch faz questão de fumar na loja de Harvey Keitel (e a inerente aula de cinema).
Durante os 89 minutos desta ode a Brooklyn, aquela torna-se na nossa loja preferida. Quanto ao filme, recomendo-o ao Macário Correia.

Longa-metragem realizada por Wayne Wang e Paul Auster, e exibida nas salas portuguesas em meados dos anos 90 sob o título Fumo Azul.



GP