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o esoterista

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Por Viriato Soromenho-Marques http://www.dn.pt/ Ao longo da vida, alguns têm a oportunidade da sua "estrada de Damasco". E eu acabo de ter a minha em relação a Cavaco Silva. Para interpretar um texto é preciso estar à sua altura, e até agora nenhum comentador percebeu o mistério que se oculta no prefácio de Roteiros VIII. Quando o PR nos pede consenso para 20 anos de servidão voluntária, percebi que era preciso finura hermenêutica. Será que o magistrado supremo pretendia imitar Jonathan Swift, que na sua satírica Modesta Proposta (1729), sugeria o canibalismo infantil para resolver a mendicidade irlandesa? Compreendi que a coisa era ainda mais subtil ao ler a frase onde se esconde o enigma: "Pressupondo um crescimento anual do produto nominal de 4 por cento e uma taxa de juro implícita da dívida pública de 4 por cento, para atingir, em 2035, o valor de referência de 60 por cento para o rácio da dívida, seria necessário que o Orçamento registasse, em média, um ex...

um cristão em roma

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http://www.ibtimes.com Por Viriato Soromenho-Marques http://www.dn.pt O Papa Francisco tem despertado entusiasmo e esperança dentro e fora da Igreja Católica. Num tempo tão cinzento como o nosso, em que o governo do mundo parece ter sido entregue ao triângulo funesto da incompetência intelectual, da ganância económica e da iliteracia ética, é preciso ter cuidado para não nos deixarmos seduzir por promessas que, depois, correm o risco de nos desiludir. Há limites, contudo, até para a suspeita crítica. Quando se comemoram os 50 anos da Encíclica "Pacem in Terris", do Papa João XXIII, Francisco resolveu publicar uma Exortação contendo 288 parágrafos de reflexão profunda e diversificada sobre os temas mais agónicos do mundo contemporâneo. O título é significativo: "A Alegria do Evangelho" (Evangelii Gaudium). Trata-se de um documento cuja riqueza, necessariamente desigual, não se esgota numa síntese, mas se a tivermos de fazer, então a Exortação constitui uma...

da violência de soares

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Repare-se que ao contrário de outras vezes, eu não iniciei a abertura da sessão de improviso e sem papel, como é habitual. Desta vez, li um texto escrito. Que está ao dispor de quem o quiser ler. Porquê? Porque sabia que ao falar de violência os comentadores ao serviço do poder iam necessariamente especular. Como fez o sempre infeliz vice-primeiro-ministro Paulo Portas, que muda de ideias como de camisas e que todos sabemos o que tem feito e refeito. Um artista... Cito as palavras que li: "É preciso ter a consciência de que a violência está à porta. Ora é isso que é necessário evitar." Quem disser o contrário mente, conscientemente. Foi por ter adivinhado o que os comentadores de serviço iriam especular, quando falei em violência, que escrevi e li o texto. E mais não digo. Não é preciso para convencer as pessoas de bom senso. Quanto às outras, ao serviço do poder, para ganhar dinheiro, não vale sequer perder tempo. Mário Soares http://www.dn.pt Esperemos esta...

o futuro pode esperar

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http://indervilla.com Por Viriato Soromenho-Marques http://www.dn.pt As catástrofes naturais que se abateram sobre as Filipinas ou a Sardenha parecem funcionar como o coro grego em relação a mais uma interminável e improdutiva reunião dos países signatários da Convenção das Nações Unidas para combater as alterações climáticas. Desta vez é em Varsóvia. A 19.ª reunião das Partes. Domina a lógica suicida da tragédia dos comuns, continuando-se a lançar gases de efeito de estufa para a única atmosfera de que todos dependemos. Como se os benefícios particulares, obtidos à custa de malefícios coletivos, não acabassem por terminar, inevitavelmente, em danos para todos, dada a exiguidade do nosso planeta. Desde que a "crise das dívidas soberanas" colocou a Europa fora dos assuntos sérios do mundo, mais ninguém se dispôs a ocupar o lugar deixado vazio pela antiga liderança da UE em matéria climática. Mas os mercados não fazem melhor do que os governos. Se estes últimos dão 5...

entretenimento político

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Cirque du Soleil - Ross Land/Getty Images Por Viriato Soromenho-Marques http://www.dn.pt Rui Machete não é apenas um erro de casting, mas antes um sintoma caricatural da situação de desnorte em que se encontra a governação nacional. Ele representa o modo acelerado como, em menos de 40 anos, a III República se deixou arremessar para dentro de um torvelinho entrópico. O escândalo não reside apenas na figura de Machete, o escândalo está no facto de ter sido convidado, e na sua persistência num cargo de tão elevada responsabilidade. Numa altura em que o país precisava de dirigentes que espelhassem o melhor que a nação tem no seu escol de saber, de competência técnica, de probidade moral, quem manda só consegue tirar trunfos de um baralho há muito viciado. Em Nova Deli, Machete falou não como MNE de um país que habita numa encruzilhada existencial, mas como candidato a comentador político. É verdade que as televisões estão povoadas por políticos na reserva que inventaram um novo ...

negros vão os tempos

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Mohamad Mosa/ http://www.trekearth.com Durão Barroso disse com todos os dentes que tem na boca que "os eventuais chumbos do Tribunal Constitucional podem pôr em risco o regresso aos mercados". Ficamos portanto a saber que o ainda presidente da Comissão Europeia é pela violação da Constituição da República. Os portugueses que o querem em Presidente da República deviam lembrar-se disto antes de fazerem disparates. É só um aviso. José Teófilo Duarte http://www.blogoperatorio.blogspot.pt/ A calinada de Cristas: http://aventar.eu/ Através de meias palavras, ocultações e muita propaganda, o Governo vem dizendo ao que vem, ao que desde sempre veio: a destruição do Estado Social e a substituição deste modelo por uma sociedade, um novo Homem (à maneira das grandes revoluções totalitárias do passado), regido por valores como o materialismo, o individualismo e a caridade. Toda esta transformação beneficia uns poucos - a reforma do IRC, por exemplo, vai ajudar sobr...

atrito e agonia

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http://www.wallpaperfull.com Por Viriato Soromenho-Marques http://www.dn.pt/ No meio do ruído de fundo da insensatez europeia e nacional, lá se vai ouvindo uma ou outra voz que convida à lucidez. O presidente da SEDES alertou para o que parece ter sido esquecido: num terreno onde domina a desconfiança e a incerteza as sementes não crescem. Um governo que, para cumprir as exigências da troika, se transformou na principal força de instabilidade do contrato constitucional não pode esperar que os cidadãos, incluindo os empresários, invistam confiadamente, quando o quadro legal e fiscal muda constantemente em função das necessidades crescentes de receita. Seria mais sensato explicar à troika, no recato dos gabinetes, mas também no espaço público, mostrando que o Governo se compromete com o seu povo, que não é possível pagar aos credores, se estes retiram ao País os instrumentos do investimento económico (com a exiguidade do crédito e as elevadas taxas de juro, mercê da fragmentaç...

ultimato orçamental

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Por Viriato Soromenho-Marques http://www.dn.pt A democracia nasceu da luta dos contribuintes para serem cidadãos. As grandes discussões dos parlamentos resumem-se a dois assuntos: em que sociedade queremos viver (lei constitucional)? Como é que vamos gerar receitas e aplicá-las (lei orçamental)? A primeira marca um horizonte de longo prazo. A segunda, o autogoverno quotidiano dos povos. O OE de 2014 é mais importante pelo método do que pelo conteúdo, apesar da sua dolorosa austeridade. É o primeiro orçamento em que se consagra a deriva antidemocrática em que a Zona Euro mergulhou. O OE não pode ser modificado, nem melhorado, porque o centro do poder não se encontra no Parlamento nacional. A "discussão" que vai ter lugar será um jogo de sombras, uma simulação. O Governo vai fingir que o OE é criatura sua e a oposição vai fingir que acredita nisso. De facto, o OE já está determinado. Não só pela troika, que o desenhou ao detalhe, mas também pelas imposições do novo...

a europa em derrocada

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  Zona de Desastre Por Viriato Soromenho-Marques http://www.dn.pt Dois relatórios recentes, de duas instituições conhecidas pela sua independência e dedicação às causas mais nobres e humanitárias, a saber, a OXFAM e a Cruz Vermelha, traçam uma imagem do horror social a que nos tem conduzido a liderança política da crise europeia. Em Berlim, em Bruxelas, em Frankurt, mas também nos palácios dos regedores nomeados para Lisboa ou Atenas, estes relatórios serão deitados para o lixo, sem serem lidos, com um esgar de indiferença. Os ideólogos são assim. Não deixam que a realidade os surpreenda. A ideologia é confortável, pois crê que a nossa representação do mundo substitui o seu conhecimento. A ideologia conduziu ao Holocausto e à Guerra Total do nazismo, ao Gulag estalinista e maoísta. Agora, parece estar a conduzir à implosão da Europa às mãos dos fanáticos que acreditam na bondade de mercados financeiros autorregulados. Quando, depois de 2008, foi preci...

e agora, mutti?

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Por Viriato Soromenho-Marques http://www.dn.pt A expressão da vitória eleitoral de A. Merkel confirma um raro laço de confiança entre um povo e uma dirigente, traduzido na ternura da sua alcunha, "Mutti" (mãezinha). Merkel tem agora uma responsabilidade imensa, ampliada pelo eco deixado pelo vazio de ideias e de carácter reinante nas outras capitais europeias. Na chancelaria do Spree, e sobre os ombros de uma mulher, vai recair muito da possibilidade de a Europa se refundar, ou, pelo contrário, se envilecer no rancor, no empobrecimento, na resignação, e, finalmente, na dilaceração. O prognóstico é reservado, mas a química da solidão do poder oferece surpresas, e nem todas desagradáveis. Para que a esperança regresse ao coração dos europeus é preciso uma alteração profunda das regras do jogo. O chanceler Schröder foi o primeiro a encarar a Zona Euro como um espaço de competição a todo o custo. Violou as regras do PEC e submeteu os alemães a uma austeridade bru...

a simplicidade pode matar

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Por Viriato Soromenho-Marques http://www.dn.pt O principal problema da liderança alemã da Europa, que se irá consolidar com a vitória de Merkel no próximo domingo, é o facto de ela ter sido construída sobre a mais convincente narrativa acerca da etiologia e terapia da crise europeia. Uma narrativa que toda a gente percebe. Baseada no código binário mais antigo da psique humana: o bem e o mal.A crise resultou do mau comportamento dos povos do Sul, que "viveram acima das suas possibilidades".A austeridade não é uma mera política económica, mas sim um justo castigo para punir atos dolosos de nações inteiras. O único problema da narrativa de Merkel, que até agora não foi desmentida seriamente por nenhuma explicação alternativa convincente, é que consiste numa grosseira violação da verdade objetiva e material. Pensar que a Zona Euro e o projeto europeu poderão renascer a partir da aplicação de uma estratégica simples, mas errada, é o mesmo que não compreender porque é que...

sombras no paraíso

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Por Viriato Soromenho-Marques http://www.dn.pt A Alemanha apresenta hoje uma invejável taxa de desemprego de 6,8%. Contudo, uma aproximação mais detalhada revela contrastes e mesmo injustiças. Desde logo, mais de 7 milhões de empregos correspondem a trabalho mal remunerado e precário, os minijobs, que rondam um salário de 400 euros mensais (na Alemanha não há salário mínimo). Muitas destas pessoas são working poor, trabalhadores que não conseguem sair do limiar da pobreza, mesmo estando a laborar. Há também uma enorme diferença entre o trabalho no sector secundário, onde existem poderosas organizações sindicais, que garantem salários razoáveis e o labor no sector dos serviços, muito pouco protegido, com uma população ativa dominantemente feminina, que não goza da aplicação do princípio: "Salário igual para trabalho igual." Mais preocupante é verificar que nos últimos vinte anos tem aumentado, também na Alemanha, o fosso entre os mais ricos e os mais pobres, e diminuí...

morrer em vão

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Por Viriato Soromenho-Marques http://www.dn.pt/ No distante dia 27 de Abril de 1971 subia à tribuna da Assembleia Nacional um deputado de 44 anos, integrado na chamada Ala Liberal da Primavera marcelista, de seu nome José Correia da Cunha. Licenciado em Agronomia (1949) e Geografia (1963), colaborador de Orlando Ribeiro, Correia da Cunha não saberia que ao ler o seu discurso intitulado "O Ordenamento do Território, Base de uma Política de Desenvolvimento Económico e Social", estava a inaugurar a política pública de ambiente, tentando transformar Portugal num país mais civilizado. Recordo Correia da Cunha, felizmente ainda entre nós, como homenagem aos corajosos bombeiros caídos na luta contra os incêndios que atingem o país. Como visionário e homem de acção, Correia da Cunha sabia que Portugal iria ficar desequilibrado demograficamente nas décadas seguintes. Milhões de portugueses sairiam das zonas rurais em direcção ao litoral. Era de interesse nacional ordenar ...

futuro hipotecado

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Por Viriato Soromenho-Marques http://www.dn.pt Thomas Jefferson, o pai da Declaração de Independência dos EUA, manteve até ao fim da sua vida uma hostilidade incondicional para com a especulação bancária. Ele sabia, pela sua experiência de empresário agrícola, que o crédito se tornava facilmente o veículo de uma escravatura perpétua. Por isso, Jefferson, como estadista, formulou o saudável princípio de que uma dívida pública não deve ser prolongada para além de 19 anos, sob pena de uma geração esmagar a geração seguinte com os custos das suas dívidas. Ficámos a saber que entre 1999 e 2013 as empresas públicas contrataram 1777 swaps com a banca de investimento, sobretudo internacional (onde se encontrava até o Lehman Brothers...). Esses contratos, muitos deles especulativos, atingem o valor astronómico de 335 mil milhões de euros (mais do que quatro resgates da troika). Desde 1992, os governos já tinham alienado uma parte da riqueza nacional futura às grandes famílias económica...

o cabo das tormentas

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Por Viriato Soromenho-Marques http://www.dn.pt É compreensível a satisfação decorrente do crescimento ocorrido, no segundo trimestre, na Zona Euro (0,3%), e em Portugal (1,1%). O que não é aceitável é o apelo a uma espécie de terapia psicológica do otimismo, pois isso afasta-nos a todos, cidadãos e atores políticos, daquilo que é essencial: conceber, consensualizar e implementar estratégias que permitam não um crescimento qualquer (as "bolhas" são um exemplo de um crescimento que serve poucos durante um curto período) mas sim um verdadeiro desenvolvimento sustentável, respeitando os direitos das pessoas e os limites ambientais, um desenvolvimento que não devore o futuro. Infelizmente, o que temos visto em matéria de propostas económicas avulsas, por parte dos governos tutelados pela troika, é uma cosmética sem rasgo. E a prova da profunda patologia que nos atinge reside num indicador que não para de crescer: o do desemprego jovem (população ativa dos 15 aos 24 anos)....

pesadelo interminável

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Por Viriato Soromenho-Marques http://www.dn.pt/ Afinal a hemorragia financeira do BPN ainda não terminou. Como naqueles pesadelos em que pensamos ter acordado, para logo de seguida perceber que afinal ainda estamos mergulhados nas suas sombras e ameaças. Parece haver razão para apontar o dedo a Maria Luís Albuquerque, pela assinatura de um ruinoso contrato com o BIC. O banco que comprou o BPN pela bagatela de 40 milhões de euros, afinal só se responsabiliza pela gestão dos lucros potenciais, pois os prejuízos continuam a ser pagos por todos nós. Mas o mais grave, contudo, é perceber que o BPN é uma metonímia, uma espécie de miniatura caricatural do drama europeu. Em setembro de 2012, a Comissão Europeia calculava que os contribuintes europeus já haviam gasto 4,5 biliões (milhões de milhões) de euros para salvar o sistema financeiro (o que na Europa é sinónimo de "sistema bancário"). Isso quer dizer que a banca europeia já custou aos cofres dos Estados europeus dez vezes ma...

no mesmo barco

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Por Viriato Soromenho-Marques http://www.dn.pt Numa recente entrevista à revista Der Spiegel, a chanceler Merkel perguntava-se: como é que a UE estará em condições de continuar a representar 50% da despesa social do planeta, quando contém apenas 7% da população e algo entre 20% e 25% do PIB mundial? As multidões que no Brasil protestam contra a opulência das obras de fachada (como as que ajudaram a arruinar Portugal), ou os jovens de Istambul que querem liberdade para as suas vidas, e os milhões de chineses que todos os dias combatem para não terem de escolher entre o salário e a miséria ambiental, também devem ser chamados a responder à pergunta de Merkel. Não é uma desgraça pequena que a mais poderosa personalidade política europeia olhe para o nosso complexo presente com a argúcia de um capataz paroquial. O "Estado social" europeu não foi uma oferta, mas uma conquista de milhões de mulheres e homens ao longo de dois séculos de lutas sociais. Se a Europa ainda susc...

dentro do pesadelo

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Por Viriato Soromenho-Marques http://www.leituras.eu No ano do Ultimato (1890), um grupo de cidadãos do Porto decidiu convidar o venerável filósofo Antero de Quental para presidir a uma associação cívica destinada a expressar a sua revolta contra o império britânico: a Liga Patriótica do Norte. Contudo, ao contrário do que todos esperariam, o grande poeta não invetivou a orgulhosa Albion, no seu manifesto intitulado “Expiação”. Pelo contrário, voltou-se para dentro da alma portuguesa e escreveu: “O nosso maior inimigo não é o inglês, somos nós mesmos. (…) Não é com canhões que havemos de afirmar a nossa vitalidade nacional, mas com perseverantes esforços da inteligência e da vontade, com trabalho, estudo e rectidão.” Dois anos depois da vitória eleitoral de Passos Coelho, o paladino que derrubou o governo anterior por causa da austeridade excessiva do PEC IV, Portugal parece um campo de batalha onde foram detonadas as famosas bombas de neutrões do final da guerra-fria, aqu...

o triunfo do cansaço

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Por Viriato Soromenho-Marques http://www.dn.pt Numa célebre conferência sobre o inquietante destino da Europa, proferida em 1935, o grande filósofo judeu Edmund Husserl advertia: "O maior perigo da Europa é o cansaço." Ontem, o discurso do primeiro-ministro (PM) espelhou uma zangada fadiga. Em vez de usar a independência do Tribunal Constitucional (TC), traduzido no seu acórdão contra o OE, como um argumento de legitimidade democrática perante os credores, o Governo prefere transformar o TC no bode expiatório dos resultados negativos de uma governação que assumiu com alma e coração o ultimato dos credores em vez do interesse nacional. Ao recusar reconhecer que os maus resultados dos indicadores económicos se devem à falta de lucidez política e ao improviso técnico do programa de ajustamento, o PM mostra bem como o risco de falência que ameaça Portugal envolve não só as finanças públicas, mas as próprias instituições e valores democráticos. Ao longo dos últimos dois...

vítor gaspar no bundestag

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Por Viriato Soromenho-Marques http://www.dn.pt Com o seu habitual zelo religioso (mesmo que seja a um deus desconhecido), Vítor Gaspar falou quarta-feira aos deputados em Lisboa, como se estivesse no Bundestag, com Merkel a seu lado. Foi incapaz de reconhecer o caminho suicidário do "ajustamento". Incapaz de compreender que a raiz do mal que poderá matar a Europa reside no carácter monstruoso da arquitectura da Zona Euro (que combina perigosamente união monetária com fragmentação orçamental, sem cuidar da união política). Pelo contrário, essa arquitectura é tida como um inalterável fim da história. Custe o que custar, doa a quem doer. Aconselho a Vítor Gaspar a leitura de vozes sensatas e sábias que, na Alemanha, alertam para a catástrofe em que Berlim nos ameaça mergulhar a todos. O grande sociólogo Ulrich Beck, num ensaio com o título significativo de "A Europa Alemã", chama a atenção para o modo como Merkel rompeu as regras do jogo na Europa, passando da...