a rainha da sucata
Por Tiago Mesquita http://expresso.sapo.pt Nesta espécie de corte de sucata em que se transformou o governo, Paulo Portas continua igual a si mesmo. Por entre os pingos da chuva, munido das expressões "sentido de Estado" e "solidariedade institucional", vai, com ar pesaroso e preocupado, tocando, ocasional e estrategicamente, o fadinho que o parolo e o incauto gostam de ouvir. Os mais esclarecidos e atentos sorriem: "Lá está outra vez o Paulinho a fugir com o rabo à seringa, como se não fosse nada com ele". Para salvaguardar o futuro político, o brilho inexistente no seio do executivo aparece convenientemente, volta e meia, estampado no sorriso de Portas, como uma luz ao fundo do túnel. Um visionário. A verdadeira e única consciência social do governo. Adora o protagonismo, as luzes e a própria voz. Gere as ambiguidades e o suspense. Afasta-se das medidas antissociais, encenando teatrinhos patéticos na suposta defesa dos fracos e oprimido...