são tantas, senhores, são tantas
São tantas, senhores, são tantas. Conspiram em conselhos, de ministros, de administração, de Estado. Querem menos Estado e melhor Estado, o menos para nós, o melhor para elas. Procriam e multiplicam-se por cloacas, ministérios, palácios e palacetes, pocilgas e retretes, entram-nos pela casa dentro de dedinho em riste, dando-nos lições, pregando-nos sermões, soltando pregões publicitários para nos levar à certa a nós, os otários. São tantas, senhores, são tantas. Moem-nos de angústias e incerteza, destroem-nos o futuro, roem-nos o pão, a carne, os ossos. Por esgotos andarão, para esgotos nos arrastarão. São tantas, senhores, são tantas. Uma raça protegida, um género à parte, uma espécie em vias de expansão. Fedem. Fodem e fadam. São tantas, senhores, são tantas. Enquanto tiverem vida, não teremos esperança. Enquanto os caneiros andarem cheios, os nossos bolsos andarão vazios. Enquanto vivermos de joelhos, morder-nos-ão os artelhos. Nem velhos, nem doentes, nem docentes, nem os cont...