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A mostrar mensagens com a etiqueta literatura

um bombom na biblioteca

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A gente tem que botar contas à vida de cada vez que quer gastar uns tustos em luxos. E, já se vê, nos dias que correm tormentosos, um livro passou a ser luxo. Este, no entanto, não me vai escapar. Richard Zimler lê-se sempre com prazer. E esta história, passada em Portugal na actualidade, com as vicissitudes e mazelas que se conhecem neste conturbado país, promete. A corrupção, a promiscuidade entre negócios e política, crime de morte, investigação policial, rebuçadinhos para quem gosta de ler policiais de rosto humano, mais um bombom na biblioteca. E Richard tem, além disso, dois pontos a seu favor. É da colheita de 1956, como eu, reserva de boa cepa. E, sendo americano, adoptou o Porto como a sua terra. Há lá melhores atributos!

maria teresa horta recusa receber prémio literário das mãos de passos coelho

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As elites artísticas e intelectuais começam a manifestar-se, coisa que ando há muito a pedir por aqui. Maria Teresa Horta, distinguida com o prémio D. Dinis, instituído pela Casa de Mateus, acaba de tornar público que não quer receber o prémio das mãos de Pedro Passos Coelho em cerimónia prevista para a próxima sexta-feira. “Na realidade eu não poderia, com coerência, ficar bem comigo mesma, receber um prémio literário que me honra tanto, cujo júri é formado por poetas, os meus pares mais próximos - pois sou sobretudo uma poetisa, e que me honra imenso -, ir receber esse prémio das mãos de uma pessoa que está empenhada em destruir o nosso país”, explicou. “Sempre fui uma mulher coerente; as minhas ideias e aquilo que eu faço têm uma coerência”, e acrescentou: “Sou uma mulher de esquerda, sempre fui, sempre lutei pela liberdade e pelos direitos dos trabalhadores”. “O primeiro-ministro está determinado a destruir tudo aquilo que conquistámos com o 25 de Abril [de 1974] e...

prémio leya atribuído a um desempregado

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Vá lá, vá lá. O grupo Leya, essa infernal máquina de fazer dinheiro, publicar porcaria e fazer da edição em Portugal um mero comércio como o são o da carne de porco ou do feijão-carrapato (com excepções, dirão alguns autores e com razão), faz de vez em quando, lá de longe em longe, uma boa acção. Acabo de saber que o Prémio Leya deste ano foi atribuído, pela primeira vez, a um português. Mas não é um português qualquer. Chama-se João Ricardo Pedro, tem 38 anos, é engenheiro electrónico e está desempregado há dois anos. Se o Passos Coelho, o Vítor Gaspar e a Direcção-Geral de Contribuições e Impostos não abocanharem parte do prémio, nunca vi 100.000 euros tão bem empregues como agora. 

um grito de dor e guerra

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"Falidos!" é o livro mais devastador, lúcido, emocionante e esclarecedor que li nos últimos anos, talvez em toda a minha vida. Lê-se com um nó na garganta.  Escrito por um autor anónimo, francês, que resolve abandonar tudo - carreira, bens de consumo, dívidas cada vez maiores e o alcoolismo com que anestesiava as frustrações de uma vida vazia - para ir viver nas margens do rio Mekong, um pobre entre os mais pobres da Terra, velhos aos 40 anos, meninos que trabalham de sol a sol. E escreve, com uma força e um talento ímpares, sobre o capitalismo, esta última fase do capitalismo, sustentado pela ideologia neoliberal, que tudo devasta e corrói à sua passagem. Mas, para além de uma crítica aos políticos, "as putas da República", e à pornografia financeira, "Falidos!" é também um libelo acusatório contra o cidadão comum, contra nós, os que, sendo vítimas do sistema, pouco ou nada fazemos para o mudar, a não ser, acrescenta o autor, alimentando a blogosfera...

a morte de carlos gardel

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Li-o de fio a pavio neste fim de semana longo. De uma tristeza imensa, como a vida. Mais palavras não adiantam. É ler.