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marcos antónios

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Por Luís Rainha www.ionline.pt Após uma juventude estroina, acumulando dívidas sem fim, Marco António fugiu aos credores em busca de um chefe que o levasse às alturas a que se via fadado. Aprendeu a arte da retórica; sem dominar a palavra, não se domina ninguém. Virou soldado, dando o litro para impressionar o líder com vigorosas espadeiradas nos inimigos de ocasião. Depois, a escalada não mais parou. Pena foi que o denodo nas refregas não tivesse correspondência na administração da coisa pública; aí, as desgraças somaram-se sem glória nem feitos de jeito. Há nomes proféticos. O Marco António acima não é o Costa, mas sim o triúnviro romano. O Costa é peixe de águas mais pequeninas, mais poluídas e ainda menos transparentes. Já foi acólito de Santana, já largou o parlamento pela “necessidade imperiosa” de dedicar toda a sua energia ao município de Gaia (e a esse fenómeno político-freudiano que foi o dr. Menezes). Agora ofende-se por o ligarem às dívidas colossais que lá...

a clemência não vem da sé

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O CARDEAL CLEMENTE Por Baptista-Bastos http://www.dn.pt Li, há dias, no Público, uma entrevista a D. Januário Torgal Ferreira, antigo bispo das Forças Armadas. Um refrigério, se a compararmos com a dicção monótona, precaucionista, desagradável e espalmada de, por exemplo, D. Manuel Clemente. O patriarca de Lisboa é uma sombra melancólica do que foi. E foi um homem desenvolto quando reitor do Seminário dos Olivais. Conheci-o num debate promovido pela SIC e moderado por Margarida Marante. Um regalo para os olhos e para o espírito. Dois homens cultos, que se respeitavam e desejavam expor, sem gritaria, as suas visões de mundo e as características das respectivas singularidades. Carteámo-nos por e-mail e, mais tarde, com ele participei, no Porto, em uma controvérsia sobre exclusão social, sob o patrocínio do Montepio Geral. Ouço-lhe as homilias, os comentários, leio-lhe as entrevistas e as enunciações. Tentava descobrir, no homem de hoje, o padre aberto, dialogan...

um só pedido: que portugal se livre de paulo portas

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http://www.ionline.pt Por Luís Rainha http://www.ionline.pt Não preciso que algo de funesto aconteça à criatura. Satisfaço-me com uma demissão mesmo irrevogável, um fiasco eleitoral, uma pena de cadeia, um chilique a sério. Sei que é prece complicada, mesmo para a parca mais caridosa. O homem tem resistido a tudo: derrotas nas urnas, escândalos por todo o lado, a sua própria costela saltitona, submarinos, casinos, fotocópias, o Capelo Rego, sobreiros, etc. E lá segue a plantar ovos de cuco na máquina do Estado; agora foi o menino do Belenenses, amanhã ainda acordamos com o Telmo Correia no palácio de Belém. Paulo Portas é um furúnculo no rosto já escalavrado da República. Cresce, engorda, alastra; sempre à vista de todos, o perfeito emblema da impunidade pavoneada, esfregado na miséria portuguesa como sal sobre chagas. É a desculpa perfeita para quem se recusa a votar, a reclamar, a mudar. Livremo-nos dele. A ver se temos um 2014 com mais ar puro e espaço para a decênci...

tortura à democracia

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Por Luís Rainha http://www.ionline.pt O início da entrevista de Sócrates à Antena 1 cirandou em torno do livro lançado na esteira do famoso mestrado parisiense. Às perguntas da respeitosa jornalista, lá foi ele respondendo com um rosário de inanidades; fraquito, para quem terá passado largos meses a estudar a história e a práxis da tortura. Acredite-se ou não, a cumplicidade do então primeiro-ministro na exportação de suspeitos de terrorismo para países fornecedores de tortura em outsourcing ficou incólume. A sério: a perguntadora não se lembrou de questionar o indignado mestre sobre os dias em que autorizou formalmente, mas em segredo, a passagem de “repatriados” pela base das Lajes. Sabemo-lo hoje, não por mea culpa socrática, mas pela pena do embaixador dos EUA, via Wikileaks. Que tudo se possa fazer e dizer sem castigo nem enxovalho público é uma das ferrugens que corrói a nossa vida democrática. Vamo-nos habituando à recuperação de todos os figurões, à recicl...

ir ao engano

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http://www.ionline.pt Por Luís Rainha http://www.ionline.pt Os media estão nas mãos da Esquerda. Este mantra enche há anos a boca e a prosa de quem se sente encafuado numa maioria amordaçada. Custa imaginar Balsemão de punho erguido e T-shirt do Che; mas a visão de redacções inteiras em uniformes norte-coreanos, aguardando a próxima ordem de serviço do Bloco, é irresistível para as meninges oprimidas de uma certa Direita-Calimero. Os exemplos são esmagadores: há dias, um passeio contra o aborto quase não deixou rasto noticioso - os comunas censuraram a santa manif! Curiosamente, o outro lado tem queixas homólogas: por três vezes, o movimento Que se Lixe a Troika tentou divulgar a sua descida às ruas do próximo sábado. Os insultos a Cavaco e a prisão de um activista desaguaram no prime-time; a convocatória ficou na sala de montagem. Com a "manifestação" de apoio à troika, não houve bloqueio ou medo que resistisse. Aguilhoada pela fome de bizarria, a Imp...

vamos fazer a ponte!

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Por Luís Rainha http://www.ionline.pt Foi uma grande ideia, reivindicar a Ponte 25 de Abril como palco para a próxima grande manifestação de repúdio pelo assalto que nos destrói. De uma só pedrada, assusta-se o Coelho, lança-se uma inovação no difícil mercado dos protestos e atrai-se o turista amante dos panoramas exóticos para uma passeata irrepetível. O governo, sabendo que a Constituição torna supérfluo qualquer pedido de autorização, tenta barricar os caminhos para o Tejo com uma lei de 74. Tal decreto, aliás, poderia até impedir todas as manifestações antitroika, pois reza que "serão interditas as reuniões que pelo seu objecto ofendam a honra e a consideração devidas aos órgãos de soberania". Por mim, irei lá com vontade de os ofender e certo de que nada lhes devo. Talvez receiem uma revoada de suicidas, como na irmã mais velha de S. Francisco, ou a atracção cénica da iniciativa - o desespero do ministro Macedo é quase cómico; ainda está para surgir um a...

a vitória da troika

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Por Luís Rainha http://www.ionline.pt Em 2011, a troika desembarcou em Portugal, iniciando o cortejo de roubos, incompetências, trapalhadas, mentiras e falhanços que hoje todos sabemos de cor. Após dois anos de pesadelo, claro que os portugueses indignados com o jugo estrangeiro se ergueram em protesto, votando nos partidos que desde a primeira hora combateram o Memorando de entendimento. Certo? Errado. Nas legislativas da ascensão de Passos Coelho, 794 mil apoiaram o “arco antitroika” – PCP, Bloco e MRPP. Nas presentes autárquicas, só 717 mil eleitores votaram contra o assassinato do seu país – e aqui até se inclui a coligação que espetou uma lança na capital do soba madeirense. Recuando às eleições locais de 2009, para comparar sufrágios idênticos, o panorama não melhora muito: mesmo face aos 721 mil votos então recebidos, os partidos antitroika declinaram. Terá o bom povo, na sua sabedoria, reservado o protesto para as próximas legislativas? Será a contestação um en...

é a pobreza, estúpido!

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Por Luís Rainha http://www.ionline.pt É apenas humano ceder à tentação de amaldiçoar a passividade das nossas gentes, a cegueira, a mansidão comatosa (mea culpa, pronto). Por norma, só se chama nomes ao povo em surdina; mas alguns revolucionários de Facebook andam a explodir em público, verberando a nula adesão popular às suas imperdíveis manifs com desabafos ao nível de “Esta nossa gente é uma grandessíssima m**** e nem de povo merece ser chamada” (história verídica). Além de pouco adiantar, é injusto. O investigador Eldar Shafir (conselheiro de Obama no combate à pobreza) acaba de provar uma intuição dos políticos impiedosos em todo o mundo: a pobreza diminui as capacidades mentais. Medindo o QI de meio milhar de agricultores indianos, cujo modo de vida acarreta a oscilação regular entre a penúria e alguma fortuna, ele detectou uma queda de 13 pontos nos períodos de miséria. Ou seja, os pobres não o são por causa de défices cognitivos. É antes ao contrário: a “largura de...

o cara-de-pau

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Por Luís Rainha http://www.ionline.pt Há políticos que encenam ao milímetro as suas aparições na TV, encarnando a personagem certa para cada plano, cada acto das suas carreiras. Há dias vimos Paulo Portas chegar a mais uma sessão de pedinchice, então em Washington. Mal viu as câmaras, tratou de se dirigir a Carlos Moedas de facies cerrado e gestos imperativos - pose professoral de quem dá as últimas dicas a um aluno prometedor mas inseguro, antes do exame decisivo. Mesmo que, ali, o neófito fosse ele. Depois da vergonha "irrevogável" da demissão, Paulo Portas remodelou-se como O Homem que Vai a Reuniões Importantes. Sem tempo para minudências como o prometido "guião" da reforma do Estado, nem para fazer o luto da sua anterior encarnação: o paladino dos pobres e reformados. Afinal, depois de tantos anos agarrado ao poder, de que obra pode o pavão Portas ufanar-se? Resmas de fotocópias? À memória assomam submarinos, Pandurs, sobreiros, casinos, SI...

ratos de tele-sacristia

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Por Luís Rainha http://www.ionline.pt "O Santuário de Fátima, um lugar de graça, de consolação, onde o sentir humano mostra a grandeza de Deus." Quem ontem esta linda oração proferiu não foi um acólito da coisa, mas sim uma jornalista da RTP. Não basta explicar que fazia calor, que lá estavam x mil pessoas e que foi dito isto ou aquilo; agora o "serviço público" também serve de púlpito para declamar baboseiras sem nexo - esqueçam a isenção, a inteligência e até o desiderato de escrever em português que se entenda. Como o calor dilata os neurónios, tornando-os mais permeáveis, fixei outros pontos da "reportagem": veio um senhor mascarado do Luxemburgo a perseguir os nossos emigrantes, deixando-os com o sério aviso: "Não percais a vossa alma na migração." Como se ela fosse assim uma peça de bagagem, um avô ou um animal de estimação, destinado a ser esquecido na primeira estação de serviço. Depois, o aviso de que a estátua da ...

o fundo do poço

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Por Luís Rainha http://www.ionline.pt Mês sim, mês não, lá vem à tona mais um grande icebergue de porcaria, com o nome de Paulo Portas a reboque. A meses de tudo ficar irrevogável, o bom do Álvaro denunciou mais um acervo de contrapartidas-fantasma, mais uma medalha no peito do maquinador que abomina os "actos de dissimulação". Este, no rescaldo do chilique com que paralisou o país, viu-se promovido, passando agora a vigiar... a aplicação dos "seus" contratos militares. O amigo de sempre, Pires de Lima, tomou conta das torneiras que em breve pingarão dinheiro; a banca e os do costume bateram logo palmas à estatura do novo ministro, mesmo antes da sua primeira carimbadela. Nada que se compare com um estrangeirado com a mania que é outsider e original, claro. Entrar para a pandilha que nos governa implica a conversão imediata aos piores dos hábitos: temos uma recém-ministra que dá entorses à verdade, jogando com palavras para camuflar a manobra em fal...

a múmia furiosa

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Por Luís Rainha http://www.ionline.pt Cavaco Silva enganou-nos bem. A mumificação afinal era calculada e a paralisia medricas escondia a hesitação teatral do comediante circense (ou lá como se chama). O homem, assim de repente, lá nos surpreendeu. Mas só mesmo por culpa nossa. Bastava a recordação daquela crise caricata em torno do estatuto dos Açores para entendermos a mola que faz com que a criatura de quando em vez se mova: o orgulho ferido. Há uns anos, Cavaco deixou o país suspenso de uma importante comunicação, que na volta versou apenas uma ínfima perda de território presidencial. Mas suficiente para desencadear um ataquito dos grandes. Agora devíamos ter prestado mais atenção ao episódio em que a cavacal figura surgiu nas pantalhas a comentar, de queixo professoral bem esticado, a imaginária fortaleza parlamentar do governo, quando na realidade este já se esboroava ante a vaidade de Paulo Portas. Uma figura ridícula, de verdadeiro truão (ou lá como se chama). ...

prosopopeia

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Por Luís Rainha http://www.ionline.pt/ O ser humano sente-se seguro quando julga entender o mundo. Sobretudo ao enfrentar os seus terrores: os relâmpagos passam a obra de um deus irado, a inépcia para a vida transfigura-se em maquinações da “sorte madrasta”. O que comunga a nossa dimensão de gente pode sempre ser apaziguado, castigado, subornado. O povo assusta quem gostaria de o domar. Por isso se esforçam para lhe amenizar a escala, dando-lhe rosto de quantidade entendível. Não há noite de eleições sem homilias sobre o que “o povo português decidiu”. Engano: não existe isso do “povo”, português ou alhurês. Existem sim indivíduos, com decisões e inclinações individuais que depois se agregam em eventos colectivos. Quando o tal “povo” parece inclinado a fazer coisas que nos assustam, damos-lhe anatomia de hidra, com uma cabeça dedicada ao bem e outra empenhada em maldades várias. Em manifestações que incluem violência, pilhagens ou apenas resistência a quem manda, há semp...

o estado dos ratos

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Por Luís Rainha http://www.ionline.pt Os ratos são os primeiros a abandonar o navio que afunda. Toda a gente imagina saber isto. Mas que pode fazer uma pobre ratazana, veterana de anos de luta pela prosperidade, quando se vê impelida a saltar borda fora de um barco condenado... mas a mil milhas da costa? Não adianta atirar--se às ondas; no meio da aflição, ninguém se lembrará de socorrer um mero roedor. Aguardar a chegada a bom porto parece-lhe apenas uma modalidade diferida de suicídio – a discórdia cada vez mais ululada da tripulação, as correrias em círculo do capitão e do imediato... tudo naquela nave de loucos grita ruína certa. O nosso rato teve uma longa carreira dedicada à gulodice. Devorou tudo o que lhe apareceu ante o focinho: proteínas, adversários, influência, segredos alheios, poder suculento. A condição de embarcadiço nestes navios comandados por principiantes é condição de acesso a cargas apetecíveis. Sem porões mal guardados ao alcance do seu fino faro, se...

tudo para o galheiro

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Por Luís Rainha http://www.ionline.pt Andaram anos a dizer-nos que Portugal é uma família de moinantes que gastou muito mais do que podia. Acreditamos na fábula? Vamos então actualizá-la. A família Coelho teve de cortar nos gastos. O pai reduziu por decreto contas de supermercado, mesadas, livros e inutilidades similares; até o tempo dos banhos. Mas os megafones da fábula tinham- -se esquecido de algo: muito do rendimento da família vinha do que vendiam uns aos outros. Sem clientes, o ginásio da filha fechou, a mercearia do filho emagreceu e o estaminé de venda de gás do genro esvaziou-se. O dinheiro lá de casa seguiu o caminho do dodó. Do alto da sua clarividência, opater familias nada disto imaginara. Sai nova invenção: “Vamos gamar o cheque da pensão do avô. De caminho, obrigamos o inútil do primo desempregado a dar-me um bom bocado do subsídio, antes que o gaste em parvoíces. E como os funcionários públicos são uma cambada de madraços, saquemos uns euros valentes à tia...

linha para nenhures

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Por Luís Rainha http://www.ionline.pt Pela primeira vez desde que viajo de comboio (são longas e chocalhadas décadas) dei ontem com todos os cartazes publicitários da linha de Cascais em branco. Molduras retroiluminadas enquadrando o vazio que começa já a acolher graffiti e outras marés negras da cidade. Onde antes se prometiam felicidades ao alcance de qualquer bolsa, milagres imunes a qualquer recessão, hoje grita o nada. Com o mar sujo por cenário e suburbanos apressados por figurantes, a crise impõe-se como mensagem em si, como produto doméstico, slogan do olvido. Sei que há coisas mais prementes para dar conta, nos meus minutos ferroviários: horários ignorados, composições em ruína, olhares perdidos aos milhares, mendigos cada vez mais aflitos, o suicida que atrapalha as manhãs. Mas esta parada de moais indecifráveis a berrar nada parece- -me querer dizer muito; talvez mais uma mensagem do Poder, a juntar aos incitamentos à emigração, às “janelas de oportunidade” de ond...

vamos à rua respirar

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Por Luís Rainha http://www.ionline.pt Cada semana traz mais um roubo: ordenados, pensões, acesso à saúde, educação. Já nem sonhamos com qualidade de vida: é o próprio direito a uma vida com dignidade que nos está a ser negado. Tudo em nome da austeridade “custe o que custar”. Em nome de “mercados” que nos vigiam e avaliam. Em nome de bancos que lucram com a crise enquanto gritam à boca cheia que só temos é de “aguentar”. Em nome de quem, amanhã, vai dar emprego aos governantes que sangram os reformados, mas poupam os lucros obscenos das PPP. E tudo para nada: a economia afunda-se, o desemprego cresce, as asneiras nas previsões multiplicam-se. Querem que ignoremos os escândalos, o património público em saldo, as promessas eleitorais fraudulentas. Como se fôssemos todos cegos, surdos e impotentes. Mas não somos. E sabemos que nada disto é inevitável, que existem alternativas. E sabemos que a vontade do povo não entra em hibernação mal os votos são contados. Não q...

o zeca é que os topava

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Por Luís Rainha http://www.ionline.pt Belíssimo episódio, a nova cantoria do “Grândola”, agora dedicada ao equivalente-a-ministro Relvas. Aquele omnipresente sorriso amarelado talvez merecesse uma outra canção do Zeca, quiçá a que versava o processo de manufactura de canalhas: “No país da verborreia/Uma brilhante carreira/Dá produto todo o ano.” Nem mais: cada cavadela dá direito a nova minhoca. O homem não tem o fio de voz do chefe – precisaria mesmo de fazer de conta que sabe a letra da canção? O suposto moderador do debate que respondeu com gritinhos a mandar calar os intrusos também é produto típico de um certo Portugal. Autodenominado “Pensador”, anima um blogue em que profusamente fala de si na terceira pessoa e nunca falha como “Convidado Permanente” nos seus debates. É a “sociedade civil” em versão tuga: se ninguém se lembra de lhe montar palanque, o próprio trata disso. Mas que haja muito respeitinho nas tertúlias do Clube; nada de rimas de intervenção a cantar an...

a crise afinal não nasceu da cobiça de banqueiros desvairados, mas sim do baixo-ventre dos pecadores

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Por Luís Rainha http://www.ionline.pt Na semana passada, uma suposta bruxa de 20 anos foi queimada viva na Papua-Nova Guiné. Acusaram-na de ter causado, por ocultos e maléficos ofícios, a morte de uma criança. Na semana passada, muito se falou da petição dada à luz por Bagão Félix e mais umas quantas forças mais ou menos vivas do nosso burgo, denunciando uma sombria conjura “destruidora dos pilares estruturantes da sociedade”. Nunca se explica o que serão esses “pilares” nem por que mecanismos estão eles a ser corroídos. Interessa saber é que a presente crise também se deve a factores demoníacos como “a reprodução artificial”, o aborto, o divórcio, o casamento gay e as mudanças de sexo. Se algo corre mal nas profundezas da selva, aponta-se o dedo a uma feiticeira. Não é preciso provar coisa alguma; o estigma de um comportamento diferente do nosso basta para selar a sua condenação. Já a Igreja Católica durante três séculos assassinou dezenas de milhares de “bruxas”; não...

é acordar ou morrer no sono

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Por Luís Rainha http://www.ionline.pt Nestes dias, cada sondagem parece mais um diagnóstico da apatia, para não lhe chamar coma, do bom povo português. Por mais escândalos que venham à tona da latrina, com histórias de blindados, submarinos, bancos amparados pelo Estado e dirigidos por cínicos desbocados ou amnésicos fiscais, continuamos decididos a votar no centrão que para este buraco nos arrastou. Portugal não é a Grécia – infelizmente. Ali os eleitores por pouco não deram vida a um governo radicalmente diverso. Mérito do Syriza, do empolgante tribuno que é Alexis Tsipras, ou um qualquer gene colectivo de clarividência que nos falta? Por cá, o poder de sempre a tudo parece impune; e não serão os jogos palacianos do PS a galvanizar o país. O entrincheirado PCP e o exangue Bloco de vez em quando lá enchem avenidas, mas sobretudo com os seus, os que há muito abriram os olhos para a necessidade urgente de mudança. Os demais continuam resignados, marchando para o matadouro...