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quem?

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Por Luís M. Jorge http://declinioqueda.wordpress.com Temos aprendido muito sobre a natureza humana nestes anos. Sabemos que é possível retirar todos os meses dez por cento de seiscentos euros a um reformado sem que isso perturbe a paz social. Sabemos que se podem condenar trinta mil professores de uma só vez ao desemprego e financiar escolas privadas com recursos colectivos perante o torpor de quem paga impostos. Sabemos que é viável reduzir mais de metade do ordenado a um funcionário público invocando critérios vagos, talvez razões políticas, e ainda assim merecer a cortesia dos líderes de opinião. Sabemos que resulta trocar palavras como “despedir” e “espoliar” por eufemismos como “requalificar” ou “racionalizar”, sem clamor nem resistência das elites. Sabemos que alguns dos nossos melhores, aqueles que nas universidades, nas colunas de jornais defenderam a democracia e a justiça, aceitam ser flores da lapela de quem nos expôs a toda esta casta de indigni...

mãe, vou ser deputado

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Por Luís M. Jorge http://vidabreve.wordpress.com/   Eis um país ditoso, o que agora dispensa o Estado Social. Milhões de portugueses desdenham a educação pública, a saúde gratuita ou a ajuda na pobreza. Não há cabeleireira em Fanhões ou porteiro em Alpiarça que não confie nas mais-valias de uma capitalização bolsista para enfrentar os imprevistos. Os nossos bancos incham com as poupanças de aforradores cordatos que suportarão um dia longos internamentos em hospitais privados se a apólice da Médis, desafortunadamente, ignorar aquela moléstia incurável. E o que é o desemprego senão preguiça, pieguice, vadiagem? Devemos subsidiar o ócio, quando a nação suplica por quem trabalhe? Não, não, não. Em vez de direitos adquiridos, ambicionamos o emproendodorismo e a flexubililidade labural. Somos adeptos de soluções novas e, mais ainda, de novas soluções. É como uma revolução, mamã. Mas assim, pá, fixe e tranquila, tás a ver.