há 75 anos, guernica
Vou-te contar a minha história, meu filho, para que percebas porque sou esta velha tonta e triste que aqui vês. Nos finais de Abril de 1937, num conluio entre Hitler e Franco, a aviação nazi sobrevoou a minha terra e arrasou à bomba muitas casas e muitas vidas, entre elas as do meu marido e da minha bebé. No dia em que a mataram, fazia ela um ano, dois meses e nove dias. Se me salvei eu, se é que se pode chamar a isto salvar, foi porque estava no hospital, em Bilbau, a convalescer de uma pneumonia. Por compaixão ou falta de coragem, ninguém me disse no hospital o que se tinha passado. Mas o meu coração não me mentia, só uma desgraça muito grande poderia ter impedido o meu homem de me vir ver, o meu homem e a minha filhinha, tanto mais que eu tinha estado tão doente. No primeiro de Maio disseram-me que estava livre de perigo, que me podia ir embora. Carregada com a bagagem, alcancei a estação de camionetas a tremer de...