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a miséria moral da caridade, das políticas que a promovem e das organizações que a praticam

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Por Nuno Serra http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/ Vale a pena ler na íntegra a recente notícia do Público sobre o caso de uma mãe, em Sesimbra, que perdeu a ajuda alimentar por se queixar de ter recebido leite fora do prazo, para uma bebé com seis meses. Por mais insólitos que sejam os detalhes deste episódio, ele traduz, muito mais do que se possa pensar, o padrão de actuação das organizações privadas de solidariedade social e, sobretudo, os arranjos institucionais que potenciam este tipo de situações e nos quais repousa a florescente economia política da caridade . Já não se trata apenas da ideia, latente, de que « para quem é, bacalhau basta ». Isto é, a percepção mais ou menos subconsciente, de técnicos e dirigentes, segundo a qual «o pobre» é uma espécie de cidadão naturalmente diminuído, pela sua condição e perante os que o «ajudam», nos seus direitos e dignidade. Tal como já não se trata apenas do desequilíbrio de poder que se estabelece e que cunha, de forma ...

de que estão à espera para decretar a solução final?

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Ontem, no debate quinzenal parlamentar, Coelho esteve em plena forma, quase arruaceiro, assumidamente panfleteiro, em mais um dos muitos actos de campanha eleitoral que estão a marcar este fim de um mandato mais do que desgraçado: desgraçou-nos. Passos mostrou as suas garras, vociferou contra "as esmolas do Estado" e este dito é, por ele só, todo um programa de governo, o da selecção natural , os mais capazes que progridam na vida segundo os seus méritos ou, tantas vezes, de acordo com as suas capacidades de esmagar os que os rodeiam para vencer, conquistar um lugar ao Sol. Os outros que fiquem pelo caminho, que emigrem, que vivam na miséria, da caridadezinha. O Estado não tem por obrigação amparar essa gente, isso seria um incentivo à preguiça, à inacção. O Estado não deve dar-lhes condições para se libertarem da pobreza onde nasceram. Daí a liquidação do Estado Social, a Educação deve destinar-se a quem pode pagar, a Saúde a quem tem dinheiro para se tratar. Os outro...

sidónio ressuscitado

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Sidónio, aclamado pelo bom povo português, na inauguração de mais uma Sopa dos Pobres na Rua da Guia, freguesia do Socorro, Lisboa. O número de beneficiários do RSI está a cair, tal como o de desempregados a receber subsídio. As reformas são cada vez mais cortadas, os empregos cada vez mais precários e mal pagos. Que fazem Coelho e o seu ajudante de campo Mota Soares? Retomam a ideia de Sidónio de há um século: incentivar a Sopa dos Pobres. Dizem as notícias de hoje que as refeições nas cantinas sociais aumentaram 33% desde 2012. Que esmoleres governantes os nossos! O reinado de Sidónio foi curto, tomou posse em Abril e morreu assassinado a 14 Dezembro de 1918. Mas, ao que parece, ressuscitou. E a caridadezinha, de que Salazar tanto gostava, também regressou em força. Os fantasmas do passado voltaram para nos atormentar. O nosso banquete é o da austeridade, da fome, do desemprego, da mera subsistência, e muitas vezes nem isso, na nossa qualidade de animais de car...

o monólogo do incensado

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Manuel de Brito Uma das minhas obras mais notáveis, pela mão de um dos meus sequazes, também Pedro, mas esse Mota, mas esse Soares, tem sido a recuperação da caridade como prática institucional. O Estado não tem por dever proteger os seus. Esse é trabalho do empreendedorismo social, seja lá o que isso for. Acabe-se com o RSI, o subsídio de desemprego, as pensões de reforma ou invalidez, deixemo-nos de sustentar chulos e madraços, passemos as nossas responsabilidades para as mãos de terceiros, criemos, num país sem Indústria, uma nova indústria, a da esmola, e Deus nos acolherá no seu esplendoroso seio. Continuemos a subsidiar a Santa Casa da Misericórdia de Santana Lopes e o Pingo Doce que, esses sim, precisam da ajuda do Estado para sobreviver e prosseguir a sua missão em defesa dos pobrezinhos, tanto como eu preciso que Santana Lopes me venha ungir ao Congresso, elogiando a minha obra em prol da produção de mais desvalidos que, por sua vez, irão recorrer à Santa Casa, Santa Casa...

o grau zero da ignomínia

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wehavekaosinthegarden.wordpress.com Por Baptista-Bastos http://www.dn.pt Nas celebrações dos 500 anos das Misericórdias, as televisões filmaram o ministro Pedro Mota Soares, compungido e piedoso, a assistir à liturgia na igreja de Castelo Branco. Um momento de estremecida devoção. Nas orações que acompanhou, afeiçoado de dó e ungido de evidente santidade, o ministro Mota persignou-se, genuflectiu, beijou a mão, tomou a hóstia, certamente pedindo perdão ao Criador pelas malfeitorias infligidas ao mundo dos que trabalham ou que trabalharam. Nós. O ministro Mota denuncia um rosto de santo de altar, atormentado e macerado, como convém à clemência exposta. O ministro Mota não é uma criatura de Deus: é um adjectivo. Diz-se militante do CDS, mas não propende para "democrata-cristão", tendo em conta a violência dos decretos que assina. Será, quando muito, um servente do ideário neoliberal, que tem desgraçado o País e destruído o que de melhor a pátria possui: a históri...

cavaco acerta sempre em cheio

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O presidente, apoiante do governo que mais portugueses tem atirado para a pobreza e para a mendicidade nas últimas quatro décadas, acerta sempre no alvo, é um ser congruente, se não disse que raramente se engana e nunca tem dúvidas poderia tê-lo dito, estava no seu direito. Como temos mais pobres, remedeie-se o problema com o recurso à esmola. E se Isabel Jonet tem agora um cargo internacional graças às suas obras valorosas, que a vão na lei da sorte anafando, por que razão não havemos de ter mais Isabelinhas em miniatura espalhadas pelo País e, ainda melhor, pelo mundo, esse mesmo que descobrimos e explorámos e desbravámos e cristianizámos e não sei o quê mais há uns cinco séculos? Por isso o presidente, na congruência que lhe é por todos reconhecida, vai dedicar o dia de hoje ao empreendedorismo social, expressão galante para designar o que, antes, se chamava caridade. Mais refeitórios para os pobres, mais distribuição de vitualhas e enxovais, mais agasalhos para os que dormem...

o banco alimentar também serve para engordar o estado

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Há já um bom par de anos que deixei de sustentar o bom nome da Jonet. Pelo que ela é, pelo que ela diz, pelo que ela representa, a caridadezinha à la pag e, sem pó de arroz nem pó de talco, coisas demodée , mas com muito rouge , muita máscara, muito disfarce de santa. E deixei de contribuir também por causa dos milhões que, por via das campanhas do Banco Alimentar, entram nos cofres do Belmiro e do Alexandre, os nababos de mercearia, e do Estado através do IVA. Tudo come à conta do pagode benemérito. Em nome de quem tem fome, o que é grossa obscenidade. Eu vivi de perto esses tempos, do bodo aos indigentes, da ceia pelo Natal, dos saraus de beneficência, das senhoras da caridade, da esmola para os pobres da Conferência de São Vicente de Paulo, da sobranceria com que se olhavam os rejeitados pela sorte, espere na rua, veja lá se vai gastar em vinho, volte cá para a semana. Não quero revivê-los. 

mais um dia passou e não se passou nada, nem defenestração nem restauração

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    Pior do que um hipócrita, só um hipócrita como primeiro-ministro. Passos lamenta que jovens qualificados tenham de emigrar . Mas é de recordar que foram vários os governantes a dizer « emigrem ». J. Manuel Cordeiro http://aventar.eu     O Belmiro de Azevedo e o Soares dos Santos, cujas fortunas mais que duplicaram entre 2012 e 2013 , encontraram no Banco Alimentar contra a fome e nas suas campanhas a forma, ética e moralmente, mais desprezível - o aproveitamento do sofrimento gerado pela miséria e penúria da grande maioria dos portugueses - de aumentarem consideravelmente as suas vendas e os seus lucros.     Pior de tudo: dois dos grandes beneficiados - não é preciso ir mais longe, veja-se a recente descida do IRC (ao contrário da manutenção nos mesmo valores do IRS e IVA) - do saque colectivo a que estamos sujeitos, pretendem, através dessas campanhas, aparecer junto da população, não nessa qualidade, mas antes como os "padroeiros da boa...

o grande negócio da caridadezinha

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portugal no ano da desgraça de 2013

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Esta fotografia foi obtida no Porto, na zona da Cordoaria. Dezenas e dezenas de pessoas formam fila para receber uma refeição quente. São estes os seres que viveram acima das suas possibilidades, que agora têm que sofrer o castigo imposto pela troika e acatado por Pedro Passos Coelho em nome de todos nós.  O sofrimento, a fome, a tortura de quem tinha comida e tecto e agora não tem nada, a não ser as ruas para dormir e mãos e voz para implorar umas sopas, uma bucha que lhes permita viver mais um dia, só mais um dia. "Viver um dia de cada vez", sem planos de futuro, sem futuro, tornou-se palavra de ordem para os portugueses. Que os crimes, estes e outros, não sejam nunca esquecidos. Muito menos perdoados. Imagem:  https://www.facebook.com/inferno.canalq

o regresso da sopa dos pobres como modelo de apoio social

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Por José Vítor Malheiros http://www.leituras.eu O filho mais velho de Cláudia tem dez anos e acompanha a mãe e os dois irmãos mais pequenos à cantina social de Matosinhos. Levam sacos com recipientes vazios que vão levar para casa com o almoço da família. Pai e mãe estão desempregados e o subsídio de desemprego não chega para cobrir as despesas e comprar comida para todos. Ao entrar na cantina, o rapaz cruzou-se com um colega da escola, que deve ter percebido o que a família ia fazer. “Que vergonha!”, disse o rapaz à mãe. A história é contada numa reportagem de Ana Cristina Pereira, publicada há poucos dias nestas páginas, a par de um artigo de Andreia Sanches sobre o Programa de Emergência Alimentar. E nós não podemos senão repetir, como o filho mais velho de Cláudia, “Que vergonha!”. Que vergonha que o Governo de Passos Coelho esteja a mergulhar cada vez mais famílias na pobreza, a destruir os apoios sociais a que todos os cidadãos têm direito nos momentos de necessi...

é tão bom ser pobrezinho e ter quem cuide de nós

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Esta imagem, do sempre genial  http://wehavekaosinthegarden.blogspot.pt/ , diz tudo. O homem (deverei antes dizer homúnculo? Será, mesmo assim, elogio?) que ontem jurou, no Parlamento, estar a trabalhar para um país mais próspero e mais justo, é o mesmo que é autor do maior ataque de sempre ao Estado Social, a quem trabalha, a quem não consegue trabalhar, a quem já trabalhou e merecia uma velhice digna, sem precisar de estender a mão à caridade. O homem (deverei dizer antes aventesma? Ou será, ainda assim, elegia?) não vai ficar por aqui. Ele nutre um desprezo profundo pelas classes sociais "mais baixas", é assim como uma espécie de Cristina Espírito Santo mas em plebeu, não brinca aos pobrezinhos mas brinca com os pobrezinhos, fabrica pobrezinhos e, como alma pia que se ufana de ser, fomenta a criação de cantinas para esses mesmos pobrezinhos. Cantinas para onde as Cristinas, as Blitas e as Pilitas, as Xaxões e as Tatões, as Blotas e as Carlotas, as da Linha e as da Comp...

um bom investimento

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Confesso a minha ignorância: nunca tinha ouvido falar em economia social. Sempre achei que não ter um tostão furado, dormir pelas ruas, recorrer à sopa dos pobres, eram cancros a erradicar da sociedade. Agora, já não. Graças aos homens bons que nos governam fez-se-me luz, fiquei a saber que a pobreza dá dinheiro, cria empregos, faz andar o País para a frente. Para a frente de um comboio, em jeito de suicídio. Fabricam-se desempregados para se criar emprego. Gera-se pobreza para se produzir riqueza. Tiram-se abonos de uns poucos euros para se atribuírem subsídios de muitos milhões. Recuámos aos tempos de Salazar. Ou pior. Pobrezinhos mas honrados, pobretes mas alegretes e, sobretudo, muito, muito empreendedores. A minha enxerga a céu aberto é melhor do que a tua. Lar, doce lar numa das barracas que voltarão a sujar a paisagem, uma esmolinha por caridade, um papo-seco por amor de Deus. Economia social, dizem eles. O deve e o haver das sopas que se dão, a contabilidade dos pães que s...

sopas de cavalo cansado

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Na era da outra senhora, essa viúva negra, velha e feia que tanto nos azucrinou os dias e acinzentou a alma, as damas da caridade, ao mesmo tempo que oferendavam o pãozinho, o cobertorzinho, a sopinha, davam conselhos para melhor gerir o casebre e a pobreza de cada um: televisão ou frigorífico eram luxos proibidos, por exemplo, o pobre que se atrevesse a ter um deles perdia a esmola e a consideração das damas. Os tempos são outros, mas esses seres são como minhocas que saem finalmente do esterco onde jazeram décadas, e regurgitam, vomitam conselhos: que defendamos o corpinho, dizem-nos, que deixemos de ir ao cinema e de ler livros que fazem mal aos olhos e nos abrem os olhos, que deixemos de fumar que faz mal aos pulmões, de beber álcool que faz mal ao fígado, e que consumamos sopinhas e muito pão, muita água, muita fruta, muito leite.  Larguemos o peixe e a carne, esses caros venenos. O Serviço Nacional de Saúde é só para os sãos. Sai mais barato. Em vez de ver telev...

façam brioches e atirem-nos à populaça

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No dia 1 de Janeiro do ano da desgraça de 2013, ouvi Mota Soares a elogiar-se a ele e ao seu governo pelo apoio que têm dado às instituições de beneficência. Claro que nem lhe passa pela cabeça desviar esse mesmo dinheiro para apoiar - directamente - as famílias em desespero, a caridade é sempre preferível à solidariedade, é bonito, é cristão e serve para que Deus, lá de cima, perdoe os pecados dos de cá de baixo, e não são poucos, os pecados e as gentes pias.  O Mota ainda deve ser Jonet por parte da mãe. É o que eu acho. Façam brioches. Atirem-nos à plebe e comam bifes para que o colesterol, ou isso, os leve desta para pior. Deus espera-vos. Ou isso. Fotografia: http://revistaquem.globo.com

é natal

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Por Tomás Vasques http://www.ionline.pt É Natal, mas um Natal sem esperança para a maioria dos portugueses, como já não havia há dezenas de anos. Um Natal que faz lembrar outros tempos, em que o ditador de Santa Comba Dão elogiava as virtudes da malfadada pobreza em que se vivia; em que centenas de senhoras, com nomes a cheirar a perfume caro, como Jonet e outros, de fina e esmerada educação, tocadoras de piano nos salões onde habitavam, aliviavam a triste sina dos “pobrezinhos” com caridosas esmolas dadas à porta das missas, onde iam lavar as almas e remover os pecados; em que milhares de portugueses sem trabalho deixavam o país e a família, carregando às costas todas as desventuras de um povo dentro de uma mala de cartão. Há de novo, nestes tempos que correm, o elogio da pobreza, o incentivo à emigração, o louvor da caridade, enquanto se acusa a maioria dos portugueses de todos os males do mundo: os salários que recebem são muito elevados para aquilo que produzem; o valor da...

as damas da caridade no jogo da miséria

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Por João Vilela Os telejornais, dia sim dia sim, têm andado a apresentar, em tom laudatório e vagamente baboso, as iniciativas "da sociedade civil" (essa belíssima invenção) para combater a pobreza neste período de dificuldades. Não há sopa dos pobres, distribuição de cobertores aos velhinhos, entrega de brinquedos aos putos, venda de Natal para ajudar os pobrezinhos, que não receba aplausos e elogios pela sua natureza solidária, fofinha, amiguinha dos mais necessitados. Isto não é simplesmente desresponsabilização de quem tem de combater a pobreza, a exclusão, e a miséria humana. Isto não é só escamotear que estas são as consequências do pacto de agressão e da destruição premeditada e sistemática da economia nacional. Isto é um projecto de sociedade, pautado pelo fim das políticas sociais e sua substituição pela filantropia dos ricos e pela perpetuação da dependência dos pobres.

um pão nos cornos da populaça

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Cristina Andrés, uma empresária de Vigo, vai atirar pão ao populacho resgatando, ao que parece, uma tradição do século XVII. São 3.000 os pães que a esmoler senhora arrojará das varandas da luxuosa sede da sua empresa para a mole humana que, lá em baixo, de mão estendida, tentará arrebanhar o maná vindo dos céus. Querem saber o que é que eu acho? Que os maias tinham razão. Que amanhã se acaba o pesadelo e que este processo de retrocesso, salvo seja, irá ser interrompido à força de vendavais, ciclones, dilúvios e sei lá que mais, talvez tornados, talvez erupções vulcânicas, talvez bolas de fogo a caírem-nos na moleirinha. Se tal não acontecer, se os maias nos tiverem enfiado o barrete, então que sejamos nós a pôr fim a este fim do mundo. Que se tome a Bastilha, que se guilhotinem as Antonietas deste vale de lágrimas onde vogamos ao sabor dos caprichos e desmandos dos novos senhores medievais.

a caridade é linda, a caridade é linda!

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josé pacheco pereira e isabel jonet

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É ISTO Por Sérgio Lavos http://arrastao.org/ Isabel Jonet decidiu fazer política. Está no seu direito. Prejudica bastante a meritória obra que dirige, mas está no seu direito. Agora, nem ela nem os seus hipócritas defensores podem esperar que a resposta não seja dada na mesma moeda: através do combate político. Quem vai à guerra, dá e leva. O resto são lamentações do habitual coro de virgens ofendidas, que não gostou de ver alguém com a "educação e estatuto" de Jonet assumir o papel de idiota (útil) da aldeia, desbocado e inconveniente, dizendo aquilo que a maioria de direita pensa, expondo todas as fissuras e teias de aranha de uma visão do mundo ultrapassada e salazarenta, uma visão que tem de ser combatida politicamente com todas as armas, precisamente porque é essa a visão que o Governo abraçou sem pejo nem culpa.  Este texto do Pacheco Pereira resume na perfeição a natureza do combate : CARIDADE E SOLIDARIEDADE  Evitei entrar na primeira polémica resul...