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nem tudo está perdido, podem crer

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Por Baptista-Bastos Que vai restar daquilo que, apesar de tudo, conseguimos, nestes quarenta anos? Pouco. A mística que nos envolveu e nos fez agir, logo após Abril de 74, foi persistentemente esbatida, com a nossa total indolência. A vitória do capitalismo mais predador, da substituição do humanismo por uma ordem que minimiza a cultura e dá premência ao dinheiro, domina Portugal e o mundo. A União Europeia desmorona-se, porque, na realidade, nunca existiu. Os "mercados" deixaram de ser abstracções entediantes para se tornarem nos vampiros da canção: estão em todo o lado, tudo devoram e não deixam nada. Portugal está à beira de qualquer coisa, e ninguém sabe bem de quê. Mas o panorama não augura nada de bom. Os partidos que se têm alternado no poder são uma miséria política, moral, social e filosófica. As vozes isoladas, que recalcitram contra este amorfismo, são perseguidas, saneadas, ou tidas como obsoletas. O dr. Passos Coelho, desabusado e sem pingo de verg...

contra o medo

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Por Baptista-Bastos O medo é a inspiração e o respaldo dos tiranos. Nós, portugueses, temos sofrido, ao longo da História, doses substanciais de medo e é surpreendente que, mesmo assim, subsistimos como cultura e como força moral. O antifascismo é isso mesmo: uma força moral que congregou monárquicos, republicanos, comunistas, católicos, animados pelo singelo desejo de liberdade. A ideologia que os reuniu consistia nesse poder incomparável, talvez possível de sintetizar no verso admirável de Carlos de Oliveira: "Não há machado que corte a raiz ao pensamento". Nestes últimos quarenta anos, o medo tem sido um dos instrumentos daqueles dos nossos governantes que, para se manterem no poder, utilizam toda a utensilagem de que o medo dispõe.  As ‘sondagens’, que pareciam credibilizar o rigor das informações, serviam como viático para a jornada do medo. Caíram por terra, no Reino Unido, e, agora, com fragor idêntico, na Grécia: davam empate técnico ao Syriza e à Nova De...

em plena indignidade

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Por Baptista-Bastos http://www.cmjornal.xl.pt/ Passos Coelho não deixa de me surpreender com a insistência no embuste e no desprezo pela verdade e pela clareza de propósito. Confrontado, no mercado municipal de Braga, por uma multidão de "lesados" do BES (roubados com descaro, diríamos apropriadamente), ofereceu-se para ser o primeiro de um hipotético abaixo-assinado que levasse os prevaricadores a tribunal. Estamos em plena indignidade ou no grau mais desprezível a que a política chegou. Passos sabe que a oferta é falaciosa, impossível de cumprir pela sua própria insustentabilidade: o Governo, todo o Governo, seria acusado, e não haveria cadeiras no tribunal para sentar número tão elevado de indiciados. Mas Pedro Passos Coelho tem este grave defeito de carácter: a verdade dos factos é, para ele, de somenos. Promete; depois, logo se vê.  Agora, arrasta consigo, para os comícios, o pobre Paulo Portas, cada vez mais desamparado e trágico. Um, expõe dois dedos abert...

a velha mulher síria

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Por Baptista-Bastos http://www.cmjornal.xl.pt/ A velha mulher síria tenta escapar por uma fenda da cerca de arame farpado húngaro, que se estende ao longo de quilómetros. É uma velha mulher possante, e segue o caminho de centenas daqueles que fogem das misérias nacionais. Fica tomada numa pua e um familiar socorre-a, um pedaço de roupa prende-se, ela tenta reavê-lo, o familiar adverte-a de que não podem perder tempo, lá vêm os guardas, pressurosos e inclementes. Uma luz da tarde ilumina o rosto da velha mulher síria: um rosto sulcado por mil rugas, mil sóis e mil dores. Ela é um desses muitos milhares de seres humanos, velhos e velhas, homens, mulheres e miúdos sírios, afegãos, turcos, iraquianos, líbios, iranianos, outros, caminhantes de países hostis, afogados no Mediterrâneo, que todos temem ou desprezam, e que o discurso oficial orna de frases bonitas e intenções nobres. A Alemanha já disse que só recebe perseguidos políticos; perseguidos da fome e da miséria, não. Fog...

angústia a toda a hora

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Por Baptista-Bastos http://www.cmjornal.xl.pt/ Nada do que foi voltará a ser. E é bom que se entenda esta verificada verdade. Verdade tornada numa expressão nebulosa e equívoca quando pronunciada por certa gente. Para que as coisas mudem e se restitua às palavras a dignidade da sua própria condição, torna-se imperiosa a necessidade de se remover este governo.  Necessidade moral, antes de outra. Mas não vejo no PS uma dinâmica de vitória que seja suficientemente forte para escorraçar este ultraje. O director de campanha afigura-se-me inexistente, e a confusão que se moldou com as presidenciais é um sintoma da baralhada. Idêntica baralhada que conduziu, no passado, à dualidade fratricida de candidaturas semelhantes, e à dolosa ascensão do dr. Cavaco à Presidência.  Ao que ouvi dizer, a agência de publicidade encarregada de promover o PS foi despedida por inércia e incompetência. Depois, os comícios, até agora, tiveram António Costa como protagonista principal. E...

a pátria em acentuada decadência

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Gastão de Brito e Silva/http://ruinarte.blogspot.pt/ Por Baptista-Bastos Jornal de Negócios A decadência portuguesa acentuou-se nos últimos quatro anos. O universo de embuste criado com o “empobrecimento” da população; a “austeridade” imposta por uma ideologia que ignora as características, a cultura e a História do país criaram uma apatia de desistência, já marcada anteriormente e acentuada agora. Não há debate político ou cultural; inculcou-se no português médio o fetiche do futebol; as revistas cor-de-rosa deram lugar a um universo fantasioso; e a imprensa, aquela que tinha por dever, obrigação e destino, está moribunda e pertence a grupos industriais com objectivos e funções especiais, que pouco têm a ver com a própria natureza do “produto.” É penoso ler a imprensa dita de “referência”, estafada em desaforar o leitor dos grandes problemas nacionais e internacionais. A caso da Grécia, nos nossos jornais, foi e tem sido tratado com uma leviandade e uma displicência q...

o triste viver

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Por Baptista-Bastos http://www.cmjornal.xl.pt/ Será que deixámos de acreditar em nós próprios? Parece que Garrett escreveu: "O país é pequeno e não maior a gente que o habita." Digo ‘parece’ pois a frase tem sido, também, atribuída a Herculano. Não fica mal nem a um nem a outro, ambos severos e fúnebres com a moleza de espírito e a indolência moral dos nossos concidadãos. A verdade é que poucas vezes tivemos dirigentes à altura das nossas esperanças. Dirigentes que, segundo Saramago, não passam de "salafrários" que se revezam na partilha dos bens e das benesses públicas. Vem agora o dr. Passos, que esteve no Funchal e nos Açores, a dizer coisas, entre as quais: "Vamos dar uma nova alma a Portugal." E "Portugal tem direito a um futuro melhor." Estas frases possuem um nexo entre si, de que sobressai a admissão de culpa do primeiro-ministro. Afinal, nos quatro anos de poder, tirou-nos a alma e extorquiu-nos o direito a um futuro melhor. É uma...

este tipo inaudito e desavergonhado

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Por Baptista-Bastos http://www.jornaldenegocios.pt/ Não quero mais este tipo na minha casa, na minha rua, no meu bairro, na minha cidade, na minha pátria. Este tipo vendeu-nos, com um descaramento inacreditável. Este tipo parece um serventuário; parece, não: é um serventuário da alemã, e enxovalha-nos a todos quando, reverente e subalterno, caminha ao lado dela, atento ao que a alemã diz, e toma nota e fixa o que a alemã diz com reverente cerimónia. Este tipo disse que gastávamos demais, nós, os portugueses, que nunca soubemos o que era prosperidade, ter uns tostões a mais no bolso, satisfazermos os pedidos dos nossos filhos, por muito modestos que fossem. Eu, por exemplo, nunca consegui adquirir, nem em segunda mão, uma bicicleta para os meus filhos, embora tivéssemos feito, a minha mulher e eu, sacrifícios inauditos para os educar, sem a ajuda de ninguém.  Já deixei de ouvir este tipo. E desligo logo a televisão, quando o vejo e ouço, sobretudo na SIC, que ...

o cerco implacável

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Por Baptista-Bastos http://www.cmjornal.xl.pt Na Grécia, a vitória do ‘não’, por substancial maioria, veio pôr a nu o verdadeiro rosto da chamada União Europeia, que não passa de um embuste muito bem articulado, com seus serventuários e estipendiados. O cerco e o esmagamento do Syriza estavam no programa e a contra-informação mais despudorada revelou os seus objectivos mais sórdidos.  Segui, um pouco arfante, os noticiários das televisões, nacionais e estrangeiras, e o fechado e lúgubre semblante dos nossos comentadores do óbvio, com excepção de dois deles, forneceram-me a imagem das suas decepções. Aliás, durante as últimas semanas, a manipulação da forma e do conteúdo constituiu um vergonhoso retrato do estado actual da nossa comunicação social. Repugnância e vómito.  O lado humano desapareceu em benefício do número e da estatística; as presenças constantes de gente que nada diz oposto ao pensamento único tornou-se enfadonho por bocejante; e o modo enfaticamen...

uma questão de honra

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Por Baptista-Bastos http://www.cmjornal.xl.pt/ O cerco de humilhações com que a Europa dos ricos tem sitiado a Grécia fornece bem o retrato de quem manda e de quem é subalterno. Deploravelmente, o Governo português tem alinhado com aqueles que perderam a dignidade, em nome de um poder ideológico aparentemente vencedor. Mas não o é. Os gregos têm mantido uma grandeza admirável ante a ofensiva dos mais fortes, que faz daquele povo um bravo combatente contra a absurda e criminosa teologia do "sistema". O Syriza apenas não quer manter a brutal austeridade imposta por burocratas, que lhe exigem, com total desconhecimento da História e da actualidade real, uma servidão inconcebível. Sabe-se, hoje, que o grande patronato grego, sustentando-se nas sinuosas exigências do "mercado", se tem oposto, junto do FMI, às decisões do governo de Atenas. Este somente deseja cumprir as promessas eleitorais que o levaram ao poder. O patronato grego exige que se façam cortes nas ...

encruzilhada

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Por Baptista-Bastos http://www.cmjornal.xl.pt/ Algumas sondagens dão ‘empate técnico’, misteriosa frase, entre o PS e a Coligação. Não é de espantar, tendo em conta uma espécie de astenia criativa de António Costa e a presença constante em tudo o que é ‘evento’ de Passos, Portas e os seus. Além disso, o secretário-geral socialista tem de enfrentar a dissidência larvar no seu partido. Passados os primeiros momentos de euforia, a água deixou de fazer círculos, e as posições aclararam-se mais, embora sejam, ainda, um pouco difusas. E avantaja-se o facto de ser somente António Costa o orador de todas as circunstâncias, numa demonstração de isolamento que lhe é necessariamente prejudicial. As sondagens valem o que valem, dizem os incautos. E o exemplo do Reino Unido é apresentado como prova. Mas as sondagens sempre valem alguma coisa. Por outro lado, a voz e o gesto de Passos Coelho modificaram-se, tornando-se amenos, enquanto Portas é um sorriso encantador, e um pouco mais tolo. Q...

a mentira sem vergonha

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Por Baptista-Bastos http://www.jornaldenegocios.pt/ Na última terça-feira, o dr. Pedro Passos Coelho, com a desfaçatez que já não surpreende ninguém, afirmou que nunca tinha convidado ninguém a abandonar o País. Disse-o, sorridente, como sorridente estava a seu lado, o falecido autor de "O Eduquês." O episódio ocorreu na TVI, cada vez mais a minha estação preferida. Quase a seguir, a emissora recuperou as afirmações do senhor, que fizeram história, e desmentiram, agora, o que, de facto, dissera, há dois anos. Além das afirmações, lá estavam, também, as do inigualável Miguel Relvas, no mesmo tom e estilo do patrão, e de um outro qualquer secretário de Estado. Os mentirosos foram desmascarados, mas não titubearam. A panóplia de mentiras, omissões, torções à verdade mais elementar, de que este primeiro-ministro e os seus são mestres evidentes, tornou-se motivo de devastadoras anedotas. No tempo do fascismo, a aldrabice possuía a cumplicidade da censura e da polí...

o embuste como norma nestes tempos sombrios

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Por Baptista-Bastos http://www.jornaldenegocios.pt/ Com a irrevogável leviandade que constitui a marca d'água do seu excitado carácter, Paulo Portas afirmou, na terça-feira, que "há aves agoirentas que gostam de ver Portugal puxado para baixo". Não é só insólita, a afirmação é embusteira, o que não surpreende, dado o seu autor. Começámos a habituar-nos à mentira como suporte do poder. E o pior é que há, espalhados pelos jornais e pelas televisões, nefelibatas ao serviço de quem manda, que não desconstroem e desmontam o edifício de embustes e de dados viciados com que este Governo nos encharca. Os comentadores são sempre os mesmos e minuciosamente escolhidos. A credibilidade da imprensa e das televisões perde-se num confuso emaranhado de palavras. Cronistas incómodos são mandados embora (sei muito bem do que falo, por experiência própria) e substituídos por uma miuçalha sem grandeza nem decência. Claro que há excepções, mas são tão raras, tão raras… Uma de...

a ameaça de cavaco

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Por Baptista-Bastos http://www.cmjornal.xl.pt/ O dr. Cavaco disse e fez saber que não empossará o novo Governo, caso não haja maioria. O dr. Cavaco dispõe dos instrumentos legais que lhe permitem dizer tal coisa, mas sobressaltou muita gente. Não se discutem as razões; analisam-se as possibilidades. Seguindo as regras, o senhor pode nomear um Governo de ‘inspiração presidencial’ ou um ‘governo de gestão’, ou, ainda, manter, por dois meses, o mesmo Executivo, proceder a novas eleições, após consulta aos partidos e ao Conselho de Estado. Qualquer das hipóteses, releva, sempre, de um pequeno golpe palaciano. Já houve outros, com outras máscaras e procedências. O dr. Cavaco tomou esta decisão, se é que se trata de decisão (com ele nunca se sabe), depois de cansativa lengalenga sobre a necessidade de um conúbio entre o PS e o PSD. António Costa tem dito não a todas as propostas e sugestões, certamente pressionado pela ala esquerda do PS, e só então o dr. Cavaco surgiu com a conje...

nada a esperar

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Por Baptista-Bastos http://www.cmjornal.xl.pt/ Vivemos num lugar sombrio e esquecido de Deus. Porém, depois, vejo o ministro Mota Soares a rezar, compungido e trágico, e outros mais, como o Paulo Portas, e julgo ficar mais sossegado. Tudo na mesma. Segundo as estatísticas, tão do agrado desta gente, os mais ricos, em Portugal, ganham dez vezes mais do que os mais pobres; e a miséria atinge, sobretudo, os miúdos, numa percentagem alarmante. Ou Mota Soares, Portas e os restantes não rezam com conveniente convicção, ou, então, as coisas estão muito embrulhadas e Deus deixou de escutar (se nalguma ocasião o fez) estes contritas, porque percebeu a torpe falsidade dos seus votos. ("Mas as crianças, Senhor, porque lhes dais tanta dor?...") Numa daquelas viagens de propaganda governamental, que estarrecem pela constância e aborrecem pela vacuidade, o primeiro-ministro foi ao Douro e disse outra das banalidades costumeiras. "Temos de abandonar os fatalismos", afir...

os decretos dos nossos pesares

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Por Baptista-Bastos http://www.jornaldenegocios.pt/ Nenhuma revolução se faz por decreto. Mas há decretos que causam sofrimento, desolação e miséria. Estou a lembrar-me, claro!, do que nos têm feito, através de decretos, Pedro Passos Coelho e os seus. E esta evidência adveio-me, veja o meu Dilecto, de uma releitura de "A Revolução Francesa", de Henri Dejean. Possuo muitos livros sobre aquele período, que alterou, substancialmente, a Europa e o mundo. E relembro as frases de Saint-Just, na Convenção de Paris: "A República Francesa proclama que a felicidade é possível entre os homens." Ou: "A República Francesa proclama que a liberdade é uma ideia nova na Europa." Estas frases sobressaltam, ainda hoje, quem teme a mudança das coisas e dos hábitos. A verdade, porém, como escreveu Carlos de Oliveira, "não há machado que corte a raiz ao pensamento", e as modificações que se registam, no nosso continente, querem dizer alguma coisa. As pe...

outra aldrabice

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Por Baptista-Bastos http://www.cmjornal.xl.pt/ Pedro Passos Coelho, com aquela desenvoltura oral que fez dele mulo de António Guterres, foi a uma daquelas reuniões em que diariamente se desmultiplica e nos aborrece, para dizer o seguinte: Portugal pertence ao grupo dos três ou quatro países mais ricos e prósperos. Não ficámos a saber se da Europa ou do mundo; mas, para o caso, tanto faz. Induz-se que esta coroa de glória é devida às políticas salvadoras e benfazejas que ele e o seu grupo impuseram ao País. Solícita e mui zelosa, a SIC, que noticia todas as ninharias que a agenda governamental programa, lá projectou o facto carunchoso. Não houve um dos comentadores do óbvio, habituais naquela estação, que elucidasse os telespectadores da monstruosa leviandade, para lhe não chamar o nome adequado: sórdida mentira. A aldrabice tornou-se lugar-comum na vida política portuguesa; porém, tanto quanto a minha malvada curiosidade se recorda, nunca tinha assistido a este rebotalho mor...

... e o PS, que faz?

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Por Baptista-Bastos http://www.cmjornal.xl.pt/ A vitória dos conservadores no Reino Unido animou aquela feira cabisbaixa, até então obcecada pelos números das sondagens, que dão vitória folgada ao PS. Afinal, a credibilidade, supostamente apoiada no rigor tradicional das instituições inglesas, falhara com estrondo, e os conservadores haviam pulverizado todas as conjecturas. O entusiasmo tornou-se notório nos discursos e na gesticulação jubilosa de Passos Coelho. Os militantes do CDS não demonstraram igual regozijo. A festa não lhes pertence: é mais do parceiro de coligação. O CDS é uma rémora – existe porque alapado ao mais forte e tem de ter muito cuidado para subsistir. Quando Paulo Portas exagera (está em sua natureza) nas birras e nas infantilidades, imediatamente se desdiz, certamente aconselhado pelos companheiros mais velhos e sensatos. Mas é um parceiro imprevisível e imponderável. Passos Coelho está farto das traquinices de Portas, como se entende do panegírico recém-...

esta gente despreza os nossos jovens

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Por Baptista-Bastos http://www.jornaldenegocios.pt/ Se ainda houver em Portugal quem acredite neles, que os compre. E, diariamente, surgem notícias cada vez mais desanimadoras. As televisões falam no português comum, que já não ri como ria. É um trabalho científico sobre a melancolia que nos assola e cada vez mais se acentua. A doutrina do empobrecimento, apregoada e posta em prática por Pedro Passos Coelho e os seus, transformou-nos num povo apático, à espera de algo que modifique a nossa triste vida. Aborrece-me ter de bater quase sempre na mesma tecla, mas a culpa não é minha. Na terça-feira, o Correio da Manhã fez manchete com o título: "Jovens qualificados com salários de 505 euros". O texto, claro e elucidativo, de Raquel Oliveira, é doloroso pela extrema crueldade com que relata este aspecto do nosso viver. O Governo decreta e o patronato, contentíssimo, segue à risca as normas. Vale a pena gastar dinheiro com a educação dos filhos, quando a postulação...

a democracia ainda existe?

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Por Baptista-Bastos http://www.jornaldenegocios.pt/ Um grupo de 900 cidadãos holandeses decidiu processar o governo por este não proteger a população das poluições. O facto não é novo naquele país e, esmagadoramente, os protestos são sempre ganhadores. O prestígio da democracia desaparece quando o desrespeito e a incúria ganham terreno. E o voto continua a ter, nas sociedades civilizadas, um poder punitivo e dissuasor. Na Islândia, o primeiro-ministro foi preso, assim como outros governantes, por indignidade nacional: corrupção, nepotismo e negligência. Na Itália de Berlusconi, este foi escorraçado por indecoro. O exemplo clássico é o de Richard Nixon: mentiu à nação e foi enxotado. Valeu-lhe, depois, o perdão de Ford, que o reabilitou com extrema decência. Há dias, nos documentos que faz publicar a Associação 25 de Abril, o meu amigo Vasco Lourenço, herói da Revolução, em resposta a um correspondente, dizia não sentir o mínimo rebuço em apoiar um processo-crime contra o G...