Mostrando postagens com marcador óculos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador óculos. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 14 de maio de 2014

OS ÓCULOS DA LEONOR

feveronedirection1d.blogspot.com

 Era um sujeito divertido, meio amalucado, pai de um grande amigo meu de juventude. Baiano dos que falam pelos cotovelos, tinha quase 50 anos. Profissão: dentista. Seu forte não era tratar canais nem fazer próteses. Segundo diziam no prédio em que todos nós morávamos, sua especialidade era vender atestados médicos. Gostava de fazer feira, mas tinha o péssimo hábito de esquecer mercadorias, peixe inclusive, no porta-malas do carro. Ou seja: era rara a semana em que a fedentina não tomava conta da garagem.

Uma noite, perto das 23h, passei em seu apartamento. Queria saber se meu amigo, seu irmão e mãe, já haviam retornado da viagem à Bahia. Ele ficou feliz com minha presença, disse que chegariam naquela madrugada, me convidou para ir com ele até a rodoviária. Topei. Pra minha surpresa, pegou o sentido contrário, rumo a Penha. “Não se preocupe. É que tenho que resolver um probleminha, coisa rápida. Dá tempo de sobra. O ônibus sempre atrasa”.

Parou o carro em frente uma casa de classe média, pediu que eu esperasse um pouco, vinha logo. Não me restava fazer outra coisa: esperei. Do lado de fora, ouvi um bate-boca. Não demorou muito, ele saiu, ligou o carro e partimos para a rodoviária. Sem que eu nada lhe perguntasse, me mostrou uns óculos:

-- É da Leonor. Sem óculos, ela não enxerga nada, não consegue dar aula. Peguei sem ela ver. Amanhã, ela me liga. E a gente reata.


terça-feira, 19 de novembro de 2013

PANCADINHA & PANCADÃO

Cumpriu o ritual de sempre. Deu os remédios para o pai, esperou o pai tomar banho, secou o pai, vestiu o pai, preparou o café do pai. Era seu plantão. Colocou o pai no sofá, ligou a tevê, pediu pra que o pai ficasse ali, quietinho da silva. Voltaria logo. Iria até o mercado, do outro lado da rua, comprar umas frutas.

Mas cadê os óculos?

Procurou em vão pela casa toda. Onde estariam os malditos? Depois de quase meia hora, foi tomado por uma ideia medonha. Será que o pai sentara em cima deles? Sentara. Mas sentara em cima dos óculos dele, do pai. Mas, e os óculos do filho? Estavam na testa do pai. Pode?