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sábado, 27 de setembro de 2014

TAPA NAS COSTAS





Vida difícil. Não conseguia mais dar o passo. Manter-se sentada também era difícil. Passar o dia na cama, quem pode com uma coisa dessas? O corpo dói demais. Mas era dia de visitas. Tinha porque tinha que parecer aprumada – e, de certa forma, estava! Com vestido florido, banho tomado, calcinha nova, fez seu papel: disse “boa tarde” (já era noite) a todos visitantes, fingiu entender o que lhe diziam etc.

Tudo ia mais ou menos bem até se engasgar com um naco de bolo. 
Foi um fuzuê. Quase se foi.

Uma pancada nas costas lhe salvou a sobrevida.

-- Poxa, mamãe, a senhora não se emenda, não? Sempre dando “fora” na frente dos outros. Que vergonha! Vou levá-la ao quarto, melhor dormir. Diga “boa noite”.