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quinta-feira, 21 de setembro de 2017

IMAGENS E REFLEXÕES SOBRE A SOLIDÃO



Marguerite, 1918 - De Guy Rose

A solidão é a sorte de todos os espíritos excepcionais.

(Arthur Schopenhauer)



Automat, 1927 - De Edward Hopper

“Quem, portanto, não ama a solidão,
 também não ama a liberdade:
apenas quando se está só é que se está livre [...] 
Cada um fugirá, suportará ou amará a solidão
na proporção exata do valor da sua personalidade. 
Pois, na solidão, o indivíduo mesquinho 
sente toda a sua mesquinhez, 
o grande espírito, toda a sua grandeza; 
numa palavra: cada um sente o que é.”

(ARTHUR SCHOPENHAUER)


A lover of Dickens - Charles Spencelayh

 

O segredo de uma velhice agradável
 consiste apenas na assinatura 
de um honroso pacto com a solidão.
(Gabriel García Márquez)


***

Resultado de imagem para imagens bolo de aniversário

Bete providenciou tudo sozinha: bolo, salgadinhos, vela, 
flores e mensagens. Foi o aniversário mais feliz de sua vida. 
Por orlando Silveira

terça-feira, 19 de setembro de 2017

QUASE HISTÓRIAS: SOLIDÃO

Resultado de imagem para imagens bolo de aniversário
Foto: arquivo Google

PARABÉNS, BETE

Tomou um banho demorado, como há muito não tomava. Colocou o melhor vestido que tinha, fez as unhas das mãos e dos pés. Depois, ligou para a floricultura, encomendou seis buquês de rosas carmim. Ditou o que deveria ser dito nos cartões, todos anônimos e levemente eróticos. Acionou a melhor e única amiga que tinha – antiga vizinha, velha colega de trabalho. Pediu sua ajuda. Gostaria muito de receber telefonemas e e-mails nesta data querida. (A amiga não lhe faltou.) Comprou o melhor bolo da padaria. Também providenciou brigadeiros, coxinhas e refrigerantes. Não descuidou das velas.

Avisou mamãe que o dia seria agitado. E foi. O telefone tocou inúmeras vezes. Mensagens eletrônicas também chegaram, junto com o bolo da padaria e as flores.

Foi o aniversário mais feliz de sua vida.

OS - DEZEMBRO/2013
ATUALIZADO EM SETEMBRO DE 2017


Imagem relacionada
Ilustração: Hubpages.com

AS ORGIAS DE IRENE

Aquele apartamento da vida deu-se de forma gradual, mas inexorável. No início, era negar um convite para ir aqui ou acolá. Desculpas inconvincentes? Paciência. Com o passar do tempo, deixou de carregar a bateria do celular – hoje, para ela, peça de museu. Largou as redes sociais. Ninguém mais liga para ela. Ela também não liga para ninguém. Irene só usa a internet para comprar pizza aos sábados. Aí, ela se farta e dorme. Melhor que sábado, só quinta. Madrugada de farra. Põe dois para lá, dois para cá na vitrola, toma uísque com guaraná. Carrega na maquiagem, o batom vermelho carmim não pode faltar. Faz cara de puta. Trôpega, vai para o quarto curtir seu bacanal imaginário.

OS –  OUTUBRO/2015
ATUALIZADO EM SETEMBRO DE 2017


quinta-feira, 29 de outubro de 2015

SOLIDÃO

Adicionar legenda

Queridos, lamento informá-los: essa porcaria não existe. Nossos fantasmas estarão sempre por perto.


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

PARABÉNS, HUMBERTO


wwwblackwings.blogspot.com 

Humberto, coitado, nunca soube o que era sossego, coisa que os mais refinados chamam de paz de espírito. Passou a vida toda como se fora o mais contente de todos. Não era. Nunca foi. Mas era assim que o viam: como o mais contente de todos. Família é besta. Família quase sempre não percebe nada.

Depois, antes mesmo de perder o “núcleo duro da família”, pai e mãe, dois irmãos e uma irmã, Humberto jogou a toalha. Não queria saber de mais nada. Não queria saber de festa. Não queria saber de ninguém. Não queria ver ninguém. Mas, num dia, só, absolutamente só, como sempre, resolveu fazer o que há tempos não fazia: comemorar seu aniversário.

Tomou banho bem tomado, cortou as unhas (dos pés e mãos), fez barba bem feita, resolveu encarar o mundo: tomou duas batidas e uma lata de cerveja, comprou pizza, de dois sabores. Pagou pelo sabor mais caro (um roubo). Ofereceu dois pedaços ao porteiro, um de cada tipo. O porteiro alegou já ter jantado, obrigado, sábado a gente come demais, todo mundo fica generoso. Humberto lhe ofereceu uma lata de cerveja. Não bebo. Sou evangélico.

Humberto pegou o elevador crente de que o cachorrinho de anos (como não?) emplacaria dois pedaços de pizza: uma de frango, outra de peru. Mas não havia mais cachorrinho...

Humberto comeu as azeitonas sem caroço, bebeu as duas latas de cerveja, entornou um chá de boldo, pediu a Deus que o perdoasse.

No dia seguinte, jogou o resto de pizza fora, junto com as duas latas vazias. E sobreviveu. Porque Deus é pai. Porque sua hora não chegara.