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sábado, 7 de dezembro de 2013

DA BOCA PRA FORA

http://teenswishes.blogspot.com.br


O problema da “meritocracia” é que ela é muito louvada e pouco praticada.

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O brasileiro não suporta “boquinha”. Para os outros.

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Nem “amor “ de sogra é tão falso como um currículo.




quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O PORTUGUÊS BEIJOU A LONA, SEM LEVAR UM MÍSERO SOCO

Minha sogra era calada, mais observava que falava. Raramente, dava palpites sobre assuntos que não dominava, ainda mais se da conversa participassem estranhos. Preferia coar um café e preparar uns croquetes impagáveis. Meu sogro era o exato oposto. Adorava uma polêmica. Desconhecimento do assunto jamais o impediu de expor suas opiniões definitivas sobre tudo. Falava pelos cotovelos. Não perdia a oportunidade de maldizer o comunismo e Adhemar de Barros, só para enaltecer Jânio Quadros. A experiência me ensinou que, ao lhe dizer “bom-dia”, era prudente puxar uma cadeira. A prosa sempre ia longe.

Domingo à tarde, fui namorar. Sabiá estava linda demais. Logo em seguida, minha sogra veio até o portão, me cumprimentou, perguntou se não queria um café e uns bolinhos, virou-se para a filha e disparou:

-- Teu pai não se emenda. Há duas horas ele não para de falar, só ele fala. Do português não se ouve um pio. Que mania de falar tanto!

O português em questão era português mesmo. Chegara há pouco da Terrinha e fora até a casa de meus sogros para conhecer o filho de minha cunhada, como convém a todo tio-avô amoroso. Segundo relato de minha sogra, o português até que resistiu bem à mudança de fuso horário. Mas, como veríamos logo a seguir, sucumbiu ante a falação de meu sogro.

E por falar em sogro, lá veio ele até o portão. Minha sogra não se aguentou:

-- Você deixou o homem sozinho na sala? Que falta de educação!

-- Ele dormiu. O que você quer que eu faça? Até que tentei acordá-lo. Continuei falando. Qual o quê! O português tem sono pesado. O pior é que vai acordar com a camisa babada. 

Aceitei o convite de minha sogra para saborear os croquetes. E puxei uma cadeira. A “vítima” agora era eu. Tenho para mim que o português já estava acordado, mas lhe faltava coragem para dizer “até logo”. A chance de meu sogro engatar nova conversa não era desprezível. O português era luso. Não era leso. (janeiro de 2013)


quarta-feira, 23 de outubro de 2013

CADÊ O POSTER?


No bar da Arminda, o pau ameaçou comer solto. Boca Dura encarou Chico Vaselina. E rasgou o verbo, daquele jeito que só ele e mais uns poucos conseguem rasgar:

-- Vaselina, você é um baita mentiroso.

-- Mentiroso por quê? – quis saber o acusado, com seus modos maneiros. 

-- Porque você fica com essa conversa fiada de que sua sogra era isso, sua sogra era aquilo outro, que mulher como ela é raro encontrar e não sei o quê mais. Ninguém, meu caro, ama a sogra, muito menos do jeito que você diz que ama. Ninguém!

-- Amava, amava! Mas, ela morreu – impacientou-se, coisa rara, Chico Vaselina.

-- Que ela morreu, eu sei, todo mundo sabe. O que eu não sei e ninguém sabe é por que você ainda não colocou uma foto dela na sala de sua casa. Cadê o pôster, mano? Que amor é esse? .

A conversa não degringolou de vez, porque dona Arminda interveio, com a autoridade de sempre. Meia hora depois, a conversa já era outra. A disputa era para saber quem conhecia melhor a filha do meio do açougueiro. Chico Vaselina sustentava a tese de que jamais soube o açougueiro tinha uma filha do meio. (abril de 2013)