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quarta-feira, 22 de abril de 2015

SEXO E POLÍTICA


www.caminho21.com.br
DA PENHA JÁ NÃO ESTÁ ENTRE ELES

Verdade seja dita: Chagas não chegou a ser tão obsceno quanto o velho pai. Mas chegou perto, bem perto. Desde sempre, logo após a lua de mel de míseros sete dias, colocou os atributos físicos da mulher para trabalhar em favor da prosperidade familiar. 

Chagas virou prefeito de município de médio porte. Da Penha, que mais tarde viria a ser deputada, foi primeira-dama afamada na região, rainha dos vereadores e cabos eleitorais.

Nos dois primeiros anos de mandato, Da Penha fez a alegria de muitos de seus pares, chegou a ser presidente de comissão importante. Mas a desgraça se abateu sobre os Chagas. 

O marido foi cassado por corrupção. Gastava parte do dinheiro público que surrupiava com lutadores de vale-tudo. Da Penha fez uma dessas dietas da moda. Ela perdeu quilos e mais quilos, mas a bunda generosa foi-se embora, virou tábua de passar roupa. Não se reelegeu.

Hoje, Chagas e Da Penha pouco se falam. Mas, com os olhos marejados, se perguntam em silêncio: onde foi que erramos?  (março de 2014)

sábado, 20 de setembro de 2014

JEJUM



asasdosversosereversos.blogspot.com


Segunda-feira.
O telefone toca, o coitado atende. Uma, duas, três vezes. Com a educação possível.
É a velha que não escuta querendo saber quanto custa para lavar o edredom.
(Perdão, senhora: aqui não é lavanderia.)
É o gerente querendo convencê-lo de que os juros cobrados pelo banco são excelentes.
(Obrigado, amigo, não quero empréstimo.)
É a moça do consórcio querendo lhe empurrar um carro,
é a senhora da creche pedindo ajuda, é, é... 
É o mundo lhe torrando o saco.
Na décima quinta vez, não perguntou quem era, bateu pesado:
- Vá pra puta que o pariu.
Era a mulher. De TPM. 
Vai jejuar um mês.

OUTUBRO/2013


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

DOIS VELHINHOS

(cena um)

empilhandopalavras.blogspot.com -

-- Toma Viagra?
-- Não.
-- Bobalhão.
-- Bobalhão é você.
-- Por que, simpatia?
-- Bom palhaço sabe qual é a hora de recolher a lona.


(cena dois)

www.newsrondonia.com.br 

-- Amor: está chovendo.
-- Delícia.
-- Vamos deitar?
-- Claro. Já me banhei. Sou das antigas. Só vou pra cama de banho tomado. 
-- Então, vamos. Vá indo. Eu pego o radinho e as balas de coco.
-- Vamos nos divertir!
-- Claro. A gente merece.



domingo, 20 de outubro de 2013

NA PIOR IDADE

Aqueles gemidos lancinantes não são de prazer, não. São de dores: nas costas, rins, braços e pernas. 

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

PIO XXIV NÃO SABIA QUE HÁ MULHERES...


Ernesto podia se conformar com tudo. E com tudo se conformava. Sempre foi homem de boa fé. Mais conformado que ele, se é que existe criatura dessas, não conheci ninguém. Nunca se ouviu um grito seu, um palavrão sequer. Daquela boca bendita só saiam orações. O máximo que ele se permitia era emitir – coisa rara – um sonoro “e que tudo o mais vá para o inferno”. Era fã de Roberto Carlos. Para compensar o rompante desnecessário, a seu ver, partia sempre para uma série de novenas. Aqui se faz; aqui se paga. Ernesto sabe disso. Jamais deixou de rezar, embora fosse homem de pouco pecar.

Mas sua beatitude não lhe tirava o prazer indescritível de se empoleirar, duas, três vezes por mês, sempre às terças-feiras ou quintas-feiras (o Corinthians, seu maior vício, só joga nas quartas e domingos) em Verônica – mulher à moda antiga: patroa de ancas largas, cintura fina, peitos avantajados, mulher que hoje não se faz mais. A elegância exagerada pôs o mundo a perder. Hoje, ser bacana é ser pau de virar tripa, mulher sem carne, só pele e osso, nada mais. Frango a passarinho.  Não quero falar de gravetos. O mote dessa conversa é Ernesto, o pio.

Era terça, era quinta? Não sei. Minha memória falha sempre quando preciso dela. O que sei é que era dia de Ernesto marcar o ponto. Verônica fez o que sempre fez: cumpriu sua parte, simulou com maestria. Mas a vizinha reduziu seu teatro à categoria de circo mambembe: berrou além da conta, pecou pelo exagero.

-- Caramba, ela deve estar tendo prazer medonho. O cara deve ser bom mesmo, disse Ernesto, com uma estaca de inveja no peito.

-- Bom nada. Ela está fingindo, eu sei. Conheço bem a figura.

-- Quem? O cara? – impacientou-se Pio XXIV.

-- Não. A vizinha, Ernesto.

-- Você finge também?

-- Eu não, querido, eu não. Jamais fingi. Você é demais de bom. Vamos dormir. Está na hora. Na semana que vem a gente continua.

Ernesto riscou do seu caderninho as terças e quintas também, dobrou a reza pelas mulheres que fingem. E Verônica encontrou a paz. Finalmente. Mas a vizinha, coitada, continua a ganir o prazer que só o marido dela toma por vero.  (abril de 2013)