Mostrando postagens com marcador ricardo noblat. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ricardo noblat. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

POLÍTICA/OPINIÃO: RICARDO NOBLAT

Fantasma (Foto: Pixabay)
Ilustração: Arquivo Google

O FANTASMA DE SARNEY ASSUSTA TEMER

  Temer ofereceu-se como capaz de fazer as reformas
que o país reclama, e que político algum com chances
de se eleger presidente gostaria de fazer

Por Ricardo Noblat
http://noblat.oglobo.globo.com/meus-textos/
08/12/2017 | 03h01

Há varias razões para que o governo do presidente Michel Temer ainda se mantenha. A mais importante: o pouco tempo que resta para que ele ceda lugar ao próximo. Não custa esperar até outubro quando o novo presidente será eleito. Outra razão: não haveria candidatos prontos para sucedê-lo desde já.

Mas há uma terceira razão para que ele vá adiante.  Temer ofereceu-se como capaz de fazer as reformas que o país reclama, e que político algum com chances de se eleger presidente gostaria de fazer. Ou você imagina que Lula, Alckmin, Marina e Bolsonaro e Ciro tentarão se eleger prometendo reformas?

Reformas que doam no bolso do eleitor - e essas tais doem e continuarão doendo por muito tempo – subtraem votos aos candidatos, não acrescentam. Então que Temer aproveite sua popularidade rarefeita para promovê-las antes das eleições de 2018. Até porque depois não haverá futuro para ele.

Daí o empenho de Temer em aprovar a reforma da Previdência mesmo sabendo que as dificuldades serão grandes. Falou que ela seria votada no último dia 6. Marcou para que seja no dia 18 do mês em curso, quase na véspera do início do recesso de fim do ano do Congresso. Se não for, marcará para um dia qualquer de fevereiro.

O dia 18 foi escolhido porque falta ao governo votos para aprovar a reforma antes disso. Se não marcasse uma data para votação, deixaria claro que não tem votos e que não terá. Mas o governo sabe melhor do que ninguém que em 2018 pouco ou nada se votará de importante e polêmico no Congresso.

Tão ligado ao ex-presidente José Sarney como é, Temer quer distância dele quando lembra como Sarney terminou o seu governo. Terminou com uma economia no bagaço, mas não só. O último ano de Sarney no governo foi de total irrelevância. Ele virou o saco de pancada dos candidatos ao seu lugar. Temer quer fugir disso.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

POLÍTICA/OPINIÃO: RICARDO NOBLAT

Resultado de imagem para ilustração porta giratória
Ilustração: Depositphotos

PSDB SAI DO GOVERNO, MAS FICA

Quem quiser sair na foto ao lado de Aécio levante a mão

Por Ricardo Noblat
http://noblat.oglobo.globo.com
07/12/2017 | 01h40

A convenção nacional do PSDB, marcada para este fim de semana em Brasília, servirá para que o partido desembarque do governo do presidente Michel Temer sem desembarcar de fato. Servirá também para eleger Geraldo Alckmin presidente do partido.

Uma vez que o desembarque seja anunciado, o senador Aloysio Nunes (SP) ficará no ministério das Relações Exteriores, e o deputado Antonio Imbassay (BA) na Articulação Política do governo. Imbassahy poderá trocar o PSDB pelo PMDB.

Os dois passarão a integrar a cota de ministros escolhidos diretamente por Temer. Dela seguirá fazendo parte o atual presidente da Petrobras, Pedro Parente, ex-ministro da Casa Civil do governo Fernando Henrique Cardoso.

Será dessa forma, pois, elegante e pela porta da frente, que o PSDB abandonará Temer. Resta saber o que se fará do senador Aécio Neves (MG). Improvável que ele falte à convenção, embora seus colegas torçam por isso.

Mas como fazer para que ele não apareça na foto oficial ao lado de Alckmin, Fernando Henrique e demais cardeais do partido?

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

POLÍTICA/OPINIÃO: RICARDO NOBLAT

Resultado de imagem para charges Lula preso
Charge: Sponholz

PT ESPERA CONDENAÇÃO DE LULA

Para consumo do público interno, o PT e seus
principais dirigentes consideram que a sorte
de Lula já foi selada. Ele será condenado outra vez

Por Ricardo Noblat
http://noblat.oglobo.globo.com/meus-textos
05/12/2017 | 02h53

Para consumo do público externo, o PT e seus principais dirigentes repetem o refrão de que Lula é inocente e que, por isso, será inocentado pela segunda instância da Justiça.

Sempre um tom acima dos demais, a senadora Gleisi Hoffman (PR), presidente do partido, vai além e afirma que a única decisão possível e respeitável da Justiça seria a absolvição de Lula.

Para consumo do público interno, o público mais restrito possível, o PT e seus principais dirigentes consideram que a sorte de Lula já foi selada. Ele será condenado outra vez.

A conferir.

A segunda instância parece apressada em julgar recurso impetrado pela defesa de Lula para derrubar a sentença do juiz Sérgio Moro que o condenou por lavagem de dinheiro e corrupção passiva.

É possível que o julgamento esteja consumado em março ou abril do próximo ano. Assim, o PT teria mais tempo, no caso de condenação de Lula, para lançar outro candidato a presidente da República.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

POLÍTICA/OPINIÃO: RICARDO NOBLAT

Resultado de imagem para caricaturas de Lula
Há quem leve a sério a triste figura
Lula, por Willian

LULA, O PROTAGONISTA

Cada eleição é uma, com suas particularidades.
Mas nada impede que determinados axiomas
influenciem os resultados de quase todas

Por Ricardo Noblat
04/12/2017 | 03h00

A mais recente pesquisa de intenção de votos do Datafolha reforça a convicção da esmagadora maioria dos políticos de todas as cores de que vivo ou morto, preso ou solto, candidato ou não, Lula será o protagonista da próxima eleição presidencial. Como foi de todas de 1989 para cá, à exceção da de 2014 quando Dilma preferiu caminhar com as próprias pernas e por pouco não acabou derrotada.

Cada eleição é uma, com suas particularidades. Mas nada impede que determinados axiomas influenciem os resultados de quase todas. Quando a economia vai mal, por exemplo, vota-se contra o candidato apoiado pela situação. Ou contra aqueles que a ela não se oponham de maneira decisiva. Não basta opor-se, claro. É preciso encarnar a esperança de que tudo poderá mudar.

Em 1989 foi assim. Fernando Collor de Melo, o “caçador de marajás”, Leonel Brizola, a besta-fera do regime militar de 64, e Luiz Inácio Lula da Silva, o operário que ameaçava o status quo, prometeram romper com “tudo isso que está aí” – a inflação galopante, a corrupção em alta, um governo inerte, sem rumo. Os três foram os mais votados no primeiro turno.

A corrupção, o fracasso da política econômica e a falta de apoio do Congresso derrubaram Collor à metade do seu mandato. O sucesso do Plano Real no combate à inflação elegeu e reelegeu Fernando Henrique Cardoso em 1994 e 1998. A “esperança venceu o medo” em 2002 elegendo Lulinha Paz e Amor quando o Real começava a farrapar. Lula reelegeu-se apesar do mensalão. E elegeu Dilma, seu poste.

Num país onde a renda familiar de 67% da população fica abaixo de três salários mínimos, a Era Lula é lembrada por muitos como de relativa paz, estabilidade e um pouco mais de dinheiro no bolso. O Datafolha perguntou aos entrevistados se a corrupção é tolerável caso venha acompanhada de benefícios sociais. Para pouco mais de 50%, é sim. Não é para 45%. Os demais não souberam responder.

Lula estava no patamar dos 30% das intenções de voto quando foi levado coercitivamente a depor à Lava Jato em março de 2016, e depois ao juiz Sérgio Moro em maio deste ano. Agora, aparece com 36% em todos os cenários de primeiro turno considerados pelo Datafolha. Na simulação de segundo turno, a vantagem dele sobre seus adversários aumentou em quatro pontos percentuais.

Cada processo tem um número. Lula soube transformar os processos a que responde em uma causa – a defesa do perseguido que, se incorreu em má conduta foi em poucas e insignificantes. Impedi-lo de disputar eleições seria um crime contra uma parcela expressiva de brasileiros. É razoável supor que assim pensem os que votam nele, e garantem votar em um eventual candidato por ele indicado.

Sempre haverá a possibilidade de que a Justiça em segunda instância se apresse e confirme a sentença de Moro que condenou Lula. Mas caberão recursos às instâncias seguintes, e essas costumam ser lentas e generosas com políticos poderosos.

A sombra de Lula, ou ele de corpo presente, determinará a sorte da escolha do sucessor de Temer.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

POLÍTICA/OPINIÃO: RICARDO NOBLAT

Resultado de imagem para imagens michel temer
Temer: Sem foro especial, é pênalti (Foto: AFP)

DE PRESIDENTE A INVESTIGADO

O que Temer aspira é a continuar desfrutando de foro especial,
o que lhe asseguraria o privilégio de só poder ser investigado
e processado pelo Supremo Tribunal Federal

Por Ricardo Noblat
http://noblat.oglobo.globo.com
30/11/2017 - 04h05

Onde se lê: Michel Temer ainda opera com a possibilidade de ser candidato à reeleição; leia-se: Temer está à procura de uma saída para não cair nas mãos do juiz Sérgio Moro tão logo deixe o cargo.

Eliseu Padilha, ministro da Casa Civil, declarou, ontem, que Temer não tem “nenhuma pretensão” de concorrer às eleições de 2018. Como concorreria com uma popularidade tão rala?

O que Temer aspira é a continuar desfrutando de foro especial, o que lhe asseguraria o privilégio de só poder ser investigado e processado pelo Supremo Tribunal Federal.

Esse é o sonho de 10 entre 10 políticos. Por quê? Ora, por que. A pretexto de sobrecarga de trabalho, o Supremo costuma ser generoso com os políticos em geral.

Tudo, ali, arrasta-se com uma lentidão irritante para quem cobra da Justiça rapidez e eficiência. Se processos contra políticos não prescrevem, haverá sempre um ministro disposto a dar um jeito.

A nomeação de ministros de tribunais superiores depende do Senado. A aceitação de pedido de impeachment contra algum deles depende do presidente do Senado.  Vida que segue.

Dos 11 ministros do Supremo, oito já votaram para acabar com o foro especial para deputados federais e senadores. O ministro Dias Toffoli pediu vista e, com isso, adiou ali qualquer decisão.

A Câmara dos Deputados promete deliberar em breve sobre o assunto. É duvidoso que o faça em breve ou a médio prazo. Quem está disposto a renunciar a privilégios?

Para manter o seu, uma vez que não mudem as regras atuais, seria preciso que Temer fosse nomeado ministro do próximo governo. Ou então embaixador em algum país.

A ex-presidente Dilma Rousseff tentou fazer de Lula ministro para protegê-lo de Moro. Foi impedida pelo ministro Gilmar Mendes em decisão monocrática.

O Congresso bem que poderia aprovar uma emenda estendendo a ex-presidentes da República o direito ao foro especial. Seriam gratos Sarney, Collor, Lula e Dilma, ex-presidentes em apuros.

Tudo por aqui é possível, sim, mas tudo tem um custo.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

POLÍTICA/OPINIÃO: RICARDO NOBLAT

Resultado de imagem para ilustração tolos
PSDB; Afinal, quem são os tolos - eles, nós?
Ilustração: Depositphotos

PSDB MUDA PARA NADA MUDAR

Como ficaria Alckmin? 
Como ficaria a poderosa seção paulista 
do PSDB? Sempre será melhor para ela continuar 
mandando no partido. Há muitos interesses em jogo. 
E nem todos confessáveis. 
Docemente constrangido, Alckmin topou a missão.

Por Ricardo Noblat
http://noblat.oglobo.globo.com/
28/11/2017 - 03h59

A saída encontrada pelo PSDB para contornar a crise que rachou o partido e ameaça afundá-lo foi fazer de conta que a crise não existe. Ou que deixou de existir com o acordão que fará de Geraldo Alckmin a partir do próximo dia 9 o novo presidente nacional do partido.

A ascensão de Alckmin lhe dará mais força para consolidar-se como o candidato do PSDB à próxima eleição presidencial. Doravante, Alckmin será o dono da chave do cofre onde está depositada a fatia milionária do fundo partidário.

Quem quiser no PSDB se eleger qualquer coisa em 2018 terá de se entender com Alckmin. Que candidato a presidente não gostaria de dispor dessa vantagem? Haverá juras eternas de fidelidade a ele. Mas como no amor, a fidelidade é infinita enquanto dura.

Em 2006, quando disputou a presidência da República com Lula, Alckmin teve ao seu lado um partido relativamente em paz e unido. Nem por isso lhe foi fiel. Alckmin debita parte de sua derrota na conta dos que o traíram – entre eles, José Serra e Aécio Neves.

O PSDB não é um partido de massas, como o PT, por exemplo. É um partido de quadros. É o colégio de cardeais, integrado por poucos nomes, que decide a sorte do partido. Ou do seu principal candidato numa eleição majoritária. Daí o estrago que traições podem causar.

Foi o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que decidiu solitariamente que o melhor para o PSDB seria Alckmin assumir a presidência do partido. Evitaria a disputa entre Tasso Jereissati (CE) e Marconi Perillo (GO).

Um (Tasso), apoiado pelos que ainda apostam na renovação do partido. O outro (Perillo), por Aécios (MG) e os que gostariam de seguir unidos com Temer e o PMDB. De resto, mais adiante, e se Tasso ou Perillo pretendesse ser candidato à vaga de Temer?

Como ficaria Alckmin? Como ficaria a poderosa seção paulista do PSDB? Sempre será melhor para ela continuar mandando no partido. Há muitos interesses em jogo. E nem todos confessáveis. Docemente constrangido, Alckmin topou a missão.

Portanto, bola para frente, sem que se dê uma única palavra sobre o que Aécio fez ou acabou impedido de consumar; e sobre os desvios de comportamento de outras estrelas brilhantes do partido acusadas de prevaricar tanto ou mais do que ele.

Nada de faxina ética – a última que pensou nisso foi varrida. Nada que possa significar uma refundação do partido. O marketing e a tradicional política de alianças que se encarreguem de sustentar a candidatura de Alckmin.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

POLÍTICA/OPINIÃO: RICARDO NOBLAT

Resultado de imagem para imagens para maus presságios
Foto: Arquivo Google

MAU PRESSÁGIO

Temer está fazendo o que lhe cabe fazer. Imagina que
se a reforma não passar a culpa não será sua. Mas será
dele também. Foi Temer que enfraqueceu Temer
por tornar-se alvo de duas denúncias de corrupção

Por Ricardo Noblat
http://noblat.oglobo.globo.com/meus-textos
23/11/2017 | 03:58

A medirem-se as chances de a reforma da Previdência ser aprovada pelo número de deputados que atenderam ontem à noite ao convite do presidente Michel Temer para jantar no Palácio da Alvorada, adeus reforma. Sequer será posta em votação.

Temer havia convidado o que chama de base aliada do governo. Seus porta-vozes formais e informais adiantaram que o jantar deveria reunir cerca de 300 deputados. Ao fim do regabofe, alguns deles estimaram que pelo menos 200 marcaram presença.

Conversa mole. Deputados saíram de lá dizendo que não havia mais de 170 num cálculo otimista. Aliado de Temer, o vice-presidente da Câmara, Fábio Ramalho (PMDB-MG), não foi. “Iria para quê? Não votarei a favor da reforma”, disse ele a este blog.

Ramalho admite que a reforma é necessária, mas que não será “louco” de ajudar a aprová-la a menos de um ano das próximas eleições”. E garante: “Esse é o sentimento predominante na Câmara hoje. Ninguém, ali, concorda em se suicidar. O povo é contra”.

Para aprovar a reforma na Câmara, o governo precisará de um mínimo de 308 votos de um total de 513. “Se ele tiver 150, 180 votos, que comemore”, aconselha Ramalho. O relator da reforma, deputado Arthur Maia (PPS-BA), não discorda de Ramalho.

“Nada está garantido. Quem dará a palavra final é o plenário da Câmara. Não sou eu que vou garantir a aprovação”, ditou Maia depois do jantar. Se a reforma não for votada na Câmara até o próximo dia 15, Maia acha que ela ficará para o próximo governo.

Temer está fazendo o que lhe cabe fazer. Imagina que se a reforma não passar a culpa não será sua. Mas será dele também. Foi Temer que enfraqueceu Temer por tornar-se alvo de duas denúncias de corrupção.

***

NOTA DO BLOG

Verdade seja dita. Temer não mede esforços para manter e/ou ampliar a tal da base aliada: acelera a liberação de verbas para as emendas parlamentares, faz concessões indecentes para empresários sonegadores, distribui cargos, troca ministros sem levar em conta a folha corrida dos beneficiados. Além disso, com o objetivo de angariar votos a qualquer preço, abre as portas do Palácio e oferece banquetes a centenas de convidados famintos, não de comida boa e farta, mas de outros tipos de vantagens, muitas indevidas. Tudo com dinheiro público, evidentemente. O que fará com a comida que ontem (22/11) não foi comida no Palácio da Alvorada?. Dará aos porcos? (Orlando Silveira)
  

terça-feira, 21 de novembro de 2017

POLÍTICA/OPINIÃO: RICARDO NOBLAT

Resultado de imagem para imagens rocha loures carregando a mala
Sorria, Loures, você está sendo filmado
Foto: G1 - Globo. com

COM QUANTAS MALAS SE PRATICA UM CRIME?

Para o novo diretor-geral da PF, uma mala com R$ 500 mil,
entregue por um empresário a um assessor especial
do presidente da República a título de pagamento de propina,
é apenas uma mala, nada mais do que uma mala

Por Ricardo Noblat
21/11/2017 - 02h39

A dar-se crédito ao que disse ontem o delegado Fernando Segóvia, novo diretor-geral da Polícia Federal, uma mala com R$ 500 mil, entregue por um empresário a um assessor especial do presidente da República a título de pagamento de propina, é apenas uma mala, nada mais do que uma mala.

E, por isso, insuficiente para sustentar qualquer denúncia de corrupção contra o presidente. Não importa que antes da entrega da mala o empresário tenha conversado com o presidente e este, designado o assessor para revolver qualquer problema que ele tivesse dentro do governo.

Não importa também que o assessor tenha sido filmado carregando a mala. E que, mais tarde, com medo de ser preso, tenha endereçado a mala à Polícia Federal faltando uma parte dos R$ 500 mil, devolvida por ele mais tarde. Até hoje, o assessor, preso e solto depois, recusa-se a dizer a quem a mala se destinava.

Foi com base em extenso relatório da Polícia Federal que Rodrigo Janot, à época Procurador-Geral da República, denunciou o presidente Michel Temer por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Denunciou-o outra vez por organização criminosa. Certamente Segóvia ainda não teve tempo para ler o relatório.

Sua estreia no cargo, depois de dois anos como adido da embaixada do Brasil na África do Sul, deixou amplamente felizes o presidente que o nomeou e os que o indicaram – o PMDB de José Sarney, Renan Calheiros e Romero Jucá, o ministro Eliseu Padilha, da Casa Civil, e o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.

Tudo gente boa – embora todos eles, à exceção de Gilmar, às voltas com processos da Lava Jato. Segóvia deixou claro no seu discurso de posse a que veio – segurar as redes da Polícia Federal para que ela evite criar novos embaraços para políticos encrencados.


quinta-feira, 16 de novembro de 2017

POLÍTICA/OPINIÃO: RICARDO NOBLAT

Resultado de imagem para ilustração sobre justiça
A Justiça tapa os olhos para não ver seus podres
Ilustração: iStock
QUE JUSTIÇA É ESSA?

Ainda está para ser feita uma devassa nos salários
e benefícios do Judiciário. O poder encarregado de aplicar
as leis é o menos transparente dos poderes

Por Ricardo Noblat
16/11/2017 - 03h03

No Rio de Janeiro onde 221.604 servidores e aposentados ainda não receberam o salário de setembro, o Tribunal de Justiça do Estado pagou na última terça-feira o “auxílio peru” – abono de R$ 2.000 para que juízes e servidores possam desfrutar de um Natal feliz.

O “auxílio peru” do Rio tem um nome menos escrachado em Roraima. Ali, chama-se “auxílio alimentação”. Excepcionalmente neste mês foi fixado em R$ 2.466,16. Tem o mesmo propósito: proporcionar aos contemplados um Natal mais gordo, digamos.

Roraima não é um Estado falido como o Rio. Mas enfrenta dificuldades financeiras como os demais. A Justiça, tanto em Roraima como no Rio e em outros lugares, é o poder mais bem pago da República. E também o mais insensível ao que ocorre em torno dele.

Ainda está para ser feita uma devassa nos salários e benefícios do Judiciário. O poder encarregado de aplicar as leis é o menos transparente dos poderes. Sabe-se quanto ganha o presidente da República, por exemplo. Não se sabe quanto os juízes ganham.

O salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal serve de teto para os salários pagos pelos demais poderes. Mas estranhamente não serve para os salários dos próprios juízes.

LEWANDOWSKI DÁ MAIS
UM TIRO NA LAVA JATO

Resultado de imagem para foto de ricardo lewandowski
Lewandowski: O que há por 
trás dessa "cara de conteúdo"?
Foto: Nelson Jr./STF

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), está coberto de razão quando denuncia que há em curso uma manobra para sufocar a Lava Jato.

Em recente julgamento, por maioria de votos, o STF decidiu que só lhe cabe avaliar a eficácia dos acordos gerados por delações premiadas, não o seu mérito.

Pois bem: Lewandowski fez o contrário ao não homologar a delação premiada do marqueteiro Renato Pereira e devolvê-la à Procuradoria Geral da República.

A delação de Pereira atingiu em cheio o coração da gangue do PMDB que há mais de 20 anos domina a política do Rio de Janeiro. Envolveu diretamente Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão e Eduardo Paes.

Quem se arriscaria a firmar acordo de delação com o Ministério Público Federal, contar o que sabe, para depois o acordo ser desconsiderado? Ninguém.

Uma das razões do sucesso de Lava Jato é justamente o uso do instrumento da delação premiada. Não basta ao delator contar o que sabe, tem de provar ou oferecer indícios de provas.

Os acordos de delação só são firmados quando o Ministério Público julga convincentes as provas ou os indícios oferecidos. Lewandowisk atirou novamente na Lava Jato. Por que?

Ora por que... O ministro Gilmar Mendes logo saiu em defesa dele. (RN)
  

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

POLÍTICA/OPINIÃO: RICARDO NOBLAT

Resultado de imagem para IMAGENS PARA TEMER PENSATIVO
E agora, José? Faço ou não faço a reforma agora?

TEMER SOB PRESSÃO PARA
DEIXAR TUDO COMO ESTÁ

Por Ricardo Noblat
http://noblat.oglobo.globo.com/
15/11/2017 - 03h35

Se depender de partidos que apoiam o presidente Michel Temer e até mesmo de auxiliares dele, ficará para abril a reforma do ministério. Manda a lei que até 30 de abril deixem os cargos os ministros que queiram disputar as próximas eleições.

Temer havia decidido reformar o ministério até meados de dezembro. Com isso, pretendia se antecipar à saída do PSDB do governo e remontar sua base de apoio no Congresso, especialmente na Câmara dos Deputados, que só tem feito diminuir.

Não recuou da decisão. Mas recuará caso dê ouvidos aos que já começaram a se manifestar contra a ideia. De resto, a reforma ampla, geral e irrestrita como ele imagina irá para o brejo se ele abrir exceções como querem alguns dos seus ministros.

O da Fazenda, Henrique Meirelles, que em entrevista recente à revista VEJA admitiu que é presidenciável - ou seja, aspirante a concorrer à vaga de Temer -, apressou-se, ontem, a dizer que só definirá seu destino no início do próximo ano.

Quer dizer: não pretende deixar o governo antes disso. Outro que reagiu a sair logo foi o ministro Gilberto Kassab, da Ciência e Tecnologia. "Todo mundo sabe que, hoje, não sou candidato. O partido ficou de tratar desse assunto apenas no início de 2018”, disse.

Presidente licenciado do PRB, Marcos Pereira, ministro da Indústria e Comércio, afirmou que respeitará a decisão de Temer, mas confessou que a saída antecipada seria ruim: “Temos muitas entregas programadas de obras até abril”.

O deputado Mendonça Filho, da Educação, será candidato à reeleição pelo DEM de Pernambuco. Ou ao governo, ou ao Senado. Nada quis comentar sobre a antecipação da reforma. Mas se dependesse somente dele ficaria onde está.

“O presidente quer a saída desde já dos que irão concorrer às eleições”, confirmou Eliseu Padilha, chefe da Casa Civil do governo. Quando perguntado se será candidato, respondeu que só tomará qualquer decisão a respeito até o fim de março.

A bola está nos pés de Temer. Resta saber se ele a chutará como era ou ainda é seu desejo. Se der o dito pelo não dito, não surpreenderá ninguém.


EFEITO PERVERSO DA REFORMA
MINISTERIAL ANTECIPADA


Haverá um efeito colateral danoso da reforma ministerial antecipada que o presidente Michel Temer imagina concluir até meados de dezembro.

A saber: ministros não enrolados com a Justiça, e candidatos às próximas eleições, deixarão seus cargos. E ministros enrolados acabarão ficando para não perder o direito ao foro privilegiado.

Ministros só podem ser processados pelo Supremo Tribunal Federal. De volta à planície, poderão ser processados pela primeira instância da justiça. Leia-se: por juízes do tipo Sérgio Moro.

Temer arrisca-se a contar com um ministério de maioria suspeita de falcatruas. (RN)

***

LEIA TAMBÉM

O que vai acontecer não é propriamente uma troca de ministros. 
É uma troca de cúmplices. 
Há muitos interesses envolvidos na reforma de Temer. 
E nenhum deles é o interesse público. 
Por Josias de Souza



terça-feira, 14 de novembro de 2017

POLÍTICA/OPINIÃO: RICARDO NOBLAT

Resultado de imagem para imagens para dança das cadeiras
DANÇA DAS CADEIRAS: TEMER VAI TROCAR
SEIS POR MENOS MEIA DÚZIA
ILUSTRAÇÃO: GOOGLE

REFORMA MINISTERIAL
AMPLA, GERAL E IRRESTRITA

Por Ricardo Noblat
14/11/2017 - 01h45

O presidente Michel Temer decidiu substituir todos os ministros que pretendam disputar as próximas eleições. Não abrirá exceção. A reforma do seu governo deverá estar concluída até meados de dezembro.

A não ser que desistam de ser candidatos, deixarão o governo, entre outros, Henrique Meirelles (PDS) da Fazenda, Aloysio Nunes (PSDB), das Relações Exteriores, e Blairo Maggi (PP), da Agricultura.

E também: Gilberto Kassab (PSD), da Ciência e Tecnologia, Ricardo Barros (PP), da Saúde, Mendonça Filho (DEM), da Educação, Maurício Quintella (PR), dos Transportes e Raul Julgmann (PPS), da Defesa.

Foi na semana passada que Temer bateu o martelo em torno de uma reforma ministerial ampla, geral e irrestrita. Ontem, conversou a respeito com o presidente do PP, o senador Ciro Nogueira (PP).

A reforma serve ao propósito de Temer de recompor sua base de apoio no Congresso que murchou ao longo dos últimos meses. Na Câmara, ela já reuniu algo como 359 deputados. Hoje, cerca de 240.

Nada que o governo imagine fazer, e que implique em mudança na Constituição, será possível sem o apoio de pelo menos 342 deputados. É o caso, por exemplo, da reforma da Previdência.

Temer antecipou a reforma que obrigatoriamente seria feita até 30 de abril próximo. Pela lei, até essa data, ministro que queira concorrer às eleições teria de pedir demissão.

A dispor de um governo novo somente a partir de maio, Temer prefere celebrar a chegada de 2018 com um novo governo. A ser abandonado em breve pelo PSDB, Temer prefere abandoná-lo antes.

A partir de hoje, Temer receberá em audiência os demais presidentes de partidos que apoiam o governo, além de líderes da Câmara e do Senado. Brasília está vazia por conta do recesso informal do Congresso.

Voltará de imediato a se encher de políticos interessados em participar das negociações para a formação do novo ministério. Alguns, ainda ontem em seus Estados, já foram convocados.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

POLÍTICA/OPINIÃO: RICARDO NOBLAT

Resultado de imagem para caricaturas de aécio neves
Fraga

FALTOU PERGUNTAR A AÉCIO...

A pergunta e a investigação são a base do jornalismo

Por Ricardo Noblat
http://noblat.oglobo.globo.com
13/11/2017 - 09h04

Acertou o senador Aécio Neves (PSDB-MG) quando disse no último sábado em resposta a um jornalista que “a falência da política” é responsável pela pré-candidatura do apresentador de televisão Luciano Huck à presidência da República.

“É um pouco da falência da política, do momento de desgaste generalizado pelo qual passa a política”, argumentou Aécio. “Luciano é um sujeito muito capaz, inteligente. O tempo dirá se ele está ou não preparado para esta missão”.

Teria sido o caso de se perguntar a Aécio se ele estava preparado para a missão quando se candidatou a presidente da República em 2014. E, se estava, por que tão rapidamente desde então deu um jeito de mergulhar fundo na lama?

A política faliu por quê? – outra pergunta que poderia ter sido feita a Aécio. E mais outra que não se fez: De alguma forma, ele não contribuiu para a falência da política ou para a sensação generalizada de que ela faliu?

Políticos, mas não só, detestam responder a perguntas incômodas. Gostam de ditar declarações. E os jornalistas acabam se contentando apenas com o que eles dizem. A pergunta e a investigação são a base do jornalismo.
  

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

POLÍTICA/OPINIÃO: RICARDO NOBLAT

Resultado de imagem para imagens suicídio
FOTO: ARQUIVO GOOGLE

O SUICÍDIO DE AÉCIO

O senador mineiro pulverizou em pouco tempo um capital político
que bem administrado poderia transformá-lo no candidato favorito
a vencer a sucessão de Temer

Por Ricardo Noblat
http://noblat.oglobo.globo.com
10/11/2017 - 08h02

Só o desespero ou a inexperiência política seria capaz de explicar erro tão desastroso como o cometido, ontem, pelo senador Aécio Neves (MG) ao reassumir a presidência do PSDB para dela afastar Tasso Jereissati (CE), o presidente interino por ele mesmo empossado.

Experiência política Aécio tem de sobra. Acumulou-a passando da condição de neto e de secretário particular do avô Tancredo Neves a de deputado federal, depois a de presidente da Câmara, mais tarde a de governador por duas vezes de Minas Gerais, e por último a de senador.

Resta o desespero. Só ele pode explicar o que fez Aécio. O desespero de quem pulverizou em pouco tempo um capital político que bem administrado poderia ter feito do seu dono o candidato favorito a vencer a sucessão de Temerl. O desespero de quem pouco aprendeu com a vida.

Falta menos de um mês para que o PSDB eleja seu novo presidente. De maio para cá, enquanto Aécio se ocupava em recuperar o mandato e a liberdade temporariamente suspensos, Jereissati deu um jeito de injetar novo ânimo em um partido gravemente ameaçado de soçobrar.

Para isso, admitiu erros que o PSDB cometeu, defendeu que ele abandonasse a companhia do presidente mais impopular da história do país, e acenou com novas propostas de governança interna. Credenciou-se assim para ser lançado candidato à sucessão de Aécio. Nada mais natural.

Ao invés de se fingir de morto vivo, pois é isso que ele é,  Aécio reagiu com o ato inconsequente de destituir Jereissati da presidência do partido. Com isso, voltou à boca do palco de onde se afastara inconformado. E mostrou outra vez de que lado está e ficará.

Está do lado dos que resistem às mudanças, dos que querem manter a política como ela sempre foi, e dos que ainda insistem em se agarrar a um governo de fechada. Como dessa maneira ele imagina se eleger qualquer coisa? Enterrou-se de vez. Elegeu Jereissati.

A VELHA POLÍTICA ESPERNEIA NA MACA

Resultado de imagem para CARICATURAS AÉCIO
Aécio, por Amarildo

A destituição do senador Tasso Jereissati (CE) da presidência temporária do PSDB faz parte da resistência da Velha Política a ceder lugar à Nova.

Sem condições morais para presidir o PSDB, o senador Aécio Neves (MG) pôs e tirou Jereissati do comando do partido. Jereissati quer distância do governo. Aécio precisa que o governo o proteja.

O único culpado pela crise do PSDB é o PSDB. Foi leniente com Aécio, gravado pedindo R$ 2,5 milhões ao empresário Joesley Batista, afastado do mandato e posto em prisão domiciliar.

A Polícia Federal ganhou um novo diretor. O que saiu, por pressão e cansaço, era afinado com a Lava Jato. O que entrou é afinado com o PMDB de Michel Temer e com o ministro Gilmar Mendes.

O Supremo Tribunal Federal (STF) submeteu-se ao Congresso. Abriu mão do poder de aplicar medidas cautelares a políticos sem o consentimento deles. Aberta porteira, passará uma manada.

Ao que tudo indica, o STF está pronto a revogar sua própria decisão que permite o cumprimento imediato de pena depois de condenação em segunda instância. Haverá uma legião de agradecidos.

Depois de mais de dois anos de pregação contra os “golpistas”, Lula anunciou que os perdoa. O PT alagoano logo se apressou a oferecer apoio à reeleição do senador Renan Calheiros (PMDB).

Em cinco ou seis Estados, PT e PMDB negociam acordos para disputar as eleições de 2018. O discurso do “golpe” entrou pela perna do pinto e saiu pela perna do pato. Dilma engoliu a seco.

Temer moveu meio mundo, sobreviveu a duas denúncias por corrupção e ficou. Fica, com pouca ou quase força alguma para fazer mais nada.

Adeus reforma da Previdência! Em breve, a reforma do ministério, a ser provocada pela saída do PSDB do governo, abrirá espaço para a entrada de novos e piores nomes dos partidos mais fisiológicos.


A Velha Política esperneia na maca. E a Nova está sendo sufocada para não nascer. (Ricardo Noblat)