Não
tenho GPS, nem quero ter. Pouco saio do bairro em que moro e trabalho. Se me
perco, paro na padaria mais próxima, peço informação e engato uma conversa
fiada com o primeiro que me der trela. Aprende-se muito em papos de balcão,
principalmente o que não se deve fazer.
Meu
celular é chinfrim. Sou do tempo em que telefone servia somente para falar o
básico. E ponto. Não sou japonês, para tirar fotografia de tudo o que vejo pela
frente. Não preciso estar online o tempo todo. Sou um desimportante assumido. Não
ter importância já me incomodou. Hoje, não. É bom não ser nada.
Não
gosto de vinhos. Prefiro destilados, embora não rejeite uma gelada.
Não
desgosto da tecnologia – desde que os filhos me digam que botões apertar, para
fazer isso ou aquilo. Esta cabeça fraca jamais compreendeu o que vai escrito em
manuais. Nunca conseguiu avançar para além do índice.
Nada
tenho contra quem pensa diferente, mas sempre gostei de mulher.
(outubro
2013)