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quarta-feira, 6 de maio de 2015

HOMEM DAS CAVERNAS



Não tenho GPS, nem quero ter. Pouco saio do bairro em que moro e trabalho. Se me perco, paro na padaria mais próxima, peço informação e engato uma conversa fiada com o primeiro que me der trela. Aprende-se muito em papos de balcão, principalmente o que não se deve fazer.

Meu celular é chinfrim. Sou do tempo em que telefone servia somente para falar o básico. E ponto. Não sou japonês, para tirar fotografia de tudo o que vejo pela frente. Não preciso estar online o tempo todo. Sou um desimportante assumido. Não ter importância já me incomodou. Hoje, não. É bom não ser nada.

Não gosto de vinhos. Prefiro destilados, embora não rejeite uma gelada.

Não desgosto da tecnologia – desde que os filhos me digam que botões apertar, para fazer isso ou aquilo. Esta cabeça fraca jamais compreendeu o que vai escrito em manuais. Nunca conseguiu avançar para além do índice.

Nada tenho contra quem pensa diferente, mas sempre gostei de mulher.

(outubro 2013)